IV Col贸quio Internacional sobre Filosofia Oriental: A Filosofia da Escola de Kyoto e suas fontes orientais

cartaz-22-08

Promo莽茫o

Departamento de Filosofia 鈥 Unicamp
Programa de P贸s-gradua莽茫o em Filosofia 鈥 PPGFIL 鈥 Unicamp
Programa de Doutorado em Ci锚ncias Sociais (China/Brasil) 鈥 Unicamp
Grupo de Pesquisa sobre Pensamento Japon锚s 鈥 GPPJ
GT-Filosofia Oriental

Apoio

Funda莽茫o Jap茫o
CAPES
FAPESP
Secretaria de Eventos (IFCH/Unicamp)

Coordena莽茫o

Prof. Dr. Antonio Florentino Neto
Prof. Dr. Oswaldo Giacoia Jr.

Data: 15, 16 e 17 de setembro de 2015

Local: Audit贸rio II do IFCH (Unicamp)

Inscri莽玫es: no local

Contato: florentinoflora@gmail.com

PROGRAMA

Ter莽a-feira, 15/09/2015

09:00 鈥 Inscri莽玫es

10:00 鈥 Abertura: Prof. Dr. Marcos Lutz M眉ller (Unicamp)

10:30 鈥 Confer锚ncia 1: Subjetividade e vacuidade: A Filosofia de Nishida e a Escola Budista Huayan
Prof. Dr. Yujin Itabashi (Universidade Rissho, Jap茫o)

12:00 鈥 Intervalo

14:00 鈥 Confer锚ncia 2: A media莽茫o absoluta ou a necess谩ria transforma莽茫o do ser em ser up膩ya na filosofia como metano茅tica

Profa. Dra. Rebeca Maldonado (UNAM, M茅xico)

15:30 鈥 Intervalo

16:00 鈥 Confer锚ncia 3: Individua莽茫o e Sofrimento. Reden莽茫o e Vazio
Prof. Dr. Oswaldo Giacoia Jr. (Unicamp)17:30 鈥 Encerramento do primeiro dia

Quarta-feira,16/09/2015

08:30 鈥 Confer锚ncia 4: Os fundamentos da l贸gica predicativa e da l贸gica relacional em Arist贸teles, N膩g膩rjuna e Laozi
Prof. Dr. Antonio Florentino Neto (UEL; Brasil/China-Unicamp)

10:00 鈥 Intervalo

10:30鈥 Confer锚ncia 5: A No莽茫o de Superimposi莽茫o (sam膩ropa) em N膩g膩rjuna e Candrak墨rti
Prof. Dr. Dilip Loundo (UFJF)

12:00 鈥 Almo莽o

14:00 鈥 Confer锚ncia 6: Dogen e Nishida
Prof. Dr. Ralf M眉ller (Hildesheim, Alemanha)

15:30 鈥 Intervalo

16:00 鈥 Confer锚ncia 7: Pensando como um budista: apropria莽玫es do n茫o-dualismo budista pela Escola de Kyoto
Prof. Dr. Gereon Kopf (Luther College, USA)

17:30 鈥撯 Encerramento do segundo dia

Quinta-feira,16/09/2015

08:30 鈥 Confer锚ncia 8 鈥 An膩tman: a perspectiva de-substancializante do ego em N膩g膩rjuna, D艒gen e Nishitani
Prof. Dr. Jos茅 Carlos Michelazzo (SBF)

10:00 鈥 Intervalo

10:30鈥 Confer锚ncia 9: A filosofia de Nishitani e o Budismo- uma an谩lise cr铆tica.
Prof. Dr. Joaquim Antonio B. C. Monteiro (UFPB)

12:00 鈥 Almo莽o

14:00 鈥 Confer锚ncia 10: Considera莽玫es sobre poss铆veis influ锚ncias da Escola Madhyamika na Escola de Kyoto
Prof. Pl铆nio Tsai (ATG)

15:30 鈥 Intervalo

16:00 鈥 Confer锚ncia 11: Significado de filosofar no Jap茫o
Prof. Dr. Masaru Yoneyama (Universidade de Nagoya, Jap茫o)

16h30 鈥 Reuni茫o de funda莽茫o da Sociedade Nishida Brasileira

16h30 鈥 Reuni茫o de funda莽茫o da Sociedade Nishida Brasileira

17h30 鈥 Encerramento do Col贸quio

Entrevista: M. Liliana Herrera e a recep莽茫o colombiana de Cioran, entre outros temas

M. Liliana Herrera A. ensina聽Filosofia na Universidad Tecnol贸gica de Pereira (UTP), na cidade colombiana hom么nima聽situada聽na regi茫o do Eje cafetero (“Eixo cafeeiro”), no norte do pa铆s. Tem聽mestrado (1989) e doutorado (2001) em Filosofia pela Pontificia Universidad Javeriana de Bogot谩.聽脡聽a gestora e聽diretora do聽Encuentro Internacional Emil Cioran, realizado na聽UTP.聽脡 autora, entre outros, de Cioran: aproximaciones (1994);聽Cioran:聽lo voluptuoso, lo insoluble (2003); Cioran, lo voluptuoso lo insoluble(2003); Cioran, ensayos cr铆ticos (tradutora e聽organizadora junto a聽A. Abad T., 2008);聽Cioran en perspectivas (em聽coautoria con A. Abad T., 2009); Compilaci贸n: Encuentro Internacional Emil Cioran 2008-2011 (em聽coautoria聽com聽Alfredo Abad T., 2012); En torno a Cioran, nuevos ensayos y perspectivas (2014; segundo volume聽das聽confer锚ncias apresentadas nas聽edi莽玫es聽2012聽e聽2013 do聽Encuentro). Publicou tamb茅m聽diferentes ensaios sobre temas filos贸ficos e聽liter谩rios em聽revistas nacionais e internacionais.聽

EMCioran/Br: Estimada profesora Liliana Herrera, antes de tudo o Portal E.M. Cioran gostaria de agradecer, em nome de seus visitantes, leitores de Cioran, a generosidade em conceder-nos esta entrevista. 脡 uma honra e um privil茅gio ter acesso 脿 perspectiva pessoal e cr铆tica de uma especialista neste autor que 茅 um interesse comum de todos n贸s.
Primeiramente, n茫o se poderia deixar de mencionar o Encuentro Internacional Emil Cioran realizado anualmente em Pereira, na Col么mbia, sob coordena莽茫o sua, e que chegou este ano 脿 sua s茅tima edi莽茫o. Trata-se de um feliz, e exitoso, encontro e um dos poucos eventos acad锚micos regulares no mundo dedicado a discutir e divulgar a obra do pensador romeno. Qual 茅 a exata natureza do Encuentro Internacional Emil Cioran? Como foi poss铆vel realizar e manter um evento acad锚mico sobre um pensador t茫o marginal e tamb茅m t茫o antiacad锚mico como Cioran? Em sua opini茫o, o que mudou desde a primeira edi莽茫o? Que espera do futuro do Encuentro?

