Le Monde: “Cioran et la chute de l’homme dans le temps”

mondeCe vendredi 8 avril a lieu la commémoration de son centième anniversaire (soit 15 ans après qu’Emil Cioran a rejoint les anges).

Par Pierre Assouline

LE MONDE DES LIVRES | 07.04.2011 à 10h39 [source]

Inutile de se précipiter sur le souple pavé “Quarto” réunissant ses oeuvres complètes, ni sur l’épais “Cahier” que l’Herne lui a consacré, pour y chercher une ou deux maximes juste assez désespérées, de nature à coller avec la commémoration de son centième anniversaire, ce vendredi 8 avril (soit 15 ans après qu’Emil Cioran a rejoint les anges). Tout ce qui est sorti de sa plume ne parle que de cela : la chute de l’homme dans le temps.

Les cioranologues, cioranophiles et cioranolâtres ont pu néanmoins lui souhaiter de vive voix un bon anniversaire. Non pas devant sa tombe au cimetière Montparnasse : c’est là qu’on a le plus de chances de le trouver absent. Plutôt ailleurs, précisément. Ces derniers jours, on pouvait saluer son spectre mélancolique dans la salle byzantine du Palais de Béhague. L’ambassade de Roumanie avait pris des allures de ciorangerie pour la circonstance : Alain Lecucq et sa compagnie y jouaient Mansarde à Paris, une pièce de Matei Visniec, histoire d’un philosophe franco-roumain qui, en quittant les bureaux de son éditeur, oublie l’itinéraire menant de la rue Sébastien-Bottin au carrefour de l’Odéon et se perd en Europe. Si la ville avait songé à apposer une plaque commémorative sur la façade du 21 de la rue de l’Odéon, rappelant qu’ici vécut un maître en syllogismes de l’amertume, sûr qu’il serait arrivé à bon port. Ce geste commémoratif fut d’ailleurs solennellement exigé lors d’un brillant colloque consacré au pessimiste jubilatoire au Salon du livre. Il y fut question de la fécondité de ses contradictions, du sens de son incohérence et du salut par l’oxymoron. La moindre des choses pour un paradoxe fait homme. Incidemment, on apprit que sa bibliothèque même était bancale ; il est vrai qu’il avait cru bon se faire menuisier pour l’occasion.

A Paris toujours, mais cette fois du côté de l’Hôtel Drouot, on s’apprête à célébrer un centenaire plus sonnant et trébuchant. Simone Baulez, l’opiniâtre brocanteuse qui sauva une trentaine de cahiers, dont le journal inédit du moraliste et plusieurs versions dépressives du fameux De l’inconvénient d’être né, en débarrassant sa cave, s’est vue confirmée dans ses droits par la cour d’appel à l’issue de plusieurs années de procédure. Encore faut-il qu’elle récupère son bien. Or la chambre nationale des commissaires-priseurs, adoptant une attitude kafkaïenne qui eût certainement inspiré l’Emil, refuse de lever le séquestre sur les documents tant qu’une décision de justice ne le lui ordonne pas expressément. On en est là, en attendant qu’une juridiction soit saisie par son avocat, Me Rappaport. Mais la brocanteuse, qui s’est engagée à tout céder en bloc, n’est pas pressée ; à ce jour, outre l’ambassade de Roumanie, le Musée des Lettres et Manuscrits a manifesté son intérêt.

Cioran à l’encan

En attendant, incroyable coïncidence, jeudi 7 avril, soit quelques heures avant que les saints en larmes ne soufflent ses bougies d’anniversaire, Cioran se retrouve à l’encan à Drouot sous le marteau de Binoche & Giquello, dans l’espoir que la vente atteigne des cimes. Discrétion oblige, on en ignore la provenance mais on peut la supposer familiale ; en effet, outre des textes manuscrits autographes et des notes de lecture, ces archives (122 numéros) valent surtout par l’importante correspondance intime de Cioran échangée entre 1933 et 1983 avec ses parents et son frère Aurel, ainsi que par des documents aussi personnels que ses diplômes, passeports, cartes d’identité, cartes d’admission à la Bibliothèque nationale, cartes de chemin de fer, etc. Toute dispersion est un serrement de coeur car elle est dispersion. N’empêche qu’à lui seul, le catalogue est déjà un document excitant pour les biographes, généticiens et historiens de la littérature. Tout ce que déteste Milan Kundera, si l’on en juge par l’édition non critique de ses “Pléiade” parues sous son contrôle. Tant pis pour lui : pour ses 100 ans, Prague ne pavoisera pas, alors que pour ceux de Cioran, Bucarest est en fête. Normal, puisqu’il disait penser en roumain avant d’écrire en français.

Stanislas Pierret, le directeur de l’Institut français de Bucarest, a proposé à Dan Perjovschi de “donner à voir” la pensée de Cioran dans les rues de la capitale. Celui-ci appose donc une trentaine d’affiches, à compter du 8 avril et durant un mois, partout où existent des noeuds de communication. Pour chacune d’elles, un fragment chu de l’oeuvre du moraliste et un dessin au feutre marqueur qui se veut tout sauf son illustration. Un aphorisme visuel en regard d’un aphorisme philosophique. L’un et l’autre enfants de Sibiu,ils se retrouvent à la rue sur les murs de Bucarest. On y lira peut-être ces lignes échappées de Bréviaire des vaincus III (L’Herne) : “Le devoir de celui qui écrit n’est-il pas de se trancher les veines sur la page blanche, de faire ainsi cesser le supplice des mondes informulés ?” Allez, joyeux anniversaire quand même !

Pierre Assouline

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“Triste com método”, por Constantin Zaharia

modedemploiTristeza, desespero, tédio, amargura, ou ainda o dor, espécie de saudade romena… O escritor experimentou todos os graus da melancolia, indissociável do pensamento.

Por Constantin Zaharia

Artigo publicado no dossiê “Cioran: désespoir, mode d’emploi”, da Magazine Littéraire, maio de 2011

Derivado do latim dolus, o dor romeno pode ser traduzido em francês por “nostalgia”. A palavra, no entanto, é carregada de sentidos difíceis de transpor a outro idioma. Em romeno, a expressão mi-e dor de… significa a falta provocada geralmente pela ausência de um ser querido e pelo desejo de revê-lo. Pode exprimir o amor ou a amizade. Ademais, o uso é pouco frequente em outros contextos, sobretudo no meio citadino, pois o dor participa de uma estética e de uma experiência criadora que são aquelas da cultura popular, essencialmente rural. Durante séculos, a sensibilidade campesina se manifestou por meio da poesia e da canção, notadamente a doina, próxima de uma tonalidade elegíaca, na qual o dor encontra definitivamente o seu lugar.

