“Onde nascem os mitos? Cioran responde” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Onde nascem os mitos? Eles “surgem do lugar mais corrompido que existe entre a terra e o céu, do lugar onde a loucura jaz na ternura, cloaca de utopias e vermineira de sonhos: nossa alma.” Um mito prospera num corpo social enfermo de insegurança e medo, desorientação e (desejada) ignorância; pode sobreviver durante longos períodos…

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“Cioran y el instinto religioso: la no rendición” (M. Liliana Herrera)

In: HERRERA A., M. Liliana; ABAD T., Alfredo A. (orgs). Cioran: ensayos críticos. Pereira: Universidad Tecnológica de Pereira, 2008, p. 208-225. ¡La pasión de lo absoluto en un alma escéptica! Cioran En su artículo Le démon cioranien et dieu, Ariana Bălaşa señala que la confrontación que Cioran sostiene con Dios “ha preocupado a muchos pensadores…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 4] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A ideia do suicídio e a escritura filosófica como auto-análise Perguntam-me: “Você está trabalhando? – Sim, num artigo sobre o suicídio.” – Minha resposta tira das pessoas a vontade de saber mais.[1] Trata-se, por fim, do último desafio da lucidez: a permanência e a perseverança na vida quando esta é entendida como um “estado de…

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Aceleração e depressão (Maria Rita Kehl)

“Aquele que, por distração ou incompetência, detiver, ainda que só por um momento, a marcha da humanidade, será seu salvador.” Cioran, Silogismos da amargura (1952) Temos fôlego para acompanhar os relógios apressados dos dias de hoje? O tempo dos relógios e calendários continua o mesmo, mas a nossa vida parece mais acelerada. Neste Café Filosófico,…

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“Aquele que diz sim, aquele que diz não: religiosidade e heresia” (Marília Fiorillo)

Revista Estudos de Sociologia, v. 18, n. 34 (2013 RESUMO: Imaginação e religião entronizada são antitéticas. O dogma, cerne das grandes religiões monoteístas, nada mais é que uma diligente e metódica rejeição à curiosidade, autonomia e inventividade. É nesta relação assimétrica entre aquele que ignora, teme e suplica, e o Outro que tudo sabe e…

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Sobre duplos, (des)ilusões e a “idiotia do real”: Clément Rosset

Nada mais frágil do que a faculdade humana de admitir a realidade, de aceitar sem reservas a imperiosa prerrogativa do real. Esta faculdade falha tão frequentemente que parece razoável imaginar que ela não implica o reconhecimento de um direito imprescritível — o do real a ser percebido –, mas representa antes uma espécie de tolerância,…

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“No inferno, com Foucault” (Fabiano Maisonnave)

REVISTA PIAUÍ, no. 152, maio 2019 Eram três da tarde de 21 de março, quinta-feira, quando a mestranda em letras Cris Guimarães Cirino da Silva iniciou a apresentação do resumo de sua futura dissertação num seminário interno na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus. Para duzentas pessoas, ela projetou na tela o título provisório…

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Gnose e imaginação poética, por Harold Bloom

Desejo acentuar aqui, no início, minha própria convicção de que é infrutífero literalizar ou descartar a experiência espiritual — antiga, medieval ou contemporânea. Essa convicção é pragmática, e sigo William James no reconhecer as experiências religiosas importantes como autênticas diferenças: uma das outras e entre nós. Para muitos dos antigos, os fenômenos dos anjos, sonhos…

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“Crítica de um certo uso das filosofias de Nietzsche, Marx e Freud” (Clément Rosset)

Numa obra que, de certo modo, anunciava na França o verdadeiro início dos estudos nietzscheanos, Georges Bataille desenvolve o tema seguinte: Nietzsche teria sido o primeiro filósofo a fundar uma filosofia sobre o “não-sentido”, ou o acaso, libertando sua representação do mundo de todo pensamento racionalizante, finalista ou teológico. A este primeiro erro histórico (tais…

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“Estamos nos tornando uma teocracia”: entrevista com Harold Bloom

Folha de S. Paulo, 24/09/2005 “Creio que sou religioso, mas de um modo herético. Acho que em algum lugar, além deste reino, além do nosso cosmo, haja um sonho em exílio, um princípio divino, e acho que há um fragmento disso em cada ser humano, mas este se acha enterrado tão fundo, tão oculto no…

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“O reverso de um jardim” (E.M. Cioran)

Quando o problema da felicidade suplanta o do conhecimento, a filosofia abandona o seu domínio próprio para se consagrar a uma actividade suspeita: interessa-se pelo homem… Atraem-na questões que até então não se dignara abordar, e tenta responder-lhes com o ar mais sério deste mundo. «Como não sofrer?» — é uma das questões que a…

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“La melancolía, una pasión inútil” (Francisco Ferrández)

