O Diabo, filantropo funesto (E.M. Cioran)

PLANEJAR uma sociedade na qual, segundo uma etiqueta aterradora, nossos atos são catalogados e regulamentados, na qual, por uma caridade levada até a indecência, se preocupam com nossos pensamentos mais íntimos, é transportar os tormentos do inferno para a idade de ouro, ou criar, com a ajuda do diabo, uma instituição filantrópica. Solares, utópicos, harmônicos…

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Absurdo, Horror da História e a “Nulidade do Futuro” (E.M. Cioran)

Já que uma voz tão autorizada nos instruiu sobre a fragilidade da antiga idade de ouro e sobre a nulidade do futuro, somos obrigados a tirar as consequências disso e não nos deixar mais iludir pelas divagações de Hesíodo nem pelas de Prometeu, e menos ainda pelas sínteses delas que tentaram as utopias. A harmonia,…

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“Abominável Clio: a filosofia da história de Emil Cioran” (Gregory Augusto Carvalho Costa)

Trabalho de conclusão de curso para o Bacharelado em Filosofia, UFABC, São Bernardo do Campo, 2019. Orientador: Paulo Jonas Lima Piva Resumo: Este trabalho tem como objetivo principal tratar da reflexão sobre a história desenvolvida pelo pensador romeno Emil Cioran (1911-1995). Radicado na França desde os anos 40, Cioran viveu e pensou intensamente os extremismos…

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“Desejo e Horror da Glória” avant la lettre (E.M. Cioran)

“Désir et horreur de la gloire” é um dos ensaios que compõem La chute dans le temps (1964), livro que sucede diretamente a História e utopia (1960) no qual este tema (tão “adâmico”) já se encontra enunciado e problematizado, antecipando o que virá a seguir. Trata-se da dualidade-contradição — inconciliável — entre o desejo e…

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Liberdade, Enfermidade, Utopia (E.M. Cioran)

A LIBERDADE, eu dizia, exige o vazio para manifestar-se; o exige e sucumbe a ele. A condição que a determina é a mesma que a anula. Ela carece de bases: quanto mais completa for, mais vacilará, pois tudo a ameaça, até o princípio do qual emana. O homem é tão pouco feito para suportar a…

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“Cioran e a pós-modernidade: uma crítica às metanarrativas” (Flávio Rocha de Deus)

Revista LAMPEJO, Volume 8, nº 1, 1º Semestre de 2019 RESUMO: Apesar da diversidade de percepções do que vem a ser a pós-modernidade, existe um ponto de convergência entre uma parte significante dos estudiosos do tema, que é caracterização desta época como um período de falência e descrença em ideias totalizantes. Através do olhar de…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 1] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

FIORE, Vincenzo. Emil Cioran. La filosofia come de-fascinazione e la scrittura come terapia. Piazza Armerina/Enna: Nulla Die, 2018, 187 pp. A Itália é um dos países mais produtivos, atualmente, no que se refere à fortuna crítica cioraniana. Todo ano são publicados novos estudos, produções acadêmicas e editoriais, além de correspondências epistolares inéditas do próprio Cioran.[1]…

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“Aspectos políticos en la obra de Emil Michel Cioran” (Jorge Diego Mejía Cortés)

AINKAA – Revista de Estudiantes de Ciencia Política, vol. 2, no. 3, enero-junio 2018 Resumen: En ejunio de 2017 se cumplieron 22 años de la muerte de Emil Michel Cioran, controvertido filósofo y escritor rumano, cuya ideología proclive al criptofascismo, siempre suscitó debates entre los estudiosos de su obra. Aspectos como el aparente suicidio de…

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Sobre Revelação e Revolução, religiões utópicas e utopias políticas (E.M. Cioran)

Muitas vezes o reacionário é apenas um sábio habilidoso, um sábio interesseiro que, explorando politicamente as grandes verdades metafísicas, vasculha sem fraqueza nem piedade os segredos do fenômeno humano, para revelar seu horror. Um aproveitador do terrível, cujo pensamento — coagulado pelo cálculo ou pelo excesso de lucidez — minimiza ou calunia o tempo. Mais…

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“Utopia como Religião: Uma Proposta de Avanço da Crítica Austríaca aos Anseios da Escatologia Socialista” (Yago Martins)

MISES: Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia ISSN 2318-0811 Volume V, Numero 1 (Edi¢ao 9) Janeiro-Junho 2017: 147-165 RESUMO: Um dos grandes desafios da ciência política atual está no fato de que o pensamento político muitas vezes se manifesta como um substituto da religião: meta- narrativas de um telos desmistificado para a história. Ao…

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“Escola de tiranos [3]” (E.M. Cioran)