M.L.H.A.: O Encuentro Internacional se originou de um projeto que o Grupo de Investiga莽茫o em Filosofia Contempor芒nea por mim dirigido apresentou 脿 Universidad Tecnol贸gica de Pereira (UTP). Com o professor Alfredo Abad, desenvolvemos o tema, e um dos resultados foi este evento. A primeira edi莽茫o do Encuentro se realizou em outubro de 2007. O convidado internacional foi o professor Ger Groot, da Universidade de Rotterdam. As primeiras edi莽玫es do evento giraram em torno do pensamento de Cioran e das rela莽玫es entre filosofia e literatura, linha em que se localiza muito bem a obra de Cioran. Os objetivos, pois, eram tr锚s: dar a conhecer 脿 comunidade filos贸fica e liter谩ria de nosso pa铆s os trabalhos sobre o autor romeno-franc锚s que estavam sendo realizados pelos especialistas cioranianos, principalmente romenos, franceses e espanh贸is. Segundo, divulgar a cultura romena que em nosso meio 茅 quase desconhecida. Finalmente, levantar algumas quest玫es mais amplas pertinentes 脿 discuss茫o entre filosofia e literatura, tema que vem ganhando terreno acad锚mico dentro da comunidade filos贸fica e liter谩ria internacional nos 煤ltimos anos.
Por茅m, dadas certas caracter铆sticas de nossa universidade e de nossa regi茫o, o Encuentro come莽ou a se perfilar como um projeto de maior envergadura: de acad锚mico foi se convertendo em um projeto cultural da universidade para a cidade e a regi茫o, e que tem conseguido posicionar-se a n铆vel nacional e internacional por ser um dos poucos que t锚m Cioran como tema principal (脿 parte, claro, do Col贸quio Internacional Emil Cioran que se realiza anualmente em Sibiu, na Rom锚nia).
Mas o nosso evento teve desde o in铆cio caracter铆sticas espec铆ficas que o diferenciam daquele realizado em Sibiu e que 茅 voltado para os especialistas. N茫o 茅 uma r茅plica dele e nem poderia ser. Resumundo: devido ao crescente interesse que o publico regional tem demonstrado pelo nosso evento, ampliamos os tr锚s objetivos mencionados antes: com rela莽茫o ao primeiro, estamos promovendo o pensamento de Cioran e os estudos que s茫o desenvolvidos sobre ele em meio a um p煤blico n茫o apenas universit谩rio que se desenvolve no campo da filosofia e da literatura, mas tamb茅m em meio a um p煤blico muito mais amplo que inclui estudantes do ensino m茅dio, al茅m de outro p煤blico que exercita sua atividade intelectual privadamente, 脿 margem da universidade ou nos reduzidos c铆rculos intelectuais mais ou menos conhecidos de nossa cidade. Isso explica que o nosso col贸qui seja itinerante: nas sete edi莽玫es do evento, as confer锚ncias de nossos convidados internacionais foram realizadas n茫o apenas na UTP como tamb茅m em outras universidades da regi茫o, em Salas Culturais, em um col茅gio p煤blico de ensino m茅dio e em pequenas cidades pr贸ximas a Pereira. O p煤blico 茅 muito heterog锚neo. O objetivo de dar a conhecer a cultura romena (mitos, hist贸ria, escritores, m煤sica) tem se mantido. Por fim, ampliamos as tem谩ticas concernentes 脿s rela莽玫es entre filosofia, literatura, arte e sociedade, para incluir problem谩ticas da atualidade. Desta maneira, nosso p煤blico, filos贸fico, estudantil ou simplesmente leitor, pode escutar ou ler, nas Mem贸rias [volumes de textos apresentados nos encontros] que temos publicado, temas relativos a esses 芒mbitos.

EMCioran/Br: Que pode nos dizer sobre a recep莽茫o de Cioran e o alcance de sua obra na Col么mbia? Quando come莽ou a ser lido, e por quem? Como se poderia contextualizar a presen莽a de Cioran na Col么mbia? Pode-se dizer que existe a铆 uma tradi莽茫o de leitura e investiga莽茫o cr铆tica sobre o pensador romeno? No Brasil, ele 茅 muitas vezes desprezado, quando n茫o recha莽ado, pelos intelectuais nos meios acad锚micos e mesmo fora dele, que n茫o conseguem ou n茫o querer admitir a seriedade e a consist锚ncia filos贸fica de sua obra. Ademais, 茅 muito pouco lido pelo grande p煤blico (est谩 longe de ser um best-seller!), na maioria das vezes de maneira superficial e abusivamente vinculado a Nietzsche, como se Cioran pudesse ser reduzido a um mero ep铆gono de Nietzsche (tese que sustenta Susan Sontag, por exemplo). Tamb茅m costuma ser utilizado por certa milit芒ncia ideol贸gica em defesa de um ate铆smo de boa consci锚ncia como argumento de autoridade para dar peso 脿 respectiva causa, o que parece ignorar a profunda dimens茫o m铆stica e metaf铆sica implicada no seu pensamento. O que pensa desse tipo de leitura? O mesmo 茅 o caso na Col么mbia?

M.L.H.A.: Sim, a hist贸ria da recep莽茫o da obra de Cioran na Col么mbia foi mais ou menos a mesma que no Brasil. Cioran come莽ou a ser conhecido ao final dos anos 70. Eram poucos os livros em espanhol que chegavam aqui naquela 茅poca. Foi lido inicialmente por um pequeno c铆rculo de intelectuais cr铆ticos da academia, ainda que alguns vinculados a ela. As leituras feitdas sobre este pensador estavam influenciadas pela leitura dos poetas malditos, ou certa literatura pessimista. Pouco mais tarde, os coment谩rios que se encontravam sobre Cioran o vinculavam abertamente a Nietzsche e a uma posi莽茫o ate铆sta que nega ou ignora, como voc锚 bem diz, a dimens茫o m铆stica, religiosa mas combativa (para al茅m e acima de qualquer institui莽茫o) do pensamento cioraniano. Esta imagem foi promovida inclusive por professores universit谩rios de tend锚ncia nietzscheana ao final dos anos 1980.
Mas, no que concerne 脿 academia em geral, Cioran era um autor quase desconhecido; e aqueles que tinham informa莽玫es superficiais sobre ele o recha莽avam. De alguma maneira, esse recha莽o subsiste, mas com menor intensidade. A partir dos anos 2000, Cioran passou a ser mais conhecido dentro do ambiente intelectual universit谩rio e extra-acad锚mico. Desde 2007, temos aportando 脿s universidades e bibliotecas do pa铆s uma bibliografia cioraniana 脿 qual n茫o se tinha acesso, e que consiste na publica莽茫o das tradu莽玫es de alguns trabalhos realizados por especialistas estrangeiros e outros consignados nas Mem贸rias do Encuentro. N贸s introduzimos no programa de Filosofia da UTP, em diversas ocasi玫es, um semin谩rio sobre o pensador romeno-franc锚s. Nossos grupos de investiga莽茫o, por sua vez, publicam seus trabalhos referentes a algumas problem谩ticas que a obra de Cioran apresenta. N茫o obstante, Cioran segue sendo marginal; n茫o 茅 para a grande massa, e isso, de alguma maneira, 茅 um al铆vio.

EMCioran/Br: Cioran gostava de se definir como um 鈥減ensador privado鈥. Sua obra n茫o 茅 para as massas, para uso p煤blico das coletividades, mas uma obra intimista e profundamente pessoal, dirigida 脿s consci锚ncias individuais na solid茫o de sua interioridade. No document谩rio Apocalipsa dupa Cioran (鈥淥 Apocalipse segundo Cioran鈥) se referem a ele como ein Geheimtipp f眉r Kenner, ou seja, 鈥渦ma dica secreta para conhecedores鈥. Dito isso, uma quest茫o de muito interesse seria, particularmente, sua rela莽茫o intelectual com o Cioran. Quando e como conheceu sua obra? Que lhe atraiu nele, em seu pensamento? Seus estudos acad锚micos t锚m se centrado na obra cioraniana, e ademais seu doutorado tamb茅m foi dedicado 脿 investiga莽茫o do pensamento de Cioran. Que significa Cioran para voc锚?

M.L.H.A.: O fato de que seja um pensador privado do qual n茫o se poderia fazer um uso coletivo, e que n茫o poderia ser vinculado ou utilizado por nenhum tipo de ideologia, j谩 que a pr贸pria natureza de sua obra impede isso, 茅 o que a protege da trivializa莽茫o das modas liter谩rias, ou de seitas de adeptos. Obviamente, h谩 leitores que utilizam dois ou tr锚s aforismos ou alguns t铆tulos para apoiar posturas intelectuais ou eticamente irrespons谩veis. Mas s茫o casos irrelevantes. Voc锚 afirma acertadamente: Cioran consegue ter um lugar privilegiado nas consci锚ncias individuais, na intimidade e sensibilidade de uma exist锚ncia. Li Cioran pela primeira vez quando cursava meus estudos de gradua莽茫o em Filosofia. Voc锚 conhece bem essa experi锚ncia: o impacto, a surpresa, a aprova莽茫o imediata de suas afirma莽玫es, e talvez o consolo essencial que sua obra representa para a alma. Cioran diz (o que corroborou numa entrevista) as coisas que todo homem mais ou menos l煤cido ou realista (em um sentido existencial) sente, mas que n茫o se atreve a expressar porque n茫o tem as palavras, o talento ou a valentia para faz锚-lo. E isso explica 鈥 sem precisar ir mais longe em busca de argumentos ou de explica莽玫es 鈥 a import芒ncia que adquire na vida pessoal uma obra como a de Cioran. Fiz meu trabalho de gradua莽茫o principalmente sobre dois temas: o suic铆dio e a cr铆tica 脿 filosofia. Meu trabalho de mestrado tomou outro rumo, mas ent茫o no doutorado retomei sua obra. Devo esclarecer que na Col么mbia, naquela 茅poca, n茫o se tinha acesso aos estudos que vinham sendo realizados sobre ele na Europa Central ou no Leste Europeu. Por isso meus trabalhos foram em grande medida intuitivos. N茫o me considero especialista em Cioran e, mesmo que me considerasse, na verdade n茫o sou. Sou antes uma divulgadora de sua obra. Creio que ele tem raz茫o em sua cr铆tica da hist贸ria e condi莽茫o humanas. Seu humor negro, her茅tico, 茅 um b谩lsamo. Jaspers disse que alguns seres s茫o 鈥渆xce莽玫es鈥; n贸s n茫o o somos e nem poder铆amos tentar imitar a 鈥渆xce莽茫o鈥. Mas 茅 poss铆vel, sim, estabelecer uma esp茅cie de (para utilizar outro termo de Jaspers) 鈥渃omunica莽茫o amorosa鈥 com aqueles que o s茫o, e junto a ele buscar o pr贸prio caminho em dire莽茫o a si mesmo.

