Desespero, a maior vantagem humana: Kierkegaard & Cioran

“A superioridade do homem sobre o animal está pois em ser suscetível de desesperar. […] Assim há uma infinita vantagem em poder desesperar, e, contudo, o desespero não só é a pior das misérias, como a nossa perdição.” (Kierkegaard, O Desespero humano) * “Não existem argumentos para viver. Quem chegou ao limite ainda pode recorrer…

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Refutações do suicídio (E.M. Cioran)

“Por que eu não me suicido? Porque a morte me enoja tanto quanto a vida.”  (Nos cumes do desespero) § Se o sofrimento não fosse um instrumento de conhecimento, o suicídio seria obrigatório. E a vida mesma — com sua dolorosa inutilidade, sua obscura bestialidade, que nos arrasta aos erros para nos pendurar, de vez…

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“Insatisfação total” (Emil Cioran)

Naquilo que me diz respeito, eu renuncio à humanidade: não posso, nem quero, permanecer humano. O que me restaria a fazer enquanto tal — servir um sistema social e político, ou ainda, causar a infelicidade de uma pobre garota? Trilhar as inconsequências dos vários sistemas filosóficos ou dedicar-me a realizar um ideal moral e estético?…

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“O criador paroxismo da ilusão – amor” (Juan Pablo Enos Santana Santos)

RESUMO: O filósofo e ensaísta Emil Cioran é constantemente lembrado pelo seu ceticismo, lucidez, desespero e pessimismo. No entanto, mostro nesta comunicação as diversas formas em que o amor, de carácter individual e criador, aparece em seus dois primeiros escritos de juventude. Neste momento, Cioran vê o amor como fonte vital de transfiguração. Em sua […]…

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Schopenhauer, pessimismo filosófico e a recepção brasileira de Cioran: Ciprian Vălcan em diálogo com Flamarion Caldeira Ramos

Entrevista originalmente publicada em ARCA – Revistã lunarã de literaturã, eseu, arte vizuale, muzicã (fondatã în februarie 1990 la Arad), anul XXV, nr. 4-5-6, 2014, e incluída no volume Cioran, un aventurier nemişcat. 30 de interviuri [Cioran, um aventureiro imóvel. 30 entrevistas] (Bucureşti, Editura ALL, 2015), com 30 entrevistas feitas por Ciprian Vălcan com de exegetas de Cioran de todo o mundo, das…

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“Pessimismo filosófico: a negatividade integrada na vida” (Ingresson Oliveira de Jesus)

Revista Pandora, no. 99, março de 2019 Resumo: O presente artigo busca apresentar a filosofia negativa de Cioran e, desse modo, desenvolver ideias sobre a produção intelectual do filósofo. O pessimismo filosófico, corrente de pensamento que caracteriza a filosofia de diversos pensadores inclui uma reflexão sobre o mundo e a physis. No contexto dessa corrente…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 4] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A ideia do suicídio e a escritura filosófica como auto-análise Perguntam-me: “Você está trabalhando? – Sim, num artigo sobre o suicídio.” – Minha resposta tira das pessoas a vontade de saber mais.[1] Trata-se, por fim, do último desafio da lucidez: a permanência e a perseverança na vida quando esta é entendida como um “estado de…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 1] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

FIORE, Vincenzo. Emil Cioran. La filosofia come de-fascinazione e la scrittura come terapia. Piazza Armerina/Enna: Nulla Die, 2018, 187 pp. A Itália é um dos países mais produtivos, atualmente, no que se refere à fortuna crítica cioraniana. Todo ano são publicados novos estudos, produções acadêmicas e editoriais, além de correspondências epistolares inéditas do próprio Cioran.[1]…

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“Cioran, a filosofia como desfascinação e a escrita como terapia”: entrevista com Vincenzo Fiore

“Numa época em que o fanatismo parece voltar à ribalta a nível mundial, o pensador romeno é um antídoto que imuniza.” Vincenzo Fiore Sobre o autor: Nascido em 1993 em Solofra, Italia, Vincenzo Fiore se formou em filosofia pela Università degli studi di Salerno, é membro do Projeto de Pesquisa Internacional dedicado a Emil Cioran.…

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“O pessimismo dos mamíferos inteligentes” (Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes)

Observou-se justamente que, na Índia, um Schopenhauer ou um Rousseau jamais seriam levados a sério, pois viveram em desacordo com as doutrinas que professavam. para nós, eis aí precisamente a razão do interesse que nos suscitam. O sucesso de Nietzsche é devido em grande parte ao fato de que ele defendeu teorias às quais, em…

