“O conflito entre-mundos e o desconsolo a serviço das aparências” (Emil Cioran)

Vou passar a vida fugindo para o mundo no qual os homens tenham a ilusão de que são, para que o outro mundo me abrace mais forte, mais e mais. Os conflitos entre os dois mundos ou entre os inumeráveis que se interpõem têm um sabor celeste e o sentido trágico da terra. O sorriso…

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Clément Rosset: sobre sabedoria erudita e sabedoria popular (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” Nietzsche, Além do Bem e do Mal “Ao divinizar a história para desacreditar Deus, o marxismo só conseguiu tornar Deus mais estranho e mais obsedante. Pode-se sufocar tudo no…

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Sobre ruídos e “fruição estática” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Por onde começar? Podemos começar de qualquer ponto. É sempre útil examinar o negativo para poder ver claramente o positivo. O negativo do som musical é o ruído. Ruído é o som indesejável. Ruído é a estática no telefone ou o desembrulhar balas do celofane durante Beethoven. Não há outro meio para defini-lo. Às vezes,…

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“O pessimismo dos mamíferos inteligentes” (Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes)

Observou-se justamente que, na Índia, um Schopenhauer ou um Rousseau jamais seriam levados a sério, pois viveram em desacordo com as doutrinas que professavam. para nós, eis aí precisamente a razão do interesse que nos suscitam. O sucesso de Nietzsche é devido em grande parte ao fato de que ele defendeu teorias às quais, em…

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“O que é o trágico?” (Clément Rosset)

Antes de responder a esta pergunta inicial, impõe-se uma precaução preliminar: não pretendo fazer aqui uma interpretação do Trágico. Apenas desejo fazer a sua descrição, e a ideia de uma interpretação compromete toda possibilidade de descrição. Pode-se inclusive dizer que o rechaço de toda interpretação é tão mais indispensável em nosso assunto tanto mais quanto…

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“Um pessimismo (mui) pouco trágico: Cioran lido por Clément Rosset” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Trata-se de contrapor e fazer dialogar duas filosofias, dois modo de pensar (o homem, a existência, a vida e a morte, o tempo) que têm muito em comum, mas cujas conclusões podem ser radicalmente divergentes: a filosofia trágica, afirmativa e aprobatória de Clément Rosset (tendo como corolário a alegria como force majeure), na linha de…

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“Um sábio enxertado num leproso: Cioran entre Montaigne e Pascal” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Homo sunt; nihil humani a me alienum puto. É sabido que uma das principais influências de Cioran é Blaise Pascal (1623-1662), que por sinal Clément Rosset tanto apreciava pelo seu “lado trágico”, ou seja, por tudo aquilo que é o menos essencial em Pascal (Rosset reúne Pascal a Demócrito, Lucrécio e Nietzsche numa família de…

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“Contradições lúcidas de um não-liberto” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Cioran sabe: Contar com o que quer que seja, aqui ou alhures, é dar prova de que ainda se arrastam correntes. O réprobo aspira ao paraíso, e esta aspiração o rebaixa, o compromete. Ser livre é desvencilhar-se para sempre da ideia de recompensa, é não esperar nada dos homens ou dos deuses, é renunciar não…

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“O castelo de Acaso” (Clément Rosset)

É sempre comprometedor recomendar seu pensamento a uma palavra; mais particularmente, quando essa palavra já recobre um certo número de acepções entre as quais nenhuma designa o que se tem propriamente em vista. Pode-se preferir calar; ou ainda, preferir criar uma palavra nova, que nada evocará no espírito do leitor e por isso correrá o…

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“Trágico e silêncio” (Clément Rosset)

UM FILÓSOFO POUCO SUSPEITO de complacência para com o pensamento trágico, Jules Monnerot, reconhecia recentemente no fantasma do ”alhures” uma negação fundamental da tragédia: “Não há de uma parte o homem, e de outra parte forças exteriores ao homem, às quais ele também seria exterior. As forças ‘exteriores’, ‘cósmicas’, ‘naturais’ estão também em nós, (…

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“O princípio de crueldade”(Clément Rosset)

