IV Colóquio Internacional sobre Filosofia Oriental: A Filosofia da Escola de Kyoto e suas fontes orientais

cartaz-22-08

Promoção

Departamento de Filosofia – Unicamp
Programa de Pós-graduação em Filosofia – PPGFIL – Unicamp
Programa de Doutorado em Ciências Sociais (China/Brasil) – Unicamp
Grupo de Pesquisa sobre Pensamento Japonês – GPPJ
GT-Filosofia Oriental

Apoio

Fundação Japão
CAPES
FAPESP
Secretaria de Eventos (IFCH/Unicamp)

Coordenação

Prof. Dr. Antonio Florentino Neto
Prof. Dr. Oswaldo Giacoia Jr.

Data: 15, 16 e 17 de setembro de 2015

Local: Auditório II do IFCH (Unicamp)

Inscrições: no local

Contato: florentinoflora@gmail.com

PROGRAMA

Terça-feira, 15/09/2015

09:00 – Inscrições

10:00 – Abertura: Prof. Dr. Marcos Lutz Müller (Unicamp)

10:30 – Conferência 1: Subjetividade e vacuidade: A Filosofia de Nishida e a Escola Budista Huayan
Prof. Dr. Yujin Itabashi (Universidade Rissho, Japão)

12:00 – Intervalo

14:00 – Conferência 2: A mediação absoluta ou a necessária transformação do ser em ser upāya na filosofia como metanoética

Profa. Dra. Rebeca Maldonado (UNAM, México)

15:30 – Intervalo

16:00 – Conferência 3: Individuação e Sofrimento. Redenção e Vazio
Prof. Dr. Oswaldo Giacoia Jr. (Unicamp)17:30 – Encerramento do primeiro dia

Quarta-feira,16/09/2015

08:30 – Conferência 4: Os fundamentos da lógica predicativa e da lógica relacional em Aristóteles, Nāgārjuna e Laozi
Prof. Dr. Antonio Florentino Neto (UEL; Brasil/China-Unicamp)

10:00 – Intervalo

10:30– Conferência 5: A Noção de Superimposição (samāropa) em Nāgārjuna e Candrakīrti
Prof. Dr. Dilip Loundo (UFJF)

12:00 – Almoço

14:00 – Conferência 6: Dogen e Nishida
Prof. Dr. Ralf Müller (Hildesheim, Alemanha)

15:30 – Intervalo

16:00 – Conferência 7: Pensando como um budista: apropriações do não-dualismo budista pela Escola de Kyoto
Prof. Dr. Gereon Kopf (Luther College, USA)

17:30 –– Encerramento do segundo dia

Quinta-feira,16/09/2015

08:30 – Conferência 8 – Anātman: a perspectiva de-substancializante do ego em Nāgārjuna, Dōgen e Nishitani
Prof. Dr. José Carlos Michelazzo (SBF)

10:00 – Intervalo

10:30– Conferência 9: A filosofia de Nishitani e o Budismo- uma análise crítica.
Prof. Dr. Joaquim Antonio B. C. Monteiro (UFPB)

12:00 – Almoço

14:00 – Conferência 10: Considerações sobre possíveis influências da Escola Madhyamika na Escola de Kyoto
Prof. Plínio Tsai (ATG)

15:30 – Intervalo

16:00 – Conferência 11: Significado de filosofar no Japão
Prof. Dr. Masaru Yoneyama (Universidade de Nagoya, Japão)

16h30 – Reunião de fundação da Sociedade Nishida Brasileira

16h30 – Reunião de fundação da Sociedade Nishida Brasileira

17h30 – Encerramento do Colóquio

Entrevista: M. Liliana Herrera e a recepção colombiana de Cioran, entre outros temas

M. Liliana Herrera A. ensina Filosofia na Universidad Tecnológica de Pereira (UTP), na cidade colombiana homônima situada na região do Eje cafetero (“Eixo cafeeiro”), no norte do país. Tem mestrado (1989) e doutorado (2001) em Filosofia pela Pontificia Universidad Javeriana de Bogotá. É a gestora e diretora do Encuentro Internacional Emil Cioran, realizado na UTP. É autora, entre outros, de Cioran: aproximaciones (1994); Cioran: lo voluptuoso, lo insoluble (2003); Cioran, lo voluptuoso lo insoluble(2003); Cioran, ensayos críticos (tradutora e organizadora junto a A. Abad T., 2008); Cioran en perspectivas (em coautoria con A. Abad T., 2009); Compilación: Encuentro Internacional Emil Cioran 2008-2011 (em coautoria com Alfredo Abad T., 2012); En torno a Cioran, nuevos ensayos y perspectivas (2014; segundo volume das conferências apresentadas nas edições 2012 e 2013 do Encuentro). Publicou também diferentes ensaios sobre temas filosóficos e literários em revistas nacionais e internacionais. 

EMCioran/Br: Estimada profesora Liliana Herrera, antes de tudo o Portal E.M. Cioran gostaria de agradecer, em nome de seus visitantes, leitores de Cioran, a generosidade em conceder-nos esta entrevista. É uma honra e um privilégio ter acesso à perspectiva pessoal e crítica de uma especialista neste autor que é um interesse comum de todos nós.
Primeiramente, não se poderia deixar de mencionar o Encuentro Internacional Emil Cioran realizado anualmente em Pereira, na Colômbia, sob coordenação sua, e que chegou este ano à sua sétima edição. Trata-se de um feliz, e exitoso, encontro e um dos poucos eventos acadêmicos regulares no mundo dedicado a discutir e divulgar a obra do pensador romeno. Qual é a exata natureza do Encuentro Internacional Emil Cioran? Como foi possível realizar e manter um evento acadêmico sobre um pensador tão marginal e também tão antiacadêmico como Cioran? Em sua opinião, o que mudou desde a primeira edição? Que espera do futuro do Encuentro?

