“Eterno” (Carlos Drummond de Andrade)

E como ficou chato ser moderno. Agora serei eterno. Eterno! Eterno! O Padre Eterno, a vida eterna, o fogo eterno. (Le silence éternel de ces espaces infinis m’effraie.) — O que é eterno, Yayá Lindinha? — Ingrato! é o amor que te tenho. Eternalidade eternite eternaltivamente eternuávamos eternissíssimo A cada instante se criam novas categorias do eterno.…

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L’avant-garde ? Ça depend (Cioran)

J’aime l’avant-garde, à condition qu’elle ne soit pas ennuyeuse. Elle l’est, le plus souvent. Est-ce que Nietzsche, est-ce que Pascal se réclamaient d’une avant-garde quelconque? Le pire est de vouloir être d’avant-garde. [Eu gosto do avant-garde, desde que não seja entediante. Ele o é, amiúde. Será que Nietzsche ou Pascal se reclamam de uma vanguarda…

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“Desejo e Horror da Glória” avant la lettre (E.M. Cioran)

“Désir et horreur de la gloire” é um dos ensaios que compõem La chute dans le temps (1964), livro que sucede diretamente a História e utopia (1960) no qual este tema (tão “adâmico”) já se encontra enunciado e problematizado, antecipando o que virá a seguir. Trata-se da dualidade-contradição — inconciliável — entre o desejo e…

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Sobre cinismos, niilismos e terrorismo de Estado (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Com o absurdo não se barganha, não se negocia. “Absurdo”, ou seja, esta palavrinha que nós, modernos, encontramos para maquiar o Mal. Como as explicações teológicas e metafísicas perderam sua razão de ser, não pegaria bem continuar usando tão atávica (e suja) expressão: “o Mal”. “O absurdo” soa melhor, mais moderno, mais filosófico, menos “cristão”… A…

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Ivan Karamázov e os escrúpulos de um Niilista

Pois bem, vive o general em sua fazenda de duas mil almas (Assim eram chamados os servos camponeses. (N. do T.)), cheio de arrogância, tratando por cima dos ombros seus vizinhos, pequenos proprietários, como seus parasitas e palhaços. Tem um canil com centenas de cães e quase uma centena de seus cuidadores todos uniformizados, todos…

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Schopenhauer, pessimismo filosófico e a recepção brasileira de Cioran: Ciprian Vălcan em diálogo com Flamarion Caldeira Ramos

Entrevista originalmente publicada em ARCA – Revistã lunarã de literaturã, eseu, arte vizuale, muzicã (fondatã în februarie 1990 la Arad), anul XXV, nr. 4-5-6, 2014, e incluída no volume Cioran, un aventurier nemişcat. 30 de interviuri [Cioran, um aventureiro imóvel. 30 entrevistas] (Bucureşti, Editura ALL, 2015), com 30 entrevistas feitas por Ciprian Vălcan com de exegetas de Cioran de todo o mundo, das…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 1] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

FIORE, Vincenzo. Emil Cioran. La filosofia come de-fascinazione e la scrittura come terapia. Piazza Armerina/Enna: Nulla Die, 2018, 187 pp. A Itália é um dos países mais produtivos, atualmente, no que se refere à fortuna crítica cioraniana. Todo ano são publicados novos estudos, produções acadêmicas e editoriais, além de correspondências epistolares inéditas do próprio Cioran.[1]…

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“Racionalismo e mística” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Mede-se a carência de sentido místico de um indivíduo pela necessidade que tem de argumentos para convencer a si mesmo e os demais da existência de Deus. Não apenas essa carência como também o grau de racionalismo. Não apenas os filósofos sofrem desse mal; inclusive os indivíduos religiosos, qualquer que seja a sua crença, o…

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Kierkegaard, precursor do “Antifilósofo” cioraniano (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

O prefácio de O Desespero Humano (1849) é bastante elucidativo da problemática existencial — e religiosa — colocada pelo pensamento kierkegaardiano, e também da sua divisa intelectual existencial-religiosa em oposição ao “totalitarismo” racionalista do Espírito absoluto hegeliano. “O professor, o mestre de estudos, o estudante e enfim o filósofo, amador ou formado não ficam na…

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“A interpretação analógica das relações entre niilismo gnóstico e niilismo existencialista segundo Hans Jonas” (Jelson R. de Oliveira)

SÍNTESE – Revista de Filosofia, vol. 41, no. 129 (2014), pps. 101-127. Resumo: Pretende-se examinar as principais teses da análise hermenêutica realizada por Hans Jonas sobre o movimento gnóstico antigo, bem como estudar as principais formulações analógicas que lhe permitem afirmar que o dualismo está na base da formulação das ideais gnósticas, e que ele…

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via Resenha: “A negação da morte”, de Ernest Becker. Livro: A negação da morte: uma abordagem psicológica da finitude humana. Rio de Janeiro: Record, 2007, 363 págs.

