“Harmonias do inferno” – Baudelaire e a crise do paradigma musical (Eduardo Veras)

Remate de Males, Campinas-SP, n. 1, pp. 301-320, ja.jun./2019 Resumo: Este artigo propõe uma análise da relação problemática que a poesia de Baudelaire estabelece com a música. Pretendemos mostrar como o poeta dramatiza a desestruturação da linguagem poética tradicional pela adesão a uma retórica da desarmonia, da dissonância e do barulho, sem contudo se render…

Leia mais

In dialogo con Mirko Integlia su «Tormented by God: The Mystical Nihilism of Emil Cioran»

ORIZZONTI CULTURALI ITALO-ROMENI, n. 12, dicembre 2019, anno IX È stato pubblicato da poco un nuovo libro su Cioran, uno importantissimo, a giudicare dal tema e dall’approccio: Tormented by God: The Mystical Nihilism of Emil Cioran (Libreria Editrice Vaticana, 2019), scritto dal filosofo e teologo Mirko Integlia. Un’approfondita analisi storico-ermeneutica di questo che l’esegeta concepisce come…

Leia mais

“Breviário de Decomposição: livro perigoso e essencial” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Por que reunir-se em torno do Précis de décomposition – e celebrá-lo? Alguns diriam que não há nada aí a ser celebrado, muito pelo contrário. Cioran: pró e contra… Qual a importância do Breviário de decomposição, conforme o temos, desde 1989, primorosamente traduzido ao português pelo professor José Thomaz Brum? Qual sua importância hoje, para […]…

Leia mais

Cioran, o místico de uma era pós-Deus: entrevista com Mirko Integlia (1ª parte)

In memoriam: María Liliana Herrera Alzate (1960-2019) “Às vezes tenho a impressão de que a obra de Cioran é interpretada como uma espécie de bazar, onde cada um se serve daquilo que quer, inclusive dos aspectos místicos-religiosos.” (Mirko Integlia) * [Pdf] Acaba de ser publicado, em inglês, um novo livro de exegese crítica sobre Cioran,…

Leia mais

“Benjamin Fondane. Tra Gerusalemme e Atene” (Francesco Testa)

Orizzonti Culturali Italo-Romeni, n. 11, novembre 2019, anno IX Il libro Tra Gerusalemme e Atene – recentemente pubblicato dalla casa editrice Giuntina – offre per la prima volta al pubblico italiano una prospettiva d’insieme sul rapporto di Benjamin Fondane con l’ebraismo. Il volume – curato da Francesco Testa e Luca Orlandini – raccoglie gli articoli che il…

Leia mais

“Cioran, entre filosofia e poesia: ambivalência, hibridismo, temeridade” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Já que tudo o que se concebeu e empreendeu dede Adão é ou suspeito ou perigoso ou inútil, que fazer? Dessolidarizar-se da espécie? Seria esquecer que nunca se é homem tanto como quando se lamenta sê-lo.” (La chute dans le temps) O “pecado original” de Cioran é ser demasiado filósofo, pensador. Corrijo-me: é não ser…

Leia mais

“Madrigal triste” (Charles Baudelaire)

I Que m’importe que tu sois sage? Sois belle! Et sois triste! Les pleurs Ajoutent un charme au visage, Comme le fleuve au paysage; L’orage rajeunit les fleurs. Je t’aime surtout quand la joie S’enfuit de ton front terrassé; Quand ton coeur dans l’horreur se noie; Quand sur ton présent se déploie Le nuage affreux…

Leia mais

De Maistre, Baudelaire, and Original Sin: between Tyranny and Heresy as Radical Liberty (Joseph Acquisto)

“Freedom is the supreme good only for those animated by the will to heresy.“ Cioran, Syllogismes de l’amertume * The high stakes of any modern or contemporary discussion of original sin immediately become apparent: quickly divorced from questions of belief, original sin becomes the base of a political theology that veers toward tyranny. The authoritarian conclusions fall back, however,…

