“Eugène Ionesco: o útil é um peso inútil” (Nuccio Ordine)

E, ao contrário, para uma humanidade que perdeu o sentido da vida, Eugène Ionesco dedica reflexões extraordinárias, hoje mais atuais do que nunca. Numa conferência proferida em fevereiro de 1961, diante de outros escritores, o grande dramaturgo reafirma em que grau a insubstituível inutilidade é necessária: Observem o ritmo alucinado das pessoas pelas ruas. Não…

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Fanatismo e animosidade, ceticismo e urbanidade (Emil Cioran)

Só existe humanidade no clima benévolo e compreensivo das dúvidas. Envolvendo a alma e o mundo numa doce inanição interminável, elas nos defendem da brutalidade dos credos e da intolerância inerente a qualquer delírio. É verdade que o fanatismo é o motor da história, mas o ritmo que impõe aos acontecimentos e aos homens se…

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“A Romênia entre a História e a Europa” (Tony Judt)

A edição de fevereiro de 2000 da revista masculina Plai cu Boi de Bucareste apresenta uma certa princesa Brianna Caradja. Variando de adereços de couro a quase nada, ela aparece nas páginas centrais numa série de poses meio desfocadas, flagelando servos (masculinos) subservientes e semidespidos. Os rapazes submissos, envoltos em fumaça, cortam lenha, puxam trenós…

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“La realidad definitiva y única posible” (Blas Matamoro)

Cuadernos Hispanoamericanos, 4 de noviembre 2019 Lev Shestov Atenas y Jerusalén Traducción de Alejandro Ariel González Ediciones Hermida, Madrid, 2018 533 páginas, 25.00 € Se leía a León Chestov —así escrito— en los años de 1940, mayormente en ediciones argentinas quizá retraducidas del francés. Chestov era un exilado ruso que vivió en Francia, de donde…

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Dialogo con Mirko Integlia su «Tormented by God: The Mystical Nihilism of Emil Cioran» (parte II)

Orizzonti Culturali Italo-Romeni, n. 1, gennaio 2020, anno X In questa seconda parte dell’intervista di Rodrigo Inácio R. Sá Menezes con Mirko Integlia, autore del libro Tormented by God: The Mystical Nihilism of Cioran (Libreria Editrice Vaticano, 2019), la conversazione gira intorno a temi quali il pericolo-Cioran (in virtù della natura labirintica e «ipertestuale» della scrittura frammentaria…

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Alguns aforismos de Razne: um dos últimos escritos de Cioran em romeno

Li todos os livros da tristeza humana. E não me convenceram Convenceu-me o sangue, não obstante, sussurrando às ideias o cansaço de seu próprio calor. § A nostalgia é a forma mais doce da alienação mental, de nossa tendência a conceber outros mundos. § Estar no tempo, com menos proveito do que Deus antes da…

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“Happy with Tears: On Melancholy as a Hungarian Condition” (Nick Loomis)

Los Angeles Review of Books, July 20, 2016 HUNGARIAN ESSAYIST László F. Földényi recently published a post on the Yale Books blog “Unbound” entitled, “Are Hungarians Melancholic?” As it happens, I’ve spent the past month ruminating over the same question, as a fellow Hungarian (half) and reader of Földényi’s newly translated (by Tim Wilkinson) book, Melancholy (1988). “Why are Hungarians sad?”…

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“E. M. Cioran, Nihilist and Ecstatic” (Robert Wicks)

Life and works In a brief autobiographical sketch, Emile Mihai Cioran described himself as follows: I was born on the 8th April 1911 in Rasinari, a village in the Carpathians, where my father was a Greek Orthodox priest. From 1920 to 1928 I attended the Sibiu grammar school. From 1929 to 1931 I studied at…

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“Ictiofídeos e liberais” (John Gray)

Em Da outra margem, coleção de ensaios e diálogos escrita por Alexander Herzen entre 1847 e 1851, o jornalista radical russo imagina um diálogo entre alguém que acredita na liberdade humana e um cético que julga os seres humanos por seu comportamento, e não pelos ideais professados. Para surpresa daquele que acredita, o cético cita…

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“La prophétie du pire” (Sylvain David)

Fonte: Chapitre VI. La prophétie du pire – Presses de l’Université de Montréal DAVID, Sylvain, Cioran. Un héroïsme à rebours. Montréal: Presses Universitaires Montréal, 2006. L’homme, bien qu’il soit lui-même mortel, ne peut se représenter ni la fin de l’espace, ni la fin du temps, ni la fin de l’Histoire, ni la fin d’un peuple,…