91233A Negação da Morte: Uma Abordagem Psicológica da Finitude Humana (1973), de Ernest Becker, é um livro iluminador que analisa, a partir de uma abordagem multidisciplinar fincada na psicanálise, o problema da morte na vida humana, a relação íntima e problemática que se configura entre o homem e esta realidade tão aterradora quanto inescapável, da qual ele possui uma angustiada consciência. O autor, que em 1974 recebeu o prêmio Pulitzer por esta obra, teve ali a pretensão de reunir e sistematizar todo o conhecimento sobre o problema da morte produzido pelas diferentes áreas do saber ao longo da história, das ciências humanas, passando pela filosofia, à religião.

O livro parte da premissa de que “a idéia da morte e o medo que ela inspira perseguem o animal humano como nenhuma outra coisa”, representando, em realidade, “uma proposição universal da condição humana” (BECKER 2007: 11). Nesta perspectiva, as diferentes culturas constituem sistemas simbólicos complexos que têm por função negar a realidade da morte, permitindo assim que as pessoas vivam com a ilusão de estarem imunes ao Inevitável, sem o fardo de sua constante e penosa consciência. O título em si já sugere uma idéia central no livro: o conceito de mentira vital serve para explicar que, a morte desempenhando um papel crucial na existência, a tendência humana mais instintiva é negá-la através de artifícios psicológicos subconscientes de auto-engano e auto-ilusão.

O conceito de heroísmo também é central e atravessa toda a trama de análise do livro. Heroísmo, aqui, designa a atitude humana fundamental (poder-se-ia dizer arquetípica) frente ao mundo, a vida e a perspectiva da morte, definindo-se como um ideal de coragem e sabedoria que varia de acordo com as culturas e os povos; aplica-se como uma chave de interpretação psicológica e antropológica, segundo a qual “nossa tendência central, nossa principal tarefa neste planeta, é a heróica” (BECKER 2007: 19). Escreve Becker: “Não importa se o sistema de heroísmo de uma cultura é francamente mágico, religioso e primitivo ou secular, científico e civilizado. É, de qualquer forma, um sistema de heróis mítico, no qual as pessoas se esforçam para adquirir um sentimento básico de valor, para serem especiais no cosmo, úteis para a criação, inabaláveis quanto ao seu significado” (BECKER 2007: 24).

Igualmente importante para a análise de Becker (conceito diretamente relacionado àquele de heroísmo) é a categoria psicanalítica de narcisismo, que nos diz, basicamente, que “estamos perdidamente absortos em nós mesmos”, e que, para cada um de nós, “todos são sacrificáveis, exceto nós mesmos” (BECKER 2007: 20). O narcisismo é a causa do egoísmo instintual que nos torna seres essencialmente associais e agressivos, mas essa tendência narcisística tem o seu lado positivo, dir-se-ia vital, pois “um grau prático de narcisismo é inseparável da auto-estima, de um sentimento básico de valorização de si mesmo” (BECKER 2007: 21). Ademais, afirma Becker, sem um mínimo de vaidade e ilusão sobre nós mesmos, sobre nossa condição e nosso valor, cairíamos numa depressão profunda.

Em função do nosso narcisismo natural, somos seres com expectativas, exigências e ansiedades, das quais os animais estão livres por não possuírem uma consciência individual abstrata, encerrados como estão no automatismo inconsciente da natureza, na ordem da generalidade e do anonimato. Os adultos, segundo o autor, reproduzem um comportamento que aparece com muito mais nitidez nas crianças: o desejo de afirmar-se como centro do universo, reconhecido e admirado por todos, de ser o primeiro e o único, o que se torna ainda mais problemático quando há mais de uma criança – ou um adulto – competindo por esses privilégios. A esta carência de nossa psique corresponde um estatuto ontológico desejável, ao qual Becker dá o nome de significância cósmica: um sentimento oceânico de ser parte dos planos da Criação, dotado de importância e valor absolutos. Seja como for, mais do que expressar um problema pedagógico ou cultural, redutível às formas de educação adequadas (“apenas as crianças mimadas se comportam assim…”), a necessidade de significância cósmica é, segundo o autor, um dado antropológico estrutural, diretamente ligado ao terror da aniquilação pela morte e à percepção da própria nulidade na economia do universo.