M.L.H.A.: O Encuentro Internacional se originou de um projeto que o Grupo de Investigação em Filosofia Contemporânea por mim dirigido apresentou à Universidad Tecnológica de Pereira (UTP). Com o professor Alfredo Abad, desenvolvemos o tema, e um dos resultados foi este evento. A primeira edição do Encuentro se realizou em outubro de 2007. O convidado internacional foi o professor Ger Groot, da Universidade de Rotterdam. As primeiras edições do evento giraram em torno do pensamento de Cioran e das relações entre filosofia e literatura, linha em que se localiza muito bem a obra de Cioran. Os objetivos, pois, eram três: dar a conhecer à comunidade filosófica e literária de nosso país os trabalhos sobre o autor romeno-francês que estavam sendo realizados pelos especialistas cioranianos, principalmente romenos, franceses e espanhóis. Segundo, divulgar a cultura romena que em nosso meio é quase desconhecida. Finalmente, levantar algumas questões mais amplas pertinentes à discussão entre filosofia e literatura, tema que vem ganhando terreno acadêmico dentro da comunidade filosófica e literária internacional nos últimos anos.
Porém, dadas certas características de nossa universidade e de nossa região, o Encuentro começou a se perfilar como um projeto de maior envergadura: de acadêmico foi se convertendo em um projeto cultural da universidade para a cidade e a região, e que tem conseguido posicionar-se a nível nacional e internacional por ser um dos poucos que têm Cioran como tema principal (à parte, claro, do Colóquio Internacional Emil Cioran que se realiza anualmente em Sibiu, na Romênia).
Mas o nosso evento teve desde o início características específicas que o diferenciam daquele realizado em Sibiu e que é voltado para os especialistas. Não é uma réplica dele e nem poderia ser. Resumundo: devido ao crescente interesse que o publico regional tem demonstrado pelo nosso evento, ampliamos os três objetivos mencionados antes: com relação ao primeiro, estamos promovendo o pensamento de Cioran e os estudos que são desenvolvidos sobre ele em meio a um público não apenas universitário que se desenvolve no campo da filosofia e da literatura, mas também em meio a um público muito mais amplo que inclui estudantes do ensino médio, além de outro público que exercita sua atividade intelectual privadamente, à margem da universidade ou nos reduzidos círculos intelectuais mais ou menos conhecidos de nossa cidade. Isso explica que o nosso colóqui seja itinerante: nas sete edições do evento, as conferências de nossos convidados internacionais foram realizadas não apenas na UTP como também em outras universidades da região, em Salas Culturais, em um colégio público de ensino médio e em pequenas cidades próximas a Pereira. O público é muito heterogêneo. O objetivo de dar a conhecer a cultura romena (mitos, história, escritores, música) tem se mantido. Por fim, ampliamos as temáticas concernentes às relações entre filosofia, literatura, arte e sociedade, para incluir problemáticas da atualidade. Desta maneira, nosso público, filosófico, estudantil ou simplesmente leitor, pode escutar ou ler, nas Memórias [volumes de textos apresentados nos encontros] que temos publicado, temas relativos a esses âmbitos.

EMCioran/Br: Que pode nos dizer sobre a recepção de Cioran e o alcance de sua obra na Colômbia? Quando começou a ser lido, e por quem? Como se poderia contextualizar a presença de Cioran na Colômbia? Pode-se dizer que existe aí uma tradição de leitura e investigação crítica sobre o pensador romeno? No Brasil, ele é muitas vezes desprezado, quando não rechaçado, pelos intelectuais nos meios acadêmicos e mesmo fora dele, que não conseguem ou não querer admitir a seriedade e a consistência filosófica de sua obra. Ademais, é muito pouco lido pelo grande público (está longe de ser um best-seller!), na maioria das vezes de maneira superficial e abusivamente vinculado a Nietzsche, como se Cioran pudesse ser reduzido a um mero epígono de Nietzsche (tese que sustenta Susan Sontag, por exemplo). Também costuma ser utilizado por certa militância ideológica em defesa de um ateísmo de boa consciência como argumento de autoridade para dar peso à respectiva causa, o que parece ignorar a profunda dimensão mística e metafísica implicada no seu pensamento. O que pensa desse tipo de leitura? O mesmo é o caso na Colômbia?

M.L.H.A.: Sim, a história da recepção da obra de Cioran na Colômbia foi mais ou menos a mesma que no Brasil. Cioran começou a ser conhecido ao final dos anos 70. Eram poucos os livros em espanhol que chegavam aqui naquela época. Foi lido inicialmente por um pequeno círculo de intelectuais críticos da academia, ainda que alguns vinculados a ela. As leituras feitdas sobre este pensador estavam influenciadas pela leitura dos poetas malditos, ou certa literatura pessimista. Pouco mais tarde, os comentários que se encontravam sobre Cioran o vinculavam abertamente a Nietzsche e a uma posição ateísta que nega ou ignora, como você bem diz, a dimensão mística, religiosa mas combativa (para além e acima de qualquer instituição) do pensamento cioraniano. Esta imagem foi promovida inclusive por professores universitários de tendência nietzscheana ao final dos anos 1980.
Mas, no que concerne à academia em geral, Cioran era um autor quase desconhecido; e aqueles que tinham informações superficiais sobre ele o rechaçavam. De alguma maneira, esse rechaço subsiste, mas com menor intensidade. A partir dos anos 2000, Cioran passou a ser mais conhecido dentro do ambiente intelectual universitário e extra-acadêmico. Desde 2007, temos aportando às universidades e bibliotecas do país uma bibliografia cioraniana à qual não se tinha acesso, e que consiste na publicação das traduções de alguns trabalhos realizados por especialistas estrangeiros e outros consignados nas Memórias do Encuentro. Nós introduzimos no programa de Filosofia da UTP, em diversas ocasiões, um seminário sobre o pensador romeno-francês. Nossos grupos de investigação, por sua vez, publicam seus trabalhos referentes a algumas problemáticas que a obra de Cioran apresenta. Não obstante, Cioran segue sendo marginal; não é para a grande massa, e isso, de alguma maneira, é um alívio.

EMCioran/Br: Cioran gostava de se definir como um “pensador privado”. Sua obra não é para as massas, para uso público das coletividades, mas uma obra intimista e profundamente pessoal, dirigida às consciências individuais na solidão de sua interioridade. No documentário Apocalipsa dupa Cioran (“O Apocalipse segundo Cioran”) se referem a ele como ein Geheimtipp für Kenner, ou seja, “uma dica secreta para conhecedores”. Dito isso, uma questão de muito interesse seria, particularmente, sua relação intelectual com o Cioran. Quando e como conheceu sua obra? Que lhe atraiu nele, em seu pensamento? Seus estudos acadêmicos têm se centrado na obra cioraniana, e ademais seu doutorado também foi dedicado à investigação do pensamento de Cioran. Que significa Cioran para você?

M.L.H.A.: O fato de que seja um pensador privado do qual não se poderia fazer um uso coletivo, e que não poderia ser vinculado ou utilizado por nenhum tipo de ideologia, já que a própria natureza de sua obra impede isso, é o que a protege da trivialização das modas literárias, ou de seitas de adeptos. Obviamente, há leitores que utilizam dois ou três aforismos ou alguns títulos para apoiar posturas intelectuais ou eticamente irresponsáveis. Mas são casos irrelevantes. Você afirma acertadamente: Cioran consegue ter um lugar privilegiado nas consciências individuais, na intimidade e sensibilidade de uma existência. Li Cioran pela primeira vez quando cursava meus estudos de graduação em Filosofia. Você conhece bem essa experiência: o impacto, a surpresa, a aprovação imediata de suas afirmações, e talvez o consolo essencial que sua obra representa para a alma. Cioran diz (o que corroborou numa entrevista) as coisas que todo homem mais ou menos lúcido ou realista (em um sentido existencial) sente, mas que não se atreve a expressar porque não tem as palavras, o talento ou a valentia para fazê-lo. E isso explica – sem precisar ir mais longe em busca de argumentos ou de explicações – a importância que adquire na vida pessoal uma obra como a de Cioran. Fiz meu trabalho de graduação principalmente sobre dois temas: o suicídio e a crítica à filosofia. Meu trabalho de mestrado tomou outro rumo, mas então no doutorado retomei sua obra. Devo esclarecer que na Colômbia, naquela época, não se tinha acesso aos estudos que vinham sendo realizados sobre ele na Europa Central ou no Leste Europeu. Por isso meus trabalhos foram em grande medida intuitivos. Não me considero especialista em Cioran e, mesmo que me considerasse, na verdade não sou. Sou antes uma divulgadora de sua obra. Creio que ele tem razão em sua crítica da história e condição humanas. Seu humor negro, herético, é um bálsamo. Jaspers disse que alguns seres são “exceções”; nós não o somos e nem poderíamos tentar imitar a “exceção”. Mas é possível, sim, estabelecer uma espécie de (para utilizar outro termo de Jaspers) “comunicação amorosa” com aqueles que o são, e junto a ele buscar o próprio caminho em direção a si mesmo.