Leia mais

“Exegese da decadência” (E.M. Cioran)

O aforismo “Exegese da decadência” retoma — sob uma outra luz, pelo filtro de um novo idioma e da forma mentis peculiar que ele modela — a temática e a problemática de um importante texto periodístico de juventude do autor romeno do Breviário de decomposição: trata-se de Nihilism şi natura [Niilismo e natureza], publicado originalmente na revista…

Leia mais

Schopenhauer, pessimismo filosófico e a recepção brasileira de Cioran: Ciprian Vălcan em diálogo com Flamarion Caldeira Ramos

Entrevista originalmente publicada em ARCA – Revistã lunarã de literaturã, eseu, arte vizuale, muzicã (fondatã în februarie 1990 la Arad), anul XXV, nr. 4-5-6, 2014, e incluída no volume Cioran, un aventurier nemişcat. 30 de interviuri [Cioran, um aventureiro imóvel. 30 entrevistas] (Bucureşti, Editura ALL, 2015), com 30 entrevistas feitas por Ciprian Vălcan com de exegetas de Cioran de todo o mundo, das…

Leia mais

“Pessimismo filosófico: a negatividade integrada na vida” (Ingresson Oliveira de Jesus)

Revista Pandora, no. 99, março de 2019 Resumo: O presente artigo busca apresentar a filosofia negativa de Cioran e, desse modo, desenvolver ideias sobre a produção intelectual do filósofo. O pessimismo filosófico, corrente de pensamento que caracteriza a filosofia de diversos pensadores inclui uma reflexão sobre o mundo e a physis. No contexto dessa corrente…

Leia mais

“Il sentimento della morte nella poesia di Eminescu” (Armando Santarelli)

Orizzonti Culturali Italo-Romeni, n. 7-8 luglio-agosto 2019, anno IX Penso che non ci sia opera poetica più indagata, nella letteratura romena, di quella di Mihai Eminescu (1850-1889). Il perché è ovvio: Eminescu è assurto alla dignità di poeta nazionale, è il letterato romeno più conosciuto e amato. Inoltre, la sua produzione abbraccia più generi, e…

Leia mais

Sobre ruídos e “fruição estática” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Por onde começar? Podemos começar de qualquer ponto. É sempre útil examinar o negativo para poder ver claramente o positivo. O negativo do som musical é o ruído. Ruído é o som indesejável. Ruído é a estática no telefone ou o desembrulhar balas do celofane durante Beethoven. Não há outro meio para defini-lo. Às vezes,…

Leia mais

“Holy Motors”: o cinema do absurdo e sua cruel beleza (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Holy Motors (“Motores Sagrados”, 2012). Um filme francês apesar do nome, um tanto intrigante a princípio, mas que não poderia ser mais acertado. Tanto o fato de ser em inglês quanto em termos semânticos. No início, um homem. Muitíssimo rico, saindo de manhã cedo de sua suntuosa mansão nos arredores de Paris, terno e gravata, maleta…

Leia mais

“As ambiguidades da experiência moderna” (Franklin Leopoldo e Silva)

A partir da visão hegeliana de modernidade , o professor discute a como é possível pensar a arte e a poesia num mundo sem ideal. Neste cenário, a pergunta que parece se impor é: Como pensar a arte depois de Hegel?

Leia mais

Sobre desastres, escritura fragmentária e outras volúpias: as “Notas Soltas para Cioran”, de Ricardo Gil Soeiro (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

RESENHA DO LIVRO: Volúpia do Desastre: Notas Soltas para Cioran de Ricardo Gil Soeiro Existe um ponto de vista desde o qual o discurso pedagógico é impossível. O que se consegue ver deste ponto cego do espírito – que aqui chamaremos lucidez –, mais que dizer, apaga o dito; nega inclusive quando afirma – a…

Leia mais

“O Homem-Massa e o Homem-Fragmento. Cioran em diálogo com Ortega y Gasset” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

