Leia texto de Dostoiévski inspirado em Natal na prisão

Trecho é de ‘Escritos da Casa Morta’, antes traduzido como ‘Memórias da Casa dos Mortos’ [SOBRE O TEXTO] Fiódor Dostoiévski era um nome promissor nas letras russas quando foi preso, em 1849, aos 28 anos. Condenado ao fuzilamento por frequentar um círculo de pensadores críticos ao czarismo, teve sua pena comutada, passando quatro anos no presídio…

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“Retrato do civilizado” (E.M. Cioran)

“Portrait du civilisé” é o segundo ensaio de La chute dans le temps (1964),o primeiro sendo “L’arbre de vie” [A árvore da vida], no qual Cioran apresenta a sua exegese pouco ortodoxa do mito do pecado original. O ensaio aqui traduzido dialoga tanto com o livro anterior, História e Utopia (1960), quanto com o seguinte…

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“O emigrado metafísico: o gnóstico” (Sylvie Jaudeau)

A atitude gnóstica constitui, com efeito, a chave de uma obra representativa das tendências contraditórias deste século: niilismo, angelismo, revolta e fatalismo. Mais precisamente, ela nos fornece a resposta a esta questão que não falha em colocar-se a propósito de Cioran: como o niilismo é compatível com uma criação literária? O ato literário em si…

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De Maistre, Baudelaire, and Original Sin: between Tyranny and Heresy as Radical Liberty (Joseph Acquisto)

“Freedom is the supreme good only for those animated by the will to heresy.“ Cioran, Syllogismes de l’amertume * The high stakes of any modern or contemporary discussion of original sin immediately become apparent: quickly divorced from questions of belief, original sin becomes the base of a political theology that veers toward tyranny. The authoritarian conclusions fall back, however,…

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O risco totalitário entre a língua e a linguagem (Roland Barthes)

A linguagem é legislação, a língua é seu código. Não vemos o poder que reside na língua, porque esquecemos que toda língua é uma classificação, e que toda classificação é opressiva: ordo quer dizer, ao mesmo tempo, repartição e cominação. Jákobson mostrou que um idioma se define menos pelo que ele permite dizer, do que…

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Sobre cinismos, niilismos e terrorismo de Estado (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Com o absurdo não se barganha, não se negocia. “Absurdo”, ou seja, esta palavrinha que nós, modernos, encontramos para maquiar o Mal. Como as explicações teológicas e metafísicas perderam sua razão de ser, não pegaria bem continuar usando tão atávica (e suja) expressão: “o Mal”. “O absurdo” soa melhor, mais moderno, mais filosófico, menos “cristão”… A…

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Ivan Karamázov e os escrúpulos de um Niilista

Pois bem, vive o general em sua fazenda de duas mil almas (Assim eram chamados os servos camponeses. (N. do T.)), cheio de arrogância, tratando por cima dos ombros seus vizinhos, pequenos proprietários, como seus parasitas e palhaços. Tem um canil com centenas de cães e quase uma centena de seus cuidadores todos uniformizados, todos…

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“El precio de la libertad, un paralelo entre Cioran y Héctor Escobar” (M. Liliana Herrera A.)

Literariedad – Revista Latinoamericana de Cultura. Año 6. Desde Pereira, Colombia. Apuntes peatones. ISSN: 2462-893X (En línea). [ 1- VERSIÓN ORIGINAL ESPAÑOL] Una alusiva cioraniana[1] Por: M. Liliana Herrera A.* Universidad Tecnológica de Pereira (Colombia) Cioran: …La libertad (…), no tener obligaciones ni responsabilidades, hacer sólo lo que quiero, no tener horarios, no escribir más que sobre las…

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“Dialogo della moda e della morte (Giacomo Leopardi)

Moda. Madama Morte, madama Morte. Morte. Aspetta che sia l’ora, e verrò senza che tu mi chiami. Moda. Madama Morte. Morte. Vattene col diavolo. Verrò quando tu non vorrai. Moda. Come se io non fossi immortale. Morte. Immortale? Passato è già più che ‘lmillesim’anno che sono finiti i tempi degl’immortali. Moda. Anche Madama petrarcheggia come…

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Colóquio Internacional Fernando Pessoa & Emil Cioran: Pensadores das Margens da Razão e da Civilização

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Lisboa, 9 e 10 de Outubro de 2019 Mês que vem, acontecerá em Lisboa um importante colóquio sobre a filiação Fernando Pessoa-Emil Cioran. O Brasil estará muito bem representado por dois importantes filósofos: José Thomaz Brum (PUC-RJ), tradutor e amigo de Cioran, e Fernando Rey Puente (UFMG), autor de Os…

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“Beyond the Suffering of Being: Desire in Giacomo Leopardi and Samuel Beckett” (Roberta Cauchi-Santoro)