EMCioran/Br: Como se sabe por meio de uma entrevista a um jornal colombiano, você é uma das pessoas que tiveram a oportunidade de corresponder-se com Cioran. Como começou esse intercâmbio epistolar? Que paralelos se poderia estabelecer entre o autor dos livros e o interlocutor epistolar? O Cioran das cartas é distinto do Cioran escritor?

M.L.H.A.: Pelo que entendo ele manteve correspondência com uma boa quantidade de pessoas. Com efeito, para mim foi um privilégio. Quando iniciei meu trabalho de graduação tive a ideia de escrever uma carta à editora Gallimard. E com grande surpresa recebi uma resposta. O intercambio epistolar foi esporádico, mas transcorreu por um período de dez anos. Sabe-se que Cioran é um dos autores que uniram vida e obra. Ele conserva nas cartas o mesmo “tom” que mostra nos livros. É claro, são cartas breves, pessoais, em que não se desenvolve nenhum tema. Mas é possível ter a certeza de que se está diante do mesmo temperamento, do mesmo sentimento da existência, do mesmo talento que exibe em seus livros. Porém, nas cartas evidencia-se claramente um ser de grande amabilidade e calidez.

EMCioran/Br: A continuidade e a descontinuidade entre a obra romena e a obra francesa de Cioran costumam ser muito discutidas. Que relação você vê entre os escritos de juventude, em romeno, e os escritos de maturidade, em francês? É justo falar de uma ruptura entre os dois períodos, ou seria razoável relativizar essa ruptura?

M.L.H.A.: A relativização é a opção correta. Há continuidades e descontinuidades, de natureza temática e estilística. Não obstante, há um “fundo idêntico”. Refiro-me ao espírito que anima os dois momentos da obra: o ceticismo apesar de certas veleidades juvenis, a luta com Deus que só o cansaço dos anos pôde atenuar, um estilo escritural intenso e apaixonado, depurado pela disciplina imposta por outra língua… enfim. Um dos estudos que aprofunda este tema é o do romeno Ciprian Vǎlcan[1] e que, para mim, é leitura obrigatória para os estudiosos de Cioran.

EMCioran/Br: É razoável dizer que o século XX não conheceu figura intelectual mais enigmática, mais indefinível, mais inclassificável do que Cioran. Ademais, é um pensador relativamente recente cuja jovem tradição crítica ainda está muito pouco estabelecida, consolidada. A cada ano se descobrem novas informações ou se revela alguma obra que ficou engavetada durante décadas sem conhecer a luz da publicação (como Razne, que Cioran escreveu ainda em romeno quando já habitava em Paris, e que foi publicado recentemente na Romênia). A quantidade de interpretações distintas de Cioran é proporcional à quantidade de seus intérpretes. Como Nietzsche no século XIX, Cioran parece ser um autor extemporâneo em seu próprio século. Que pensa você sobre o destino da recepção de Cioran, na Colômbia e no mundo?

M.L.H.A.: Cioran foi um visionário, uma espécie de H. G. Wells (sei bem que a comparação pode parecer absurda…). Os cioranianos seguirão escrevendo; por ser autêntica, sincera, a obra de Cioran poderá perdurar; e o mundo seguirá seu destino implacável.

EMCioran/Br: Para concluir: há um libro de Cioran que lhe seja especialmente significativo, ou mais de um? O mesmo sobre os aforismos cioranianos?

M.L.H.A.: Um dos livros que permite aproximar-se de maneira contextualizada ao seu pensamento é o volume das Entretiens, uma boa iniciação para todo aquele que queira começar a estudá-lo com seriedade. Como um dos temas que mais têm me inquietado é o de sua atormentada religiosidade, me interessam muito os livros da época romena. Ademais, o alento poético que oferecem os livros mais apaixonados, mais dramáticos (por exemplo, os textos que se poderia chamar de “orações blasfemas”). Mas é difícil falar de um ou dois livros ou aforismos preferidos. Neste caso, não se pode escolher, a não ser pelas problemáticas que sejam de interesse do estudioso.

EMCioran/Br: Profª M. Liliana, agradeço uma vez mais, em nome dos leitores de Cioran (e seus também), pela generosidade em conceder-nos esta entrevista.

© Portal EMCioran/Br; M. Liliana Herrera A.
São Paulo – Pereira, 24/11/2014

[1] Ciprian VĂLCAN. La concurrence des influences françaises et allemandes dans l’oeuvre de Cioran. Bucareste : Institut Cultural Roman, 2008.

Entrevista a Alfredo Abad sobre la recepción de Cioran en Colombia y otros temas [Esp]

Alfredo Abad (Colombia) es Profesor de Filosofía de la Universidad Tecnológica de Pereira; Director del grupo de investigación Filosofía y escepticismo; ha publicado los libros Filosofía y literatura, encrucijadas actuales (2007), Pensar lo implícito en torno a Gómez Dávila (2008), Cioran en perspectivas con Liliana Herrera (2009). Organiza anualmente al lado de la Prof. María Liliana Herrera el Encuentro Internacional E. Cioran en la Universidad Tecnológica de Pereira, Colombia), cuya última edición (la sexta) fue en octubre/noviembre de 2013.

EMCioran/Br: Estimado Prof. Alfredo, primero quiero agradecerle su generosidad para con los lectores de Cioran y de este Portal, estoy convencido que tiene mucho que compartir y contribuir respecto a Cioran, otros asuntos y otras figuras que orbitan a su alrededor. ¿Puede contarnos un poco sobre el comienzo del congreso? ¿Cómo ha surgido la idea de crear un evento académico anual sobre un pensador tan marginal y tan ajeno a la academia como Emil Cioran? El motivo de mi pregunta es que no hay un congreso anual sobre Cioran en Francia y aún menos en Brasil, y que en esa hermosa y agradable ciudad de Pereira (ciertamente no tan conocida para nosotros los brasileños como lo son otras ciudades colombianas) se realiza, todos los años, desde 2008, un encuentro internacional de lectores, investigadores y amigos de Cioran. Al lado del coloquio internacional en Sibiu (ligado a la Universidad Lucian Blaga en Rumania), el Encuentro Internacional Emil Cioran en Pereira se destaca como uno de los eventos más importantes del mundo dedicados a Cioran. ¿Por qué un congreso sobre ese pensador? Es decir, ¿cuál es el sentido de dicha iniciativa? ¿Qué tiene Cioran para ofrecer a los colombianos, a los brasileños y a los latinoamericanos en general, en términos de pensamiento y vida? ¿Cómo ha sido la recepción de la obra cioraniana en Colombia?