EMCioran/Br: Como se sabe por meio de uma entrevista a um jornal colombiano, voc锚 茅 uma das pessoas que tiveram a oportunidade de corresponder-se com Cioran. Como come莽ou esse interc芒mbio epistolar? Que paralelos se poderia estabelecer entre o autor dos livros e o interlocutor epistolar? O Cioran das cartas 茅 distinto do Cioran escritor?

M.L.H.A.: Pelo que entendo ele manteve correspond锚ncia com uma boa quantidade de pessoas. Com efeito, para mim foi um privil茅gio. Quando iniciei meu trabalho de gradua莽茫o tive a ideia de escrever uma carta 脿 editora Gallimard. E com grande surpresa recebi uma resposta. O intercambio epistolar foi espor谩dico, mas transcorreu por um per铆odo de dez anos. Sabe-se que Cioran 茅 um dos autores que uniram vida e obra. Ele conserva nas cartas o mesmo 鈥渢om鈥 que mostra nos livros. 脡 claro, s茫o cartas breves, pessoais, em que n茫o se desenvolve nenhum tema. Mas 茅 poss铆vel ter a certeza de que se est谩 diante do mesmo temperamento, do mesmo sentimento da exist锚ncia, do mesmo talento que exibe em seus livros. Por茅m, nas cartas evidencia-se claramente um ser de grande amabilidade e calidez.

EMCioran/Br: A continuidade e a descontinuidade entre a obra romena e a obra francesa de Cioran costumam ser muito discutidas. Que rela莽茫o voc锚 v锚 entre os escritos de juventude, em romeno, e os escritos de maturidade, em franc锚s? 脡 justo falar de uma ruptura entre os dois per铆odos, ou seria razo谩vel relativizar essa ruptura?

M.L.H.A.: A relativiza莽茫o 茅 a op莽茫o correta. H谩 continuidades e descontinuidades, de natureza tem谩tica e estil铆stica. N茫o obstante, h谩 um 鈥渇undo id锚ntico鈥. Refiro-me ao esp铆rito que anima os dois momentos da obra: o ceticismo apesar de certas veleidades juvenis, a luta com Deus que s贸 o cansa莽o dos anos p么de atenuar, um estilo escritural intenso e apaixonado, depurado pela disciplina imposta por outra l铆ngua… enfim. Um dos estudos que aprofunda este tema 茅 o do romeno Ciprian V菐lcan[1] e que, para mim, 茅 leitura obrigat贸ria para os estudiosos de Cioran.

EMCioran/Br: 脡 razo谩vel dizer que o s茅culo XX n茫o conheceu figura intelectual mais enigm谩tica, mais indefin铆vel, mais inclassific谩vel do que Cioran. Ademais, 茅 um pensador relativamente recente cuja jovem tradi莽茫o cr铆tica ainda est谩 muito pouco estabelecida, consolidada. A cada ano se descobrem novas informa莽玫es ou se revela alguma obra que ficou engavetada durante d茅cadas sem conhecer a luz da publica莽茫o (como Razne, que Cioran escreveu ainda em romeno quando j谩 habitava em Paris, e que foi publicado recentemente na Rom锚nia). A quantidade de interpreta莽玫es distintas de Cioran 茅 proporcional 脿 quantidade de seus int茅rpretes. Como Nietzsche no s茅culo XIX, Cioran parece ser um autor extempor芒neo em seu pr贸prio s茅culo. Que pensa voc锚 sobre o destino da recep莽茫o de Cioran, na Col么mbia e no mundo?

M.L.H.A.: Cioran foi um vision谩rio, uma esp茅cie de H. G. Wells (sei bem que a compara莽茫o pode parecer absurda…). Os cioranianos seguir茫o escrevendo; por ser aut锚ntica, sincera, a obra de Cioran poder谩 perdurar; e o mundo seguir谩 seu destino implac谩vel.

EMCioran/Br: Para concluir: h谩 um libro de Cioran que lhe seja especialmente significativo, ou mais de um? O mesmo sobre os aforismos cioranianos?

M.L.H.A.: Um dos livros que permite aproximar-se de maneira contextualizada ao seu pensamento 茅 o volume das Entretiens, uma boa inicia莽茫o para todo aquele que queira come莽ar a estud谩-lo com seriedade. Como um dos temas que mais t锚m me inquietado 茅 o de sua atormentada religiosidade, me interessam muito os livros da 茅poca romena. Ademais, o alento po茅tico que oferecem os livros mais apaixonados, mais dram谩ticos (por exemplo, os textos que se poderia chamar de 鈥渙ra莽玫es blasfemas鈥). Mas 茅 dif铆cil falar de um ou dois livros ou aforismos preferidos. Neste caso, n茫o se pode escolher, a n茫o ser pelas problem谩ticas que sejam de interesse do estudioso.

EMCioran/Br: Prof陋 M. Liliana, agrade莽o uma vez mais, em nome dos leitores de Cioran (e seus tamb茅m), pela generosidade em conceder-nos esta entrevista.

漏 Portal EMCioran/Br; M. Liliana Herrera A.
S茫o Paulo 鈥 Pereira, 24/11/2014

[1] Ciprian V膫LCAN. La concurrence des influences fran莽aises et allemandes dans l鈥檕euvre de Cioran. Bucareste聽: Institut Cultural Roman, 2008.

Entrevista a Alfredo Abad sobre la recepci贸n de Cioran en Colombia y otros temas [Esp]

Alfredo Abad (Colombia) es Profesor de Filosof铆a de la Universidad Tecnol贸gica de Pereira; Director del grupo de investigaci贸n Filosof铆a y escepticismo; ha publicado los libros Filosof铆a y literatura, encrucijadas actuales (2007), Pensar lo impl铆cito en torno a G贸mez D谩vila (2008), Cioran en perspectivas con Liliana Herrera (2009). Organiza anualmente al lado de la Prof. Mar铆a Liliana Herrera el Encuentro Internacional E. Cioran en la Universidad Tecnol贸gica de Pereira, Colombia), cuya 煤ltima edici贸n (la sexta) fue en octubre/noviembre de 2013.

EMCioran/Br: Estimado Prof. Alfredo, primero quiero agradecerle su generosidad para con los lectores de Cioran y de este Portal, estoy convencido que tiene mucho que compartir y contribuir respecto a Cioran, otros asuntos y otras figuras que orbitan a su alrededor. 驴Puede contarnos un poco sobre el comienzo del congreso? 驴C贸mo ha surgido la idea de crear un evento acad茅mico anual sobre un pensador tan marginal y tan ajeno a la academia como Emil Cioran? El motivo de mi pregunta es que no hay un congreso anual sobre Cioran en Francia y a煤n menos en Brasil, y que en esa hermosa y agradable ciudad de Pereira (ciertamente no tan conocida para nosotros los brasile帽os como lo son otras ciudades colombianas) se realiza, todos los a帽os, desde 2008, un encuentro internacional de lectores, investigadores y amigos de Cioran. Al lado del coloquio internacional en Sibiu (ligado a la Universidad Lucian Blaga en Rumania), el Encuentro Internacional Emil Cioran en Pereira se destaca como uno de los eventos m谩s importantes del mundo dedicados a Cioran. 驴Por qu茅 un congreso sobre ese pensador? Es decir, 驴cu谩l es el sentido de dicha iniciativa? 驴Qu茅 tiene Cioran para ofrecer a los colombianos, a los brasile帽os y a los latinoamericanos en general, en t茅rminos de pensamiento y vida? 驴C贸mo ha sido la recepci贸n de la obra cioraniana en Colombia?