Desenraizamento metafísico

O dor, portanto, é mais ambíguo que a nostalgia: remete tanto ao passado quanto ao futuro; o lamento do impossível retorno in illo tempore não é obrigatório. É um desejo mesclado ao sofrimento, uma aspiração que não conhece realização, pois aquele que a experimenta se situa numa indeterminação da qual não conhece as possibilidades de realização. Ele só pode pressenti-la, mas não exige sua manifestação. O objeto do dor é fundamentalmente indefinível. Viver aquilo que se deseja tornar-se como um doce sofrimento é mais importante que ver seus desejos realizados, pois a qualidade desse langor é superior ao que se pode obter pela obtenção dos seus desejos.

Cioran raramente empregada a palavra romena dor, exceto para se entregar a uma espécie de exercício daquilo que ele chama “a apreensão da essência dos povos por sua maneira de participar do vago.” Sua análise contém uma crítica implícita ao espaço romeno. Ele considera a palavra como a expressão do desenraizamento metafísico: “O dor é, justamente, sentir-se eternamente distante de casa.” É um abandono em nome de uma indeterminação que adquire dimensões mais gerais ainda, pois se chega a não ser já de nenhum lugar. “Dir-se-ia que a alma não se sente mais consubstancial com o mundo. Então ela sonha com tudo o que perdeu. É a negação da coragem trágica, do abandono no combate.” De todas as utopias do coração, a mais estranha é a do dor, que evoca “um universo natal, onde se repousa de si mesmo, um universo-travesseiro cósmico de todas as nossas fadigas.” (Éxercises négatifs, p. 119) Considerada a essência melancólica do dor, é estranho que Cioran não lhe faça referência de maneira mais explícita quando afirma: “Sou um lamento ambulante, e a nostalgia devora meu sangue e se devora ela mesma” (Cahiers, p. 72), tanto mais é por ele perseguido. Acontece de ele inclusive nomear, nessas situações, seu país e sua infância.

“Despertar para o atroz”

O horizonte afetivo do pensamento de Cioran é a melancolia. Uma multidão de ideias próximas, que são todas sinonímicas, irrompem de seus escritos para designar os sofrimentos inauditos, que nenhum remédio é capaz de aliviar. Ele suporta um a um os tormentos do tédio e da melancolia (cafard), da acídia e da preguiça, do ódio e do rancor, do desespero e da angústia, do remorso e da tristeza, e uma lista de equivalentes inventados para nomeá-la está longe de se esgotar. É uma experiência de uma riqueza fecunda, que começa na adolescência, uma vez que ele se torna insone. É a perda do sono que implica o “despertar para o atroz” (Cahiers, p. 677) e a revelação de verdades insustentáveis que conduzem ao desespero e legitimam a distância em relação aos homens, da civilização, de Deus.

Antes de ser um estado de espírito ou um temperamento, a melancolia é um humor (mélaina cholé significa, em grego antigo, “bílis negra”), um produto fisiológico que desempenhava um papel determinante na medicina hipocrática, fundada em um sistema de quatro humores (sanguíneo, bilioso, melancólico, fleumático). Como o humor se evade do domínio médico?

As virtudes da bílis negra

O Problema XXX, 1, atribuído a Aristóteles,[1] estabelece uma ligação estreita entre o temperamento negro, responsável por tantos danos, segundo Hipócrates, e o homem excepcional, seja ele artista, filósofo, político ou herói. A proposição de Aristóteles não é médica; ele não se detém sobre os detalhes nosológicos. Para ele, é o caráter cambiante da bílis negra que vai explicar a eminência do melancólico; é preciso ainda que este o seja por compleição natural, e não por um excesso sobrevindo acidentalmente. Esta relação entre a melancolia e o homem de gênio, estabelecida pelos peripatéticos, será retomada nas Cartas do pseudo-Hipócrates,[2] e transmitida pela tradição em diferentes formas. Entretanto, é somente a partir do Renascimento que a melancolia é necessariamente associada ao criador. Da Melencolia de Dürer aos langores românticos, numerosos foram os deslocamentos que modificaram seu sentido, sem transformá-lo fundamentalmente. Mais receptivo às contribuições que às metamorfoses espetaculares, e sobretudo fiel à sua transversalidade, a ideia de melancolia permaneceu associada ao medo e à tristeza, como o quer o aforismo VI, 23, de Hipócrates, e conjuntamente ao entusiasmo, ou seja, à violência sob suas formas mais variadas, como o sugere o Problema de Aristóteles: veemência, ressentimento, ódio ou furor.

Quando Cioran evoca “a amargura das entranhas” (Cahiers, p. 214), ou a “lógica do fel” (Oeuvres, p. 767), ou ainda quando menciona o inesgotável gosto de vinagre no seu sangue (Oeuvres, p. 1244), ele se situa na tradição do humorismo. Fiel ao mal secreto que o devora, ele é o primeiro a saber que só triunfará provisoriamente sobre ele, e que a bílis negra, não importa o que ele faça, estará sempre lá para acompanhá-lo no desespero, na tristeza ou no cafard alojado em seu sangue. “De onde pode derivar essa tristeza desumana? Vejo sua causa num duplo desastre: metafísico e psicológico.” (Cahiers, 357), explica ele se refugiando a cama e cobrindo sua cabeça para esquecer os assaltos do “cafard cósmico”. O “desastre fisiológico” não passa de um eufemismo pelo qual Cioran afirma a natureza em parte humorosa de sua tristeza desumana.

O que Kant ou Hegel não podem saber

A melancolia se torna o segundo plano em que se elabora um saber que a filosofia não está à altura de apreender nem de transmitir o alcance. Cioran reage diversas vezes à tradição filosófica, para denunciar sua vaidade e se posicionar na contracorrente, como ele gosta de fazer em todas as circunstâncias. Ele considera o pensamento de Kant ou de Hegel, entre outros, com a ironia de quem sabe mais sobre a vida do que qualquer outro filósofo. Ele lhes opõe o pavor do troglodita diante do “desfile de calamidades que se desenrolam sob seus olhos.” (Oeuvres, p. 1258), e denuncia sobretudo a equanimidade que eleva ao conhecimento o prestígio de ter sofrido para ter chegado lá. Aquele que desde sua juventude se propõe a “estar triste com método” (Oeuvres, p. 219) continuará sofrendo sua autoridade sem se apartar para tantas fontes de reflexão, o que não o impedirá de proclamar que é “um Mongol devastado pela melancolia” (Cahiers, p. 34), quanto mais sofre “acessos de melancolia de que o Diabo mesmo ficaria com inveja” (Cahiers, p. 219).