O experimento homem fracassou. Encontra-se em um beco sem saída, enquanto que um não‑homem é mais: uma possibilidade. Olha fixamente nos olhos de um «semelhante»: que te leva a crer que não podes esperar mais nada? Todo homem é muito pouco… CIORAN, Amurgul gândurilor Foi o seu lote realizar-se pela metade. Tudo era truncado nele; seu jeito de…

Leia mais

“Doutor Tristeza” (Sara Mendes de Andrade)

Diário do Nordeste, 6 de dezembro de 2010 Estudante de Direito, desde que começou a publicar seus versos foi chamado de neurótico, histérico, poeta raquítico, doutor tristeza. A soma dos fracassos em que resultou sua vida converteu a tristeza em apoteose do sentir, ininterruptamente restaurada pela onipresença da melancolia, sua companheira inseparável, e do pessimismo.…

Leia mais

“Tempo sem experiência” (Olgária Matos)

Uma reflexão sobre o tempo sem experiência da contemporaneidade. Como a atual aceleração da sociedade cria a sensação de que não há tempo para nada. Na realidade, são os próprios mecanismos sociais e econômicos que necessitam dessa situação. As diferenças entre tédio e monotonia podem caracterizar diferentes formas de se relacionar com o tempo. A…

Leia mais

“Baudelaire: antíteses e revolução” (Olgária Matos)

Alea, vol.9 no.1 Rio de Janeiro Jan./June 2007 RESUMO: O ensaio procura indicar o método baudelairiano das antíteses de coisas e acontecimentos, de tal forma que o maniqueísmo progressista da dialética hegeliano-marxista é substituído pelo homo duplex pascaliano, e o conceito de ação política e arte engajada é reformulado. Palavras-chave: Baudelaire; Benjamin; poesia; revolução. ABSTRACT: The essay attempts to characterize Baudelaire’s method of…

Leia mais

“O deus maldito e outros deuses” (Fernando Savater)

Um deus ameaça sempre no horizonte. (BD) Após as contundentes e entusiásticas declarações sobre a morte de Deus que nos propiciaram o século passado e este, as exaustivas descrições de sua agonia, os recenseamentos minuciosos do seu estertor, pouco ainda parece possível dizer sobre um tema tão decrépito. Deus é um recurso literário já em…

Leia mais

“Liberdade para as Über-marionetes” (John Gray)

Existe um tipo de brinquedo que vem se multiplicando há algum tempo,e sobre o qual nada tenho de bom ou ruim a dizer. Refiro-me ao brinquedo científico. Charles Baudelaire, “A filosofia dos brinquedos” O QUE A CIÊNCIA NÃO NOS DIZ Em seu romance antiutópico sobre um país fictício, Erewhon (anagrama do inglês “nowhere“, lugar nenhum),…

Leia mais

“Cioran: a reflection on decadence as a lifestyle” (Angelo Mitchievichi)

DACOROMANIA LITTERARIA, IV, 2017, pp. 12–33 “All’s good if it’s excessive.” Pier Paolo Pasolini, Salò, or the 120 Days of Sodom I, the Decadent The term “decadence” generated ample debate during the nineteenth century among historians, philosophers, scholars and writers. Its derived term, decadentism – coined by the low-profile literary critic Anatole Baju and writ…

Leia mais

“Fondane: l’esistenzialismo, la crisi del reale e i ricordi di Cioran” (Patrizio Paolinelli)

CONSECUTIO TEMPORUM – Rivista critica della postmodernità, numero 12, febbraio 2018 1. Le porte dell’abisso C’è un’interessante novità nel panorama editoriale italiano: la prima traduzione italiana del libro di Benjamin Fondane, Baudelaire e l’esperienza dell’abisso (Aragno, Torino 2013). Innanzitutto due parole sull’autore. Fondane nasce a Jassy (Moldavia romena) il 14 novembre 1898 in una famiglia di…

