10 anos de (in)existência: um blogue que não dorme desde 2010

Os trabalhos e os dias… Três horas da manhã. Apercebo-me deste segundo, e do que se lhe segue, faço o balanço de cada minuto. Por que tudo isto? — Porque eu nasci. Questionarmos o nascimento resulta de um tipo especial de vigílias. CIORAN, Do inconveniente de ter nascido (1973) Em 2019, o Portal E.M.Cioran🇧🇷 completou…

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“Clément Rosset, el profeta de lo real” (Fernando Savater)

El País, 30 marzo 2018 El filósofo francés que teorizó la yuxtaposición de lo real y su doble fallece en París a los 78 años Hay filósofos recomendables y otros que no lo son. Los primeros enseñan a pensar bien, a pensar el bien, defienden las buenas causas, denuncian la explotación, alarman a los gobiernos…

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“Tristeza ativa” (E.M. Cioran)

“Deve ser algo herdado dos meus pais, que tinham temperamentos completamente opostos. Eu nunca pude escrever senão no abatimento [cafard] das noites de insônia, e durante sete anos mal pude dormir. Eu creio que se reconhece em cada escritor se os pensamentos que o ocupam são pensamentos diurnos ou noturnos. Tenho necessidade desse cafard e…

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“Devemos repetir a nós próprios todos os dias: Sou um daqueles que, entre milhares, se arrastam pela superfície do globo. Essa banalidade justifica qualquer conclusão, qualquer comportamento ou acto: deboche, castidade, suicídio, trabalho, crime, preguiça ou rebelião. … E daí se conclui que todos nós temos razão em fazer o que fazemos.” (Do inconveniente de […]

via Breviário de Decomposição 7.0

Relatório de uma Jornada Acadêmica: 70 anos do Précis de Décomposition / Breviário de Decomposição (1949-2019)

Realizou-se, na Universidade Federal do ABC (UFABC), em 27 de novembro deste ano de 2019, a Jornada Acadêmica – 70 anos do Précis de Décomposition (1949-2019): um mini-colóquio dedicado a debates em torno deste que é o primeiro livro escrito por Cioran em francês, e um divisor de águas no conjunto da sua obra. No…

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O Mau Demiurgo: Cúmulo do “Veneno Abstrato”, ou Porque Coringa Não É Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“O bem-sucedido em tudo é necessariamente superficial. O fracasso é uma versão moderna do nada. Ao longo da minha vida, estive fascinado pelo fracasso. Um mínimo de desequilíbrio se impõe. Ao ser perfeitamente sadio física e psiquicamente falta um saber essencial. Uma saúde perfeita é a-espiritual.” (Entrevistas com Sylvie Jaudeau) “A única experiência profunda é…

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Ghosteen (Nick Cave & The Bad Seeds)

La musique n’existe qu’aussi longtemps que dure l’audition, comme Dieu qu’autant que dure l’extase. L’art suprême et l’être suprême ont ceci de commun qu’ils dépendent entièrement de nous. [A música só existe enquanto dura a audição, como Deus enquanto dura o êxtase. A arte suprema e o ser supremo possuem isto em comum, o fato…

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“Una filosofía de la Caída” (M. Liliana Herrera A.)

In: HERRERA A., M. Liliana; ABAD T., Alfredo A. (orgs.), Cioran en perspectivas. Pereira: Universidad Tecnológica de Pereira, 2009, p. 204-217. De las consideraciones lingüísticas y poéticas sobre la obra de Cioran, nos desplazamos ahora a aquellas de índole filosófica. Algunos autores acertadamente han afirmado que el pensamiento de Cioran puede entenderse como una filosofía de…

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“Beatitude e sofrimento” (Clément Rosset)

Tomo emprestado ao comunicado de Henri Birault, no colóquio Royaumont sobre Nietzsche, em 1964, o termo “beatitude”, para definir o tema central da filosofia nietzschiana. Provavelmente, do mesmo modo, outros termos conviriam: alegria de viver, gáudio, júbilo, prazer de existir, adesão à realidade, e ainda muitos outros. Pouco importa a palavra, aqui é a ideia…

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“Lógica do Pior”, prefácio à edição brasileira (Clément Rosset)

Aqueles de meus amigos que tiveram a ocasião de estadiar no Brasil retornaram todos com o mesmo sentimento dominante: de uma excepcional animação e alegria de viver, junto a um sentido agudo do desastre e da catástrofe iminente. Eu experimentei pessoalmente esse mesmo sentimento assistindo ao belíssimo filme de Marcel Camus consagrado ao Brasil e…

