“Misticismo ateu” (John Gray)

“Tentarei de novo dizer o indizível, expressar com palavras pobres o que tenho de dar aos devotos infiéis do misticismo nominalista, do misticismo cético […] O mundo não existe duas vezes. Nao existe um Deus separado do mundo, nem um mundo separado de Deus. Esta convicção tem sido chamada de panteísmo. […I Por que não?…

Leia mais

“Eugène Ionesco: o útil é um peso inútil” (Nuccio Ordine)

E, ao contrário, para uma humanidade que perdeu o sentido da vida, Eugène Ionesco dedica reflexões extraordinárias, hoje mais atuais do que nunca. Numa conferência proferida em fevereiro de 1961, diante de outros escritores, o grande dramaturgo reafirma em que grau a insubstituível inutilidade é necessária: Observem o ritmo alucinado das pessoas pelas ruas. Não…

Leia mais

Um pensamento contra os falsos sábios e sofistas – entrevista com Helène Politis sobre Kierkegaard

IHU On-line – Revista do Instituto Humanitas Unisinos, n. 418, 13 maio 2013 Autor de uma obra endereçada aos “leitores possíveis” dispostos a estudá-la sem preconceito, Kiekegaard denunciou o caráter irrealista e abstrato da racionalidade hegeliana, destaca Helène Politis. Conexões entre o existencialismo e as ideias do dinamarquês são inadequadas Leitora de Kierkegaard há mais…

Leia mais

“Eterno” (Carlos Drummond de Andrade)

E como ficou chato ser moderno. Agora serei eterno. Eterno! Eterno! O Padre Eterno, a vida eterna, o fogo eterno. (Le silence éternel de ces espaces infinis m’effraie.) — O que é eterno, Yayá Lindinha? — Ingrato! é o amor que te tenho. Eternalidade eternite eternaltivamente eternuávamos eternissíssimo A cada instante se criam novas categorias do eterno.…

Leia mais

La figure du raté : perspectives comparatistes

POST-SCRIPTUM, n. 13, mai 2011 Présentation de Sara Danièle BÉLANGER-MICHAUD Les figures du raté ne sont pas rares en littérature : qu’on pense à l’Oblomov de Gontcharov, à l’homme du sous-sol de Dostoïevski, au Bartleby de Melville ou aux personnages de Maupassant, de Bernhard, de Vila-Matas ou de Coetzee. Mais cette figure n’est pas seulement l’apanage…

Leia mais

Solitude et lumière : ténèbres du troglodyte et éblouissement du désert chez Cioran (Lauralie Chatelet)

DEMARS, Aurélien ; STĂNIŞOR, Mihaela-Genţiana Stănişor. Cioran, archives paradoxales : nouvelles approches critiques. Tome IV, Classiques Garnier, pp.73-83, 2019. J’aborderai ici deux figures de la solitude chez Cioran, celles de l’ermite et du troglodyte. Force est de constater qu’il y a une tension chez Cioran dans sa conception même de la solitude. Plutôt que solitude…

Leia mais

Dialogo con Mirko Integlia su «Tormented by God: The Mystical Nihilism of Emil Cioran» (parte II)

Orizzonti Culturali Italo-Romeni, n. 1, gennaio 2020, anno X In questa seconda parte dell’intervista di Rodrigo Inácio R. Sá Menezes con Mirko Integlia, autore del libro Tormented by God: The Mystical Nihilism of Cioran (Libreria Editrice Vaticano, 2019), la conversazione gira intorno a temi quali il pericolo-Cioran (in virtù della natura labirintica e «ipertestuale» della scrittura frammentaria…

Leia mais

“Harmonias do inferno” – Baudelaire e a crise do paradigma musical (Eduardo Veras)

Remate de Males, Campinas-SP, n. 1, pp. 301-320, ja.jun./2019 Resumo: Este artigo propõe uma análise da relação problemática que a poesia de Baudelaire estabelece com a música. Pretendemos mostrar como o poeta dramatiza a desestruturação da linguagem poética tradicional pela adesão a uma retórica da desarmonia, da dissonância e do barulho, sem contudo se render…

Leia mais

“A dor e o existir: Fernando Pessoa” (Neyza Prochet)