É o caso de se espantar que a nuance afetiva de tudo o que Cioran escreveu seja aquela da tristeza? Que ele não tenha nunca formulado uma só frase para exprimir a alegria ou a felicidade? A literatura dos moralistas, pela qual Cioran é aficionado ao ponto de considerá-la seu modelo, exprime com frequência a decepção, tonalidade bastante próxima do taedium vitae que o autor dos Silogismos da Amargura praticava ativamente. À exceção de que Cioran lhe atribui um papel heurístico inédito: “Abomino toda ideia indiferente: não estou triste sempre, logo, não penso sempre” (C., p. 666). Ele escreve para designar-se precisamente como “antifilósofo” e para dizer também que não existe pensamento fora da tristeza, que tudo o que concebe o espírito está impregnado dela, que a própria escrita não existiria na ausência de tudo o que a melancolia o faz suportar.

Tradução do francês: Rodrigo I. R. Sá Menezes

“Para que ler?”, por Nicolas Cavaillès (Dossiê Cioran/Magazine Littéraire)

Cioran na Magazine LittéraireGrande leitor, Cioran parecia assim desmentir seu pessimismo: se ele ainda buscava, devia muito bem permanecer uma sombra de esperança. Mas ele não estava à procura de argumentos salvadores, e sim de irmãos de fatalismo.

Por Nicolas Cavaillès

Texto publicado no dossiê “Cioran: désespoir, mode d’emploi”, Magazine Littéraire no. 508, Maio de 2011

A absurdidade de uma vida passada a vasculhar bibliotecas em busca de novas expressões para antigas verdades sem dúvida ultrapassa aquela de sua proclamação lancinante, por vezes explosiva e nuançada, sempre mais decepcionada, distante e cinzelada. Filho do pessimismo germânico fim de século, de Schopenhauer e sua sucessão (Cioran segue os cursos de Nicolai Hartmann em Berlim, entre 1933 e 1935), discípulo entusiasta dos profetas da decadência que Nietzsche queria derrotar, o escritor em seguida tomaria cuidado, na França, de colocar entre aspas essa palavra que se lançava outrora como um insulto: “pessimista” equivalia a “canalha”. Não obstante ele conheceu todas as hipóstases que os raros aristarcos do pessimismo inventariaram: pessimismo especulativo ou espontâneo (James Sully, 1877), cultural, metafísico ou existencial (J. F. Dienstag, 2006), ou ainda pessimismo hexaédrico (Georges Palante, 1914), de cujo detalhe poupamos o leitor para melhor nos inspirar nele na frase seguinte. Assim, ao pessimismo nevropático e niilista da juventude de Cioran, resultante tanto de um drama existencial pessoal quanto de uma reflexão antropológica sobre a história e seu “sentido trágico”, se seguirá  um pessimismo da maturidade, não menos fatalista (à romena), fruto de uma misantropia desabrochada (aquela de um Chamfort, de um Swift), confortada por suas visões obscuras sobre a história (por Valéry, por Maquiavel), e avivado por uma atenção especial em relação às sabedorias orientais, inclusive em relação à ciência e suas últimas lições: “Tendo aberto uma antologia de textos religiosos, caí logo de cara nessas palavras do Buda: ‘Nenhum objeto merece ser desejado.’ – Fechei o livro imediatamente, pois, depois disso, o que ler ainda?”; “O dia que li que em quinhentos mil anos a Inglaterra será completamente recoberta de água, me joguei na cama em sinal de abdicação e de luto.” Que demônio Cioran, leitor insaciável, satisfazia com essa resistência inveterada ao ceticismo, ao qual, por outro lado, ele se atinha? “O pessimismo – essa crueldade dos vencidos que não saberiam perdoar a vida por haver enganado sua espera.”

Também as horas solitárias e melancólicas dedicadas a atravessar as obras dos outros poderiam acarretar a escrita, homenagem tácita à leitura e prolongamento catártico de sua sede de desilusão. Tudo é duvidoso, tudo é insuportável, mas de tal maneira que deveríamos ser agradecidos àqueles que puderam exprimir sua complexidade, por mais que sejam, sempre, estéreis, essa complexidade revelada e suas diversas expressões. Não existe um cenáculo dos pessimistas, mas por vezes correspondências, instantes de reconhecimento, de sinais compartilhados aos quais se enviam certos espíritos sem saber a quem, do seu obscuro isolamento. O pensador, o poeta, qualquer que seja seu nome, permanece à margem, extenuado, perdido, sozinho, excluído de uma sociedade nociva aos caminhos que levam ao essencial.

