Sobre a Música (E.M. Cioran)

Nascido com uma alma habitual, pedi outra à música: foi o começo de desgraças maravilhosas… § Sem o imperialismo do conceito, a música teria substituído a filosofia: teria sido o paraíso da evidência inexprimível, uma epidemia de êxtases. § Beethoven viciou a música: introduziu nela as mudanças de humor, deixou que nela penetrasse a cólera.…

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Schopenhauer, pessimismo filosófico e a recepção brasileira de Cioran: Ciprian Vălcan em diálogo com Flamarion Caldeira Ramos

Entrevista originalmente publicada em ARCA – Revistã lunarã de literaturã, eseu, arte vizuale, muzicã (fondatã în februarie 1990 la Arad), anul XXV, nr. 4-5-6, 2014, e incluída no volume Cioran, un aventurier nemişcat. 30 de interviuri [Cioran, um aventureiro imóvel. 30 entrevistas] (Bucureşti, Editura ALL, 2015), com 30 entrevistas feitas por Ciprian Vălcan com de exegetas de Cioran de todo o mundo, das…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 2] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Na primeira parte do livro, “Uma juventude entre desespero e fervor político”, Fiore perfaz o itinerário de formação do jovem Cioran na Romênia da década de 30, explorando a dualidade de uma juventude dividida entre o desespero existencial e o fervor político. Não se faz política nos cumes do desespero. Schimbarea la faţă a României…

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Clément Rosset: sobre sabedoria erudita e sabedoria popular (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” Nietzsche, Além do Bem e do Mal “Ao divinizar a história para desacreditar Deus, o marxismo só conseguiu tornar Deus mais estranho e mais obsedante. Pode-se sufocar tudo no…

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“A Maioridade de poucos e a Menoridade de muitos: Esclarecimento, Emancipação e Pessimismo Antropológico em Kant” (Rodrigo Menezes)

Introdução O célebre texto de Immanuel Kant (1724-1804) Resposta à questão: o que é o Esclarecimento?, publicado na revista Berlinischen Monatsschrift em 1784, fora motivado pela publicação prévia, na mesma revista, de um artigo cujo (Johann Friedrich Zöllner, um pastor berlinense) condenava o casamento civil em favor do religioso, polemizando contra a confusão geral que,…

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“Hang the DJ” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Será que a inteligência artificial nos tornará uma espécie de Über-marionetes, como sugere John Gray em seu primoroso ensaio sobre a liberdade humana, A Alma da Marionete? Após a notícia de que uma prestigiada casa de leilões de Londres iria leiloar o primeiro quadro pintado por inteligência artificial, desta vez a notícia é de que…

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“Cioran, antípoda de Aristóteles” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

ARISTÓTELES, Tomás de Aquino, Hegel – três escravizadores do espírito. A pior forma de despotismo é o sistema, em filosofia e em tudo. (Do inconveniente de ter nascido) § Beckett, a propósito do Démiurge, me escreve: “Em vossas ruínas, eu me sinto ao abrigo.” (Cahiers) § Não existe filosofia criadora. A filosofia não cria nada. Quero dizer que ela…

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“Compasso e descompasso em Heráclito” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Deste logos sendo sempre os homens se tornam descompassados quer antes de ouvir quer tão logo tenham ouvido; pois, tornando-se todas as coisas segundo esse logos, a inexperientes se assemelham embora experimentando-se em palavras e ações tais quais eu discorro segundo (a) natureza distinguindo cada (coisa) e explicando como se comporta. Aos outros homens escapa…

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“Como a política é uma questão de logos [2]” (Barbara Cassin)

Na República de Platão, em que política e ética se imbricam, submetidas à mesma idéia do Bem, a homonoia determinará uma das quatro virtudes características da alma do indivíduo bem como dessa alma ampliada que é a cidade: ela se definirá como sentido da hierarquia (IV, 432 a) e, com a justiça, virtude da estrutura,…

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“É preciso ser cético” (Marcio Tavares D’Amaral)

O Globo, 26/12/2015 Duvidando de todos os sins, eles têm certeza de todos os nãos Céticos são os que duvidam de tudo. Não acreditam em promessas, juras de amor, boas intenções. Olham de banda a própria realidade, que corre sob seus narizes: é falsa. Política? É lama. Políticos? Bandidos. E, evidentemente, não lhes venham com…

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História do ceticismo (Bertrand Russell)

Tímon passou os últimos anos de sua longa vida em Atenas, onde morreu no ano de 235 a.C. Com sua morte, a escola de Pirro teve fim enquanto escola, mas, por mais estranho que possa parecer, suas doutrinas foram adotadas — com algumas alterações — pela Academia, representante da tradição platônica. O homem que realizou…

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“Acerca do budismo, Cioran e filosofia ocidental” (Paulo Borges)

CV – Em que medida um melhor conhecimento da filosofia oriental contribui para a transformação da reflexão filosófica da tradição ocidental? No seu caso, como é que o budismo influenciou o estilo de filosofia que pratica? PB – Conhecer as filosofias orientais – muito diversas entre si – é indispensável para conhecer melhor a própria…

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“Como a política é uma questão de logos” (Barbara Cassin)

O paradoxo começa a se explicar quando aceitamos regredir, para aquém de nossas antíteses modernas (democracia/conservadorismo, revolução/reação), à própria constituição da polis que marca o “milagre grego” do século V. Polis, logos, sofística: o caráter eminentemente político da sofística é, antes de tudo, um questão de logos, termo em que o grego liga, como se…

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“Tudo mais é literatura” (Barbara Cassin)