A thesis submitted in partial fulfillment of the requirements for the degree in Doctor of Philosophy, University of West Ontario, 2013 Abstract: In this dissertation, I question critical approaches that argue for Giacomo Leopardi’s and Samuel Beckett’s pessimism and nihilism. Beckett quotes Leopardi when discussing the removal of desire in his monograph Proust, a context…

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“A Filosofia ao alcance dos centauros” (Ciprian Vălcan)

REVISTA BRASILEIRA, fase VIII, outubro/novembro 2014, ano III, no. 81, p. 91-104. Aqueles que procuram, nos dias de hoje, defender a importância da Filosofia parecem, já de início, destinados à derrota. Nenhuma das antigas virtudes que animavam os amantes da sabedoria parece servir de referência para apoiar tais excêntricas preocupações. A morte dos ideais foi…

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Eventos celebram 70 anos da visita de Camus ao Brasil

Blog da editora RECORD, 13/08/2019 Autor de clássicos da literatura moderna como os romances O Estrangeiro e A Peste, prêmio Nobel de Literatura de 1957, o escritor francês Albert Camus esteve no Brasil em 1949. Ao longo de dois meses, julho e agosto, Camus percorreu diversas cidades (Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Olinda, Salvador e Porto Alegre)…

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“Há poetas gnósticos?” (Claudio Willer)

Revista Terceira Margem – Programa de Pós-graduação em Ciência da Literatura da UFRJ, vol. 19, no. 31, 2015 Resumo: O presente ensaio retoma o que já escrevi sobre gnosticismo e poesia, e sobre poetas gnósticos. Examina o trânsito entre doutrinas aparentemente opostas, a gnose pessimista e aquela otimista do Corpus Hermeticum. Reconhece que há mais poetas gnósticos;…

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O Trágico na Literatura Brasileira – Revista Opiniães

Opiniães – Revista dos alunos de literatura brasileira, USP, no. 14, 2019 Em sua 14ª edição, a Opiniães – Revista dos alunos de literatura brasileira (USP)  (Qualis B1) – aborda o tema da tragédia e das manifestações do trágico na literatura brasileira dos seus começos à contemporaneidade. Em torno do assunto, indicamos a leitura da seção Dossiê: A tragédia…

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G.K. Chesterton, por Gustavo Corção

O GLOBO, Rio de Janeiro, 06 de junho de 1974 Graças à vigilância de Antônio Olinto, na sua “Porta de Livraria” de O Globo, chego ainda a tempo para saudar o centenário de G. K. Chesterton, o incomparável escritor inglês que mais indelevelmente me marcou a alma nos dias em que andei perdido pelo mundo…

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“Lições de abismo” (Gustavo Corção)

O amor e a morte não precisam de muito espaço. A casa é demais. A casa é necessária quando a vida se multiplica em ramificações anárquicas, quando há crianças que não param quietas, criadas que manobram aspiradores, telefones que tocam, visitas que chegam de repente. Mas o amor e a morte muito se assemelham: não…

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“Cioran, le passé récomposé” (Gilles Martin-Chauffier)

Paris Match, 31/07/2019 En choisissant d’écrire en français et en s’installant en plein Quartier latin, le philosophe né en Roumanie s’est absout de ses prises de positions pro-fascistes d’avant guerre. Avec la bénédiction d’une intelligentsia parisienne pourtant volontiers sourcilleuse.  C’était un provocateur. Il trouvait que les Européens blancs méritaient de plus en plus le nom…

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Algunas ideas sobre el tango (Ciprian Vălcan)

LA GACETA, 27/07/2019 Es probable que el único tango perfecto desde un punto de vista formal sea aquel bailado por dos esqueletos. … Parecería ser que cualquier tango bailado por dos jóvenes espléndidos debería finalizar en un coito, dando al César shopenhaueriano lo que es del César shopenhaueriano. En cambio, el tango bailado por gente…

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Sobre solidão, filosofias e máscaras (Nietzsche)

Percebe-se sempre nos escritos de um solitário algo como o eco do deserto, como o murmúrio e o olhar tímido da solidão, as suas expressões mais enérgicas, até seu grito, ressaltam também em uma nova espécie nova e mais perigosa de calar, o subentender. Em quem, por anos inteiros, dia e noite, permanece só com…

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Profetismo, apocalipticismo, gnosticismo (Harold Bloom)

O gnosticismo, então e agora, em minha opinião, se levanta como um protesto contra a fé apocalíptica, mesmo quando o faz dentro de uma dessas fés, como fez sucessivamente no judaísmo, cristianismo e Islã. A religião profética torna-se apocalíptica quando a profecia falha, e a religião apocalíptica torna-se gnóstica quando o apocalipse falha, como felizmente…

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Interviu realizat de Ciprian Vălcan cu Luis S. Krausz