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“Aniquilação”, ou da Anti-natureza (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Revista Trágica: estudos de filosofia da imanência, Rio de Janeiro, v. 12, nº 2, p. 80-104, 2019. RESUMO: Trata-se de analisar o filme “Aniquilação” (2018) à luz da filosofia trágica de Clément Rosset (1939-2018), particularmente seu livro de 1973, A anti-natureza. Trata-se, ao mesmo tempo, de uma homenagem ao filósofo, que faleceu semanas após o…

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Revista Trágica: edições temáticas Clément Rosset (in memoriam) [2]

Revista Trágica: estudos de filosofia da imanência, Rio de Janeiro, v. 12, nº 2, 2019 Editorial Rosset educador O sucesso da obra de Clément Rosset pode ser aferido pela imensa venda de seus livros, pelo número de traduções nas mais diversas línguas, pelas revistas magazine sobre suas ideias, pelas numerosas entrevistas que foi chamado a…

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Revista Trágica: edições temáticas Clément Rosset (in memoriam) [1]

Revista Trágica: estudos de filosofia da imanência, Rio de Janeiro, v. 12, nº 1, 2019 Editorial Clément Rosset, in memoriam: um testemunho Nos idos de 1987, comecei a ler Clément Rosset, entre os 18 e 19 anos de idade, na graduação, no texto original francês, com o saudoso Fernando José Fagundes Ribeiro, que viria logo…

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“A Música é essencialmente triste ou alegre? Uma questão ociosa” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Quando esgotamos os pretextos que incitam à alegria ou à tristeza, conseguimos vivê-las, ambas, em estado puro: nos igualamos assim aos loucos… (Silogismos da amargura) Uma discussão interessante, mas não fecunda, senão ociosa, é entabulada por Clément Rosset em seu livro sobre o tema da beatitude em Nietzsche: Alegria — A Força Maior (1983) —…

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Schopenhauer, pessimismo filosófico e a recepção brasileira de Cioran: Ciprian Vălcan em diálogo com Flamarion Caldeira Ramos

Entrevista originalmente publicada em ARCA – Revistã lunarã de literaturã, eseu, arte vizuale, muzicã (fondatã în februarie 1990 la Arad), anul XXV, nr. 4-5-6, 2014, e incluída no volume Cioran, un aventurier nemişcat. 30 de interviuri [Cioran, um aventureiro imóvel. 30 entrevistas] (Bucureşti, Editura ALL, 2015), com 30 entrevistas feitas por Ciprian Vălcan com de exegetas de Cioran de todo o mundo, das…

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Intervista con Vincenzo Fiore: su filosofia auto-sperimentale, anti-fanatismo e «l’infernale sincerità» di Cioran

Orizzonti Culturali Italo-Romeni, n. 9, settembre 2019, anno I «In un’epoca dove il fanatismo sembra essere tornato alla ribalta a livello mondiale, il pensatore romeno è un antidoto che ci rende immuni». (Vincenzo Fiore) A partire da questa premessa, pubblichiamo un’intervista con Vincenzo Fiore che affronta la filosofia auto-sperimentale, l’anti-fanatismo e «l’infernale sincerità» di Cioran. Vincenzo…

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Clément Rosset: sobre sabedoria erudita e sabedoria popular (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” Nietzsche, Além do Bem e do Mal “Ao divinizar a história para desacreditar Deus, o marxismo só conseguiu tornar Deus mais estranho e mais obsedante. Pode-se sufocar tudo no…

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“O Princípio de Crueldade”, de Clément Rosset

Intérprete do pensamento trágico, Clément Rosset defende a idéia de que toda realidade é cruel. Essa “ética da crueldade” se baseia em dois princípios que são o objeto principal deste livro. O primeiro, o princípio de realidade suficiente: o real basta e dele nada escapa, posto que é real. Cabe aos homens se contentar e…

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“A alegria musical” (Clément Rosset)

Levando em conta o papel central que tem a jubilação e a experiência musical, aquela, em Nietzsche, sempre ligada a esta, a credibilidade do pensamento nietzscheano aparece como tributária da credibilidade de uma concepção da música, cujo esboço, em certo sentido, já definitivo, O nascimento da tragédia apresenta. Esta concepção se pode ser resumida em…

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“O pessimismo dos mamíferos inteligentes” (Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes)

Observou-se justamente que, na Índia, um Schopenhauer ou um Rousseau jamais seriam levados a sério, pois viveram em desacordo com as doutrinas que professavam. para nós, eis aí precisamente a razão do interesse que nos suscitam. O sucesso de Nietzsche é devido em grande parte ao fato de que ele defendeu teorias às quais, em…

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Sobre duplos, (des)ilusões e a “idiotia do real”: Clément Rosset