“Hipocondria melancólica”, observa Gérard de Nerval em um diário. “É um mal terrível: faz ver as coisas tais como são.” Por “crueldade” do real entendo em primeiro lugar, é claro, a natureza intrinsecamente dolorosa e trágica da realidade. Não me estenderei sobre este primeiro sentido, mais ou menos conhecido de todos, e sobre o qual…

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Filosofia trágica como crítica das ideologias (Clément Rosset)

Meu partido é um coração partido. Cazuza Uma única fórmula basta para caracterizar o pensamento trágico: a impossibilidade de crer que possa haver crença. E, na origem desse descrédito na crença, que acarreta para o pensamento toda uma série de consequências desastrosas que constituem o conjunto da “filosofia trágica”, ela invoca um argumento bem simples:…

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“A força maior” (Clément Rosset)

“Os deuses ocultaram o que faz viver os homens.” (Hesíodo) UMA DAS MARCAS mais seguras da alegria é, para empregar um qualitativo com ressonâncias desagradáveis sob vários aspectos, seu caráter totalitário. O regime da alegria é o do tudo ou nada: não há alegria senão total ou nula (e acrescentarei, antecipando o que virá a…

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“Adeus à Filosofia” (E.M. Cioran)

AFASTEI-ME DA FILOSOFIA no momento em que se tornou impossível para mim descobrir em Kant alguma fraqueza humana, algum acento de verdadeira tristeza; em Kant e em todos os filósofos. Comparada à música, à mística e à poesia, a atividade filosófica provém de uma seiva diminuída e de uma profundidade suspeita que guardam prestígios somente…

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“Mihai Eminescu y Emil Cioran, o la nostalgia como sabiduría” (Pablo Javier Pérez López)

THÉMATA – Revista de Filosofía, no. 45, 2012. Resumen: Se propone un recorrido por la noción de Nostalgia presente en el pensamiento poético de Emil Cioran y Mihai Eminescu a través de la exploración de la dimensión ontológica de la Fatalidad y la Otredad que ésta alberga. Abstract: This paper tries to show a retrospective…

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“O caos, o acaso e o trágico” (Jassanan Amoroso Dias Pastore)

IDE (São Paulo) vol.35 no.54 São Paulo jul. 2012 RESUMO: O trabalho discute a concepção de caos, de acaso e de trágico desde a Antiguidade Grega, passando pela filosofia trágica, até chegar à psicanálise. Palavras-chave: Caos, Acaso, Tragédia grega, Trágico, Filosofia trágica, Psicanálise. ABSTRACT: This paper considers the concept of chaos, hazard and tragic, from the Ancient Greece, passing through the tragic…

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“In memoriam: Clément Rosset o la muerte de lo real” (Leobardo Villegas Mariscal)

 Universidad Autónoma de Zacatecas (UAZ), México, febrero 2009 “Como toda manifestación oracular, el pensamiento metafísico se funda en un rechazo casi instintivo de lo inmediato, bajo la sospecha de que lo inmediato sea de alguna manera el otro de sí mismo, o el doble de otra realidad”. Clément Rosset, Lo real y su doble Tres conferencias ha impartido el…

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“O homem iludido” (Rosane Pavam)

CARTA CAPITAL, 24 de junho de 2008 A leitura de alguns livros que parecem dificeis num primeiro instante pode nos trazer muitas alegrias, especialmente depois que, corajosos, nós os enfrentamos. O livro difícil pode ser como o corpo que recompensa o corredor depois de percorridos dez quilômetros. Leio porque estudo, mas, também, leio ao acaso,…

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“Morre Clément Rosset, filósofo da alegria trágica e amigo de Cioran” (Nicolas Truong)

LE MONDE, 29/03/2018 Rosset articulava sua filosofia em torno de duas ideias: a do trágico e a do duplo. Ele morreu em 28 de março, aos 78 anos. O filósofo Clément Rosset faleceu em Paris, em 28 de março. Nascido em 12 de outubro de 1939, em Carteret (Manche), autor de uma obra importante e…

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“O teísmo como solução ao problema cosmológico” (Emil Cioran)