Atualmente, só se pode ser incompleto e alusivo; no melhor dos casos, programático. Com o triunfo da retórica sofística, entramos, de fato, em literatura. Como escrever fora dos dois grandes gêneros patenteados – quando não se é nem poeta nem filósofo? Uma inventividade exuberante e lábil se desdobra em mais de dois séculos, nessa Antigüidade…

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“Estamos nos tornando uma teocracia”: entrevista com Harold Bloom

Folha de S. Paulo, 24/09/2005 “Creio que sou religioso, mas de um modo herético. Acho que em algum lugar, além deste reino, além do nosso cosmo, haja um sonho em exílio, um princípio divino, e acho que há um fragmento disso em cada ser humano, mas este se acha enterrado tão fundo, tão oculto no…

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“A luta contra as evidências” (Chestov)

“QUEM SABE?” — diz Eurípedes — “Talvez a vida seja a morte, e a morte a vida.” Estas palavras, Platão, em um dos seus diálogos, fá-las repetir a Sócrates, o mais sábio dos homens, o criador da teoria das ideias gerais e o primeiro a considerar a nitidez e a claridade dos nossos juízos como…

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“A força maior” (Clément Rosset)

“Os deuses ocultaram o que faz viver os homens.” (Hesíodo) UMA DAS MARCAS mais seguras da alegria é, para empregar um qualitativo com ressonâncias desagradáveis sob vários aspectos, seu caráter totalitário. O regime da alegria é o do tudo ou nada: não há alegria senão total ou nula (e acrescentarei, antecipando o que virá a…

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“Cioran, entusiasmo como estilo de vida” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

É difícil imaginarmos um mundo em que todos amassem tudo. Um mundo de entusiastas oferece uma imagem mais sedutora do que a imagem do paraíso, pois a tensão sublime e a generosidade radical ultrapassam qualquer visão paradisíaca. A capacidade de renascimento contínuo, de transfiguração e intensificação da vida faz do entusiasta uma pessoa permanentemente além…

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“Lágrimas e Santos, versão do diretor” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A Joan M. Marín Todo leitor de Cioran sabe que um dos seus livros romenos, após Nos cumes do desespero (1934) e O livro das ilusões (1936) — ambos traduzidos e publicados no Brasil –, é Lacrimi şi Sfinţi [Lágrimas e Santos], cronologicamente o terceiro título no conjunto da obra (publicado na Romênia em 1937). O que…

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“La mort apprivoisée contre l’éternité. L’antiquité et la contemporanéité selon Emil Cioran et Chantal Delsol” (Nelli Przybylska)

Zeszyty Naukowe, nr. 9, 212 Abstrakt: Stoicism is considered to be a philosophy of wisdom. Conceived in the Greco-Roman Antiquity, this philosophy constitutes a reference for many thinkers andwriters. Chantal Delsol, a French philosopher and anthropologist, integrates Stoicism into the European reasoning about death. This is nothing astonishing – Stoicism is especially concerned with the idea…

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“Cioran ou a vertigem da liberdade” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“O bem-sucedido em tudo é necessariamente superficial. O fracasso é uma versão moderna do nada. Ao longo da minha vida, estive fascinado pelo fracasso. Um mínimo de desequilíbrio impõe-se. Ao ser perfeitamente sadio física e psiquicamente falta um saber essencial. Uma saúde perfeita é a-espiritual.” (Entrevistas com Sylvie Jaudeau) “O despertar independe das capacidades intelectuais:…

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“Cioran, Platone e la Città del rancore” (Paolo Vanini)

THAUMÀZEIN | Rivista di Filosofia, Verona, no.  2, 2014, p. 455-483. Sommario: 1) Il tiranno e la felicità del licantropo; 2) I desideri della ragione e le sentenze della carne; 3) Statue, amici e proporzioni; 4) Conclusione: un esercizio di disimpegno * 1) Il tiranno e la felicità del licantropo Nel terzo capitolo di Storia e utopia…

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“O teísmo como solução ao problema cosmológico” (Emil Cioran)

Estudante de filosofia na Universidade de Bucareste, o jovem Cioran apresenta esta  dissertação (sem data determinada) sobre um problema filosófico que ecoará através de toda a sua obra posterior: a existência do mal no mundo tendo em vista a tese universalmente aceita do bem como elemento fundador e norteador do ser. Como conciliar a existência…

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“Suicídio: o adeus para (in) transcendência” (José Fernandes Pires Júnior)

Albert Camus escreveu que o suicídio era um “problema filosófico verdadeiramente sério”. Conheça a visão de pensadores como Emil Cioran, Santo Tomás de Aquino e Jean-Jacques Rousseau sobre esse tema tão delicado e controverso por José Fernandes Pires Júnior, graduado em Filosofia, bacharelando em Direito e professor de Filosofia da rede de ensino público do…

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“O filósofo confrontado com a (i)mortalidade da alma Uma análise do Fédon de Platão à luz de Hans-Georg Gadamer” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A morte tem sido, desde os primórdios da filosofia, um tema de reflexão recorrente. Que significa morrer? Que podemos esperar da morte? Nada? Algo? O quê? Naturalmente, a morte implica incerteza, medo, angústia, muitas vezes tristeza e luto. Neste sentido, percebe-se como o problema da morte se articula com a vida e, entre ambas, com…

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“Estética e horror: o monstro, o estranho e o abjeto” (Marcelo Rodrigues de Moraes)

Dossiê “Escritas da Violência” do Grupo de Pesquisa Literatura e Autoritarismo, UFSM/RS. Resumo: O propósito deste trabalho é refletir a respeito do tema Estética e Horror, evidenciando seu caráter teórico e as três principais categorias estudadas: o monstro, o estranho e o abjeto. O trabalho, desenvolvido no projeto Literatura e Autoritarismo, tenta mostrar como a…

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