Alfredo Abad:  A veces solemos dar mucha importancia a lo que nos resulta exótico, en este caso, al hecho de que en Colombia, y en una ciudad de provincia, se celebre anualmente un acto académico sobre Cioran. Yo sólo podría explicar este hecho a partir del interés que Liliana Herrera – gestora del evento- ha involucrado dentro de la realización del mismo. No creo que haya necesidad de ir a buscar otro tipo de respuesta que, en todo caso, resultaría innecesaria y poco ilustrativa. Me refiero al por qué del interés por Cioran aquí, o cuáles podrían ser las congruencias entre su contexto y el nuestro, etc. Frente a ese tipo de aproximaciones pueden inventarse numerosas alusiones que en realidad no darían en el blanco. Yo simplemente asumo a Cioran como un gran provocador, desde el punto de vista filosófico, y eso llega a cualquier hombre a quien le interesen las cuestiones centrales de una historia que comienza aun antes de los griegos. A veces me ha parecido un tanto insólito el por qué se pregunta alguien acerca del interés por Cioran. Nos interesa porque él realmente centra su pensamiento en cuestiones que inquietan al hombre de cualquier sitio o época, y de esa manera, cobra todo el sentido el que cualquier lector se interese ante una amplitud como la que proporciona su obra. No me sorprende en absoluto que aquí se celebre un congreso, me sorprende el que no se realicen tantos como lo amerita el autor, puesto que su obra es bien conocida en muchas latitudes. De cualquier manera, sí hay eventos sobre el autor en Francia, en España, en Italia, aunque no sean periódicos.

Obviamente, su nombre no es tan famoso como ocurre con otro tipo de autores, pero yo creo que la filosofía es mucho más que una cuestión de mainstream. De hecho, en algunas oportunidades, éste implica una cierta superficialidad en la interpretación, ciertos clichés que se vuelven de dominio común como pasa a veces con el propio Cioran. De cualquier manera, y este es uno de los cometidos del encuentro, se trata de asimilar el espíritu de la obra cioraniana, la cual es abiertamente antiacadémica y por ende, más que una escolástica sobre su obra, se intenta concebir y vivir su legado desde un ámbito problemático y crítico, fiel a la praxis que demanda. Los atributos teóricos por supuesto son importantes, aunque a veces puedan llegar a ser objeto de discusiones poco fértiles que interesan más al especialista sin alma en que se puede convertir quien frente a la filosofía, actúe ajeno a la vida, de espaldas a ella. En ningún caso, Cioran representa este último.

Resaltar el aspecto contra-académico de su pensamiento puede llegar a ser contradictorio, máxime si se hace desde la academia. Sin embargo, la universidad no es necesariamente un foco estatal que se ciña a una rigurosidad o encasillamiento en el cual no haya espacio para la discusión libre. Probablemente esta idea se desprenda de las estrechas visiones a que se somete cuando autores como el propio Cioran concibe la filosofía universitaria como un foco de anquilosamiento. Es necesario ubicar el sentido de este tipo de críticas en sus justas proporciones. No se trata de asimilar el ámbito filosófico universitario como si por esencia, éste estuviera circunscrito a una tarea burocrática, estatal, y por ende, no-libre. Justamente por eso, hay que recordar su crítica, no para asumir una actitud casi pueril de rechazar la academia, sino para encaminarla hacia aspectos que hagan de la filosofía un ámbito amplio, ligada a esa idea que precisamente hace de ella un propósito formativo que dialogue con el público especializado y no especializado. Así está concebido el encuentro sobre Cioran.

EMCioran/Br: Está realizando una tesis doctoral sobre Friedrich Nietzsche. ¿Podría decirnos algo sobre la temática y el objetivo de su investigación sobre el filósofo alemán? Nietzsche es muy estudiado en la academia (en Brasil como en todo el mundo), y, además, también es un autor relativamente “popular” más allá de los círculos académicos, aspecto del que difiere de Cioran. ¿Sería sólo una cuestión de tiempo, puesto que Cioran es un autor relativamente reciente (ha fallecido en 1995), o quizás tendría algo que ver con el tenor, con la naturaleza misma de los escritos de Cioran, con algún rasgo de su pensamiento que, distinto a Nietzsche, lo vuelve más “hostil” a los estudios académicos sobre todo en filosofía?

Alfredo Abad: No deja de seducirme el hecho de que la filosofía nietzscheana sea una perspectiva trágica. Eso lo hace ajeno a la gran mayoría de filósofos. Su obra está signada por la paradoja y la problematicidad que demanda el acercamiento a la ontología, la epistemología, la ética, la antropología y por supuesto, la estética. Yo creo que desligar cada uno de estos dominios en Nietzsche no permitiría dimensionar cabalmente el sentido de lo que en términos griegos define una physis trágica, es decir, una concepción antidialéctica e inaprensible que está inscrita en su pensamiento. Una metafísica al revés, pero aún metafísica, es lo que en Nietzsche se despliega totalmente, un laberinto no apto para quien busque salidas o respuestas que clarifiquen el sentido. Nietzsche, como lo ha definido N. Gómez Dávila, es una interrogación inmensa.

Nietzsche y Cioran han padecido ya muchas interpretaciones que los relacionan. Se pueden extraer en efecto un sinnúmero de alusiones en donde sea posible encontrar puntos de encuentro, tanto en el ámbito teórico de lo que representa su pensamiento, como en cuanto al estilo fragmentario etc. Sin embargo, yo creo que el cometido y las posturas de cada uno pueden ubicarse en las antípodas. Es cierto que Cioran tiene una fascinación por Nietzsche, principalmente en su juventud, pero no me cabe la menor duda de que la visión pesimista y por ende, schopenhaueriana que Cioran demarca en su obra, choca con el espíritu vital y, desde el punto de vista cioraniano, optimista, de Nietzsche. Éste último no podría estimarse como escéptico, es decir, cree y tiene confianza en el hombre, es claro que en Nietzsche existe un humanismo que si bien es ajeno al de la Ilustración racionalista, manifiesta una tendencia hacia la consecución de una utopía que la óptica cioraniana niega.

Ambos autores eso sí, coinciden en la fuerza de su escritura, en la manera como se desligan de las márgenes en que suele estar sometida cuando se invocan ciertos parámetros de tipo académico. No obstante, Nietzsche está constantemente dialogando con la tradición, tanto clásica como contemporánea, pues muchos de los asuntos sobre los que apunta su obra están determinados por las lecturas de filósofos, científicos y literatos aún decimonónicos. En Cioran acontece algo distinto, y no me refiero a que en su obra no haya un diálogo con el pasado, pero éste se hace de una manera distinta, un poco más arraigada en aspectos cotidianos. Desde esta perspectiva, Cioran es mucho más directo que Nietzsche, pues sus textos están determinados por acontecimientos que nacen a través de la descripción de lo vivido. Nietzsche por el contrario, está sumido en un mundo más acorde al que suele haber sido el de los filósofos, es decir, está concibiendo una crítica y un terreno propositivo que exige otro nivel, ligado a la tradición y por ende, a los gustos académicos. Se trata de la manera como ya no simplemente describe como lo hace el moralista que es Cioran, para pasar a ser un filósofo comprometido con una determinada visión de mundo, concebida por él claro, pero ligada a una creación o interpretación de la cual se espera algo. Esta relación se concibe en un primer caso desde el ámbito crítico, se mueve a partir de la descripción y anatematización que Nietzsche realiza de la cultura cristiana, de la democracia, del romanticismo como distanciamiento del clasicismo; pero también aparece el Nietzsche propositivo, comprometido aún desde su juventud con el proyecto de un mundo trágico que ya fuese anclado a su primera admiración por Wagner o a la animadversión subsiguiente por el compositor, define un escenario por el cual Cioran en ningún momento se mueve: el del compromiso y la confianza.