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Existentialism, Gnosticism, Nihilism: Culianu on Cioran

Existentialism We will not insist on analyzing the relations between existentialism and Gnosticism established by Hans Jonas. I have already done this elsewhere, in detail (Gnosticismo, pp. 119 sq.). Gnosticism and existentialism resemble the phenomenology of the being-in-the-world, which is “pro-iectation” (Geworfenheit), abandonment, forgetfulness, inauthenticity. But while this condition forms, for the Gnostic, only the…

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Jeff Koons, Anti-Cioran

Um ser sem duplicidade não possui profundidade e mistério; não esconde nada. Só a impureza é sinal de realidade. E se os santos não são inteiramente desprovidos de interesse, é que sua sublimidade mistura-se ao romance e sua eternidade presta-se à biografia; suas vidas indicam que abandonaram o mundo por um gênero suscetível de cativar-nos…

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“Cioran e Guitton” (Gianfranco Ravasi)

Pubblicato col titolo: Cioran e Guitton nel cortile del dialogo, su IlSole24ORE, n. 157 (09/06/2019). Apud Pontificio Consiglio della Cultura. È ormai da un decennio che è in azione il “Cortile dei Gentili” allestito dal Pontificio Consiglio della Cultura (un dicastero vaticano che, quando fu fondato da Paolo VI, era denominato «per i non credenti»), dedicato al…

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“Pequena Filocalia”: Novo livro revela «amor da beleza» à «mística da oração interior»

Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura Lançada há dias pela Paulinas Editora, a “Pequena Filocalia” contém um conjunto de textos cristãos, produzidos ao longo de mil anos, a partir da edição original da “Filocalia” grega, que apela aos cristãos para se aperfeiçoarem e procurarem a paz interior. «São especialmente textos do vasto tesouro literário e…

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“A patifaria intelectual de Olavo de Carvalho” (Tomás Troster)

Decidi revisitar o trabalho do filósofo e avaliar o agora ‘guru do presidente’. Deixo o leitor tirar suas próprias conclusões Carta Capital, 13 de dez. 2019 A Dialética erística é uma obra na qual Schopenhauer expõe 38 estratagemas – subterfúgios ou artimanhas – usados inescrupulosamente para vencer um debate. Segundo Dionisio Garzón, a obra só…

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“Sobre a gênese da burrice” (Adorno & Horkheimer)

O SÍMBOLO DA INTELIGÊNCIA é a antena do caracol “com a visão tacteante”, graças à qual, a acreditar em Méfistófeles, ele é também capaz de cheirar. Diante de um obstáculo, a antena é imediatamente retirada para o abrigo protector do corpo, ela se identifica de novo com o todo e só muito hesitantemente ousará sair…

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COMO IMAGINAR a vida dos outros, quando a sua própria mal parece concebível? Encontramos alguém, vemo-lo mergulhado em um mundo impenetrável e injustificável, em uma porção de convicções e desejos que se superpõem à realidade como um edifício mórbido. Tendo forjado para si um sistema de erros, sofre por motivos cuja nulidade aterroriza o espírito […]

via “Coalizão contra a morte” — Breviário de Decomposição 7.0 🇧🇷

A santidade: fruto supremo da enfermidade; quando se está saudável, parece monstruosa, ininteligível e malsã ao mais alto grau. Mas basta que esse hamletismo automático chamado Neurose reclame seus direitos para que os céus tomem forma e constituam a moldura da inquietude. Defende-se da santidade se tratando: ela provém de uma sujeira particular do corpo […]

via Breviário de Decomposição 7.0 🇧🇷

“Trickster” (Paul Radin)

Few myths have so wide a distribution as the one, known by the name of the Trickster, which we are presenting here. For few can we so confidently assert that they belong to the oldest expressions of mankind. Few other myths have persisted with their fundamental content unchanged. The Trickster myth is found in clearly…

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“Devemos repetir a nós próprios todos os dias: Sou um daqueles que, entre milhares, se arrastam pela superfície do globo. Essa banalidade justifica qualquer conclusão, qualquer comportamento ou acto: deboche, castidade, suicídio, trabalho, crime, preguiça ou rebelião. … E daí se conclui que todos nós temos razão em fazer o que fazemos.” (Do inconveniente de […]

via Breviário de Decomposição 7.0

Sofrimento e transfiguração (Emil Cioran)