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“Signos gnósticos nos cumes do desespero” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

O título, inspirado em manchetes sensacionalistas sobre casos de óbito por suicídio, não deixa de aludir também ao Desespero humano (1849) de Kierkegaard, avidamente estudado pelo jovem Cioran. Seria uma questão ociosa debater se Cioran é um kierkegaardiano que leu Nietzsche ou um nietzschiano que leu Kierkegaard. Muito embora tenha frequentado a escola de ambos,…

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“Inconsistência humana” (Emil Cioran)

Experimentei, em grande silêncio e em grande solidão, no meio da natureza, longe da humanidade e perto de mim, uma sensação de interminável tumulto, em que o mundo, como uma torrente irresistível, me atropelou, me atravessou como um fluido transparente e imperceptível. Ao fechar os olhos, o mundo inteiro parece ter-se fundido no meu cérebro,…

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“Insatisfação total” (Emil Cioran)

Que espécie de maldição paira sobre algumas pessoas que não conseguem se sentir bem em lugar nenhum? Faça chuva ou faça sol, sozinhas ou acompanhadas. Desconhecer o que significa boa disposição, eis algo impressionante. As pessoas mais infelizes são as que não têm direito à inconsciência. Ter um grau desenvolvido de consciência, estar consciente a…

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“Do conhecimento religioso: sobre um texto de juventude e sua repercussão na obra de Cioran” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Além de um sentimento fundamental da existência, a categoria do religioso designa também um tipo especial de conhecimento, aquele que mais importa para Cioran. Num artigo publicado na Revista Teologică (1932), “A estrutura do conhecimento religioso“, o jovem estudante de filosofia na Universidade de Bucareste faz a crítica do racionalismo e afirma a “preeminência do…

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“Banalidade e transfiguração” (Emil Cioran)

Posto que não posso extinguir-me imediatamente e que não posso conquistar a ingenuidade, é uma besteira continuar realizando gestos diários, banais e comuns. A banalidade tem de ser superada em todas as suas versões para que se atinja a transfiguração, que nada mais é que o triunfo da expressividade absoluta. Noto, entristecido, como as pessoas…

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“O peso da tristeza” (Emil Cioran)

Existirão outras tristezas além das tristezas de morte? Não, pois as verdadeiras tristezas são negras, desprovidas de graça e de sonho, dotadas de uma reflexividade bizarra. O cansaço causado pela tristeza é incomparavelmente maior que aquele causado pela melancolia: é um cansaço que conduz ao desgosto pela vida, a uma depressão terrível e irremediável. O…

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“Êxtase, não-saber e experiências interiores: um diálogo inaudito entre Cioran e Bataille” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Dedicado a Rose Cunha. Conhece-se um autor ou uma autora não apenas pela leitura da sua obra, também — indiretamente, por uma espécie de détour — pela maneira como ele ou ela se insere no seu contexto histórico e sócio-cultural, o qual pode ser delimitado de forma mais ou menos ampla (uma tribo, um país,…

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“El anhelo del olvido” (Rosa-María Martínez Bergua)

Reseña: Cioran, Emile M. En las cimas de la desesperación. Crisis – Revista de critica cultural, no. 5, septiembre, 2014, Zaragoza, España, p. 109-10. [PDF] Donde habite el olvido En los vastos jardines sin aurora; Donde yo sólo sea Memoria de una piedra sepultada entre ortigas Sobre la cual el viento escapa a sus insomnios. Luis…

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“Cioran, entusiasmo como estilo de vida” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

É difícil imaginarmos um mundo em que todos amassem tudo. Um mundo de entusiastas oferece uma imagem mais sedutora do que a imagem do paraíso, pois a tensão sublime e a generosidade radical ultrapassam qualquer visão paradisíaca. A capacidade de renascimento contínuo, de transfiguração e intensificação da vida faz do entusiasta uma pessoa permanentemente além…

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“Entusiasmo como forma de amor” (Emil Cioran)

O desespero: forma negativa do entusiasmo. CIORAN, O livro das ilusões Entusiasmo (do grego in + theos, literalmente ‘em Deus’), originalmente significava inspiração ou possessão por uma entidade divina ou pela presença de Deus. Atualmente, pode ser entendido como um estado de grande arrebatamento e alegria. Uma pessoa entusiasmada está disposta a enfrentar dificuldades e desafios, não se deixando abater e transmitindo confiança aos demais ao…