Em termos filosóficos, Becker parte da premissa de que o homem não possui uma “essência”: “algo fixado em sua natureza, como uma qualidade ou substância especial” (BECKER 2007: 48), como postularam durante muito tempo a teologia e a metafísica. Ao buscar-se esta suposta essência do animal racional, nada se encontra além de uma consciência angustiada, incorporada provisoriamente a um composto orgânico “que vale cerca de 98 centavos de dólar” (BECKER 2007: 50). É justamente esse o dilema existencial do ser humano, que o autor nomeia em termos de uma condição deindividualidade dentro da finitude: ele se encontra cindido entre a finitude e a necessidade da parte física do seu ser, e a dimensão da infinita possibilidade que constitui sua consciência reflexiva, seu universo simbólico, sua capacidade de abstração e imaginação. Inserindo-se numa tradição de pensadores como Pascal e Kierkegaard (ao qual ele recorrerá mais adiante), Becker aponta esta condição paradoxal, possibilitada pela presença de uma consciência dilacerada, como a causa do fardo experiencial humano, incapaz de suportar o peso esmagador de uma realidade que parece, mais do que indiferente, hostil, aos nossos sonhos e expectativas. Nosso eu, formado em tensão com aquilo que Freud chama de princípio de realidade, desenvolve, desde cedo, barreiras para impedir que o terror da aniquilação nos paralise por completo, tornando-nos presas fáceis de predadores e outras ameaças; estruturado sobre camadas de proteção simbólica contra as contingências que nos ameaçam, ele simplesmente se recusa a aceitar que esteja submetido a uma realidade que o transcende e sobre a qual não tem nenhum controle. “O homem está literalmente dividido em dois: tem consciência de sua esplêndida e ímpar situação de destaque na natureza, dotado de uma dominadora majestade, e no entanto retorna ao interior da terra, uns sete palmos, para cega e mudamente apodrecer e desaparecer para sempre. Estar num dilema desses e conviver com ele é assustador”, e é por isso que Becker acredita que “têm razão, absoluta razão, aqueles que acham que uma plena compreensão da condição humana levaria o homem à loucura” (BECKER 2007: 49).

No capítulo sobre “o caráter como mentira vital”, é analisada a maneira pela qual o ego se constitui como uma defesa neurótica contra o desespero provocado pela verdade da condição humana. Trata-se, com efeito, de uma “desonestidade necessária e básica acerca da própria pessoa e de toda sua situação” (BECKER 2007: 80). Segundo Becker, o sentimento básico da criatura consciente de si mesma é o medo, e o homem, mesmo depois de crescido, carrega em si, ainda que escamoteado, o terror profundo que a criança sente perante os mistérios e os perigos da vida. Ele é um covarde inveterado que se engana acerca de suas forças e capacidades, de sua importância e valor, para não sucumbir ao completo desespero em um mundo que pode engolfá-lo a todo momento. No fundo, ele se sabe frágil, impotente, ignorante, sem a força necessária para tornar-se o deus que desejaria ser; mesmo assim, segue adiante, mentindo para si mesmo sobre sua condição insuficiente.

Becker assume a tese de que o ser humano não possui autonomia ontológica, recebendo do exterior suas idéias, crenças, valores e significados – suaidentidade mesma: “Todos os nossos significados nos são inculcados pelo lado de fora, pelas nossas relações com os outros. É isso que nos dá um ‘eu’ e um superego. Todo o nosso mundo de certo e errado, bom e mau, nosso nome, exatamente quem somos, tudo isso é enxertado em nós. Nunca sentimos que temos autoridade para oferecer coisas por nossa conta” (BECKER 2007: 72), mas isso é tudo o que nos recusamos a aceitar e admitir. Aquilo que chamamos de “caráter” – a pretensão de uma individualidade simbólica auto-subsistente – é uma ilusão, uma falsidade, uma mentira vitalresultante de uma de uma negação, de uma covardia instintiva. Assim, nossos “traços de caráter” seriam pequenas neuroses que refletem a maneira como reagimos ao problema da vida e da morte, da existência consciente em meio à cadeia alimentar. Eis porque o auto-conhecimento é tão amargo e indesejável: “A hostilidade contra a psicanálise, no passado, hoje e no futuro, será sempre uma hostilidade contra o reconhecimento de que o homem vive à custa de mentir para si mesmo sobre si mesmo e sobre o mundo, e de que o caráter […] é uma mentira vital” (BECKER 2007: 76).