SÓ O SOFRIMENTO muda o homem. Todas as outras experiências e fenômenos não conseguem modificar essencialmente o temperamento de ninguém nem aprofundar certas disposições suas a ponto de transformá-las completamente. De quantas mulheres equilibradas não fez o sofrimento umas santas? Absolutamente todas as santas sofreram muito mais do que se pode imaginar. Sua transfiguração não…

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Ele abarca tudo, e tem êxito em tudo; não há nada de que não seja contemporâneo. Tanto vigor nos artifícios do intelecto, tanto desembaraço em abordar todos os setores do espírito e da moda – desde a metafísica até o cinema – deslumbra, deve deslumbrar. Nenhum problema lhe resiste, não há fenômeno que lhe seja […]

via Breviário de Decomposição 7.0

“Breviário de Decomposição: livro perigoso e essencial” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Por que reunir-se em torno do Précis de décomposition – e celebrá-lo? Alguns diriam que não há nada aí a ser celebrado, muito pelo contrário. Cioran: pró e contra… Qual a importância do Breviário de decomposição, conforme o temos, desde 1989, primorosamente traduzido ao português pelo professor José Thomaz Brum? Qual sua importância hoje, para […]…

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La amiga alemana de Cioran (José Ignacio Nájera)

Tras un día de debates acadêmicos y celebración de los 70 años desde la publicación del primer libro de Cioran escrito en francés, el Précis de décomposition, nada mejor para coronar un día perfectamente cioraniano (incluso la lluvia ayudó) que recibir un texto inédito de un importante colaborador del Portal E.M.Cioran 🇧🇷: el profesor José…

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Tal como foi publicado pela editora Gallimard em 1949, o primeiro livro escrito em francês pelo romeno Emil Cioran, Breviário de Decomposição, tem por autor E.M. Cioran, como, de resto, os livros escritos em francês que se seguirão; hoje em dia, porém, após o sucesso de Exercícios de admiração, de 1986, lê-se em muitas das […]

via “Quem escreveu o Breviário de Decomposição?” (Nicolas Cavaillès) — Breviário de Decomposição 7.0

“A mentira imanente” (E.M. Cioran)

VIVER significa: crer e esperar, mentir e mentir-se. Por isso a imagem mais verídica que já se criou do homem continua sendo a do Cavaleiro da Triste Figura, esse cavaleiro que se encontra mesmo no sábio mais realizado. O episódio penoso em torno da Cruz ou esse outro mais majestoso coroado pelo Nirvana participam da…

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“30 anos da primeira edição brasileira do Breviário de Decomposição” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Encaminhar-se para o fim da história com uma flor na lapela: único traje apropriado no desenvolvimento do tempo. Que lástima que não haja um Juízo Final, que não tenhamos ocasião para um grande desafio!” (Breviário de decomposição) * “O final da história? O fim do homem? É sério pensar nisso? São acontecimentos longínquos que a…

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Cioran, o místico de uma era pós-Deus: entrevista com Mirko Integlia (1ª parte)

In memoriam: María Liliana Herrera Alzate (1960-2019) “Às vezes tenho a impressão de que a obra de Cioran é interpretada como uma espécie de bazar, onde cada um se serve daquilo que quer, inclusive dos aspectos místicos-religiosos.” (Mirko Integlia) * [Pdf] Acaba de ser publicado, em inglês, um novo livro de exegese crítica sobre Cioran,…

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O Não, Última Palavra? Elementos para a Possibilidade de Vencer o Pessimismo (Cioran)

REGRAS PARA VENCER O PESSIMISMO, MAS NÃO O SOFRIMENTO: acompanhar o mais delicado estremecimento da alma com uma tensão premeditada; estar lúcido na dissolução interior; vigiar a fascinação musical; estar triste com método; ler a Bíblia com interesse político e os poetas para testar a própria resistência. servir-se das nostalgias para os pensamentos ou fatos;…

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Fenêtre sur le Rien (Emil Cioran)

CIORAN, Emil. Fenêtre sur le Rien. Trad. de Nicolas Cavaillès. Paris: Gallimard/Arcades, 2019 Avec Divagations, ce recueil exceptionnel constitue la dernière oeuvre de Cioran écrite en roumain. Vaste ensemble de fragments probablement composés entre 1941 et 1945, ce recueil inachevé et inédit commence par une sentence programmatique : « L’imbécile fonde son existence seulement sur ce qui…

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