Curiosidade nascida da intranquilidade

Flanêur curioso sobre a maneira com que cada pessoa suporta o seu quinhão, Cioran frequentou bastante os tribunais e os asilos de loucos (Em Sibiu, em Bucareste, em Berlim, em Sainte-Anne), ou seja, os teatros mais cruéis da vida moderna; desde seus primeiros anos em Paris, anos de extrema solidão, errando pelos bulevares do Quartier Latin, lhe ocorria de interrogar os passantes, de preferência os desajustados e os mendigos, simplesmente para conhece-los, para escutá-los falar, para saber como eles (não) davam um jeito de (sobre)viver. É uma curiosidade similar, nascida da intranquilidade, que o levaria a esgotar as bibliotecas, por algumas dessas correspondências raras, fugidias, reticentes, a partir das quais cérebros mais necessitados ou menos confusos seriam tentados a reconstituir uma tradição daqueles que não possuem uma. Em seu último livro, Aveux et Anathèmes (“Confissões e Anátemas”), como nos precedentes, Cioran registra diversos desses encontros com irmãos desconhecidos, de que apenas um dizer seria suficiente para uni-los a ele. Ele exuma: “’Deus não criou nada que odeie tanto quanto odeia este mundo, e tanto o odeia que, desde o dia em que o criou, nunca olhou para ele.’ Não sei que foi o místico muçulmano que escreveu isso, ignorarei para sempre o nome desse amigo.” Que ele cite aqui uma carta do asceta al-Hassan al-Basrî ao califa Omar II, datada do século VIII, é importante e não é. Mais ainda: “Segundo um chinês, uma única hora de felicidade é o que um centenário poderia confessar após ter refletido bem sobre as vicissitudes de sua existência. […] Já que todo mundo exagera, por que os sábios seriam exceção?” Yang Tchou, o chinês em questão, viveu durante o último milênio a.C., devendo a Lao-Tsé por ter sido privado, até os dias de hoje, de um supremo esquecimento que, não obstante, não o teria incomodado. Similarmente, o grego Hegesias considerava a vida e a morte “igualmente desejáveis”; similarmente, Hegesias encontra em Cioran um novo eco: “’A vida só parece um bem ao insensato’, costumava dizer, há vinte e três séculos, Hegesias, filósofo cirenaico, do qual praticamente resta apenas este comentário… Se há uma obra que eu amaria reinventar, é a sua” (De l’inconvenient d’être né). Hegesias, o “Pisithanatos” (aquele que aconselha a morte) só nos é conhecido por dez linhas de Diógenes Laércio (e pela onda de suicídios que sua filosofia teria produzido, ao ponto de ser proibida por Ptolomeu II); alguns fragmentos bastam, àqueles que não buscam nem auréola nem transcendência, mais apenas “alguma coisa que se possa murmurar à orelha de um ébrio ou de um moribundo”. Como queria Chestov, a essência dos livros como dos olhares que se cruzam se dá num instante por toda a eternidade eventual, e não se explica nem se argumenta. De seus laços com outro homem honesto, Leopardi, cuja infeliz lucidez no que concerne à mediocridade humana o fez ser qualificado de pessimista, Cioran escreve: “São menos os autores que mais lemos os que mais importam para nós, quanto aqueles sobre os quais não cessamos de pensar, que têm estado presentes em nossos momentos essenciais e que, para o seu martírio, nos têm ajudado a suportar o nosso.”

Escapatórias da erudição

Assim, apesar da pose ociosa que ele assumia com frequência, e apesar da lassidão que o corroía sempre, não é sem zelo que Cioran se entregou à leitura. A ilimitação dessa curiosidade mórbida e subjetiva, dessa busca obsessiva pelos cantos mais sombrios – os mais justos – de todos os tempos e de todos os lugares, não deixou de lhe valer a crítica de superficialidade e diletantismo, por exemplo sob a pluma possessiva e maldizente de [René] Étiemble em seu prefácio aos Philosophes taoïstes da Pléiade (1980). Cioran tinha se adiantado, escrevendo em 1952: “Aprofundar uma idéia é atentar contra ela: roubar-lhe o encanto e até a vida…” Refratário às escapatórias [faux-fuyants] ronronantes daqueles que preferem a história dos problemas aos problemas mesmos, ou ainda o estudo dos sutras à pratica do zazen, Cioran os reencaminha à ligeireza que mascara sua erudição: “Apenas os espíritos superficiais abordam as ideias com delicadeza.” Não se trata, ao ler, nem de se divertir nem de fomentar cultura, mas de recolher algum novo elemento suscetível de nos confortar em nosso esforço de lucidez e de ceticismo, duplo esforço de hostilidade ao mundo tal qual se o vive e ao eu tal qual se o suporta – tantas ilusões, tantos disfarces do pior. Mesmo que dificilmente se acreditaria nisso, é preciso retornar aí, não ser um “pessimista sem entusiasmos”, e cultivar a percepção da vacuidade geral sem elevar essa percepção sobre seu objeto: “O homem debruçado sobre sua inutilidade já não pertence ao desejo de ter uma vida […] já não se embaraça com um si mesmo ideal” (Breviário de Decomposição). É à medida que nos ajudam que os livros, mesmo os dos filósofos, sustêm sua inanidade.

Traduzido do francês por Rodrigo Menezes

01/01/2014

“Los albores de Emil Cioran” (carta a Bucur Tincu)

Carta publicada en El País, 9 abril 2011

El embrión de la mirada pesimista y “absurda” de la vida por parte del filósofo se aprecia en esta carta, inédita en español, que el autor de La tentación de existir dirigió a su amigo Bucur Tincu cuando tenía 21 años. Ayer se cumplió el centenario del nacimiento del pensador de origen rumano (Rasinari, 1911-París, 1995)

Estimado amigo:

Así pues, henos aquí a los dos en una encrucijada de la vida. Hasta ahora sólo ha habido proyectos y planes: ahora se imponen los logros pues, de lo contrario, todo seguiría siendo una simple ilusión. Naturalmente, ya no se puede hablar de esperanzas o de apaños pueriles, tal y como hacíamos en tiempos. El problema de la vida se me empieza a plantear también a mí con meridiana seriedad; siempre he lamentado que a ti se te planteara demasiado temprano. Es muy difícil mantenerte en el marco de unas aspiraciones filosóficas, cuando te ves obligado a ejercer el periodismo. He escrito una serie de artículos en un periódico, he renunciado a seguir haciéndolo, y eso que me lo pidieron, porque sentía una imposibilidad a la hora de acometer teorías que desaparecían por completo al cabo de veinticuatro horas. Todos los jóvenes cultos que ingresan en el periodismo empiezan abordando, con impresionante apasionamiento, cuestiones alejadas de la realidad para acabar realizando efímeros reportajes. Cuanta más cultura tiene uno, más peligroso resulta el periodismo, puesto que tiene que ir renunciando paulatinamente, cosa que no sucede en el caso de los que no tienen oficio ni beneficio, para quienes la cultura constituye un marco de estimulación de aspiraciones imprecisas y embrionarias. En tu caso, la escapatoria reside en que para ti el periodismo es una solución provisional: cuando empieces a sentirte a gusto y a interpretarla como una escapatoria normal, entonces será el momento de temerla.

La furia y la gracia

En lo que respecta a mi persona, es preciso que sepas que podía estar lejos, si no hubieran surgido una serie de circunstancias. No es que no haya leído demasiado, sino que el haber estado enfermo durante tres años, afectado por enfermedades que suelen ser propias de la vejez, me ha separado completamente de los demás y me ha impedido establecer relaciones. Conozco los medios para hacer de estafador intelectual, para epatar con libros que no he leído o impresionar esgrimiendo paradojas, pero a nada de esto he recurrido. Desde un punto de vista psicológico, soy una persona introvertida y por ello la gente ya no me alegra lo más mínimo. En Bucarest hay gente que me aprecia, pero créeme si te digo que su simpatía no causa ninguna alegría. Si, a pesar de todo ello, establezco relaciones e intento situarme en algún lugar, lo haré guiado por una determinación puramente racional; estoy convencido de tener algo que decir y quiero seguir en esta línea. El día que me sienta ajeno a mí mismo, en cierto modo exterior, y note que un centro de vida subjetivo se ha desvanecido, entonces, se habrá terminado. El sentimiento más penoso de la existencia es el de sentirse inútil. Jamás olvidaré el extraño estado de ánimo que se adueñó de mí al recorrer yo solo las calles de Viena mientras me decía: “Soy una existencia ridícula”. Me figuro que adivinarás la desesperación que tal pasatiempo manifestaba. Es típico de mi vida anímica normal que me entre la risa ante las cosas ininteligibles. Cuando miras una mujer, pongo por caso, no como objeto de deseo, sino como hecho, te entra la risa. Es algo sabido que, desde el punto de vista fisonómico, la suprema expresión del dolor no dista de su contrario.

