Le Monde: “Cioran et la chute de l’homme dans le temps”

mondeCe vendredi 8 avril a lieu la commémoration de son centième anniversaire (soit 15 ans après qu’Emil Cioran a rejoint les anges).

Par Pierre Assouline

LE MONDE DES LIVRES | 07.04.2011 à 10h39 [source]

Inutile de se précipiter sur le souple pavé “Quarto” réunissant ses oeuvres complètes, ni sur l’épais “Cahier” que l’Herne lui a consacré, pour y chercher une ou deux maximes juste assez désespérées, de nature à coller avec la commémoration de son centième anniversaire, ce vendredi 8 avril (soit 15 ans après qu’Emil Cioran a rejoint les anges). Tout ce qui est sorti de sa plume ne parle que de cela : la chute de l’homme dans le temps.

Les cioranologues, cioranophiles et cioranolâtres ont pu néanmoins lui souhaiter de vive voix un bon anniversaire. Non pas devant sa tombe au cimetière Montparnasse : c’est là qu’on a le plus de chances de le trouver absent. Plutôt ailleurs, précisément. Ces derniers jours, on pouvait saluer son spectre mélancolique dans la salle byzantine du Palais de Béhague. L’ambassade de Roumanie avait pris des allures de ciorangerie pour la circonstance : Alain Lecucq et sa compagnie y jouaient Mansarde à Paris, une pièce de Matei Visniec, histoire d’un philosophe franco-roumain qui, en quittant les bureaux de son éditeur, oublie l’itinéraire menant de la rue Sébastien-Bottin au carrefour de l’Odéon et se perd en Europe. Si la ville avait songé à apposer une plaque commémorative sur la façade du 21 de la rue de l’Odéon, rappelant qu’ici vécut un maître en syllogismes de l’amertume, sûr qu’il serait arrivé à bon port. Ce geste commémoratif fut d’ailleurs solennellement exigé lors d’un brillant colloque consacré au pessimiste jubilatoire au Salon du livre. Il y fut question de la fécondité de ses contradictions, du sens de son incohérence et du salut par l’oxymoron. La moindre des choses pour un paradoxe fait homme. Incidemment, on apprit que sa bibliothèque même était bancale ; il est vrai qu’il avait cru bon se faire menuisier pour l’occasion.

A Paris toujours, mais cette fois du côté de l’Hôtel Drouot, on s’apprête à célébrer un centenaire plus sonnant et trébuchant. Simone Baulez, l’opiniâtre brocanteuse qui sauva une trentaine de cahiers, dont le journal inédit du moraliste et plusieurs versions dépressives du fameux De l’inconvénient d’être né, en débarrassant sa cave, s’est vue confirmée dans ses droits par la cour d’appel à l’issue de plusieurs années de procédure. Encore faut-il qu’elle récupère son bien. Or la chambre nationale des commissaires-priseurs, adoptant une attitude kafkaïenne qui eût certainement inspiré l’Emil, refuse de lever le séquestre sur les documents tant qu’une décision de justice ne le lui ordonne pas expressément. On en est là, en attendant qu’une juridiction soit saisie par son avocat, Me Rappaport. Mais la brocanteuse, qui s’est engagée à tout céder en bloc, n’est pas pressée ; à ce jour, outre l’ambassade de Roumanie, le Musée des Lettres et Manuscrits a manifesté son intérêt.