Alfredo Abad: 聽A veces solemos dar mucha importancia a lo que nos resulta ex贸tico, en este caso, al hecho de que en Colombia, y en una ciudad de provincia, se celebre anualmente un acto acad茅mico sobre Cioran. Yo s贸lo podr铆a explicar este hecho a partir del inter茅s que Liliana Herrera 鈥 gestora del evento- ha involucrado dentro de la realizaci贸n del mismo. No creo que haya necesidad de ir a buscar otro tipo de respuesta que, en todo caso, resultar铆a innecesaria y poco ilustrativa. Me refiero al por qu茅 del inter茅s por Cioran aqu铆, o cu谩les podr铆an ser las congruencias entre su contexto y el nuestro, etc. Frente a ese tipo de aproximaciones pueden inventarse numerosas alusiones que en realidad no dar铆an en el blanco. Yo simplemente asumo a Cioran como un gran provocador, desde el punto de vista filos贸fico, y eso llega a cualquier hombre a quien le interesen las cuestiones centrales de una historia que comienza aun antes de los griegos. A veces me ha parecido un tanto ins贸lito el por qu茅 se pregunta alguien acerca del inter茅s por Cioran. Nos interesa porque 茅l realmente centra su pensamiento en cuestiones que inquietan al hombre de cualquier sitio o 茅poca, y de esa manera, cobra todo el sentido el que cualquier lector se interese ante una amplitud como la que proporciona su obra. No me sorprende en absoluto que aqu铆 se celebre un congreso, me sorprende el que no se realicen tantos como lo amerita el autor, puesto que su obra es bien conocida en muchas latitudes. De cualquier manera, s铆 hay eventos sobre el autor en Francia, en Espa帽a, en Italia, aunque no sean peri贸dicos.

Obviamente, su nombre no es tan famoso como ocurre con otro tipo de autores, pero yo creo que la filosof铆a es mucho m谩s que una cuesti贸n de mainstream. De hecho, en algunas oportunidades, 茅ste implica una cierta superficialidad en la interpretaci贸n, ciertos clich茅s que se vuelven de dominio com煤n como pasa a veces con el propio Cioran. De cualquier manera, y este es uno de los cometidos del encuentro, se trata de asimilar el esp铆ritu de la obra cioraniana, la cual es abiertamente antiacad茅mica y por ende, m谩s que una escol谩stica sobre su obra, se intenta concebir y vivir su legado desde un 谩mbito problem谩tico y cr铆tico, fiel a la praxis que demanda. Los atributos te贸ricos por supuesto son importantes, aunque a veces puedan llegar a ser objeto de discusiones poco f茅rtiles que interesan m谩s al especialista sin alma en que se puede convertir quien frente a la filosof铆a, act煤e ajeno a la vida, de espaldas a ella. En ning煤n caso, Cioran representa este 煤ltimo.

Resaltar el aspecto contra-acad茅mico de su pensamiento puede llegar a ser contradictorio, m谩xime si se hace desde la academia. Sin embargo, la universidad no es necesariamente un foco estatal que se ci帽a a una rigurosidad o encasillamiento en el cual no haya espacio para la discusi贸n libre. Probablemente esta idea se desprenda de las estrechas visiones a que se somete cuando autores como el propio Cioran concibe la filosof铆a universitaria como un foco de anquilosamiento. Es necesario ubicar el sentido de este tipo de cr铆ticas en sus justas proporciones. No se trata de asimilar el 谩mbito filos贸fico universitario como si por esencia, 茅ste estuviera circunscrito a una tarea burocr谩tica, estatal, y por ende, no-libre. Justamente por eso, hay que recordar su cr铆tica, no para asumir una actitud casi pueril de rechazar la academia, sino para encaminarla hacia aspectos que hagan de la filosof铆a un 谩mbito amplio, ligada a esa idea que precisamente hace de ella un prop贸sito formativo que dialogue con el p煤blico especializado y no especializado. As铆 est谩 concebido el encuentro sobre Cioran.

EMCioran/Br: Est谩 realizando una tesis doctoral sobre Friedrich Nietzsche. 驴Podr铆a decirnos algo sobre la tem谩tica y el objetivo de su investigaci贸n sobre el fil贸sofo alem谩n? Nietzsche es muy estudiado en la academia (en Brasil como en todo el mundo), y, adem谩s, tambi茅n es un autor relativamente 鈥減opular鈥 m谩s all谩 de los c铆rculos acad茅micos, aspecto del que difiere de Cioran. 驴Ser铆a s贸lo una cuesti贸n de tiempo, puesto que Cioran es un autor relativamente reciente (ha fallecido en 1995), o quiz谩s tendr铆a algo que ver con el tenor, con la naturaleza misma de los escritos de Cioran, con alg煤n rasgo de su pensamiento que, distinto a Nietzsche, lo vuelve m谩s 鈥渉ostil鈥 a los estudios acad茅micos sobre todo en filosof铆a?

Alfredo Abad: No deja de seducirme el hecho de que la filosof铆a nietzscheana sea una perspectiva tr谩gica. Eso lo hace ajeno a la gran mayor铆a de fil贸sofos. Su obra est谩 signada por la paradoja y la problematicidad que demanda el acercamiento a la ontolog铆a, la epistemolog铆a, la 茅tica, la antropolog铆a y por supuesto, la est茅tica. Yo creo que desligar cada uno de estos dominios en Nietzsche no permitir铆a dimensionar cabalmente el sentido de lo que en t茅rminos griegos define una physis tr谩gica, es decir, una concepci贸n antidial茅ctica e inaprensible que est谩 inscrita en su pensamiento. Una metaf铆sica al rev茅s, pero a煤n metaf铆sica, es lo que en Nietzsche se despliega totalmente, un laberinto no apto para quien busque salidas o respuestas que clarifiquen el sentido. Nietzsche, como lo ha definido N. G贸mez D谩vila, es una interrogaci贸n inmensa.

Nietzsche y Cioran han padecido ya muchas interpretaciones que los relacionan. Se pueden extraer en efecto un sinn煤mero de alusiones en donde sea posible encontrar puntos de encuentro, tanto en el 谩mbito te贸rico de lo que representa su pensamiento, como en cuanto al estilo fragmentario etc. Sin embargo, yo creo que el cometido y las posturas de cada uno pueden ubicarse en las ant铆podas. Es cierto que Cioran tiene una fascinaci贸n por Nietzsche, principalmente en su juventud, pero no me cabe la menor duda de que la visi贸n pesimista y por ende, schopenhaueriana que Cioran demarca en su obra, choca con el esp铆ritu vital y, desde el punto de vista cioraniano, optimista, de Nietzsche. 脡ste 煤ltimo no podr铆a estimarse como esc茅ptico, es decir, cree y tiene confianza en el hombre, es claro que en Nietzsche existe un humanismo que si bien es ajeno al de la Ilustraci贸n racionalista, manifiesta una tendencia hacia la consecuci贸n de una utop铆a que la 贸ptica cioraniana niega.

Ambos autores eso s铆, coinciden en la fuerza de su escritura, en la manera como se desligan de las m谩rgenes en que suele estar sometida cuando se invocan ciertos par谩metros de tipo acad茅mico. No obstante, Nietzsche est谩 constantemente dialogando con la tradici贸n, tanto cl谩sica como contempor谩nea, pues muchos de los asuntos sobre los que apunta su obra est谩n determinados por las lecturas de fil贸sofos, cient铆ficos y literatos a煤n decimon贸nicos. En Cioran acontece algo distinto, y no me refiero a que en su obra no haya un di谩logo con el pasado, pero 茅ste se hace de una manera distinta, un poco m谩s arraigada en aspectos cotidianos. Desde esta perspectiva, Cioran es mucho m谩s directo que Nietzsche, pues sus textos est谩n determinados por acontecimientos que nacen a trav茅s de la descripci贸n de lo vivido. Nietzsche por el contrario, est谩 sumido en un mundo m谩s acorde al que suele haber sido el de los fil贸sofos, es decir, est谩 concibiendo una cr铆tica y un terreno propositivo que exige otro nivel, ligado a la tradici贸n y por ende, a los gustos acad茅micos. Se trata de la manera como ya no simplemente describe como lo hace el moralista que es Cioran, para pasar a ser un fil贸sofo comprometido con una determinada visi贸n de mundo, concebida por 茅l claro, pero ligada a una creaci贸n o interpretaci贸n de la cual se espera algo. Esta relaci贸n se concibe en un primer caso desde el 谩mbito cr铆tico, se mueve a partir de la descripci贸n y anatematizaci贸n que Nietzsche realiza de la cultura cristiana, de la democracia, del romanticismo como distanciamiento del clasicismo; pero tambi茅n aparece el Nietzsche propositivo, comprometido a煤n desde su juventud con el proyecto de un mundo tr谩gico que ya fuese anclado a su primera admiraci贸n por Wagner o a la animadversi贸n subsiguiente por el compositor, define un escenario por el cual Cioran en ning煤n momento se mueve: el del compromiso y la confianza.