EMCioran/Br: En su artículo sobre Cioran (“Thinking against oneself: reflections on Cioran”), Susan Sontag afirma que Cioran viene tras Nietzsche, quien estableció casi la totalidad de la posición de Cioran hace un siglo. Una pregunta interesante: ¿por qué una mente sutil y potente consiente en decir lo que, en gran parte, ya ha sido dicho? Cualquiera que sea la respuesta, el ‘hecho’ de Nietzsche tiene consecuencias innegables para Cioran. Él debe apretar los tornillos, volver más denso el argumento. Más atroz. Más retórico.” (SONTAG, Styles of Radical Will). ¿Cómo interpretas el comentario de Sontag? ¿Te parece justificado? ¿Es justo reducir Cioran a un epígono de Nietzsche, a un pensador post-nietzscheano sin ningún valor propio (o casi ningún) y que sería tan solo un continuador de la filosofía nietzscheana? A propósito, considerándose la obra del rumano como un todo (sobre todo sus libros franceses), ¿no es bastante cuestionable la filiación nietzscheana que suele atribuirse a Cioran?

Alfredo Abad: En primer lugar no creo que Sontag quiera ubicar a Cioran sólo como un epígono de Nietzsche, de otra manera no subrayaría algunas distinciones entre ambos. Es cierto que existen algunas coincidencias, entre otras, el carácter personal, individual y antiacadémico de su labor, sin embargo, tal como lo señalé en la anterior pregunta, creo que es más grande la brecha abierta por las diferencias entre ambos, aspecto que ciertamente el texto de Sontag no acoge.

Es posible hacer un balance que pueda determinar la deuda que el rumano tiene para con Nietzsche, aunque de cualquier forma, a pesar de lo que en primera instancia pudiese ser considerado, no creo que sea mucha. Aspectos tan importantes como la religiosidad equívoca de Cioran y el marginamiento ideológico y propositivo de su filosofía, hacen que el caudal por el que transitan ambos pensadores tenga destinos distintos. El pensamiento cioraniano refleja la inquietud acerca del  desasosiego que caracteriza el marginamiento y soledad del hombre que ha perdido todo vínculo con la trascendencia. El propio Cioran lamenta esta condición, expone toda carencia de validez dentro de la existencia en tanto no puede brindar un sentido definitivo que otorgue una salida a la condición de completo abandono en el que se ve a sí mismo. Textos como El Árbol de vida de La caída en el tiempo, el cual me parece fundamental dentro de toda su obra, dan cuenta de esta condición en la que se interpreta la naturaleza humana como una fractura que no puede componerse. Si bien la obra cioraniana conduce a través de unas etapas de depuración escritural, de estilo, de ciertos intereses, es claro que en ningún caso podría exponerse que cualquiera de sus libros se extraiga de la asimilación antropológica de una criatura marginada y perdida, sin salida alguna. Es probable que su juvenil desesperación converja en un escepticismo de la etapa de madurez cada vez más equilibrado y envolvente, pero aún así, el descrédito antropológico sólo es a veces reemplazado por consideraciones irónicas que ilustran no tanto un paso a una mirada positiva sino a una resignación o lucidez sostenidas hasta el último de sus textos.

Sí podría mencionarse el impacto escritural y fragmentario que Nietzsche tiene dentro de Cioran. Este punto, el cual es reconocido por el propio rumano, es fundamental; es algo que no puede ser negado puesto que el carácter fragmentario y paradójico de la escritura lo seduce por completo. De hecho las fuentes pueden ser rastreadas, en ambos autores, hasta los moralistas franceses, pero el carácter inmediato, directo y antisistemático de la escritura nietzscheana es algo que está específicamente ubicado dentro del programa escéptico de Cioran.

Muchas veces a ambos autores se les suele asignar una línea común a partir del compromiso que sugiere su pars destruens, es decir, el manifiesto bélico y subversor que implica la lectura de los dos pensadores en contra de la tradición filosófica y metafísica. Sin embargo, hay también una pars construens en Nietzsche, no en Cioran, y tal como lo ha explicitado C. Rosset (El descontento de Cioran) en relación a la no pertenencia de Cioran a ningún compromiso ideológico o programático, permite que esta particularidad lo extraiga de cualquier inmersión que intente construir un referente de pensamiento. Su descontento es total, no así en Nietzsche.

EMCioran/Br: Nietzsche diagnosticó el nihilismo como el problema-desafío fundamental de toda una cultura, de toda una civilización – la nuestra. Ciertamente el tema del nihilismo está presente en los escritos cioranianos, aunque en Cioran el concepto no posea el status teórico que tiene en la reflexión de Nietzsche (sobre todo en sus escritos tardíos) ¿Sería el rumano un nihilista? ¿Cómo interpretar a Cioran en lo que respecta a la cuestión del nihilismo trabajada y divulgada por Nietzsche?

Alfredo Abad: Me parece que la temática del nihilismo es imprescindible para descubrir las diferencias entre ambos autores. Al leer el descontento que signa la obra del rumano, es identificable la marca que deja ver su carácter nihilista desde una óptica nietzscheana. La gran contradicción que se ilustra en torno a estas figuras puede concretarse en el rechazo y acogimiento pleno que respectivamente brindan al respecto de la voluntad, de la acción, del devenir. Hay muchas ideas de lo que puede llegar a ser concebido como nihilismo. En este caso, hago referencia al sentido atribuido por Nietzsche de la negación vital, tal como está concebida en la obra cioraniana al verse ajena y frustrada frente al carácter ateleológico del mundo. El de Cioran es un pensamiento que como él mismo lo ha consignado en una entrevista, abomina de todo lo que ha acontecido desde Adán. Esta apreciación no tiene que ver con una crítica en el sentido de intentar vislumbrar otra posibilidad frente a un estado de cosas. El de Cioran es un pensamiento que no cree en el progreso porque define una incompetencia antropológica consustancial que no puede ser cambiada, un vice de nature que conlleva a un pesimismo radical. Y con ello no intento asumir que Nietzsche crea en el progreso (al menos la idea que de él nos legó La Ilustración), mas sí que su pensamiento bendice, con una actitud radicalmente distinta, el componente irracional y trágico frente al cual Cioran tiene una perspectiva equívoca.