O problema da negação da morte leva o autor de encontro ao filósofo dinamarquês Kierkegaard, que produziu importantes reflexões sobre o problema existencial da morte. Becker apresenta “o psicanalista Kierkegaard”, buscando mostrar a relevância psicanalítica de sua obra, que segundo ele antecipou muitos dados da moderna psicologia clínica. Neste âmbito, Becker afirma que o maior mérito de Kierkegaard foi haver demonstrado a relação íntima que se configura entre a psicologia e a religião, no sentido de que “a melhor análise existencial da condição humana leva diretamente ao problema da existência de Deus e da fé” (BECKER 2007: 94), e vice-versa. O ponto de partida kierkegaardiano para o problema da consciência da morte é o mito bíblico da Queda, que, segundo Becker, aponta para o paradoxo existencial que é o início comum da psicologia e da religião. Ele aposta numa convergência destas duas formas culturais no sentido de iluminar o fato de que “a angústia da morte é a angústia característica, a mais intensa angústia do homem” (BECKER 2007: 96). O postulado comum entre o cristão Kierkegaard e a psicologia secular moderna é que “o homem é uma união de contrários, de autoconsciência e de corpo físico”, um ser que experimenta o paradoxo de ser meio anjo, meio besta, um animal com um rosto único e um nome próprio, mas que tem “consciência do terror do mundo e de sua morte e deterioração” (BECKER 2007: 95).

Becker segue para mostrar quão grande conhecedor dos mecanismos psicológicos de negação da morte Kierkegaard mostra ser, sugerindo já no século XIX a idéia do caráter como uma “estrutura erguida para evitar a percepção do ‘terror, perdição [e] aniquilamento [que] são vizinhos de todo homem’”. Segundo ele, Kierkegaard “entendia a psicologia tal como um psicanalista contemporâneo a entende: sua tarefa é descobrir as estratégias que uma pessoa usa para evitar a angústia” (BECKER 2007: 96). O filósofo estaria interessado em entender os estilos adotados pelas pessoas para viver sem serem perturbadas pelo terror existencial. Para ele, o confinamento em si e o automatismo cultural (“filistinismo”) seriam duas destas formas. A moderna compreensão psiquiátrica das psicoses também seria, na visão de Becker, tributária das reflexões kierkegaardianas sobre o desespero  e a loucura. Sua reflexão sobre as diferentes formas do desespero, o da finitude e o da infinitude – relacionados, respectivamente, ao fator corporal limitante e ao fator espiritual, expansivo e ilimitado, da síntese humana – mostram como o indivíduo pode beirar o colapso psíquico caso afirme em excesso, ou suprima, um de seus pólos ontológicos.

Em matéria de psicanálise, a referência principal de A Negação da Morte não é Freud, que, aliás, Becker critica por haver se esquivado do verdadeiro problema da morte, transformando o que seria uma necessidade indesejável num impulso inconscientemente desejado – a “pulsão de morte”. É o brilhante ex-discípulo e colega de círculo psicanalítico de Freud, Otto Rank, que Becker considera haver melhor trabalhado o problema da morte na psicanálise, e ele recebe em sua obra um tratamento mais elaborado. Em se tratando dos temores básicos de todo ser humano, escreve Becker, “na ciência do homem foi Otto Rank, acima de tudo, quem colocou esses temores em evidência, baseando todo seu sistema de pensamento neles e mostrando o quanto são fundamentais para uma compreensão do homem” (BECKER 2007: 78).

Por fim, neste livro iluminador, que vai muito além da psicanálise e pode ser do interesse de qualquer pessoa, especialista ou leiga, Ernest Becker realiza uma verdadeira anatomia da consciência humana angustiada pelo drama da finitude, dissecando com uma coragem admirável os temores, obsessões e traumas que têm concurso nos mecanismos instintuais da nossa vida psíquica. Uma deliciosa leitura que pode muito bem ser angustiante, vertiginosa, solapando nossas armaduras de caráter e revelando as formas essenciais de mentira das quais dependemos para nos mantermos de pé. Mas desagradável e amarga tão-somente na medida em que funciona como uma espécie de remédio salutar, que tomamos na expectativa de que faça bem à alma, pela virtude do auto-conhecimento.

Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes, 2009

“O pessimismo dos mamíferos inteligentes” (Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes)

Observou-se justamente que, na Índia, um Schopenhauer ou um Rousseau jamais seriam levados a sério, pois viveram em desacordo com as doutrinas que professavam. para nós, eis aí precisamente a razão do interesse que nos suscitam. O sucesso de Nietzsche é devido em grande parte ao fato de que ele defendeu teorias às quais, em…

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“Pascal: condição trágica e liberdade” (Franklin Leopoldo e Silva)

Cad. Hist. Fil. Ci., Campinas, Série 3, v. 12, n. 1-2, p. 339-356, jan.-dez. 2002. Resumo: A liberdade, embora se enraíze na perfeição originária da criatura humana, veio, pelo pecado e pela condição corrompida, a tornar-se a expressão do homem separado de si mesmo, porque já na sua primeira ação livre o homem repudiou a…

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“A habilidade de Sócrates” (E.M. Cioran)

Se tivesse dado precisões acerca da natureza do seu demónio, teria estragado uma boa parte da sua glória. A prudência da sua precaução criou a seu respeito uma curiosidade que inclui antigos e modernos; permitiu, além disso, aos historiadores da filosofia insistirem num caso que se mostra inteiramente estranho às suas preocupações. Trata-se de um…

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Café filosófico: “As vertigens da razão e o mistério da fé. Kierkegaard e Pascal” (Franklin Leopoldo e Silva)

Pascal e Kierkegaard, que viveram tempos muito distintos da história da Europa, partilhavam a experiência radical de uma razão que, em seus desdobramentos, atinge enfim seus limites, seus abismos, e não se detém em suas bordas, mas neles se precipita corajosamente. A aposta de Pascal e a ironia de Kierkegaard não são apenas criações teóricas…

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“Para que ler Cioran?” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Reza a anedota que, após a publicação do Précis de décomposition (1949), um jornalista escreveu, indignado, uma carta-protesto a Cioran, repreendendo-lhe a loucura e a irresponsabilidade de publicar um livro daqueles, que poderia cair nas mãos de um adolescente ou mesmo de uma criança! Ora, ter um livro de Cioran na estante da sala é…

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O “Carnet pour Sténographie” de Emil Cioran (Eugène van Itterbeek)

O Carnet pour Sténographie (trad. francesa de Eugène Van Itterbeek, editura Universităţii „Lucian Blaga“, 2000) é uma espécie de caderno anterior aos Cahiers: 1957-1972. É o esboço, rascunho, de Amurgul gândurilor (Le crépuscule des pensées em francês, “O Crepúsculo do pensamento”), um dos últimos livros escritos por Cioran, já na França, na lingua materna. Segundo…

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“Um pessimismo (mui) pouco trágico: Cioran lido por Clément Rosset” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Trata-se de contrapor e fazer dialogar duas filosofias, dois modo de pensar (o homem, a existência, a vida e a morte, o tempo) que têm muito em comum, mas cujas conclusões podem ser radicalmente divergentes: a filosofia trágica, afirmativa e aprobatória de Clément Rosset (tendo como corolário a alegria como force majeure), na linha de…

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Dos males, o pior: a filosofia trágica de Clément Rosset

Nonfilozofie: ideile se sufocă de sentiment. [Não-filosofia: as ideias sufocam de sentimento.] (CIORAN, Amurgul gândurilor) Conseguir pensar o pior – tal é pois o alvo mais geral da filosofia terrorista, o cuidado comum a pensadores tão diferentes quanto os filósofos citados mais acima. A tais pensadores, esta infecta tarefa apareceu não somente como tarefa única,…

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“Estamos nos tornando uma teocracia”: entrevista com Harold Bloom

Folha de S. Paulo, 24/09/2005 “Creio que sou religioso, mas de um modo herético. Acho que em algum lugar, além deste reino, além do nosso cosmo, haja um sonho em exílio, um princípio divino, e acho que há um fragmento disso em cada ser humano, mas este se acha enterrado tão fundo, tão oculto no…

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Cadernos Nietzsche no. 8, p. 35-41, 2000 Resumo: Este artigo procura estudar a presença do filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662) na obra de Nietzsche e propõe uma comparação entre os dois pensadores, na qual o estilo aforístico e as questões que dizem respeito ao cristianismo são pontos essenciais. Palavras-chave: Pascal/Nietzsche – cristianismo – aforismo –ascetismo…

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“And there, sir, lies the entire problem, to have within oneself the inseparable reality and the material clarity of feeling, to have it in such a degree that the feeling cannot but express itself, to have a wealth of words and of formal constructions which can join in the dance, serve one’s purpose-and at the…

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