Revista de la Asociación Española de Neuropsiquiatría, 2007, vol. XXVII, n.º 99, pp. 169-184. RESUMEN: En el presente artículo se analiza si existe una utilidad subjetiva del síntoma melancólico y qué tipo de expresiones, psicopatológicas o no, se pueden derivar de él. PALABRAS CLAVE: Depresión, genio, melancolía. SUMMARY: This article analyzes if there is an…

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“La violence nihiliste” (Robert C. Colin)

 Topique, 2007/2 (n° 99), pages 139 à 171 Nous entendons régulièrement parler de déclin de l’Occident : nous traverserions une nouvelle période de décadence, voire, notre civilisation ne se serait toujours pas relevée du déclin que les Lumières auraient paradoxalement provoqué. Les arguments ne manquent pas qui dénoncent le malaise actuel : nivellement par le bas, perte des valeurs,…

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“A fanatic without conviction” (Charles Newman)

“And there, sir, lies the entire problem, to have within oneself the inseparable reality and the material clarity of feeling, to have it in such a degree that the feeling cannot but express itself, to have a wealth of words and of formal constructions which can join in the dance, serve one’s purpose-and at the…

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“Filosofia do tédio” (Lars Svendsen)

Rio de Janeiro: Zahar, 2006, 192 páginas. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Esse livro investiga uma das preocupações centrais de nossa era ao sondar a natureza do tédio, quando ele se origina, como nos aflige e por que, ao que parece, somos incapazes de superá-lo por qualquer ato de vontade. De forma…

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“Trágico e silêncio” (Clément Rosset)

UM FILÓSOFO POUCO SUSPEITO de complacência para com o pensamento trágico, Jules Monnerot, reconhecia recentemente no fantasma do ”alhures” uma negação fundamental da tragédia: “Não há de uma parte o homem, e de outra parte forças exteriores ao homem, às quais ele também seria exterior. As forças ‘exteriores’, ‘cósmicas’, ‘naturais’ estão também em nós, (…

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“Autodependência ou simples gnosticismo” (Harold Bloom)

1. Quero convidar homens encharcados de Tempo a recuperar-se e sair do Tempo, e provar seu imortal ar nativo. – EMERSON Se nos buscamos fora de nós mesmos, encontraremos a catástrofe, erótica ou ideológica. Deve ser por isso que Ralph Waldo Emerson, em seu fundamental ensaio “Self-reliance” [Autodependência] (1840), observou que “viajar é o paraíso…

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Filosofia trágica como crítica das ideologias (Clément Rosset)

Meu partido é um coração partido. Cazuza Uma única fórmula basta para caracterizar o pensamento trágico: a impossibilidade de crer que possa haver crença. E, na origem desse descrédito na crença, que acarreta para o pensamento toda uma série de consequências desastrosas que constituem o conjunto da “filosofia trágica”, ela invoca um argumento bem simples:…

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Carta de Cioran a Roland Jaccard

Paris, 25 de novembro de 1978 Caro Senhor, O pensamento freudiano é fundamentalmente “anti-utópico”, você diz. É em virtude da sua visão lúcida do futuro que Freud sempre me interessou. De resto, eu amiúde me pergunto como alguém tão clarividente assim pode ter elaborado uma terapêutica, como sobretudo ele pôde crer em qualquer forma de cura…

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“Historia y nostalgia en Cioran” (Ernesto Parra)

El País, 30 de Agosto de 1978 Los textos de Cioran han encartado siempre una gran dosis de escepticismo, instrumento engendrado desde su crítica lucidez y exquisito sentido de la ironía. Su capacidad de sugerencia es innegable: la duda y el desaprendizaje sirven de método de abordaje a cuestiones tan inasibles y ambiguas como la historia, la nostalgia, el tiempo o…

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Pequeño ensayo sobre Cioran: un fragmento de lucidez (Luis Roca Jusmet)

Rebelión.org, 30/09/2011 1. ¿Es Cioran un filósofo? Voy a empezar con unas referencias dos filósofos contemporáneos, uno muerto y otro vivo, que me permitirán una aproximación al extraordinario pensador rumano. La primera es al filósofo francés Pierre Hadot cuando reivindica la filosofía como forma de vida. Es a partir de la filosofía romana tardía y…

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“Estética e horror: o monstro, o estranho e o abjeto” (Marcelo Rodrigues de Moraes)

Dossiê “Escritas da Violência” do Grupo de Pesquisa Literatura e Autoritarismo, UFSM/RS. Resumo: O propósito deste trabalho é refletir a respeito do tema Estética e Horror, evidenciando seu caráter teórico e as três principais categorias estudadas: o monstro, o estranho e o abjeto. O trabalho, desenvolvido no projeto Literatura e Autoritarismo, tenta mostrar como a…

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