Cadernos de psicanálise (Rio de Janeiro), vol. 34, no. 27, Rio de Janeiro, dez. 2012 Para o homem, a arte é o recurso que possibilita dar forma, tempo e lugar àquilo que, de outro modo, lhe seria inacessível. É a capacidade criativa que conecta o indivíduo a seu núcleo central, à fonte de onde se…

Leia mais

“E. M. Cioran, Nihilist and Ecstatic” (Robert Wicks)

Life and works In a brief autobiographical sketch, Emile Mihai Cioran described himself as follows: I was born on the 8th April 1911 in Rasinari, a village in the Carpathians, where my father was a Greek Orthodox priest. From 1920 to 1928 I attended the Sibiu grammar school. From 1929 to 1931 I studied at…

Leia mais

“Ictiofídeos e liberais” (John Gray)

Em Da outra margem, coleção de ensaios e diálogos escrita por Alexander Herzen entre 1847 e 1851, o jornalista radical russo imagina um diálogo entre alguém que acredita na liberdade humana e um cético que julga os seres humanos por seu comportamento, e não pelos ideais professados. Para surpresa daquele que acredita, o cético cita…

Leia mais

“La prophétie du pire” (Sylvain David)

Fonte: Chapitre VI. La prophétie du pire – Presses de l’Université de Montréal DAVID, Sylvain, Cioran. Un héroïsme à rebours. Montréal: Presses Universitaires Montréal, 2006. L’homme, bien qu’il soit lui-même mortel, ne peut se représenter ni la fin de l’espace, ni la fin du temps, ni la fin de l’Histoire, ni la fin d’un peuple,…

Leia mais

“Du Moi comme apophatisme: Maurice Barrès, Emil Cioran, Philippe Muray” (David Paigneau)

Anales de Filología Francesa, n.º 27, 2019 Abstract: In the theological field, the term apophatism refers to a negative approach of defining God by what he is not rather than by what he is. This way of thinking can be applied to the definition of the writer’s Me as it appears in the literary works,…

Leia mais

Existentialism, Gnosticism, Nihilism: Culianu on Cioran

Existentialism We will not insist on analyzing the relations between existentialism and Gnosticism established by Hans Jonas. I have already done this elsewhere, in detail (Gnosticismo, pp. 119 sq.). Gnosticism and existentialism resemble the phenomenology of the being-in-the-world, which is “pro-iectation” (Geworfenheit), abandonment, forgetfulness, inauthenticity. But while this condition forms, for the Gnostic, only the…

Leia mais

Cioran, o místico de uma era pós-Deus: entrevista com Mirko Integlia (última parte)

[PDF] Acaba de ser publicado, em inglês, um novo livro de exegese filosófica sobre Cioran – e um importantíssimo, tanto pela temática quanto pela abordagem: Atormentado por Deus: o niilismo místico de Emil Cioran (Libreria Editrice Vaticana, 2019), do filósofo e teólogo Mirko Integlia. O livro é uma minuciosa análise textual e contextual, histórico-hermenêutica, disso…

Leia mais

“Getting away with it (all messed up)” (James)

Are you aching for the blade? That’s okay, we’re insured Are you aching for the grave? That’s okay, we’re insured Getting away with it, all messed up Getting away with it, all messed up That’s the living We’re getting away with it, all messed up Getting away with it, all messed up That’s called living…

Leia mais

Jeff Koons, Anti-Cioran

Um ser sem duplicidade não possui profundidade e mistério; não esconde nada. Só a impureza é sinal de realidade. E se os santos não são inteiramente desprovidos de interesse, é que sua sublimidade mistura-se ao romance e sua eternidade presta-se à biografia; suas vidas indicam que abandonaram o mundo por um gênero suscetível de cativar-nos…

Leia mais

“Cioran e Guitton” (Gianfranco Ravasi)

Pubblicato col titolo: Cioran e Guitton nel cortile del dialogo, su IlSole24ORE, n. 157 (09/06/2019). Apud Pontificio Consiglio della Cultura. È ormai da un decennio che è in azione il “Cortile dei Gentili” allestito dal Pontificio Consiglio della Cultura (un dicastero vaticano che, quando fu fondato da Paolo VI, era denominato «per i non credenti»), dedicato al…