EMCioran/Br: En su art铆culo sobre Cioran (鈥淭hinking against oneself: reflections on Cioran鈥), Susan Sontag afirma que Cioran viene tras Nietzsche, quien estableci贸 casi la totalidad de la posici贸n de Cioran hace un siglo. Una pregunta interesante: 驴por qu茅 una mente sutil y potente consiente en decir lo que, en gran parte, ya ha sido dicho? Cualquiera que sea la respuesta, el 鈥榟echo鈥 de Nietzsche tiene consecuencias innegables para Cioran. 脡l debe apretar los tornillos, volver m谩s denso el argumento. M谩s atroz. M谩s ret贸rico.鈥 (SONTAG, Styles of Radical Will). 驴C贸mo interpretas el comentario de Sontag? 驴Te parece justificado? 驴Es justo reducir Cioran a un ep铆gono de Nietzsche, a un pensador post-nietzscheano sin ning煤n valor propio (o casi ning煤n) y que ser铆a tan solo un continuador de la filosof铆a nietzscheana? A prop贸sito, consider谩ndose la obra del rumano como un todo (sobre todo sus libros franceses), 驴no es bastante cuestionable la filiaci贸n nietzscheana que suele atribuirse a Cioran?

Alfredo Abad: En primer lugar no creo que Sontag quiera ubicar a Cioran s贸lo como un ep铆gono de Nietzsche, de otra manera no subrayar铆a algunas distinciones entre ambos. Es cierto que existen algunas coincidencias, entre otras, el car谩cter personal, individual y antiacad茅mico de su labor, sin embargo, tal como lo se帽al茅 en la anterior pregunta, creo que es m谩s grande la brecha abierta por las diferencias entre ambos, aspecto que ciertamente el texto de Sontag no acoge.

Es posible hacer un balance que pueda determinar la deuda que el rumano tiene para con Nietzsche, aunque de cualquier forma, a pesar de lo que en primera instancia pudiese ser considerado, no creo que sea mucha. Aspectos tan importantes como la religiosidad equ铆voca de Cioran y el marginamiento ideol贸gico y propositivo de su filosof铆a, hacen que el caudal por el que transitan ambos pensadores tenga destinos distintos. El pensamiento cioraniano refleja la inquietud acerca del聽 desasosiego que caracteriza el marginamiento y soledad del hombre que ha perdido todo v铆nculo con la trascendencia. El propio Cioran lamenta esta condici贸n, expone toda carencia de validez dentro de la existencia en tanto no puede brindar un sentido definitivo que otorgue una salida a la condici贸n de completo abandono en el que se ve a s铆 mismo. Textos como El 脕rbol de vida de La ca铆da en el tiempo, el cual me parece fundamental dentro de toda su obra, dan cuenta de esta condici贸n en la que se interpreta la naturaleza humana como una fractura que no puede componerse. Si bien la obra cioraniana conduce a trav茅s de unas etapas de depuraci贸n escritural, de estilo, de ciertos intereses, es claro que en ning煤n caso podr铆a exponerse que cualquiera de sus libros se extraiga de la asimilaci贸n antropol贸gica de una criatura marginada y perdida, sin salida alguna. Es probable que su juvenil desesperaci贸n converja en un escepticismo de la etapa de madurez cada vez m谩s equilibrado y envolvente, pero a煤n as铆, el descr茅dito antropol贸gico s贸lo es a veces reemplazado por consideraciones ir贸nicas que ilustran no tanto un paso a una mirada positiva sino a una resignaci贸n o lucidez sostenidas hasta el 煤ltimo de sus textos.

S铆 podr铆a mencionarse el impacto escritural y fragmentario que Nietzsche tiene dentro de Cioran. Este punto, el cual es reconocido por el propio rumano, es fundamental; es algo que no puede ser negado puesto que el car谩cter fragmentario y parad贸jico de la escritura lo seduce por completo. De hecho las fuentes pueden ser rastreadas, en ambos autores, hasta los moralistas franceses, pero el car谩cter inmediato, directo y antisistem谩tico de la escritura nietzscheana es algo que est谩 espec铆ficamente ubicado dentro del programa esc茅ptico de Cioran.

Muchas veces a ambos autores se les suele asignar una l铆nea com煤n a partir del compromiso que sugiere su pars destruens, es decir, el manifiesto b茅lico y subversor que implica la lectura de los dos pensadores en contra de la tradici贸n filos贸fica y metaf铆sica. Sin embargo, hay tambi茅n una pars construens en Nietzsche, no en Cioran, y tal como lo ha explicitado C. Rosset (El descontento de Cioran) en relaci贸n a la no pertenencia de Cioran a ning煤n compromiso ideol贸gico o program谩tico, permite que esta particularidad lo extraiga de cualquier inmersi贸n que intente construir un referente de pensamiento. Su descontento es total, no as铆 en Nietzsche.

EMCioran/Br: Nietzsche diagnostic贸 el nihilismo como el problema-desaf铆o fundamental de toda una cultura, de toda una civilizaci贸n 鈥 la nuestra. Ciertamente el tema del nihilismo est谩 presente en los escritos cioranianos, aunque en Cioran el concepto no posea el status te贸rico que tiene en la reflexi贸n de Nietzsche (sobre todo en sus escritos tard铆os) 驴Ser铆a el rumano un nihilista? 驴C贸mo interpretar a Cioran en lo que respecta a la cuesti贸n del nihilismo trabajada y divulgada por Nietzsche?

Alfredo Abad: Me parece que la tem谩tica del nihilismo es imprescindible para descubrir las diferencias entre ambos autores. Al leer el descontento que signa la obra del rumano, es identificable la marca que deja ver su car谩cter nihilista desde una 贸ptica nietzscheana. La gran contradicci贸n que se ilustra en torno a estas figuras puede concretarse en el rechazo y acogimiento pleno que respectivamente brindan al respecto de la voluntad, de la acci贸n, del devenir. Hay muchas ideas de lo que puede llegar a ser concebido como nihilismo. En este caso, hago referencia al sentido atribuido por Nietzsche de la negaci贸n vital, tal como est谩 concebida en la obra cioraniana al verse ajena y frustrada frente al car谩cter ateleol贸gico del mundo. El de Cioran es un pensamiento que como 茅l mismo lo ha consignado en una entrevista, abomina de todo lo que ha acontecido desde Ad谩n. Esta apreciaci贸n no tiene que ver con una cr铆tica en el sentido de intentar vislumbrar otra posibilidad frente a un estado de cosas. El de Cioran es un pensamiento que no cree en el progreso porque define una incompetencia antropol贸gica consustancial que no puede ser cambiada, un vice de nature que conlleva a un pesimismo radical. Y con ello no intento asumir que Nietzsche crea en el progreso (al menos la idea que de 茅l nos leg贸 La Ilustraci贸n), mas s铆 que su pensamiento bendice, con una actitud radicalmente distinta, el componente irracional y tr谩gico frente al cual Cioran tiene una perspectiva equ铆voca.

Es por ello que el nihilismo en el autor alem谩n se convierte en una oportunidad de concebir otra experiencia vital, mientras en el rumano no es m谩s que la confirmaci贸n de una enfermedad sin cura: el hombre. Se trata pues de dos miradas completamente distintas, enfatizando claro est谩, en el hecho de que el concepto de nihilismo en Nietzsche es mucho m谩s amplio, no est谩 circunscrito a una experiencia eminentemente antropol贸gica sino cultural. En alguna oportunidad, Cioran asume que su pensamiento m谩s que nihilista es esc茅ptico, indicando el hecho de que hablar de nihilismo estar铆a vinculado a un compromiso (un programa) con la nada. Por supuesto, se trata de una manera de asumir la perspectiva de desconfianza absoluta por el hombre. En ese sentido Cioran ser铆a, desde una 贸ptica nietzscheana y vital, un nihilista. Este aspecto puede problematizarse claro est谩, sobre todo a la hora de involucrarse el campo jovial que tambi茅n tiene el rumano, sin embargo, hay cierto viso de resentimiento circunscrito en las palabras de quien en ning煤n caso ha podido transigir con su entorno, como es el caso de Cioran.