Y, estando así las cosas, entiendes, pues, por qué me apasiona el tema del demonismo, del cinismo, etc… y por qué desde hace tres años la problemática de la psicología del hombre ruso es para mí casi una obsesión. Sólo los estados anormales resultan fecundos. Por eso conviene amar la destrucción, la muerte, el derrumbamiento o la enfermedad. En un ensayo inédito enviado a una revista, trataba de demostrar que el destino individual, como realidad interior, irracional e inmanente, sólo se nos revela a través del dolor, ya que ésta es la única vía positiva de comprensión interior de los problemas personales. En ese artículo demostraba que el pecado, en las interpretaciones religiosas -donde equivaldría al dolor en el caso de los religiosos- no cumple esta función, dado que está estrechamente ligado a la objetividad del mundo histórico y, en consecuencia, no plantea el problema de la existencia humana de un modo astringente. Por ello el dolor debe ser amado.

Mi derruida juventud me condujo a este tipo de estados de ánimo que sólo la literatura dostoiesvkiana me ha podido recordar.

La distancia que media entre mi persona y la gente de mi edad me parece enorme. Es penoso conversar con individuos que no tienen ninguna actitud, ninguna consistencia espiritual, personas para las cuales la vida es un plácido contoneo, individuos “amigos” de muchachas, etc. No he encontrado más que dos o tres chicos distinguidos. No me queda más que el contacto con los miserables. En ellos he encontrado mucha más comprensión: me gusta su rechazo a la constricción, al orden, a la jerarquía o a otras formas. Un chico distinguido, en el caso de que sea capaz de mantenerse a sí mismo, no puede acabar siendo más que un vagabundo, uno de los miserables que se sitúan en las antípodas de su condición. Estoy convencido de que nadie es “responsable” de su situación. Por ello, ni siquiera los mediocres deben ser despreciados sino, más bien, evitados.

Ya te conté en otra ocasión que para mí existen ciertos problemas centrales, que me apasionan y que me siento obligado a dilucidar. Los problemas relacionados con la filosofía de la cultura, de la historia, de la caracterología y de la antropología filosófica me entusiasman tanto, que me resulta inconcebible pensar que algún día podría abandonarlos. Dado que estas son cuestiones específicamente germánicas, experimentarlas in situ sería sumamente necesario. Sólo que, en este punto, la situación se complica. Nosotros hemos tenido la desgracia de acabar cuando la situación económica y social es más trágica, así que irnos al extranjero es algo más que problemático. No soy de los que viven lamentándose sino que entiendo mejor que nadie las imposibilidades.

Al escribir estos renglones me viene a la memoria una solución para tu caso. Como, sin lugar a dudas, has establecido relaciones, podrías trabajar en algún periódico de Bucarest. Sería otra remuneración y otra situación.

Una cuestión resulta trágica: hacemos apaños demasiado serios para nuestra edad. Hemos envejecido demasiado pronto.

Con cariño, Emil Cioran

Sibiu, 23 de septiembre [de 1932]

P. D.: Contéstame a la antigua dirección de Bucarest.

(Extraído de Cioran: Doce cartas desde las cimas de la desesperación, acompañadas de doce cartas de senectud y otros textos. Biblioteca Apostrof, Cluj, 1995). Traducción del rumano de Rafael Pisot y Cristina Sava. Cortesía del Instituto Cultural Rumano y editorial Apostrof, con el apoyo de Florin Turcanu y Marta Petreu.

J. I. Nájera: “Realidad y decepción en Cioran”

Por José Ignácio Nájera*

Cuando me planteé sobre qué aspecto tratar de Cioran para mi intervención, me encontré en una situación curiosa y más bien paralizante. Son tantas las cosas y los asuntos en los que se ha entretenido Cioran que era difícil decidir. De hecho, el ya amplio panorama de artículos sobre él así lo demuestra —otro asunto son los libros—. La música, la religión, la Historia, la muerte, el suicidio, la mística, la indigencia humana, el retratismo, Francia, Rumanía, España, los escritores rusos, los judíos…, en fin, innumerables son los temas. No en vano se podría decir que estamos ante un escritor misceláneo.

Tras darle no pocas vueltas al asunto, me he decidido por un par de términos que creo que son expresión del tono general del autor: Realidad y decepción, por supuesto en Cioran. Si se quiere se puede sustituir “realidad” por “mundo”, incluso, por “vida”. Da igual, o al menos lo da en esta circunstancia donde no quiero ser académico, ya que el propio autor fue refractario al academicismo y hoy estamos aquí para celebrarlo.

De hecho, cuando uno emprende la lectura de la obra de Cioran y persiste en ella, se dará cuenta de que sin lugar a dudas en Cioran hay toda una Metafísica. De él se podría decir aquello que se dice con frecuencia de Nietzsche: ¡Hay que ver que antimetafísico más metafísico! Quiero decir con esto que soy de los que piensan que cuando aún no nos hemos repuesto de la muerte de la  Metafísica, esta resucita. O, en términos regios, a Metafísica muerta, Metafísica puesta. Nuestro sino parece ser que es el asedio de ciertas preguntas por así decir hondas, independientemente de los resultados que se obtengan.

Ni que decirse tiene que a Cioran no le ha preocupado lo más mínimo que su discurso decepcionado sobre la realidad sea tachado de acientífico. No, no, Cioran juega en otro territorio y, digamos, que con otras reglas. Por cierto, digámoslo ya: con la intuición, con el presentimiento, con la empatía, con la aversión, con la ironía, con el estilo y con la poesía, esos son sus instrumentos. Esto de señalar  la poesía no es, valga la redundancia, una licencia poética. He de recordar que el primer epígrafe que aparece en su primer libro, En las cimas de la desesperación, cuando tenía 21 o 22 años, reza así: Ser lírico. Es decir, empieza avisando ya desde muy joven desde dónde va a hablar.