Cioran à l’encan

En attendant, incroyable coïncidence, jeudi 7 avril, soit quelques heures avant que les saints en larmes ne soufflent ses bougies d’anniversaire, Cioran se retrouve à l’encan à Drouot sous le marteau de Binoche & Giquello, dans l’espoir que la vente atteigne des cimes. Discrétion oblige, on en ignore la provenance mais on peut la supposer familiale ; en effet, outre des textes manuscrits autographes et des notes de lecture, ces archives (122 numéros) valent surtout par l’importante correspondance intime de Cioran échangée entre 1933 et 1983 avec ses parents et son frère Aurel, ainsi que par des documents aussi personnels que ses diplômes, passeports, cartes d’identité, cartes d’admission à la Bibliothèque nationale, cartes de chemin de fer, etc. Toute dispersion est un serrement de coeur car elle est dispersion. N’empêche qu’à lui seul, le catalogue est déjà un document excitant pour les biographes, généticiens et historiens de la littérature. Tout ce que déteste Milan Kundera, si l’on en juge par l’édition non critique de ses “Pléiade” parues sous son contrôle. Tant pis pour lui : pour ses 100 ans, Prague ne pavoisera pas, alors que pour ceux de Cioran, Bucarest est en fête. Normal, puisqu’il disait penser en roumain avant d’écrire en français.

Stanislas Pierret, le directeur de l’Institut français de Bucarest, a proposé à Dan Perjovschi de “donner à voir” la pensée de Cioran dans les rues de la capitale. Celui-ci appose donc une trentaine d’affiches, à compter du 8 avril et durant un mois, partout où existent des noeuds de communication. Pour chacune d’elles, un fragment chu de l’oeuvre du moraliste et un dessin au feutre marqueur qui se veut tout sauf son illustration. Un aphorisme visuel en regard d’un aphorisme philosophique. L’un et l’autre enfants de Sibiu,ils se retrouvent à la rue sur les murs de Bucarest. On y lira peut-être ces lignes échappées de Bréviaire des vaincus III (L’Herne) : “Le devoir de celui qui écrit n’est-il pas de se trancher les veines sur la page blanche, de faire ainsi cesser le supplice des mondes informulés ?” Allez, joyeux anniversaire quand même !

Pierre Assouline

Entrevista com Henrique Zanoni: “Música perfeita para o suicídio”, espetáculo teatral inspirado na obra de Cioran

Ao longo de mais uma madrugada insone, o jovem filósofo Emil Cioran embarca numa viagem vertiginosa, mas repleta de um humor ácido, se embrenhando por temas como a lucidez, o amor, a arte, a morte e a vida.

A peça “Música perfeita para o suicídio”, que integra o repertório teatral da Cia. dos Infames, criada a partir dos escritos de Cioran, entrou em cartaz no dia 24 de maio de 2016, no Teatro Cemitério de Automóveis, na capital paulista.

 

Contemplada no 2º Prêmio Zé Renato de Teatro da Secretária Municipal de Cultura, tem direção de Cristiano Burlan e atuação de Henrique Zanoni. Este é o segundo projeto da Cia. dos Infames – a estreia se deu com “A Vida dos Homens Infames”, baseada na obra de Michel Foucault. Jean-Claude Bernardet, crítico, professor e ator, faz uma participação especial em vídeos que interagem com o protagonista.

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Nesta entrevista, o ator, diretor e dramaturgo Henrique nos conta um pouco sobre o e sobre a trajetória que o levou à ideia de produzir um monólogo sobre o autor romeno. O potencial dramatúrgico de Cioran, a virtude catártica de sua obra, a infâmia como ética de vida, o humor e a poeticidade da prosa cioraniana como ingredientes de uma mise-en-scène explosiva , entre outros assuntos – eis o que o leitor encontrará a seguir. 

EMCioran/Br: Primeiramente, Henrique, muito obrigado por nos conceder esta entrevista. Para começar, que tal se você se apresentasse, falando um pouco de sua formação e de sua carreira artística?