EMCioran/Br: En otra entrevista, Jos茅 Ignacio N谩jera (autor de El universo malogrado de Cioran) cita al pensador y escritor colombiano Nicol谩s G贸mez D谩vila, al cual el fil贸sofo marroqu铆 radicado en Espa帽a aproxima a Cioran, puesto que ambos poseer铆an 鈥渦na sabidur铆a que puede ser v谩lida para todos鈥. Dice N谩jera que, 鈥渁l leerlos te olvidas de su ubicaci贸n, quiz谩 porque te llevan a un territorio m谩s aut茅ntico, si esto puede decirse, que el de la izquierda o la derecha, el territorio de nadie鈥. Usted ha publicado un libro sobre G贸mez D谩vila, (Pensar lo impl铆cito: en torno a G贸mez D谩vila, 2008). Qu茅 habr铆a de com煤n entre el colombiano y el rumano? 驴Podr铆a hacer una breve introducci贸n de ese pensador colombiano a los lectores brasile帽os de Cioran (y adem谩s a todos de habla portuguesa)?

Alfredo Abad: Nicol谩s G贸mez D谩vila es un pensador absolutamente inclasificable. Los apelativos con que suele ser catalogado no necesariamente son inexactos pero no alcanzan a circunscribir totalmente el campo f茅rtil que se encuentra en su obra. A veces suele clasificarse como cat贸lico, reaccionario, cr铆tico de la modernidad, moralista; todos estos puntos dicen algo de lo que representa, mas el car谩cter parad贸jico y problem谩tico de su pensamiento es algo que poco suele ser tenido en cuenta, es decir, la posibilidad de encontrar en 茅l un referente para pensar, no para satisfacer conversos. Desde este punto de vista la obra gomezdaviliana se abre ante la filosof铆a actual como un referente desde el cual se puede acceder a un pensador original y poco legible desde las posturas contempor谩neas.

Su pensamiento se funda en un contexto que podr铆a definirse como cl谩sico, para m铆 es un autor cuya filosof铆a est谩 instaurada en un camino que se abre en el clasisismo griego, aspecto que se configura tambi茅n en su religiosidad. Pero adem谩s de eso, el aspecto cr铆tico es quiz谩 lo que m谩s atrae mi atenci贸n. Es un pensador poco convencional, con un estilo propio, ajeno a cualquier convencionalismo intelectual, es un autor que efectivamente, puede ser le铆do por cualquiera que, m谩s all谩 de prejuicios diversos, pueda evidenciar su caudal cr铆tico.

Es un reaccionario que critica tanto la izquierda como la derecha; un hombre religioso mas al mismo tiempo, inmerso en la realidad plena de la sensualidad; un pensador con una ideolog铆a clara y jer谩rquica que al mismo tiempo es expuesta a trav茅s de fragmentos; un cat贸lico ferviente cr铆tico de la Iglesia postconciliar; y adem谩s de eso, un gran escritor, su estilo es impecable. No creo que exista en ninguna lengua una tal contundencia a la hora de emitir sus juicios. Cada quien puede compararlo con otro escritor, y de hecho, son muchas las alusiones en este sentido, al declararlo heredero o cercano a otros autores que han escrito de manera an谩loga. As铆, se ha dicho que Cioran o Nietzsche pueden estimarse como referentes importantes, y en efecto, hay algunas similitudes. Sin embargo, asumir esta clase de acercamientos no alcanza a dimensionar el sentido de su estilo. Es claro que el moralismo franc茅s tiene una influencia mucho mayor que los autores citados, pero aun as铆, el de G贸mez D谩vila representa por s铆 solo una muy original expresi贸n que considero la m谩s alta expresi贸n de la literatura fragmentaria. Sus sentencias tienen una caracter铆stica muy dif铆cil de lograr en el sentido de acoger tanto la forma como el contenido, logrando que ambos se fusionen con gran acierto. Lejos de la a veces abstracta y equ铆voca presentaci贸n de los fragmentos de Lichtenberg o Nietzsche, G贸mez D谩vila tiene la peculiaridad de presentar una l铆nea muy definida en sus Escolios a un texto impl铆cito (aspecto que no se revela en Notas su primer libro) proyectando por ende, un afianzamiento estil铆stico que no desaparece ya, y que corrobora la manera en que pule su frase, perfil谩ndola de manera muy rigurosa. En este aspecto se revela tambi茅n la muy recurrida manera en que el autor liga el aspecto metaf贸rico y conceptual, sin que ninguno de los dos se entronice, sino que ambos fluyen parejos, manifest谩ndose as铆 la singularidad del escritor.

Ahora bien, si cotej谩ramos su pensamiento con el de Cioran, probablemente encontremos muchas similitudes, quiz谩 la principal, el car谩cter desencantado frente al hombre, su itinerario al margen del progreso y su poca fe en una opci贸n de cambio positivo. As铆 lo deja consignado en un escolio 鈥淓l hombre ya no sabe si la bomba de hidr贸geno es el horror final o la 煤ltima esperanza鈥. Igualmente, creo que el autor colombiano, al igual que Cioran, se encuentra en un espacio en el que puede ser apreciado desde una 贸ptica ajena a los ismos, es un pensamiento universal y cr铆tico.

EMCioran/Br: Una curiosidad que siempre tengo respecto a los lectores y quienes aprecian la obra de Cioran: 驴cu谩ndo y c贸mo ha conocido a Cioran? 驴Qu茅 le atrajo de 茅l?

Alfredo Abad: Le铆 por primera vez a Cioran en 1996, 茅l hab铆a muerto el a帽o anterior y como siempre sucede, algo de publicidad alrededor del autor aparece justo despu茅s. Recuerdo que el texto era La degradaci贸n por el trabajo, el cual est谩 en su primer libro. Cualquiera que hablara as铆 acerca de la automatizaci贸n que generan las labores cotidianas y por ende, hiciera una exaltaci贸n del ocio, tendr铆a que decir mucho m谩s, algo que seguramente no me iba a defraudar. El resto de las lecturas por ende, se asumen como el acercamiento a un pensador que est谩 sincer谩ndose ante sus limitaciones, ante sus fracasos. Es por ello que la lectura de Cioran reconforta por cuanto describe algo inherente al ser humano: su inquietud y vac铆o. As铆 puede comprenderse tambi茅n el car谩cter terap茅utico de su obra. Si bien te贸ricamente es un pensamiento pesimista y nihilista, algo acontece con su lectura en un orden totalmente distinto, se vuelve un acto jovial. Este equ铆voco o mejor, aspecto parad贸jico, nunca ha dejado de impactarme, por cuanto el humor que se deriva de su escritura es bastante atrayente. Sin la risa, no se comprende a Cioran, no se alcanza a acoger. En la pr谩ctica pues, hay una jovialidad que no puede dejarse a un lado y cualquier lector debe estar atento a esta peculiaridad.

EMCioran/Br: 驴Un libro favorito de Cioran (o m谩s de uno)?

Alfredo Abad: Es dif铆cil elegir uno, pero Breviario de podredumbre podr铆a considerarse como un texto en el cual converge gran parte de su pensamiento, por ello lo elegir铆a.聽 All铆 est谩 concentrado su escepticismo, su misticismo, su humor etc. Fue su primer libro en franc茅s y quiz谩 uno de los m谩s tortuosos, fue reescrito varias veces debido principalmente a lo que signific贸 el cambio de lengua. El estilo all铆 consignado es maravilloso.

EMCioran/Br: Prof. Alfredo, muchas gracias por esta entrevista. Antes de cerrar, le doy la palabra para dejar alg煤n mensaje final respecto a Cioran, a Nietzsche, a G贸mez D谩vila, a su esplendido pa铆s, Colombia鈥

Alfredo Abad:聽La lectura de estos tres pensadores, como acontece con todo gran fil贸sofo, es problem谩tica. Con ello quiero decir que no encuentro en ellos una salida, un 谩mbito desde el cual pueda concebir un tipo de acercamiento que d茅 respuesta a los interrogantes que constantemente el hombre realiza sobre s铆, sobre su entorno. Los veo a todos ellos como agentes de un tipo de filosof铆a que, de acuerdo claro est谩 al inter茅s del lector, genera la posibilidad de continuar interrogando, de circunscribir el asombro.