Bien, volvamos al asunto de la Metafísica. ¿En qué manera creo yo que hay que interpretar el metafisicismo de Cioran? Lo voy a decir corto y preciso: Cioran es un denunciador de lo real, de la Vida, si se quiere. Está continuamente  pleiteando con el estado de las cosas, o más brevemente, con la existencia. En este sentido, he de señalar que su afición al budismo, o a Schopenhauer, no es completa. Es un semiaficionado a ambos. Cioran suscribe de ellos lo que tienen de denuncia: La Vida está llena de dolor y sufrimiento (y de deseo, no lo olvidemos). Y el pagano de toda esta función es el anthropós, el ser humano. Fíjense si esto será así que si repasamos los títulos de los libros de Cioran nos iremos encontrando con la siguiente retahíla de palabras: desesperación, quimeras, lágrimas, ocaso, vencidos, podredumbre, tentación, malvado, amargura, caída, maldito, inconveniente, desgarradura… He aquí toda una coreografía de la decepción. Es raro el libro de Cioran que en su título muestra asepsia sentimental. La razón del pleito no es otra que el sentirse afrentado. La adhesión que falta al budismo o a Schopenhauer completos se debe a que Cioran siempre creyó que no había solución. ¿Por qué? Porque el deseo es insofocable.

En efecto, bajo la supuesta regularidad de la naturaleza inorgánica esta no cesa de recordarnos que sus leyes no tienen el más mínimo miramiento para con nosotros. La naturaleza mineral se compadece muy poco de los humanos. Hasta la religión presume un Apocalipsis al final de los  tiempos  (y muchas de las religiones incluso introducen un Diluvio en la fase intermedia). Pero al lado de esta naturaleza, la fechoría de lo biológico no se queda corta. En este sentido, el libro de la naturaleza viva no es sino un manual de depredación. Y cuanto más evolucionada se muestre la naturaleza, más asesina se manifiesta: considérese si no la especie humana. Somos el animal que más ha matado, nunca un conjunto de minerales ha dado de sí más sadismo y crueldad que cuando se ha  estructurado como ser humano (quiero decir, cuando el barro se ha hecho hombre).

Definitivamente, las cosas no han ido bien —nos dice Cioran— y nada indica que vayan a mejorar. El Universo está malogrado, es un fiasco, es una muy deficiente obra artesanal. Es decepcionante. Por eso nos dice que nacer es un inconveniente, porque es un mal negocio de inserción. Por eso nos dice que se cae en  el tiempo, o se nos arroja —que diría Heidegger— para nuestra desgracia. Constátese el matiz pitagórico o platónico que alienta en Cioran en cuanto a la desdicha de existir.

Es de sobra sabido que la visión acerca de lo real que tiene Cioran es pesimista, sombría y negativa, y no merece la pena explicitarla más, dado el consenso entre sus lectores. El asunto más interesante —o al menos más digno de ser indagado— es bien otro, se trataría de saber por qué. ¿Por qué Cioran es o reacciona así? De hecho no es tema consensuado que lo real sea así o asá. Ahí tenemos, por ejemplo, al viejo Aristóteles hablándonos de la admiración ante las cosas como origen de la filosofía. O a Heidegger hablando de la maravilla estuporosa del fluir del ser. Y, en fin, a tantos otros que hablan de  celebración y no de lamento (y no tienen necesariamente que ser creyentes).

Creo que en Cioran hay varias confesiones al respecto. En sus famosos Cuadernos (1957-1972), publicados en 1997, y en alguna que otra entrevista se puede leer la confidencia suya de que tras todo pensamiento suyo late su fisiología. Dicho más poéticamente y trasladándolo a primera persona: Cada pensamiento mío supone un latido de mi sangre. Si es así, y siguiendo al viejo Hipócrates, habría más bien que decir: Tras mi filosofía no hay sino atrabilis, bilis negra. Cioran nos ha confesado: “Pertenezco a una estirpe familiar de seres depresivos”, incluso a veces ha dicho de seres “maníaco-depresivos”. Cuando era joven y entró en la universidad de Bucarest, creo que fue Eliade el que resaltó su aspecto linfático  y su aire blasé.

Bien, en cualquier caso, he ahí una indicación del propio Cioran sobre el origen de su cosmovisión: la melancolía con sus distintos grados de intensidad actuando como una especie de a priori epistemólogico. Para mayor abundamiento, en otra circunstancia Cioran acuña el siguiente aforismo: “La meteorología decreta el color de mis pensamientos”. Como la mayoría de los aforismos, brilla más por su provocación que por lo que demuestra, pero sin lugar a dudas también nos ofrece una pista. Su pensamiento no solo está a merced de su fisiología sino que también de cómo sople el viento.

Alguien podría objetar: Bien, usted ha dicho en segundo término “manía”, y la manía supone un curso eufórico, optimista, vital. Y yo contesto: Indudablemente. Pero, hay que reconocer que la manía lo que suministra es una “euforia insípida”, y Cioran, que básicamente es melancólico, es además lo suficientemente lúcido como para desoír esa “insipidez alegre”. Quizás, quizás, lo que toma y aprovecha de la fase “vital” es la fuerza, la energía, la agresividad… para execrar, para construir sus ironías y sus sarcasmos a la contra y contra todo.

Como no quisiera quedarme solamente en esta interpretación psicologicista, voy a hacer una pequeña incursión en lo que comúnmente se denomina “apartado: contextos”.

En los años más nutricios de Cioran, los años preuniversitarios y universitarios, está muy en boga lo que se denomina la Lebensphilosophie (Filosofía de la Vida). La Filosofía de la Vida fue un poco un vagón heterogéneo en el que caben tanto Bergson, como Blondel (por citar la parte francesa) como la estela de Nietzsche, Dilthey y sus Ciencias del espíritu, Simmel, Klages y sobre todo, y de cara a Cioran, Spengler (esto por la parte alemana). La receptividad a este movimiento filosófico en el Bucarest de los años 20 y 30 es total. De hecho, el ambiente en el que se mueve Cioran por esos años está casi copado por esta moda filosófica. A ello hay que añadirle la indudable influencia de Nae Ionescu y Eliade, a su vez influidos por la Lebensphilosophie.