Estudante de filosofia na Universidade de Bucareste, o jovem Cioran apresenta esta  dissertação (sem data determinada) sobre um problema filosófico que ecoará através de toda a sua obra posterior: a existência do mal no mundo tendo em vista a tese universalmente aceita do bem como elemento fundador e norteador do ser. Como conciliar a existência…

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“A sensibilidade trágica na Romênia” (Emil Cioran)

“La sensibilité tragique en Roumanie”, in Solitude et destin. Trad. de Alain Paruit. Paris : Arcades/Gallimard, 2004, p. 254-256. Do original: „Sensibilitatea tragică în Romania”, in Abecedar, an I, nr. 13 – 14, 3 – 10 august 1933, p. 1 – 2. Um dos elementos da minha tristeza é só poder determinar negativamente as realidades romenas.…

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“Notas sobre o nada: a propósito de niilismo em Cioran” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Sem Deus, tudo é nada; e Deus? Nada supremo. Silogismos da amargura Que lástima que o “nada” tenha sido desvalorizado pelo abuso de que foi objeto por parte de filósofos indignos dele! Écartèlement Paradoxos e controvérsias “Mesmo o bem é um mal”,[1] observou Cioran numa entrevista. O comentário, emblemático do seu pensamento metafísico, dá a conhecer…

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Entrevista com Renzo Rubinelli: andanças, encontros, escrituras e a recepção de Cioran na Itália

Busco fazer uma exegese do pensamento de Cioran que evidencia como o tempo está na raiz de toda a sua reflexão. Para Cioran, Tempo é Destino. A maldição de nossa existência é a de sermos “encarcerados” na linearidade do tempo, que procede de um paradisíaco passado pré-temporal em direção a um destino de morte e decomposição. Trata-se de…

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“O trágico da existência na filosofia de Cioran” (Rogério de Almeida)

O objetivo deste artigo é refletir sobre o pensamento de Emil Cioran e as possíveis relações com uma filosofia trágica, como a de Friedrich Nietzsche e Clément Rosset. Como método, adotou-se a escrita fragmentada dos aforismos, emulando o estilo de escrita de Cioran. A reflexão aponta que Cioran é um filósofo do pior, que pensa negativamente a vida, mas também a afirma, a aprova, ainda que esta seja racionalmente injustificável.

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Entrevista: Alfredo Abad fala da recepção de Cioran na Colômbia e outros temas

Tradução do espanhol: Rodrigo I. R. S. Menezes Alfredo Abad (Colômbia) é professor de Filosofia na Universidad Tecnológica de Pereira; diretor do grupo de estudos “Filosofia e ceticismo”; autor dos livros Filosofía y literatura, encrucijadas actuales (2007), Pensar lo implícito en torno a Gómez Dávila (2008), e Cioran en perspectivas (2009), em coautoria com Liliana…

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Pequeño ensayo sobre Cioran: un fragmento de lucidez (Luis Roca Jusmet)

Rebelión.org, 30/09/2011 1. ¿Es Cioran un filósofo? Voy a empezar con unas referencias dos filósofos contemporáneos, uno muerto y otro vivo, que me permitirán una aproximación al extraordinario pensador rumano. La primera es al filósofo francés Pierre Hadot cuando reivindica la filosofía como forma de vida. Es a partir de la filosofía romana tardía y…

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“The concept of tragic in Romanian philosophy: D.D. Rosca, G. Liiceanu, E. Cioran” (Gabriel Furmuzachi)

Far from being a deep study of the concept of tragic as approached by the Romanian philosophers, the present essay tries only to reveal three main perspectives of tragic within the Romanian culture. D.D.Rosca, G.Liiceanu and E.Cioran talk and write about the tragic, yet each in his own way, following a specific situation. European philosophy…

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“Post-Scriptum: o descontentamento de Cioran” (Clément Rosset)

– Nada tens a declarar? – Sim, senhor, tenho a declarar… que estou longe de estar satisfeito! Christophe, A ideia fixa do sábio Cosimus O que chamo de o descontentamento de Cioran, na falta de um vocábulo melhor que poderia ser “in-contentamento”, se tal palavra existisse, é alheio a qualquer ressentimento, a qualquer razão de querer…

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