Todos os homens são mais ou menos invejosos; os políticos o são completamente. Tornamo-nos invejosos quando já não suportamos mais ninguém nem ao lado nem acima de nós. Engajar-se em qualquer empreendimento, mesmo o mais insignificante, é pactuar com a inveja, prerrogativa suprema dos seres vivos, lei e mola dos atos. Se a inveja te…

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Cioran e Jonathan Swift (Paolo Vanini)

Os homens se tornam cavalos e os cavalos tomam o lugar dos homens: eis a reviravolta carnavalesca da realidade graças à qual Jonathan Swift confuta a definição filosófica segundo a qual “homo est animale rationale“, para demonstrar que na melhor das hipóteses ele é um animal “rationis capax” [capaz de razão]. Todavia, emerge dos contos…

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“In praise of failure” (Costica Bradatan)

The New York Times, December 15, 2013 If there was ever a time to think seriously about failure, it is now. Costica Bradatan is an associate professor in the Honors College at Texas Tech University and the religion and comparative studies editor for The Los Angeles Review of Books. He is the author of the forthcoming Dying…

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“Mecanismos da utopia [2]” (E.M. Cioran)

Depois de haver denunciado os ridículos da utopia, falemos de seus méritos; e já que os homens se acomodam tão bem ao estado social, e mal distinguem seu mal iminente, façamos como eles, associemo-nos a sua inconsciência. O mais louvável nas utopias é haver denunciado os danos que causa a propriedade, o horror que representa,…

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Sobre uma civilização aplastada (E.M. Cioran)

A liberdade, eu dizia, exige o vazio para manifestar-se; o exige e sucumbe a ele. A condição que a determina é a mesma que a anula. Ela carece de bases: quanto mais completa for, mais vacilará, pois tudo a ameaça, até o princípio do qual emana. O homem é tão pouco feito para suportar a…

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Entrevista com Miguel Angel Gómez Mendoza por Rodrigo Inácio R. Sá Menezes

O professor Miguel Angel Gómez Mendoza nasceu na cidade de Tuna, no departamento colombiano de Boyacá. É formado em Filosofia e História pela Universidade Babeş-Bolyai de Cluj-Napoca, Romênia; tem mestrado em Estudos Ibéricos e Ibero-americanos pela Universidade Michel de Montaigne, em Bordeaux, França (Diploma Superior de Investigação – DSR); doutorado em História com ênfase em…

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Entrevista a Miguel Angel Gómez Mendoza por Rodrigo Inácio R. Sá Menezes

Miguel Angel Gómez Mendoza nació en la ciudad colombiana de Tuna,  en el departamento de Boyacá. Hizo sus estudios de pregrado en Filosofía e Historia en la Universidad “Babeș-Bolyai” de Cluj-Napoca, Rumania; tiene maestría en Estudios Ibéricos e Iberoamericanos por la Universidad “Michel de Montaigne” de Bordeaux, Francia (Diploma Superior de Investigación DSR), doctorado en Historia…

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“Mecanismos da utopia” (E.M. Cioran)

EM QUALQUER GRANDE CIDADE onde o acaso me leva, surpreendo-me que não se desencadeiem todos os dias revoltas, massacres, uma carnificina sem nome, uma desordem de fim do mundo. Como, em um espaço tão reduzido, podem coexistir tantos homens sem destruir-se, sem odiar-se mortalmente? Na verdade, se odeiam, mas não estão à altura de seu…

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“El comunismo: utopía, mito, imaginario en la obra historiográfica de Lucian Boia” (Miguel Ángel Gómez Mendoza)

Diacronie. Studi di Storia Contemporanea, no. 35, 3/2018 El éxito de la “mitología” comunista, éxito relativo, pero innegable – incluso estupefacto, si lo relacionamos con su precario soporte material –, no puede ser entendido sino en un sentido de larga duración de la historia y en primer lugar desde la perspectiva del mito y del…

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“Cachorros de palha: 10 anos” – Uma entrevista com John Gray

Por Cássio Leite Vieira, Ciência Hoje, vol. 50, no. 298, novembro de 2012 [PDF] Cachorros de palha, livro que comemora 10 anos de lançamento, foi – e continuará sendo – polêmico. Seu autor, o filósofo político britânico John Gray, ex-catedrático de pensamento europeu na London School of Economics, foi – e continuará sendo – tachado…

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“‘Dostoiévski e a dialética: Fetichismo da forma, utopia como conteúdo’: um prefácio” (Manuel da Costa Pinto)

Estadão, 18 de maio de 2018 Prefácio ao livro “Dostoiévski e a dialética: Fetichismo da forma, utopia como conteúdo” (Editora Hedra), de Flávio Ricardo Vassoler. Em Cioran, l’Hérétique, biografia intelectual do ensaísta romeno – e filósofo dostoievskiano – Emil Cioran, o jornalista francês Patrice Bollon faz uma breve e aguda observação que pode servir como porta de…