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“Traduction et pastiche. Le traducteur à l’école de la corruption” (Nicolas Cavaillès)

Atelier de Traduction, Editura Universităţii din Suceava, 2005 Abstract: The most dangerous trap set by Cioran to his Francophone translators is the teleology: to translate his Romanian works in a French language similar to the French which he used write himself. The “corrupted” style of Cioran situated between Romanian vigour and French sobriety and the authority…

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“O desespero como necessidade e aprofundamento do drama de viver: Cioran e Kierkegaard em diálogo” (Elton Silva Salgado e Jorge Miranda de Almeida)

Revista Húmus, no. 9, set/out/nov/dez de 2013 Resumo: Este artigo aborda o desespero como uma das principais categorias da Filosofia da Existência e chave de leitura para a compreensão da ambiguidade da existência humana. Nesse contexto, ele é ativo, organizado, prático e em seu bojo pretendemos enveredar por uma concepção lúcida e radical da condição do…

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Entrevista: Fernando Klabin e a tradução do romeno

EMCioranbr – Você é um brasileiro fluente em romeno, tradutor juramentado e tudo mais. Isso não é muito comum. Permita-me perguntar: como “chegou” à Romênia, à língua romena. Como se deu esse encontro? FK – Na verdade, mais correto seria dizer que a Romênia “chegou” até mim, abraçando-me numa espécie de acidente de percurso. Devido…

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“Veias carregadas de noites: morte, agonia e pensamento orgânico em Emil Cioran” (Antônio Carlos Lemos Garcia Júnior)

Trabalho de conclusão de graduação (licenciatura em Filosofia) Centro Universitário Claretiano, Batatais, SP, 2014 Orientador: Prof. Dr. Edson Renato Nardi Resumo: Emil Cioran (1911-1995) legou obras dotadas de uma linguagem poética e altamente cáustica que dá forma ao seu pensamento trágico e corrosivamente pessimista. Contrário aos academicismos, sistemas filosóficos tradicionais e adepto da reflexão enquanto…

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“Fracasso e mística – a propósito de Cioran” (Roberto Câmara Zarco)

PROMETEUS – Filosofia em revista (Universidade Federal de Sergipe), ano 6, no. 12, julho-dezembro de 2013. Texto integral em PDF: [link] RESENHA CRÍTICA: FRACASSO E MÍSTICA – A PROPÓSITO DE CIORAN (CIORAN, E. M. Lacrimi și sfinți. Bucareste: Editura Humanitas, 1992). Dr. Roberto Câmara Zarco (Universidade Federal Fluminense) Metodologicamente, o estudo filosófico da obra do…

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“As delícias do absurdo” (Manuel da Costa Pinto)

Folha São Paulo, 08/04/2012 Primeiro livro de Cioran ganha tradução feita diretamente do romeno Em 2011, o centenário de nascimento de Emil Cioran foi comemorado com relançamentos pela editora Rocco: “Breviário de Decomposição” (1949), “Silogismos da Amargura” (1952), “História e Utopia” (1960) e “Exercícios de Admiração” (1986).  Tais livros cobrem a fase madura do pensador…

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“Emil Cioran e a escritura de si” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Em seu artigo “O ensaio como forma”, Adorno diz que “ainda hoje, elogiar alguém como écrivain é o suficiente para excluir do âmbito acadêmico aquele que está sendo elogiado”.[2] Este parece ser o caso de Emil Cioran, tão frequentemente classificado como um escritor, pura e simplesmente, o que tende a perder de vista o valor…

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Entrevista a E.M. Cioran por Christian Bussy

LA GACETA, septiembre 1990 Para saludar la aparición de su libro Sur les cimes du desespoir obra inédita, escrita en Rumania en 1934, Pierre André Boutang y Oceaniques habían programado la difusión, el 26 de marzo, de un documento único; una entrevista televisada de Cioran, realizado por Christian Bussy para la RTBF en 1973. en…

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“Nos Cumes do Desespero, de Emil Cioran” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

É evidente que, diante de questões puramente formais, por mais difíceis que sejam, não se pode exigir uma seriedade infinita, pois elas são exclusivamente produzidas por incertezas da inteligência, sem despontar da estrutura orgânica total do nosso ser. Só o pensador orgânico e existencial é capaz desse tipo de seriedade, pois só para ele as…

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