Jeff Koons, Anti-Cioran

Um ser sem duplicidade não possui profundidade e mistério; não esconde nada. Só a impureza é sinal de realidade. E se os santos não são inteiramente desprovidos de interesse, é que sua sublimidade mistura-se ao romance e sua eternidade presta-se à biografia; suas vidas indicam que abandonaram o mundo por um gênero suscetível de cativar-nos…

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“Retrato do civilizado” (E.M. Cioran)

“Portrait du civilisé” é o segundo ensaio de La chute dans le temps (1964),o primeiro sendo “L’arbre de vie” [A árvore da vida], no qual Cioran apresenta a sua exegese pouco ortodoxa do mito do pecado original. O ensaio aqui traduzido dialoga tanto com o livro anterior, História e Utopia (1960), quanto com o seguinte…

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O Mau Demiurgo: Cúmulo do “Veneno Abstrato”, ou Porque Coringa Não É Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“O bem-sucedido em tudo é necessariamente superficial. O fracasso é uma versão moderna do nada. Ao longo da minha vida, estive fascinado pelo fracasso. Um mínimo de desequilíbrio se impõe. Ao ser perfeitamente sadio física e psiquicamente falta um saber essencial. Uma saúde perfeita é a-espiritual.” (Entrevistas com Sylvie Jaudeau) “A única experiência profunda é…

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“Desejo e Horror da Glória” avant la lettre (E.M. Cioran)

“Désir et horreur de la gloire” é um dos ensaios que compõem La chute dans le temps (1964), livro que sucede diretamente a História e utopia (1960) no qual este tema (tão “adâmico”) já se encontra enunciado e problematizado, antecipando o que virá a seguir. Trata-se da dualidade-contradição — inconciliável — entre o desejo e…

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“Cioran, entre filosofia e poesia: ambivalência, hibridismo, temeridade” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Já que tudo o que se concebeu e empreendeu dede Adão é ou suspeito ou perigoso ou inútil, que fazer? Dessolidarizar-se da espécie? Seria esquecer que nunca se é homem tanto como quando se lamenta sê-lo.” (La chute dans le temps) O “pecado original” de Cioran é ser demasiado filósofo, pensador. Corrijo-me: é não ser…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 3] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Na primeira parte do livro, “Uma juventude entre desespero e fervor político”, Fiore perfaz o itinerário de formação do jovem Cioran na Romênia da década de 30, explorando a dualidade de uma juventude dividida entre o desespero existencial e o fervor político. Não se faz política nos cumes do desespero. Schimbarea la faţă a României – libelo político…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 2] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Na primeira parte do livro, “Uma juventude entre desespero e fervor político”, Fiore perfaz o itinerário de formação do jovem Cioran na Romênia da década de 30, explorando a dualidade de uma juventude dividida entre o desespero existencial e o fervor político. Não se faz política nos cumes do desespero. Schimbarea la faţă a României…

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“Aspectos políticos en la obra de Emil Michel Cioran” (Jorge Diego Mejía Cortés)

AINKAA – Revista de Estudiantes de Ciencia Política, vol. 2, no. 3, enero-junio 2018 Resumen: En ejunio de 2017 se cumplieron 22 años de la muerte de Emil Michel Cioran, controvertido filósofo y escritor rumano, cuya ideología proclive al criptofascismo, siempre suscitó debates entre los estudiosos de su obra. Aspectos como el aparente suicidio de…

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“Cioran, antípoda de Aristóteles” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

ARISTÓTELES, Tomás de Aquino, Hegel – três escravizadores do espírito. A pior forma de despotismo é o sistema, em filosofia e em tudo. (Do inconveniente de ter nascido) § Beckett, a propósito do Démiurge, me escreve: “Em vossas ruínas, eu me sinto ao abrigo.” (Cahiers) § Não existe filosofia criadora. A filosofia não cria nada. Quero dizer que ela…

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“Signos gnósticos nos cumes do desespero” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

O título, inspirado em manchetes sensacionalistas sobre casos de óbito por suicídio, não deixa de aludir também ao Desespero humano (1849) de Kierkegaard, avidamente estudado pelo jovem Cioran. Seria uma questão ociosa debater se Cioran é um kierkegaardiano que leu Nietzsche ou um nietzschiano que leu Kierkegaard. Muito embora tenha frequentado a escola de ambos,…

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“Do conhecimento religioso: sobre um texto de juventude e sua repercussão na obra de Cioran” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Além de um sentimento fundamental da existência, a categoria do religioso designa também um tipo especial de conhecimento, aquele que mais importa para Cioran. Num artigo publicado na Revista Teologică (1932), “A estrutura do conhecimento religioso“, o jovem estudante de filosofia na Universidade de Bucareste faz a crítica do racionalismo e afirma a “preeminência do…

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“Niilismo, existencialismo, gnose” (Franco Volpi)

A obra de Heidegger oferece, com certeza, fundamental contribuição para a análise do niilismo europeu. No entanto, em última instância, ela apresenta um paradoxo singular, que é também o paradoxo de uma parte importante do pensamento contemporâneo. Nela, com efeito, parecem tocar-se e conviver dois extremos incompatíveis: de um lado, um niilismo radical; de outro,…