H.Z.: Em primeiro lugar, sou eu que gostaria de agradecer! O blog mantido por você foi uma das grandes fontes de pesquisa para o projeto! Então, registro aqui publicamente minha admiração por esse trabalho e a importância para a difusão e potencialização da obra de Cioran.
Em relação à minha formação, tenho um passado que condena – sou economista! Depois dessa fase vergonhosa, estudei e me formei como ator no INDAC. Lá se vão quase dez anos! Nesse período, trabalhei com algumas companhias de teatro, passando por textos clássicos como Shakespeare, Tchekhov, Arrabal, e também por autores brasileiros contemporâneos (Mario Bortolotto, Samir Yazbek, Marcos Barbosa).
Em 2012, me tornei sócio da produtora de cinema Bela Filmes, ao lado de Cristiano Burlan. Na produtora, realizamos inúmeros longas metragens (ficção e documentário), tais como “Sinfonia de um Homem Só”, “Amador”, “Mataram Meu Irmão”, “Hamlet”, “Em Busca de Borges”, entre outros. Trabalhei também com outros diretores, tais como Marcelo Caetano e Cláudio Gonçalves. Em 2015, dirigi meu primeiro curta-metragem, “Brutalidade”, que passou em alguns festivais nacionais (Juiz de Fora, Ouro Preto) e internacionais (Itália, México).
A partir dessa pesquisa que eu e o Cristiano desenvolvemos no cinema, decidimos, em 2013, fundar nossa Companhia de Teatro, a Cia dos Infames. Nosso primeiro projeto foi “A Vida dos Homens Infames”, baseado em dois diários resgatados por Michel Foucault – “Eu, Pierre Riviere, que degolei minha mãe, meu irmão e minha irmã…” e “Herculine Barbin: Diário de uma Hermafrodita”. A peça tinha direção do Cristiano Burlan e dramaturgia minha e da Marcela Vieira. Além da peça, que cumpriu 2 temporadas em São Paulo e rodou por alguns festivais nacionais, o projeto contou com o ciclo de debates “Por um Teatro Não-Fascista”, onde debatemos temas como escrita, atuação, encenação e crítica teatral, e contou com nomes como Luiz Fuganti, Roberto Alvim, Samir Yazbek, Salma Tannus, Maria Eugênia de Menezes, entre outros.
Bom, e chegamos agora com o projeto “Música Perfeita para o Suicídio”, que foi contemplado no 2o Edital Zé Renato de teatro da prefeitura de São Paulo.

EMCioran/Br: Como você chegou a Cioran, ou, pela perspectiva oposta, como Cioran chegou até você? Qual foi sua primeira leitura do autor e o que o atraiu a ele?

H.Z.: Há 3 anos atrás, o Cristiano me deu o livro “Breviário de Decomposição”. Confesso que não fui arrebatado de imediato pela obra, mas desde o início, o cinismo e humor de Cioran, aliado a sua escrita altamente poética e pessoal me pareceram um material muito interessante para trabalhar dramaturgicamente. Fui atrás das outras obras. Foi então que entrei em contato com “Nos Cumes do Desespero”. Quando li a abertura do livro (“Escrevi esse livro aos 22 anos de idade… se não o houvesse escrito com certeza teria posto fim às minhas noites”), fui imediatamente capturado. A partir daí, devorei todos os livros (em português) de Cioran e a leitura realmente teve um efeito devastador sobre minha visão e ética com a vida. Comecei a separar os temas que me interessavam, as mudanças e contradições ao longo de sua obra, as histórias que contava, etc.. De certa maneira, encaro sua obra sob uma certa perspectiva trágica: fico sempre imaginando o que esse franco-romeno teve que passar para produzir sua obra, o que ele se dispôs a enfrentar, uma lucidez e consciência ininterruptas, e, ao dar forma a esses pensamentos duros e difíceis, quando lemos, sentimos uma certa catarse, pois todos sentimos aquilo, mas nos falta coragem para enfrentar as questões de frente; mas através da leitura, da expressão, a vida torna-se um pouco menos insuportável.