Nada mais frágil do que a faculdade humana de admitir a realidade, de aceitar sem reservas a imperiosa prerrogativa do real. Esta faculdade falha tão frequentemente que parece razoável imaginar que ela não implica o reconhecimento de um direito imprescritível — o do real a ser percebido –, mas representa antes uma espécie de tolerância,…

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“Necessidade e Contingência, o ‘Irreparavelmente Já Sabido Desde Sempre’ e o Imponderável do Não-Saber Essencial (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Só se suicidam os otimistas, os otimistas que não conseguem mais sê-lo. Os outros, não tendo nenhuma razão para viver, por que a teriam para morrer? (Silogismos da amargura) Poucas são as filosofias capazes de equilibrar, numa rara harmonia na tensão, os princípios ontológicos antinômicos da necessidade e da contingência; ora necessidade, ora contingência, ou…

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“O que é o trágico?” (Clément Rosset)

Antes de responder a esta pergunta inicial, impõe-se uma precaução preliminar: não pretendo fazer aqui uma interpretação do Trágico. Apenas desejo fazer a sua descrição, e a ideia de uma interpretação compromete toda possibilidade de descrição. Pode-se inclusive dizer que o rechaço de toda interpretação é tão mais indispensável em nosso assunto tanto mais quanto…

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“The radical use of chance in 20th century art” (Denis Lejeune)

Coincidences, chance events, unexpected encounters: the existence of such phenomena has always been recognized. Art, for its part, appeared sufficiently early in different cultures for some to consider it a defining attribute of our species. These two phenomena may seem to have little in common in that, essentially, the first reveals something about the world,…

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Entretien avec Clément Rosset : autour de L’école du réel (Nicolas Rousseau)

ACTU-PHILOSOPHIA, 9 mai 2009 “La pensée actuelle, c’est un retour à des valeurs qui étaient déjà assez répandues avant 68. J’ai eu l’impression que l’effondrement des idéologies chrétienne et surtout marxiste avait créé une dépression qui était favorable à l’éclosion de pensées individuelles. Je ne vois pas très bien s’il y a une pensée qui…

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“Signos gnósticos nos cumes do desespero” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

O título, inspirado em manchetes sensacionalistas sobre casos de óbito por suicídio, não deixa de aludir também ao Desespero humano (1849) de Kierkegaard, avidamente estudado pelo jovem Cioran. Seria uma questão ociosa debater se Cioran é um kierkegaardiano que leu Nietzsche ou um nietzschiano que leu Kierkegaard. Muito embora tenha frequentado a escola de ambos,…

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“Sinceridade, equidade, objetividade” (Clément Rosset)

O desprezo pelo dado, a ausência de submissão ao real, encontram no culto que se presta a alguns mitos antigos um alimento para a sua incúria. Sabemos que semelhantes forças, ao não se empregarem para assumir-se a si mesmo, para assumir a realidade cotidiana e trágica, derrotam-se sem medida desde o momento em que se…

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“Salvar” Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Em meio à incipiente tradição exegética da obra de Cioran, chamam-me a atenção duas tendências hermenêuticas, opostas entre si, mas com algo em comum. Uma delas é a tentativa de cooptar Cioran a um nietzschianismo puramente trágico, cético, materialista e ateu. A outra é a tentativa (talvez mais ridícula que a anterior) de “salvar” ou…

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“Niilismo, existencialismo e gnosticismo: a hermenêutica existencial de Franco Volpi” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A obra de Heidegger, leitor de Nietzsche, apresenta um paradoxo que é o mesmo de boa parte do pensamento contemporâneo: “Nela, com efeito, parecem tocar-se e conviver dois extremos incompatíveis: de um lado, um niilismo radical; de outro, o convite a uma visão inspirada, senão mesmo ao misticismo.”[i] Daí, segundo Volpi, em face dos escritos…

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“O visitante de um mundo abandonado pelo seu demiurgo: Sylvie Jaudeau e o gnosticismo ateu de Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

As nossas fontes gnósticas, por mais distantes que pareçam, não deixam de inspirar ainda a nossa literatura. Menos de uma maneira direta (poucos escritores de fato conhecem esse período da nossa história reservado aos eruditos) quanto de maneira inconsciente. Eu não falo de uma referência histórica, mas de uma impregnação da sensibilidade por toda uma…

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“Cuatro maestros inquietantes” (Fernando Savater)

El País, 26 enero 2002 La aparición de cuatro monografías, dedicadas a los pensadores Arthur Schopenhauer, Georges Bataille, Cioran y Clément Rosset, permite abordar las distintas, brillantes y estremecedoras versiones que éstos proponen en contra de una edénica teología natural. Como nuestros días abundan en disturbios y padecemos pánico al pánico, supongo que los maestros…

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