Decir “Filosofía de la Vida” no quiere decir necesariamente “optimismo”. De hecho, dichas filosofías de la vida, una vez pasadas por el tamiz de la inteligencia del joven Cioran (que es mucha) y por su idiosincrasia ( que es como ya sabemos) desembocan en una actitud y una práctica intelectuales en las que  opta por volver la espalda a la razón, al objetivismo, al academicismo y a la mesura. Por el contrario, suponen una entrega al afecto, a la emocionalidad y al intuicionismo. Si repasamos sus primeras obras rumanas, comprobaremos que, en efecto,  son puro lirismo, como antes he señalado.

Bien, he mencionado a Spengler. Voy a detenerme un poco en ambos. La influencia de su obra de 1922 La decadencia de Occidente es notable en Cioran. Parece ser que en torno a los dieciocho años de edad Cioran tenía ya un buen número de fichas de lectura sobre Spengler (tomo este dato de Marta Petreu, una estudiosa de Cioran y de sus influencias). Para Spengler la historia universal no es sino la historia protagonizada por las grandes culturas, y estas son como grandes organismos vivos. Estamos ante un analogista que lleva la noción de lo biológico a lo histórico-cultural. Brillante, pero peligroso, porque a veces la analogía acaba literalizándose. Para Spengler y para Cioran la cultura occidental y Occidente están en decadencia, son un organismo que ha nacido, crecido, madurado y ya está entrado en el periodo otoñal-invernal, está marchitándose.

¿Síntomas?, ¿señales?: racionalismo, positivismo, admiración por la técnica, predominio de la inteligencia, agotamiento del instinto, progreso de los derechos humanos, pacifismo, democratismo, liberalismo, etc… El animal se debilita. Todo esto a nosotros ahora nos resulta extraño (con lo que llevamos encima), sin embargo suena muy bien en el periodo de entreguerras. Pero no solo en Rumanía, sino en toda Europa. Para Spengler y para Cioran el concepto de gran cultura está ligado a nociones como las de “destino”, “alma primordial”, “forma interior”, “fatalidad” “núcleo primigenio” y cosas por el estilo. Nociones todas ellas embargadas por un aire de familia que es vago, misterioso, místico, metafórico y, sobre todo, oscuro. Son, en definitiva, sugestiones.

En cualquier caso, el diagnóstico de ambos es que estamos en el periodo de periclitación de Occidente, de crepúsculo. Ese es sobre todo el diagnóstico pesimista de Spengler. Mas hete aquí que, de pronto, Cioran se separa de semejante parecer. Es decir, cree, cree que el animal puede resucitar. ¿Cómo? Si recupera los antiguos valores y motores que lo hicieron vigoroso. Entonces, se olvida de Spengler (o al menos lo usa a su conveniencia) y cree en lo que está pasando en los años treinta en la Alemania de Hitler. Y sobre todo cree también en la posibilidad de emerger de su postrada Rumanía. Nótese que la creencia de Cioran es historiológica, no metafísica (ahí sigue la decepción presente). De hecho, lo que nos viene a decir Cioran es que el Universo no tiene remedio, pero que el hombre puede ser grande, al menos efímeramente al actuar en la historia.

La diferencia con Spengler es, por un lado, que el entusiasmo spengleriano es más bien mussoliniano (y muy reticente con Hitler); y,  por otro lado, que Spengler no concedía ningún crédito a las llamadas culturas periféricas, como la rumana, por ejemplo. Estamos ante el momento más optimista y vital de Cioran. Estamos ante lo que yo denomino los años feroces de Cioran. Su compromiso fascista.

Como estamos en año de honras no voy a entrar en pormenores. Como decía alguien: “hoy no toca”. Pero lo que sí quiero señalar, sobre todo de cara al término del que estoy hablando (“decepción”), es que Cioran como consecuencia de la derrota del fascismo sufre una gran decepción. Es la segunda. La primera fue cuando se le extrajo del paraíso de la infancia en Rasinari, su pueblo, para ir a estudiar el bachiller a Sibiu.

El denominado por algunos segundo Cioran ya es el que se presenta en 1949 con su primer libro escrito en francés Breviario de podredumbre. Atendamos al cambio. El libro comienza con la siguiente reconvención:

“En sí misma, toda idea es neutra o debería serlo; pero el hombre la anima, proyecta en ella sus llamas y sus demencias; impura, transformada en creencia, se inserta en el tiempo, adopta figura de suceso: el paso de la lógica a la epilepsia se ha consumado… Así nacen las ideologías, las doctrinas y las farsas sangrientas.

“Idólatras por instinto, convertimos en incondicionados los objetos de  nuestros sueños y de nuestros intereses”.

La reconvención parece universal, pero sobre todo va dirigida a sí mismo. Se retoma la decepción. Y con más fuerza que  nunca. Ya no habrá más creencia historiológica. La decepción será integral. La esperanza en la Historia se acaba, de ahí en adelante se refugiará en la rumia metafísica.

* José Ignacio Nájera (Xauen, Marrocos) vive desde 1979 em Murcia, na Espanha, onde é professor de filosofia no Instituto Alfonso X el Sabio. Além deEl universo malogrado, Nájera também publicou os romances Olvídate de Alcibíades, Hermanos mayores e El enfermo epistemológico. Em 2005 ganhou o prêmio de ensaiosMiguel Espinosa com a obra Caminos de otoño. Colabora em diversas revistas com artigos, resenhas e contos.

Texto de la ponencia presentada en el CENTENARIO CIORAN en el Instituto Cultural Rumano y Círculo de Lectores, en Madrid, España, el 29 de marzo de 2011

Emil Cioran (1911-1995) Le plaisir d’en finir (émission de radio)

France Culture, le 22/05/2011

“Je m’en veux d’être moi”

Né en 1911, dans un petit village reculé de Transylvanie, Emil Cioran, fils de pope, quitte la Roumanie en 1938, après des études de philosophie à Bucarest et la publication de deux brûlots, l’un politique,Transfiguration de la Roumanie et l’autre hérétique, Des larmes et des saints. Insomniaque et mélancolique, miné par la haine de soi et le « cafard cosmique», Cioran vient s’établir en France, où il restera un « ermite en plein Paris » jusqu’à sa mort en 1995. Refusant les prix et les apparitions publiques, il devient néanmoins dès la parution de sonPrécis de décomposition (1949) et avec De l’inconvénient d’être né(1973) l’un des grands stylistes en langue française du désespoir, aux côtés de Beckett ou de Michaux, dont il était proche.

Et si Cioran nous avait “mené en bateau ” (Roland Jaccard) ? Et si cette solitude indigente, cette oeuvre sombre, ces aphorismes ciselés, cette philosophie du détachement n’étaient qu’une partie de la vérité ?