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“O visitante de um mundo abandonado pelo seu demiurgo: Sylvie Jaudeau e o gnosticismo ateu de Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

As nossas fontes gnósticas, por mais distantes que pareçam, não deixam de inspirar ainda a nossa literatura. Menos de uma maneira direta (poucos escritores de fato conhecem esse período da nossa história reservado aos eruditos) quanto de maneira inconsciente. Eu não falo de uma referência histórica, mas de uma impregnação da sensibilidade por toda uma…

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“As revelações da insônia: escritura e autobiografia em Cioran” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Versão revisada e ampliada a partir do original “Les révélations de l’insomnie : écriture et autobiographie chez Cioran”, in Anale. Seria Drept, volumul XXVII (2018), la editura Mirton Timisoara, ISSN 1582-9359. Facultatea de Drept şi AdministraÅ£ie Publică, Universitatea Tibiscus din Timişoara. [Baixar PDF] Resumo: Toda autobiografia espiritual é uma canção do eu, escreveu Harold Bloom. Esta…

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“Sobre humanos, marionetes e liberdade: Cioran em diálogo com John Gray” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A marionete – objeto artificial, aqui humanizado, dotado de “alma” – como metáfora do homem. O homem – animal autoconsciente, doravante maquinizado, desumanizado – como metáfora da marionete. A alma da marionete: o título deste breve ensaio sobre a liberdade humana dá margem para uma interpretação em mão dupla. GRAY, John, A alma da marionete:…

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“Le « dernier » Cioran” (Sylvain David)

Cioran, un heroïsme à rebours. Troisième partie. Une autobiographie sans événements. Le scepticisme, l’incertitude, ultime position où aboutit la raison exerçant son analyse sur elle-même, sur sa propre validité, est la base sur quoi le désespoir du sentiment vital va tirer son espérance1. Miguel de Unamuno Un aphorisme au ton rétrospectif saisit l’essentiel de la transition entre…

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“Les révélations de l’insomnie” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

La vérité réside dans le drame individuel. Si je souffre réellement, je souffre beaucoup plus qu’un individu, je dépasse la sphère de mon moi, je rejoins l’essence des autres. La seule manière de nous acheminer vers l’universel est de nous occuper uniquement de ce qui nous regarde. De l’inconvénient d’être né Ma mission est de…

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“A Portrait of Civilized Man” (E. M. Cioran)

The Hudson Review, Vol. 17, No. 1 (Spring, 1964), pp. 9-20. Translated by Marthiel Mathews from CIORAN, E. M., “Portrait de l’homme civilisé”, La chute dans le temps, Paris, Gallimard, 1964. OUR RAGE TO RID THE HUMAN SCENE of everything irregular, unexpected, or mis-shapen, borders on indecency. It may of course be deplorable that certain…

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Dissertação de mestrado: “A noção de queda no tempo na filosofia de Cioran” (Rodrigo Adriano Machado)

Pontifícia Universidade Católica, Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes, 2017. Orientador(a): Profa. Jeanne-Marie Gagnebin. Resumo: Trabalhar como pensamento daquele que se auto intitulou “um estrangeiro para si mesmo, para Deus e para a polícia”, o romeno radicado na França, Emil Cioran (1911 – 1995), é um desafio tão complexo, por vezes exaustivo, obscuro, quanto…

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“A árvore da vida” (E.M. Cioran)

NÃO É BOM que o homem se lembre a cada instante de que é homem. Debruçar-se sobre si já é um mal; debruçar-se sobre a espécie, com o zelo de um obcecado, é ainda pior: é atribuir às misérias arbitrárias da introspecção um fundamento objetivo e uma justificativa filosófica. Enquanto tritura-se o próprio eu, tem-se…

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O anti-Prometeu: Cioran, crítico do progresso e da civilização

Transformando-nos em frenéticos, o cristianismo nos preparava, apesar de si mesmo, a engendrar uma civilização da qual ele mesmo é a vítima: por acaso não criou em nós demasiadas necessidades, demasiadas exigências? Necessidades e exigências interiores a princípio, que se degradariam e se tornariam exteriores, assim como o fervor de que emanavam tantas orações suspendidas…

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Cioran (L’Éxpress.fr)

LES ECRIVAINS DU BAC Cioran Par Jean Montenot (Lire), publié le 01/04/2011 à 09:00 — L’Éxpress.fr Né en 1911 en Roumanie, le philosophe a composé une oeuvre pessimiste dont les titres donnent le ton : Précis de décomposition, De l’inconvénient d’être né… Marqué par son enfance et des insomnies terribles, il doit à la discipline de la langue…

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“Retrato do homem civilizado” (E.M. Cioran)

O encarniçamento em apagar da paisagem humana o irregular, o imprevisto, o disforme, beira a indecência. É sem dúvida deplorável que em certas tribos ainda se devore os anciãos moribundos; no entanto, não podemos esquecer que o canibalismo representa tanto um modelo de economia fechada como um costume que, algum dia, seduzirá o abarrotado planeta.…

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