Leia mais

O Diabo, filantropo funesto (E.M. Cioran)

PLANEJAR uma sociedade na qual, segundo uma etiqueta aterradora, nossos atos são catalogados e regulamentados, na qual, por uma caridade levada até a indecência, se preocupam com nossos pensamentos mais íntimos, é transportar os tormentos do inferno para a idade de ouro, ou criar, com a ajuda do diabo, uma instituição filantrópica. Solares, utópicos, harmônicos…

Leia mais

“Cioran: pensador-cantor com uma alma perdidamente musical” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Não se pode eludir a existência com explicações, só se pode suportá-la, amá-la ou odiá-la, adorá-la ou temê-la, nessa alternância de felicidade e de horror que exprime o ritmo mesmo do ser, suas oscilações, suas dissonâncias, suas veemências amargas ou alegres.” (Breviário de decomposição) “Sem o imperialismo do conceito, a música teria substituído a filosofia:…

Leia mais

Cioran, o místico de uma era pós-Deus: entrevista com Mirko Integlia (2ª parte)

“Il testo cioraniano è ‘rischioso‘. A escritura cioraniana possui uma profundidade que poderíamos definir, para usar uma terminologia atual, “hipertextual”, isto é, a assim-chamada mensagem não se esgota na imediatidade do escrito, mas abre continuamente vertentes de reflexão ulterior, as quais, de resto, atravessam a obra inteira como um fluxo de consciência que busca superar…

Leia mais

L’avant-garde ? Ça depend (Cioran)

J’aime l’avant-garde, à condition qu’elle ne soit pas ennuyeuse. Elle l’est, le plus souvent. Est-ce que Nietzsche, est-ce que Pascal se réclamaient d’une avant-garde quelconque? Le pire est de vouloir être d’avant-garde. [Eu gosto do avant-garde, desde que não seja entediante. Ele o é, amiúde. Será que Nietzsche ou Pascal se reclamam de uma vanguarda…

Leia mais

“Sobre a gênese da burrice” (Adorno & Horkheimer)

O SÍMBOLO DA INTELIGÊNCIA é a antena do caracol “com a visão tacteante”, graças à qual, a acreditar em Méfistófeles, ele é também capaz de cheirar. Diante de um obstáculo, a antena é imediatamente retirada para o abrigo protector do corpo, ela se identifica de novo com o todo e só muito hesitantemente ousará sair…

Leia mais

Absurdo, Horror da História e a “Nulidade do Futuro” (E.M. Cioran)

Já que uma voz tão autorizada nos instruiu sobre a fragilidade da antiga idade de ouro e sobre a nulidade do futuro, somos obrigados a tirar as consequências disso e não nos deixar mais iludir pelas divagações de Hesíodo nem pelas de Prometeu, e menos ainda pelas sínteses delas que tentaram as utopias. A harmonia,…

Leia mais

Eros, alteridade e transcendência (Byung-Chul Han)

A DEPRESSÃO é uma enfermidade narcísica. O que leva à depressão é uma relação consigo mesmo exageradamente sobrecarregada e pautada num controle exagerado e doentio. O sujeito depressivo-narcisista está esgotado e fatigado de si mesmo. Não tem mundo e é abandonado pelo outro. Eros e depressão se contrapõem mutuamente. O eros arranca o sujeito de…

Leia mais

COMO IMAGINAR a vida dos outros, quando a sua própria mal parece concebível? Encontramos alguém, vemo-lo mergulhado em um mundo impenetrável e injustificável, em uma porção de convicções e desejos que se superpõem à realidade como um edifício mórbido. Tendo forjado para si um sistema de erros, sofre por motivos cuja nulidade aterroriza o espírito […]

via “Coalizão contra a morte” — Breviário de Decomposição 7.0 🇧🇷

Amen to this beautifully visionary song… Before you advertise All the fame is implied With no fortune unseen Sell the rights to your blight time machine While I’m dulled by excess (dulled by excess) And a cynic at best (cynic at best) My art imitates crime Paid for by the allies, so invest Now I’m […]

via Delìrivm Còrdia🤘🏼