ARCA – Revistă de literatură, eseu, arte vizuale, muzică, no. 4-5-6/2019 „Ne-am scufundat, atât în Brazilia cât şi în întreaga lume, într-o perioadă de pesimism şi de teroare, în care viziunile catastrofiste se înmulţesc” Ciprian Vălcan: Potrivit informaţiilor pe care le-am primit de la prietenii mei brazilieni, bunica dumneavoastră este originară din Basarabia. Ce amintiri s-au…

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Cioran e Jonathan Swift (Paolo Vanini)

Os homens se tornam cavalos e os cavalos tomam o lugar dos homens: eis a reviravolta carnavalesca da realidade graças à qual Jonathan Swift confuta a definição filosófica segundo a qual “homo est animale rationale“, para demonstrar que na melhor das hipóteses ele é um animal “rationis capax” [capaz de razão]. Todavia, emerge dos contos…

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“Cioran, el aforismo y la santidad” (Gonzalo Gragera)

LA TRASTIENDA, 2 junio 2017 Asumen los lectores, a base de argumentos ya recurrentes, que los aforismos son un género que crece con la ayuda de las redes sociales, plataformas virtuales en donde  nos invitan a plasmar nuestros pensamientos en píldoras, en pequeños fragmentos, ya sea por límite de caracteres o por lógica de espacio…

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“Visões de anjos” (Harold Bloom)

Os anjos são tudo, menos imagens efêmeras. A sequência histórica de religiões ocidentais — zoroastrismo, judaísmo, cristianismo, Islã — não soube contar a história de suas verdades sem intercessões angélicas, nem há grande tradição religiosa, oriental ou ocidental, que não dependa de anjos. A vida espiritual, expressa no culto ou na prece, na contemplação privada…

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Sobre diálogos interculturais, Eminescu e Castro Alves, traduções e outros temas: entrevista com Luciano Maia, cônsul honorário da Romênia em Fortaleza

Luciano Maia nasceu na cidade cearense de Limoeiro do Norte, em 1949. Formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará e mestre em Literatura Brasileira pela mesma instituição. É autor de mais de vinte livros (poesia, ensaios, contos, traduções): Jaguaribe – memória das águas (1982; traduzido ao romeno, ao espanhol e ao inglês, encontra-se na…

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“Sobre vantagens e desvantagens” (Dostoiévski)

Mas tudo isto são sonhos dourados. Oh, dizei-me, quem foi o primeiro a declarar, a proclamar que o homem comete ignomínias unicamente por desconhecer os seus reais interesses, e que bastaria instruí-lo, abrir-lhe os olhos para os seus verdadeiros e normais interesses, para que ele imediatamente deixasse de cometer essas ignomínias e se tornasse, no…

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“Um -ismo ocioso: a crítica de Michael Allen Williams ao conceito de gnosticismo” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Em Rethinking Gnosticism: An Argument for Dismantling a Dubious Category [Repensando o Gnosticismo: Um Argumento para Desmantelar uma Categoria Duvidosa] (1999), Michael Allen Williams argumenta que o termo “gnosticismo” se tornou, no discurso moderno, “um rótulo tão proteiforme que perdeu qualquer sentido confiável e identificável pelo grande público leitor”.[i] Mais ou menos como “niilismo”: de…

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“Tudo mais é literatura” (Barbara Cassin)

Atualmente, só se pode ser incompleto e alusivo; no melhor dos casos, programático. Com o triunfo da retórica sofística, entramos, de fato, em literatura. Como escrever fora dos dois grandes gêneros patenteados – quando não se é nem poeta nem filósofo? Uma inventividade exuberante e lábil se desdobra em mais de dois séculos, nessa Antigüidade…

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“O visitante de um mundo abandonado pelo seu demiurgo: Sylvie Jaudeau e o gnosticismo ateu de Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

As nossas fontes gnósticas, por mais distantes que pareçam, não deixam de inspirar ainda a nossa literatura. Menos de uma maneira direta (poucos escritores de fato conhecem esse período da nossa história reservado aos eruditos) quanto de maneira inconsciente. Eu não falo de uma referência histórica, mas de uma impregnação da sensibilidade por toda uma…

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Sobre desastres, escritura fragmentária e outras volúpias: as “Notas Soltas para Cioran”, de Ricardo Gil Soeiro (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

RESENHA DO LIVRO: Volúpia do Desastre: Notas Soltas para Cioran de Ricardo Gil Soeiro Existe um ponto de vista desde o qual o discurso pedagógico é impossível. O que se consegue ver deste ponto cego do espírito – que aqui chamaremos lucidez –, mais que dizer, apaga o dito; nega inclusive quando afirma – a…

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“Primeiro passo para a libertação” (E.M. Cioran)

Para fazermos uma experiência essencial, para nos emanciparmos das aparências, não é necessário, de maneira alguma, colocarmos a nós próprios grandes problemas; qualquer pessoa pode dissertar acerca de Deus ou exibir um verniz metafísico. As leituras, as conversas, a ociosidade asseguram-no. Nada mais banal do que um falso espírito inquieto; porque tudo se aprende, mesmo…

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