Es por ello que el nihilismo en el autor alemán se convierte en una oportunidad de concebir otra experiencia vital, mientras en el rumano no es más que la confirmación de una enfermedad sin cura: el hombre. Se trata pues de dos miradas completamente distintas, enfatizando claro está, en el hecho de que el concepto de nihilismo en Nietzsche es mucho más amplio, no está circunscrito a una experiencia eminentemente antropológica sino cultural. En alguna oportunidad, Cioran asume que su pensamiento más que nihilista es escéptico, indicando el hecho de que hablar de nihilismo estaría vinculado a un compromiso (un programa) con la nada. Por supuesto, se trata de una manera de asumir la perspectiva de desconfianza absoluta por el hombre. En ese sentido Cioran sería, desde una óptica nietzscheana y vital, un nihilista. Este aspecto puede problematizarse claro está, sobre todo a la hora de involucrarse el campo jovial que también tiene el rumano, sin embargo, hay cierto viso de resentimiento circunscrito en las palabras de quien en ningún caso ha podido transigir con su entorno, como es el caso de Cioran.

EMCioran/Br: En otra entrevista, José Ignacio Nájera (autor de El universo malogrado de Cioran) cita al pensador y escritor colombiano Nicolás Gómez Dávila, al cual el filósofo marroquí radicado en España aproxima a Cioran, puesto que ambos poseerían “una sabiduría que puede ser válida para todos”. Dice Nájera que, “al leerlos te olvidas de su ubicación, quizá porque te llevan a un territorio más auténtico, si esto puede decirse, que el de la izquierda o la derecha, el territorio de nadie”. Usted ha publicado un libro sobre Gómez Dávila, (Pensar lo implícito: en torno a Gómez Dávila, 2008). Qué habría de común entre el colombiano y el rumano? ¿Podría hacer una breve introducción de ese pensador colombiano a los lectores brasileños de Cioran (y además a todos de habla portuguesa)?

Alfredo Abad: Nicolás Gómez Dávila es un pensador absolutamente inclasificable. Los apelativos con que suele ser catalogado no necesariamente son inexactos pero no alcanzan a circunscribir totalmente el campo fértil que se encuentra en su obra. A veces suele clasificarse como católico, reaccionario, crítico de la modernidad, moralista; todos estos puntos dicen algo de lo que representa, mas el carácter paradójico y problemático de su pensamiento es algo que poco suele ser tenido en cuenta, es decir, la posibilidad de encontrar en él un referente para pensar, no para satisfacer conversos. Desde este punto de vista la obra gomezdaviliana se abre ante la filosofía actual como un referente desde el cual se puede acceder a un pensador original y poco legible desde las posturas contemporáneas.

Su pensamiento se funda en un contexto que podría definirse como clásico, para mí es un autor cuya filosofía está instaurada en un camino que se abre en el clasisismo griego, aspecto que se configura también en su religiosidad. Pero además de eso, el aspecto crítico es quizá lo que más atrae mi atención. Es un pensador poco convencional, con un estilo propio, ajeno a cualquier convencionalismo intelectual, es un autor que efectivamente, puede ser leído por cualquiera que, más allá de prejuicios diversos, pueda evidenciar su caudal crítico.

Es un reaccionario que critica tanto la izquierda como la derecha; un hombre religioso mas al mismo tiempo, inmerso en la realidad plena de la sensualidad; un pensador con una ideología clara y jerárquica que al mismo tiempo es expuesta a través de fragmentos; un católico ferviente crítico de la Iglesia postconciliar; y además de eso, un gran escritor, su estilo es impecable. No creo que exista en ninguna lengua una tal contundencia a la hora de emitir sus juicios. Cada quien puede compararlo con otro escritor, y de hecho, son muchas las alusiones en este sentido, al declararlo heredero o cercano a otros autores que han escrito de manera análoga. Así, se ha dicho que Cioran o Nietzsche pueden estimarse como referentes importantes, y en efecto, hay algunas similitudes. Sin embargo, asumir esta clase de acercamientos no alcanza a dimensionar el sentido de su estilo. Es claro que el moralismo francés tiene una influencia mucho mayor que los autores citados, pero aun así, el de Gómez Dávila representa por sí solo una muy original expresión que considero la más alta expresión de la literatura fragmentaria. Sus sentencias tienen una característica muy difícil de lograr en el sentido de acoger tanto la forma como el contenido, logrando que ambos se fusionen con gran acierto. Lejos de la a veces abstracta y equívoca presentación de los fragmentos de Lichtenberg o Nietzsche, Gómez Dávila tiene la peculiaridad de presentar una línea muy definida en sus Escolios a un texto implícito (aspecto que no se revela en Notas su primer libro) proyectando por ende, un afianzamiento estilístico que no desaparece ya, y que corrobora la manera en que pule su frase, perfilándola de manera muy rigurosa. En este aspecto se revela también la muy recurrida manera en que el autor liga el aspecto metafórico y conceptual, sin que ninguno de los dos se entronice, sino que ambos fluyen parejos, manifestándose así la singularidad del escritor.

Ahora bien, si cotejáramos su pensamiento con el de Cioran, probablemente encontremos muchas similitudes, quizá la principal, el carácter desencantado frente al hombre, su itinerario al margen del progreso y su poca fe en una opción de cambio positivo. Así lo deja consignado en un escolio “El hombre ya no sabe si la bomba de hidrógeno es el horror final o la última esperanza”. Igualmente, creo que el autor colombiano, al igual que Cioran, se encuentra en un espacio en el que puede ser apreciado desde una óptica ajena a los ismos, es un pensamiento universal y crítico.

EMCioran/Br: Una curiosidad que siempre tengo respecto a los lectores y quienes aprecian la obra de Cioran: ¿cuándo y cómo ha conocido a Cioran? ¿Qué le atrajo de él?

Alfredo Abad: Leí por primera vez a Cioran en 1996, él había muerto el año anterior y como siempre sucede, algo de publicidad alrededor del autor aparece justo después. Recuerdo que el texto era La degradación por el trabajo, el cual está en su primer libro. Cualquiera que hablara así acerca de la automatización que generan las labores cotidianas y por ende, hiciera una exaltación del ocio, tendría que decir mucho más, algo que seguramente no me iba a defraudar. El resto de las lecturas por ende, se asumen como el acercamiento a un pensador que está sincerándose ante sus limitaciones, ante sus fracasos. Es por ello que la lectura de Cioran reconforta por cuanto describe algo inherente al ser humano: su inquietud y vacío. Así puede comprenderse también el carácter terapéutico de su obra. Si bien teóricamente es un pensamiento pesimista y nihilista, algo acontece con su lectura en un orden totalmente distinto, se vuelve un acto jovial. Este equívoco o mejor, aspecto paradójico, nunca ha dejado de impactarme, por cuanto el humor que se deriva de su escritura es bastante atrayente. Sin la risa, no se comprende a Cioran, no se alcanza a acoger. En la práctica pues, hay una jovialidad que no puede dejarse a un lado y cualquier lector debe estar atento a esta peculiaridad.

EMCioran/Br: ¿Un libro favorito de Cioran (o más de uno)?

Alfredo Abad: Es difícil elegir uno, pero Breviario de podredumbre podría considerarse como un texto en el cual converge gran parte de su pensamiento, por ello lo elegiría.  Allí está concentrado su escepticismo, su misticismo, su humor etc. Fue su primer libro en francés y quizá uno de los más tortuosos, fue reescrito varias veces debido principalmente a lo que significó el cambio de lengua. El estilo allí consignado es maravilloso.