Leia mais

“Relatório sobre um relatório de atividade universitária (1938-1939)” (Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes)

(Re)lendo o relatório “sur mon activité universitaire pendant l’année universitaire 1938-1939”, do jovem Cioran. Que delícia digestiva após um almoço não menos delicioso (ensopado de peixe com pirão, além de 4 potinhos de uma sobremesa cujo nome não me recordo, e pouco importa, o importante sendo o manjar em si, cuja quantidade consumida não faz senão trair…

Leia mais

“Caindo da redenção: escrever e pensar para além da salvação em Baudelaire, Cioran, Fondane, Agamben e Nancy” (Joseph Acquisto)

Muito embora decididamente ateísta em sua orientação, os desenvolvimentos recentes na teoria literária e na filosofia continental suscitaram um interesse renovado pelo teológico. Na aurora de estudos como o de Charles Taylor, Uma era secular, os estudiosos colocaram em questão a hipótese da secularização pela qual o nascimento da modernidade no Ocidente representou uma ruptura…

Leia mais

“De inutensílios e dessantidades: a palavra poética em Manoel de Barros e Cioran” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Ninguém é pai de um poema sem morrer. Manoel de Barros Se leio um livro e ele torna o meu corpo tão frio que nenhum fogo seria jamais capaz de me aquecer, eu sei que aquilo é poesia. Se eu sinto, fisicamente, como se o topo de minha cabeça tivesse sido arrancado, eu sei que aquilo é poesia. Emily Dickinson   CIORAN NÃO TEVE a oportunidade de conhecer…

Leia mais

“Modernidade poética em Baudelaire” (Franklin Leopoldo e Silva)

UNIVESP TV, 29 de março de 2012. Nesta vídeo-aula, o prof. Franklin Leopoldo e Silva coloca em pauta os temas do heroísmo e da singularidade como proposta baudelairiana de inserção poética na modernidade. Como fazer-se poeta? Ademais, como fazer-se poeta moderno? São as questões essenciais que animam a criação baudelairiana, de acordo com Franklin. Segundo…

Leia mais

“D’une langue à l’autre : vers une poétique de la traduction dans l’œuvre de Cioran” (Dumita Baron)

Atelier de traduction, 1, Editura Universităţii din Suceava, 2004, p. 67. « On n’habite pas un pays, on habite une langue. » (Cioran) Introduction Une analyse de l’œuvre d’Emil Cioran (1911-1995), écrivain français d’origine roumaine, suppose une confrontation avec le problème de l’impossibilité de comprendre le texte, impossibilité qui résulte non seulement de l’ambiguïté extrême de…

Leia mais

“Como não pagar as dívidas” (Charles Baudelaire)

A Caroline e Jacques Aupick [Lyon], 25 de fevereiro de 1834 Papai e mamãe, Eu escrevo a vocês para convencê-los de que ainda existe esperança demover-me do estado que tanto lhes causa descontentamento. Sei que de imediato mamãe dirá: não o creio mais; e sei que papai dirá a mesma coisa, mas não desanimo. Vocês…

Leia mais

“Em teu nada espero encontrar teu tudo” (Jean Starobinski)

Nos confins do silêncio, no sopro mais fraco, a melancolia murmura: “Tudo está vazio! Tudo é vaidade!”. O mundo é inanimado, atacado de morte, aspirado pelo nada. O que foi possuído se perdeu. O que foi esperado não ocorreu. O espaço está despovoado. Por todo lado estende-se o deserto infecundo. E se um espírito paira…

Leia mais

“Le Mauvais Démiurge, de Emil Cioran” (Rodrigo I. R. Sá Menezes)

A liberdade é, para mim, o direito de ser herético. Eu não poderia viver num estado no qual vigora uma filosofia oficial; porque sou, por temperamento, um herético, e por isso mesmo um apóstata. A liberdade representa para mim não apenas a possibilidade de pensar diferentemente em relação aos outros, mas também de viver as…

Leia mais