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“Política apocalíptica” (John Gray)

“Um novo céu e uma nova terra: pois o primeiro céu e a primeira terra se foram”, lemos no Apocalipse. Eliminem o “céu”, mantendo apenas a “nova terra”, e terão o segredo e a receita de todos os sistemas utópicos. E.M. Cioran AS RAÍZES RELIGIOSAS dos modernos movimentos revolucionários foram primeiro analisadas sistematicamente no seminal…

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“Human Progress Is a Lie: an interview with John Gray” (Johannes Niederhauser)

VICE Magazine, Mar 28 2013 Yes, we have drones and vaccines, but that doesn’t mean civilisation is progressing. Haven’t we humans come such a long way? In the past 200 years alone we’ve managed to abolish slavery (by moving it to the sweatshops of the Third World), rid our lives of industrial pollution (by moving…

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“Emil Cioran: del escepticismo a la enfermedad” (Leobardo Villegas Mariscal)

In: El pensamiento fragmentado y otros textos, Taberna libraria, México, 2017. “Sobre las ruinas del Conocimiento, una letargia sepulcral hará espectros de todos nosotros, héroes lunarios de la Indiferencia…”. E.M. Cioran[1] 1. La lucidez o el oscuro subsuelo del escepticismo Una estrategia para acceder al pensamiento de Cioran es abordar en su obra dos cuestiones…

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“Progresso e agonia: a concepção de história em Kant e Cioran” (Rossano Pecoraro)

In: MENEZES, Edmilson; DONATELLI, Marisa (orgs.), Modernidade e a ideia de história. Ilhéus: EDITUS (Editura da Universidade Estadual de Santa Cruz), 2003, pp. 86-105. [Pdf] O constante progresso para o melhor, o desenho oculto, mas racional, da natureza,  o fio condutor a priori na história do mundo (Weltgeschichte), a fundação da afirmação relativa ao progresso…

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“Em busca da mortalidade” (John Gray)

Buda buscou salvação na extinção do self; mas, se não há self, o que existe para ser salvo? Nirvana é o fim do sofrimento; mas isso promete não mais do que nós todos alcançamos, usualmente sem muito esforço, no próprio curso da natureza. A morte traz a todos a paz que Buda prometeu após vidas…

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“O pessimismo de Cioran e Céline: o desafio de pensar sem utopia” (Fernando Santarosa de Oliveira)

Dissertação de mestrado — Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), agosto de 2016. Orientação: Anderson Bastos Martins. RESUMO: O filósofo romeno Emil Cioran (1911 – 1995) dedicou grande parte de sua obra à crítica dos ideais utópicos que guiaram o pensamento de seu tempo. Seu pessimismo foi a pedra…

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“Conhecimento histórico na obra História e Utopia de Emil Cioran” (Rodrigo Schenkler)

Trabalho apresentado no II Congresso Internacional de História UEPG-Unicentro Rodrigo Schenkler (UNILA) Palavras-chave: Cioran; utopia; história. Uma contradição parece, à primeira vista, buscar em um filósofo que afirma declaradamente a inutilidade das ideias, elementos que nos conduzam a uma possível teoria da história. “É tudo tão inexplicável que me dói a inutilidade das ideias.” Perpassa…

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Cioran: conversación con Fernando Savater

“Creo que la filosofía no es posible más que como fragmento. En forma de explosión. Ya no es posible ponerse a elaborar capitulo tras capitulo, en forma de tratado. En este sentido, Nietzsche fue sumamente liberador. Fue el quien saboteó el estilo de la filosofía académica, quien atentó contra la idea de sistema. Ha sido liberador…

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“Emil Cioran e a critica ao pensamento utópico” (Daniel Artur Emidio Branco)

Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará(UECE), cursando especialização em História do Brasil pelo Instituto de Teologia Aplicada (INTA) e cursando Teologia na Faculdade de Teologia do Ceará (FATECE). E-mail: darturemidio-1@yahoo.com.br Texto publicado no site Consciencia.org RESUMO: A explanação do pensamento do filósofo Emil Cioran (1911-1995), apresentando a sua relevância para a…

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“Cioran e as utopias” (Jayro Schmidt)

Enquanto os homens não prescindirem do enganador embelezamento do futuro, a história continuará sendo uma fustigação difícil de entender. Emil Cioran Somente um pensador indignado poderia desautorizar as utopias com tanta propriedade como fez Cioran, e com o sentido intempestivo nietzscheano agindo em ídolos e em suas inumeráveis cópias. Ler Cioran é sempre receber impactos…

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