EMCioran/Br: Prof. Alfredo, muchas gracias por esta entrevista. Antes de cerrar, le doy la palabra para dejar algún mensaje final respecto a Cioran, a Nietzsche, a Gómez Dávila, a su esplendido país, Colombia…

Alfredo Abad: La lectura de estos tres pensadores, como acontece con todo gran filósofo, es problemática. Con ello quiero decir que no encuentro en ellos una salida, un ámbito desde el cual pueda concebir un tipo de acercamiento que dé respuesta a los interrogantes que constantemente el hombre realiza sobre sí, sobre su entorno. Los veo a todos ellos como agentes de un tipo de filosofía que, de acuerdo claro está al interés del lector, genera la posibilidad de continuar interrogando, de circunscribir el asombro.

Por último, agradezco la oportunidad que este portal brinda para dialogar sobre estos autores.

Pereira, Colombia – São Paulo, Brasil
Fevereiro de 2014

VI Encontro Internacional Emil Cioran

Pereira, Colômbia, outubro/novembro de 2013

Entre 31 de outubro e 5 de novembro de 2013, aconteceu, na cidade colombiana de Pereira, a 6ª edição do Encuentro Internacional Emil Cioran, um dos mais importantes eventos mundiais dedicados aos estudos sobre o homônimo pensador romeno radicado na França. O congresso, organizado pela filósofa M. Liliana Herrera e vinculado ao departamento de Filosofia da Universidade Tecnológica de Pereira (UTP), onde Herrera leciona filosofia, contou com a presença de acadêmicos nacionais e internacionais que se dedicam a estudar e a divulgar a obra de Cioran.

VI Encuentro Internacional Emil Cioran (Pereira, Colômbia)
VI Encuentro Internacional Emil Cioran (Pereira, Colômbia)

Foram no total 4 dias de conferências sobre os mais variados temas que compõem o pensamento caleidoscópico de Cioran, de um intenso e envolvente debate em torno de sua obra e vida. Comentarei aqui apenas algumas das conferências ocorridas nos dois primeiros dias.

VI Encuentro Internacional Emil Cioran em Pereira, Colômbia (divulgação)
VI Encuentro Internacional Emil Cioran em Pereira, Colômbia (divulgação)

Coube à Profa. M. Liliana Herrera as honras de dar boas-vindas aos participantes, abrindo oficialmente o congresso. A abertura também contou com a performance da pianista romena Viktoria Gumennaia, residente na Colômbia, que nos agraciou com uma amostra daquela que seria a “paisagem musical” da Romênia. Gumennaia tocou ao piano alguns temas tradicionais da cultura musical romena, estimulando nossos sentidos para a essência do espírito romeno através da forma de arte que Cioran mais amava.

Joan M. Marín Torres (Valencia, Espanha)
Joan M. Marín Torres (Universitat Jaume I, Castelló de la Plana, Espanha)

Abrindo os trabalhos no primeiro dia, Joan Manuel Marín Torres (autor de Cioran o el laberinto de la fatalidad) falou sobre a paixão de Cioran pela Espanha em conferência intitulada “Cioran: ensoñaciones de España”. Marín problematizou e esclareceu a imagem cioraniana da Espanha, os motivos e as circunstâncias de seu interesse pelo país de Miguel de Cervantes. Mencionou o fato de que, antes de ir à Alemanha, Cioran contemplava a Espanha como destino de estudo, onde pretendia seguir os cursos de José Ortega y Gasset. O romeno teria visitado a Espanha 8 vezes no total, incluindo sua estadia na praia de Talamanca (Ibiza) da qual resultaria o pouco conhecido Cahiers de Talamanca. Mencionou também o primeiro encontro que Cioran teve, ainda jovem, com um espanhol (supostamente um discípulo do filósofo Miguel de Unamuno), que lhe teria dito: “me gusta la muerte y el sublime” (sic). A atração do romeno pelos místicos espanhóis não poderia passar em branco. “Cioran tinha três nacionalidades: a romena, a francesa e a romena; demasiado para um intelectual que se pretendia apátrida”, brincou.

Mihaela-Genţiana Stanișor (Universidade Lucian Blaga, Sibiu)
Mihaela-Genţiana Stanișor (Universidade Lucian Blaga, Sibiu)

Mihaela-Genţiana Stanișor, por sua vez, tratou da questão da “romenidade”, ou seja, daquela que seria a identidade romena em sua especificidade cultural, tendo como referências três grandes nomes da cultura de seu país: Mihai Eminescu, Lucian Blaga e Constantin Noica. Eminescu teria sido o primeiro a promover a ideia de uma “consciência da romenidade”, notadamente em seu poema intitulado “A oração de um dácio”. Mencionou o mito da Mioriţa, que seria tão significativo para os romenos quanto o é Dom Quixote para os espanhóis. Stanișor apresentou e explicou algumas entidades linguísticas mais distintivas da cultura romena, e que seriam, por assim dizer, distintivas do espírito romeno. Como as palavras dor (pronuncia-se “dór” correspondendo à nossa saudade, ou nostalgia) e bocete, que designa, por sua vez, uma espécie de elegia, um canto fúnebre bastante típico. Outra contribuição linguístico-cultural da filóloga romena oriunda de Sibiu, na Transilvânia, diz respeito à preposição întru (tão difícil de ser traduzida quanto compreendida em sua amplitude semântica), que seria bastante elucidativa a respeito do espaço vital romeno. Esta preposição seria, segundo Stanisor, especialmente significativa no sentido de ilustrar aquela que seria a “virtude polivalente” do espírito romeno, ou seja, a qualidade especial de certa dinâmica vital graças à qual os romenos seriam um povo tão espiritualmente rico.  Întru denota, ao mesmo tempo, as noções de posição e de direção, isto é, ao mesmo tempo um “estar” (ou ser) e um “em direção a” (a caminho de…, no sentido de…), o que seria muito significativo, no plano abstrato da linguagem, no que diz respeito ao fundo trágico do espírito romeno – verticalidade e horizontalidade em permanente tensão. Um dos dizeres mais populares na Romênia, e que seria bastante revelador da alma do seu povo, é: “N-a fost sǎ fie” (Não era para ser; it wasn’t meant to be, em inglês).

Roch Little (Universidad Nacional de Bogotá)
Roch Little (Universidad Nacional de Bogotá)