« La source de l’écrivain, ce sont ses hontes », écrit Cioran. Amis français et roumains, lecteurs et traducteurs, philosophes et historiens dévoilent ici les secrets d’un Cioran heureux, chasseur de femmes et  infatigable causeur, d’un Cioran rongé par la nostalgie de son enfance heureuse et le poids de son passé d’intellectuel roumain adepte de la Garde de fer.

Une voix unique, indéfectiblement roumaine, délibérément française.

Un “icare de l’existence humaine” (Georges Banu), uniquement admirable dans la chute.

Avec

Georges Banu, ami de Cioran, écrivain et homme de théâtre

Livius Ciocârlie, écrivain, professeur à l’Université de Bucarest

Roland Jaccard, ami de Cioran, écrivain, Cioran et compagnie, PUF, 2005   

Florin Turcanu, historien, Mircea Eliade, Le prisonnier de l’histoire, La Découverte, 2003

Alexandre Lavastine, historienne, L’oubli du fascisme : Cioran, Eliade, Ionesco, PUF, 2002

Pierre Pachet, écrivain, Conversations à Jassy, Denoël, 2010

Gina Puica, traductrice de Cioran, Bréviaire des vaincus, L’Herne, 2010

Fernando Savater, philosophe, Penser sa vie, une introduction à la philosophie, Points, 2009

Archives

Emil  Cioran, entretien, INA (1949)

Emil Cioran, entretien, INA (1989)

L’Apocalypse selon Cioran, film de Gabriel Liceanu et Sorin Iliesu, 1990

Textes lus

Transfiguration de la Roumanie, L’Herne,2009 

Syllogismes de l’amertume, Œuvres, Quarto Gallimard, 1998

De l’inconvénient d’être né, Œuvres, Quarto Gallimard, 1998

Cahiers 1957-1972, Gallimard,1997 

 

Sélection de sites établi par les documentalistes de Radio France

Cioran : une pensée contre soi héroïquement positive

Article de Liliana Nicoresco à propos de Cioran. Un héroïsme à rebours de Sylvain David, Les Presses de l’Université de Montréal, 2006

Site de la revue Analyses

Dossier sur le site canadien de l’Encyclopédie de L’Agora

Notice bio-bibliographique aux éditions de L’Herne

Cioran et le rire. Regards sur une pensée entre moralisme, religion et philosophie

Article de Constantin Frosin enseignant à l’Université Danubius/Galati

Revue de littérature comparée 2008/4 (n° 328)

Vision du temps. Cioran analyste de la réaction, de l’utopie et du progrès. Article de J.C Guerrini
Mots. Les langages du politique (1) n°68

La tentación de Ciorán

Por  Ana María Cano Posada – El Espectador (Colómbia), 24 de Marzo de 2011

“EXISTIR ES UNA COSTUMBRE QUE no desespero de adquirir. Imitaré a los otros, a los astutos que lo han logrado, a los tránsfugas de la lucidez, saquearé sus secretos y hasta sus esperanzas, feliz de poder aferrarme con ellos a las indignidades que conducen a la vida”: Ciorán.

Hago parte de una generación que no tuvo autoayuda para despertar al pensamiento. El desencanto de lo religioso nos impuso distancia de los breviarios donde había que desistir de vivir para obtener paraísos. Por eso fue un hallazgo encontrar pensadores atados a la existencia por contradicciones con los cuales acompañar la travesía haciendo más fuerte el temporal. No sobra aclarar que esta generación mía no tuvo distractores activados con los pulgares ni simultaneidad que atender para no perderse de la escena al parpadear. Caminamos hoy sobre los 50 años y todavía acudimos a estos lúcidos que nos despertaron a fogonazos con palabras exactas y hondas. El primero de mi propia lista es Emil Ciorán y cumple el 8 de abril 100 años de haber nacido. Lo fascinante es para mi gusto su inasible pasión por vivir espoleada por el desencanto.

Nació en Transilvania y fue feliz en la niñez a pesar de la dureza de su papá, un sacerdote ortodoxo fundamentalista. Mucho se ha dicho que su mamá le advirtió que de haber sabido lo que iba a sufrir mejor lo habría evitado. Dicen que a partir de esa frase Ciorán se sintió siempre un accidente. Cuando lo llevaron al liceo en Bucarest quedó roto su mundo inicial que debió estar hecho de naturaleza. Fue en la universidad de esa ciudad donde tuvo el feliz encuentro con el dramaturgo Ionesco y con el historiador de las religiones Mirceade Elíade que formaron un trío intelectual de rumanos de peso. Pero Ciorán se desapegó de su país y de su lengua para irse a vivir a París, a rondar por La Sorbona, a montar en bicicleta (y hasta correr un Tour de Francia) con la obsesión de fatigar su vitalidad. Aquel que para unos fue nihilista era amable para los que lo visitaban, que eran pocos porque temía a los demás. Ernesto Sábato, otro lúcido imprescindible, se encontró en 1989 con él en París y conversaron cuatro horas sobre la desazón como su propia manera de estar vivos y sentirlo. Como Elíade, Ciorán tenía cierto halo místico que hacía que le interesara el budismo por ser más cercano de la naturaleza y del vacío que de la religión.

El pensamiento de este hombre está entre Diógenes el cínico y Epicuro; escribió su obra en francés, y aunque le costaba hacerlo, era lo único que lo aliviaba. Su filosofía era la contradicción porque desconfiaba de todo sistema, aparato o tiranía. La amargura podía sublimarla con la ironía y el humor iluminaba sus desgarros. Le parecía sugestivo el suicidio porque era una ventana abierta a cada hombre, así nunca la usara (sólo se suicidan los optimistas, decía). Buscaba autores que lo apasionaran, casos humanos, seres capaces de confesarse y la autobiografía le interesaba, mientras que de la historia desconfiaba encarnizadamente. Su lenguaje tiene un acento que lo aparta de la filosofía y lo sume en la poesía como a Saint John Perse, a quien admiró, y a Nietzsche, al que acercan sus aforismos: una manera fracturada de expresarse que ilumina lo que dice.

Un escritor como Savater entregó a Ciorán su devota lectura, y tradujo su obra Breviario de podredumbre. “En todo profeta coexisten el gusto por el futuro y la aversión por la dicha”. “No todo está perdido: quedan los bárbaros. ¿De dónde vendrán? No importa”. Estos dos aforismos como degustación para los que leen tweets.