Por 煤ltimo, agradezco la oportunidad que este portal brinda para dialogar sobre estos autores.

Pereira, Colombia – S茫o Paulo, Brasil
Fevereiro de 2014

VI Encontro Internacional Emil Cioran

Pereira, Col么mbia, outubro/novembro de 2013

Entre 31 de outubro e 5 de novembro de 2013, aconteceu, na cidade colombiana de Pereira, a 6陋 edi莽茫o do Encuentro Internacional Emil Cioran, um dos mais importantes eventos mundiais dedicados aos estudos sobre o hom么nimo pensador romeno radicado na Fran莽a. O congresso, organizado pela fil贸sofa M. Liliana Herrera e vinculado ao departamento de Filosofia da Universidade Tecnol贸gica de Pereira (UTP), onde Herrera leciona filosofia, contou com a presen莽a de acad锚micos nacionais e internacionais que se dedicam a estudar e a divulgar a obra de Cioran.

VI Encuentro Internacional Emil Cioran (Pereira, Col么mbia)
VI Encuentro Internacional Emil Cioran (Pereira, Col么mbia)

Foram no total 4 dias de confer锚ncias sobre os mais variados temas que comp玫em o pensamento caleidosc贸pico de Cioran, de um intenso e envolvente debate em torno de sua obra e vida. Comentarei aqui apenas algumas das confer锚ncias ocorridas nos dois primeiros dias.

VI Encuentro Internacional Emil Cioran em Pereira, Col么mbia (divulga莽茫o)
VI Encuentro Internacional Emil Cioran em Pereira, Col么mbia (divulga莽茫o)

Coube 脿 Profa. M. Liliana Herrera as honras de dar boas-vindas aos participantes, abrindo oficialmente o congresso. A abertura tamb茅m contou com a performance da pianista romena Viktoria Gumennaia, residente na Col么mbia, que nos agraciou com uma amostra daquela que seria a 鈥減aisagem musical鈥 da Rom锚nia. Gumennaia tocou ao piano alguns temas tradicionais da cultura musical romena, estimulando nossos sentidos para a ess锚ncia do esp铆rito romeno atrav茅s da forma de arte que Cioran mais amava.

Joan M. Mar铆n Torres (Valencia, Espanha)
Joan M. Mar铆n Torres (Universitat Jaume I, Castell贸 de la Plana, Espanha)

Abrindo os trabalhos no primeiro dia, Joan Manuel Mar铆n Torres (autor de Cioran o el laberinto de la fatalidad) falou sobre a paix茫o de Cioran pela Espanha em confer锚ncia intitulada 鈥淐ioran: enso帽aciones de Espa帽a鈥. Mar铆n problematizou e esclareceu a imagem cioraniana da Espanha, os motivos e as circunst芒ncias de seu interesse pelo pa铆s de Miguel de Cervantes. Mencionou o fato de que, antes de ir 脿 Alemanha, Cioran contemplava a Espanha como destino de estudo, onde pretendia seguir os cursos de Jos茅 Ortega y Gasset. O romeno teria visitado a Espanha 8 vezes no total, incluindo sua estadia na praia de Talamanca (Ibiza) da qual resultaria o pouco conhecido Cahiers de Talamanca. Mencionou tamb茅m o primeiro encontro que Cioran teve, ainda jovem, com um espanhol (supostamente um disc铆pulo do fil贸sofo Miguel de Unamuno), que lhe teria dito: 鈥渕e gusta la muerte y el sublime鈥 (sic). A atra莽茫o do romeno pelos m铆sticos espanh贸is n茫o poderia passar em branco. 鈥淐ioran tinha tr锚s nacionalidades: a romena, a francesa e a romena; demasiado para um intelectual que se pretendia ap谩trida鈥, brincou.

Mihaela-Gen牛iana Stani葯or (Universidade Lucian Blaga, Sibiu)
Mihaela-Gen牛iana Stani葯or (Universidade Lucian Blaga, Sibiu)

Mihaela-Gen牛iana Stani葯or, por sua vez, tratou da quest茫o da 鈥渞omenidade鈥, ou seja, daquela que seria a identidade romena em sua especificidade cultural, tendo como refer锚ncias tr锚s grandes nomes da cultura de seu pa铆s: Mihai Eminescu, Lucian Blaga e Constantin Noica. Eminescu teria sido o primeiro a promover a ideia de uma 鈥渃onsci锚ncia da romenidade鈥, notadamente em seu poema intitulado 鈥淎 ora莽茫o de um d谩cio鈥. Mencionou o mito da Miori牛a, que seria t茫o significativo para os romenos quanto o 茅 Dom Quixote para os espanh贸is. Stani葯or apresentou e explicou algumas entidades lingu铆sticas mais distintivas da cultura romena, e que seriam, por assim dizer, distintivas do esp铆rito romeno. Como as palavras dor (pronuncia-se 鈥渄贸r鈥 correspondendo 脿 nossa saudade, ou nostalgia) e bocete, que designa, por sua vez, uma esp茅cie de elegia, um canto f煤nebre bastante t铆pico. Outra contribui莽茫o lingu铆stico-cultural da fil贸loga romena oriunda de Sibiu, na Transilv芒nia, diz respeito 脿 preposi莽茫o 卯ntru (t茫o dif铆cil de ser traduzida quanto compreendida em sua amplitude sem芒ntica), que seria bastante elucidativa a respeito do espa莽o vital romeno. Esta preposi莽茫o seria, segundo Stanisor, especialmente significativa no sentido de ilustrar aquela que seria a 鈥渧irtude polivalente鈥 do esp铆rito romeno, ou seja, a qualidade especial de certa din芒mica vital gra莽as 脿 qual os romenos seriam um povo t茫o espiritualmente rico. 聽脦ntru denota, ao mesmo tempo, as no莽玫es de posi莽茫o e de dire莽茫o, isto 茅, ao mesmo tempo um 鈥渆star鈥 (ou ser) e um 鈥渆m dire莽茫o a鈥 (a caminho de…, no sentido de…), o que seria muito significativo, no plano abstrato da linguagem, no que diz respeito ao fundo tr谩gico do esp铆rito romeno 鈥 verticalidade e horizontalidade em permanente tens茫o. Um dos dizeres mais populares na Rom锚nia, e que seria bastante revelador da alma do seu povo, 茅: 鈥淣-a fost s菐 fie鈥 (N茫o era para ser; it wasn鈥檛 meant to be, em ingl锚s).

Roch Little (Universidad Nacional de Bogot谩)
Roch Little (Universidad Nacional de Bogot谩)

Muito interessante foi a confer锚ncia de Roch Little, historiador e fil贸sofo canadense estabelecido na Col么mbia, onde leciona na Universidade Nacional de Bogot谩. Ele se disp么s a analisar aqueles que seriam os 鈥渕otivos c铆nicos鈥 a animar a obra cioraniana. Sua confer锚ncia teve como ponto de partida o verbete 鈥減essimismo鈥 redigido por Michel Onfray em seu 鈥渄icion谩rio hedonista鈥 (Abr茅g茅 H茅doniste), no qual o fil贸sofo franc锚s inclui Cioran, junto a Schopenhauer e Leopardi, como um representante da respectiva categoria. Onfray parece veementemente cr铆tico, em particular, a respeito do maior fil贸sofo alem茫o pessimista: segundo ele, um poseur. Pessimistas como Schopenhauer seriam como que farsantes, impostores, pensadores incoerentes que vivem em permanente contradi莽茫o com aquilo que pregam com suas palavras. A tese central de Little 茅 que, muito embora inclua a Cioran no hall dos pessimistas chor玫es do qual Schopenhauer seria o mais ilustre exemplar, Onfray se mostra reticente em rela莽茫o ao romeno, o que levaria a inferir que possivelmente reconhece em Cioran uma qualidade que dificilmente enxerga no autor de O mundo como vontade e como representa莽茫o. Cioran se distinguiria de Schopenhauer justamente pelo fator poseur, impostor, farsante, que Onfray tanto critica em Schopenhauer, mas que no caso do pensador romeno seria uma atitude ironicamente assumida, em nenhuma contradi莽茫o com aquilo que pensa e escreve. Sua sempiterna dist芒ncia em rela莽茫o 脿 academia, sua marginalidade conquistada, o desejo de anonimato, a recusa de honrarias e pr锚mios, dos quais aceitou apenas o primeiro (por uma raz茫o bastante compreens铆vel de uma perspectiva c铆nica: necessitava do dinheiro para sobreviver em Paris) 鈥 eis a diferen莽a fundamental que, segundo Little, seria decisiva para o sil锚ncio de Onfray em rela莽茫o a Cioran. Por fim, o canadense estabelecido na Col么mbia identificou alguns motivos c铆nicos no pensamento de Cioran, como a ascese c铆nica (o ideal de uma vida simples sem trabalhar no circuito da civiliza莽茫o), o 鈥渞ealismo cru鈥 da parrhesia, isto 茅, a sinceridade nua e crua, o dizer-a-verdade-doa-a-quem-doer, a bufonaria 脿 la Di贸genes, entre outros.