Muito interessante foi a conferência de Roch Little, historiador e filósofo canadense estabelecido na Colômbia, onde leciona na Universidade Nacional de Bogotá. Ele se dispôs a analisar aqueles que seriam os “motivos cínicos” a animar a obra cioraniana. Sua conferência teve como ponto de partida o verbete “pessimismo” redigido por Michel Onfray em seu “dicionário hedonista” (Abrégé Hédoniste), no qual o filósofo francês inclui Cioran, junto a Schopenhauer e Leopardi, como um representante da respectiva categoria. Onfray parece veementemente crítico, em particular, a respeito do maior filósofo alemão pessimista: segundo ele, um poseur. Pessimistas como Schopenhauer seriam como que farsantes, impostores, pensadores incoerentes que vivem em permanente contradição com aquilo que pregam com suas palavras. A tese central de Little é que, muito embora inclua a Cioran no hall dos pessimistas chorões do qual Schopenhauer seria o mais ilustre exemplar, Onfray se mostra reticente em relação ao romeno, o que levaria a inferir que possivelmente reconhece em Cioran uma qualidade que dificilmente enxerga no autor de O mundo como vontade e como representação. Cioran se distinguiria de Schopenhauer justamente pelo fator poseur, impostor, farsante, que Onfray tanto critica em Schopenhauer, mas que no caso do pensador romeno seria uma atitude ironicamente assumida, em nenhuma contradição com aquilo que pensa e escreve. Sua sempiterna distância em relação à academia, sua marginalidade conquistada, o desejo de anonimato, a recusa de honrarias e prêmios, dos quais aceitou apenas o primeiro (por uma razão bastante compreensível de uma perspectiva cínica: necessitava do dinheiro para sobreviver em Paris) – eis a diferença fundamental que, segundo Little, seria decisiva para o silêncio de Onfray em relação a Cioran. Por fim, o canadense estabelecido na Colômbia identificou alguns motivos cínicos no pensamento de Cioran, como a ascese cínica (o ideal de uma vida simples sem trabalhar no circuito da civilização), o “realismo cru” da parrhesia, isto é, a sinceridade nua e crua, o dizer-a-verdade-doa-a-quem-doer, a bufonaria à la Diógenes, entre outros.

Francia Elena Goenaga, da Universidad de los Andes, abordou a “noção de paraíso nos Cahiers de Cioran”. Recorrendo a referências como Mary Shelley, René Char, Starobinski, entre outras, examinou o binômio criatura-criador no quadro de um uma reflexão sobre a nostalgia do paraíso (“a grande responsabilidade do criador é fazer com que a criatura seja feliz”), a imagem da “queda” como figura para dar sentido à condição humana tragicamente consciente de sua finitude e mortalidade (Char), a melancolia como sentimento fundamental produzido pela “queda no tempo”, intimamente ligado à nostalgia do paraíso perdido (Starobinski).

Hugo Peláez (Sevilla, Villa de Cauca)
Hugo Peláez (Sevilla, Villa de Cauca)

Hugo Peláez, de Sevilla, Villa de Cauca (Colômbia), brindou o público com uma conferência sobre o “Emil Cioran e o feitiço musical”. Citando a filósofa espanhola María Zambrano (“El lugar donde la esperanza se há refugiado de manera más confiada es la utopía”), que inspirou Cioran, a partir de uma conversa que tiveram no Café de Flore, em Paris, ao final da década de 50, Peláez desenvolveu a tese de que o pessimismo de Cioran assinala o fracasso da utopia, que, no entanto, o pensador romeno reencontrará na música, a “arte do absoluto”. “Só agimos sob a fascinação do impossível: isto significa que uma sociedade incapaz de gerar uma utopia e de consagrar-se a ela está ameaçada de esclerose e de ruína”, cita Peláez uma passagem do ensaio “Mecanismos da Utopia”, do livro História e Utopia (1960). Segundo o intelectual sevillano, só teve uma única certeza: a música, “arte do consolo por excelência.” Ademais, Peláez comentou a paixão especial de Cioran por Bach e as afinidades entre os pensamentos do romeno e da espanhola no que concerne ao tema da utopia, concebido em sentido latu muito além do sentido histórico. A civilização tem muito mais a ver com a música do que com a arquitetura e com as instituições políticas e sociais, diriam ambos.

Rodrigo Menezes (PUC-SP)
Rodrigo Menezes (PUC-SP)

Rodrigo Menezes, doutorando em Filosofia pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP) com uma tese sobre “niilismo, escritura e existência” em Cioran, foi o último conferencista do primeiro dia, com uma comunicação sobre o dogmatismo negativo e o niilismo em Cioran. O brasileiro problematizou o ceticismo do pensador romeno confrontando-o com o pessimismo niilista que subsiste mesmo em seus livros franceses, apesar do ceticismo reivindicado por Cioran a partir do momento em que adota o francês como idioma oficial. Nas antípodas da música, que seria como que o limite positivo da dúvida, o fenômeno do mal é outro tema sobre o qual o discurso cioraniano assume a forma de um logos dogmático negativo. Conforme escreve Sylvie Jaudeau, “Cioran não encontrou Deus, mas o mal. […] Tenta comunicar-nos o seu saber funesto lançando diante de nossos olhos essa parte de trevas que predomina e se perpetua até no vestígio material de sua escritura… […] A obra de Cioran, animada por uma vitalidade autônoma, é, em si mesma, uma figuração do mal”. Como pensa Cioran, só podemos escolher entre a ilusão e o desespero. O ceticismo é um exercício de tolerância mediante a disciplina da desfascinação (sendo que toda fascinação, para Cioran, possui um fundo egocêntrico), mas não é uma saída, uma resposta, uma solução, pois não pode oferecer nada nem de positivo de ne negativo. Seguimos então em um mundo em que é impossível duvidar do mal, e onde inclusive a certeza da dúvida é um mal.

O segundo dia de trabalhos foi inaugurado com outra conferência de Roch Little, desta vez sobre “a história no pensamento de Cioran”. Little se concentrou em dois livros de Cioran, História e Utopia (1960) e A Queda no Tempo (1964), aproximando o pessimismo histórico e a crítica de Cioran à modernidade da reflexão baudrillardiana sobre a hipermodernidade. Cioran ataca a essência mesma do pensamento, que postula uma finalidade, um sentido, um propósito para a história. O filósofo e historiador contrapôs a noção de queda em Cioran àquela de Kant e também ao pensamento de Rousseau (Sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens).

Em seguida, mais uma conferência de Joan M. Marín. Sua segunda comunicação abordou o tema de “Epicuro e Cioran como terapeutas”. Um pensamento diurno, por um lado (Epicuro), e um pensamento noturno, por outro (Cioran); duas disposições de espírito e duas atitudes filosóficas opostas, mas cujos escritos têm em comum o sentido de certa terapêutica do espírito. Enquanto que a terapêutica de Epicuro buscaria curar os espíritos preconizando a moderação, a felicidade simples e arrazoada, aqui e agora, a terapêutica cioraniana preconizaria a contradição e o conflito, um estado de lucidez que purga as ilusões mas não oferece, em contrapartida, nenhum remédio, nenhuma cura positiva para o mal de existir.

M. Liliana Herrera (Universidad Tecnológica de Pereira, Colômbia)
M. Liliana Herrera (Universidad Tecnológica de Pereira, Colômbia)

Ainda no segundo dia, outra palestra de Mihaela-Genţiana Stanișor: “A escritura como posta em cena do pensamento desassossegado”. Este que foi um dos mais intensos e ricos dias de trabalhos do encontro internacional ocorrido em Pereira foi coroado com as últimas conferências do professor Alfredo Abad Torres e da professora María Liliana Herrera, ambos da Universidad Tecnológica de Pereira; respectivamente, uma reflexão a partir do diálogo entre Cioran (notadamente o capítulo “Odisseia do Rancor” de História e Utopia) e Dostoievski de Memórias do Subsolo, e uma reflexão sobre “a sulfúrica transfiguração” de Cioran, conferência que abordou de maneira ampla e aprofundada a questão do passado político de Cioran tendo como horizonte hermenêutico a filosofia da história de Oswald Spengler.