Francia Elena Goenaga, da Universidad de los Andes, abordou a 鈥渘o莽茫o de para铆so nos Cahiers de Cioran鈥. Recorrendo a refer锚ncias como Mary Shelley, Ren茅 Char, Starobinski, entre outras, examinou o bin么mio criatura-criador no quadro de um uma reflex茫o sobre a nostalgia do para铆so (鈥渁 grande responsabilidade do criador 茅 fazer com que a criatura seja feliz鈥), a imagem da 鈥渜ueda鈥 como figura para dar sentido 脿 condi莽茫o humana tragicamente consciente de sua finitude e mortalidade (Char), a melancolia como sentimento fundamental produzido pela 鈥渜ueda no tempo鈥, intimamente ligado 脿 nostalgia do para铆so perdido (Starobinski).

Hugo Pel谩ez (Sevilla, Villa de Cauca)
Hugo Pel谩ez (Sevilla, Villa de Cauca)

Hugo Pel谩ez, de Sevilla, Villa de Cauca (Col么mbia), brindou o p煤blico com uma confer锚ncia sobre o 鈥淓mil Cioran e o feiti莽o musical鈥. Citando a fil贸sofa espanhola Mar铆a Zambrano (鈥淓l lugar donde la esperanza se h谩 refugiado de manera m谩s confiada es la utop铆a鈥), que inspirou Cioran, a partir de uma conversa que tiveram no Caf茅 de Flore, em Paris, ao final da d茅cada de 50, Pel谩ez desenvolveu a tese de que o pessimismo de Cioran assinala o fracasso da utopia, que, no entanto, o pensador romeno reencontrar谩 na m煤sica, a 鈥渁rte do absoluto鈥. 鈥淪贸 agimos sob a fascina莽茫o do imposs铆vel: isto significa que uma sociedade incapaz de gerar uma utopia e de consagrar-se a ela est谩 amea莽ada de esclerose e de ru铆na鈥, cita Pel谩ez uma passagem do ensaio 鈥淢ecanismos da Utopia鈥, do livro Hist贸ria e Utopia (1960). Segundo o intelectual sevillano, s贸 teve uma 煤nica certeza: a m煤sica, 鈥渁rte do consolo por excel锚ncia.鈥 Ademais, Pel谩ez comentou a paix茫o especial de Cioran por Bach e as afinidades entre os pensamentos do romeno e da espanhola no que concerne ao tema da utopia, concebido em sentido latu muito al茅m do sentido hist贸rico. A civiliza莽茫o tem muito mais a ver com a m煤sica do que com a arquitetura e com as institui莽玫es pol铆ticas e sociais, diriam ambos.

Rodrigo Menezes (PUC-SP)
Rodrigo Menezes (PUC-SP)

Rodrigo Menezes, doutorando em Filosofia pela Pontif铆cia Universidade de S茫o Paulo (PUC-SP) com uma tese sobre 鈥渘iilismo, escritura e exist锚ncia鈥 em Cioran, foi o 煤ltimo conferencista do primeiro dia, com uma comunica莽茫o sobre o dogmatismo negativo e o niilismo em Cioran. O brasileiro problematizou o ceticismo do pensador romeno confrontando-o com o pessimismo niilista que subsiste mesmo em seus livros franceses, apesar do ceticismo reivindicado por Cioran a partir do momento em que adota o franc锚s como idioma oficial. Nas ant铆podas da m煤sica, que seria como que o limite positivo da d煤vida, o fen么meno do mal 茅 outro tema sobre o qual o discurso cioraniano assume a forma de um logos dogm谩tico negativo. Conforme escreve Sylvie Jaudeau, 鈥淐ioran n茫o encontrou Deus, mas o mal. [鈥 Tenta comunicar-nos o seu saber funesto lan莽ando diante de nossos olhos essa parte de trevas que predomina e se perpetua at茅 no vest铆gio material de sua escritura… [鈥 A obra de Cioran, animada por uma vitalidade aut么noma, 茅, em si mesma, uma figura莽茫o do mal鈥. Como pensa Cioran, s贸 podemos escolher entre a ilus茫o e o desespero. O ceticismo 茅 um exerc铆cio de toler芒ncia mediante a disciplina da desfascina莽茫o (sendo que toda fascina莽茫o, para Cioran, possui um fundo egoc锚ntrico), mas n茫o 茅 uma sa铆da, uma resposta, uma solu莽茫o, pois n茫o pode oferecer nada nem de positivo de ne negativo. Seguimos ent茫o em um mundo em que 茅 imposs铆vel duvidar do mal, e onde inclusive a certeza da d煤vida 茅 um mal.

O segundo dia de trabalhos foi inaugurado com outra confer锚ncia de Roch Little, desta vez sobre 鈥渁 hist贸ria no pensamento de Cioran鈥. Little se concentrou em dois livros de Cioran, Hist贸ria e Utopia (1960) e A Queda no Tempo (1964), aproximando o pessimismo hist贸rico e a cr铆tica de Cioran 脿 modernidade da reflex茫o baudrillardiana sobre a hipermodernidade. Cioran ataca a ess锚ncia mesma do pensamento, que postula uma finalidade, um sentido, um prop贸sito para a hist贸ria. O fil贸sofo e historiador contrap么s a no莽茫o de queda em Cioran 脿quela de Kant e tamb茅m ao pensamento de Rousseau (Sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens).

Em seguida, mais uma confer锚ncia de Joan M. Mar铆n. Sua segunda comunica莽茫o abordou o tema de 鈥淓picuro e Cioran como terapeutas鈥. Um pensamento diurno, por um lado (Epicuro), e um pensamento noturno, por outro (Cioran); duas disposi莽玫es de esp铆rito e duas atitudes filos贸ficas opostas, mas cujos escritos t锚m em comum o sentido de certa terap锚utica do esp铆rito. Enquanto que a terap锚utica de Epicuro buscaria curar os esp铆ritos preconizando a modera莽茫o, a felicidade simples e arrazoada, aqui e agora, a terap锚utica cioraniana preconizaria a contradi莽茫o e o conflito, um estado de lucidez que purga as ilus玫es mas n茫o oferece, em contrapartida, nenhum rem茅dio, nenhuma cura positiva para o mal de existir.

M. Liliana Herrera (Universidad Tecnol贸gica de Pereira, Col么mbia)
M. Liliana Herrera (Universidad Tecnol贸gica de Pereira, Col么mbia)

Ainda no segundo dia, outra palestra de Mihaela-Gen牛iana Stani葯or: 鈥淎 escritura como posta em cena do pensamento desassossegado鈥. Este que foi um dos mais intensos e ricos dias de trabalhos do encontro internacional ocorrido em Pereira foi coroado com as 煤ltimas confer锚ncias do professor Alfredo Abad Torres e da professora Mar铆a Liliana Herrera, ambos da Universidad Tecnol贸gica de Pereira; respectivamente, uma reflex茫o a partir do di谩logo entre Cioran (notadamente o cap铆tulo 鈥淥disseia do Rancor鈥 de Hist贸ria e Utopia) e Dostoievski de Mem贸rias do Subsolo, e uma reflex茫o sobre 鈥渁 sulf煤rica transfigura莽茫o鈥 de Cioran, confer锚ncia que abordou de maneira ampla e aprofundada a quest茫o do passado pol铆tico de Cioran tendo como horizonte hermen锚utico a filosofia da hist贸ria de Oswald Spengler.