EMCioran/Br: Você acaba de estrear um monólogo inspirado na obra de Cioran, e intitulado “Música perfeita para o suicídio”. Anteriormente, você havia produzido outra peça, inspirada na obra de Foucault. O que o levou a escolher estes dois autores? Como surgiu a ideia de dramatizar a obra de Cioran, que, diferentemente de outros pensadores do mesmo contexto histórico-cultural (vêm a mente Sartre, Camus e Beckett, entre tantos outros), nunca se arriscou a produzir para o teatro? Enfim, que tipo de apelo dramatúrgico você enxerga na obra de Cioran? Aliás, não é a primeira vez que a obra do autor do Breviário de decomposição é adaptada ao teatro, no Brasil ou em outros países, como a França…

H.Z.: O que, talvez, me interessa nas obras de Foucault e Cioran é uma certa infâmia com a vida, com os temas escolhidos e a própria escrita que produziram (as escolhas artísticas não são exatamente planejadas e conscientes; por vezes tomamos contato com obras que nos arrebatam e você simplesmente não consegue se livrar delas; talvez as peças sirvam a esse propósito de libertação). A nossa companhia de teatro tem esse interesse, de lidar com autores infames, de unir o pensamento com a encenação, unir ética e estética. Mas também estamos interessados agora em autores brasileiros contemporâneos.
Devo dizer que o humor de Cioran foi o que me arrebatou profundamente. Ainda que um sorriso estranho, desconfortável (a imagem da hiena, tão cara a ele, me vem a mente de imediato) sempre que penso em Cioran, quase não consigo parar de rir! Além disso, a própria escritura/estilística de Cioran me estimulava muito: capaz de criar imagens que flertam com uma certa “paixão do absurdo”, de uma poética fabulosa e intrincada, e, principalmente por escrever tudo em primeira pessoa! Como ele mesmo diz, “tudo o que escrevi, é inseparável do que vivi. Não inventei nada, fui apenas o secretário de minhas sensações”. Juntando todos esses elementos – escritura profundamente pessoal, altamente poética e imagética e dotada de humor pra lá de instigante – me pareceram ingredientes com um potencial dramatúrgico muito rico e explosivo.
Mas a grande dificuldade foi: o que o teatro, e somente o teatro, pode trazer para a obra de Cioran? Caso contrário, acho muito mais interessante ler os livros! Além disso, o tempo todo, queria fugir de dois problemas que enxergo numa leitura superficial de Cioran: como não “construir” um personagem que fosse uma caricatura de um louco (o que Cioran definitivamente não era) e como não fazer uma “palestra” sobre seus escritos. E sempre achei que o humor/cinismo de Cioran deveria dar o tom da peça (como não cair num “stand-up comedy” banalizado e boçal era outro desafio). Finalmente, tanto os temas como a própria escrita de Cioran são muito complexos, quase labirínticos, então o desafio seria como “incluir” (no bom sentido) o público nessa viagem do pensamento. Se o teatro é ação, como fazer do pensamento, ação? Enfim, foram 3 anos de um longo, difícil e prazeroso caminho para chegarmos aqui.

EMCioran/Br: Por que o título “Música perfeita para o suicídio”?

H.Z.: Nomear as obras é sempre uma grande luta! E nomear uma obra baseada em Cioran, mestre nos títulos, trouxeram ainda mais dificuldade para isso!
Em termos mais concretos, posso citar alguns, digamos, disparadores (não há nenhuma “hierarquia” aqui): a música tem uma importância muito grande para Cioran e também para mim (cada trabalho que faço, utilizo um conjunto de músicas para estimular a criação). Além disso, a música tem um poder muito forte para mim e o Cristiano em termos de encenação. Teve também o fato de entrar em contato com a música “Domingo Sombrio”, de Rezso Seres (que ficou conhecida como música húngara do suicídio), que acho que dialoga muito com a obra cioraniana. Por fim, tanto na dramaturgia como interpretação e encenação, buscamos transformar os escritos em música; uma música feita de palavras, de entonações, pausas, velocidades, que fosse perfeita para o suicídio; transformar o “falar” do ator numa partitura musical. Em suma, tentar dar conta do que considero talvez o mais importante para uma obra de arte: a criação de uma atmosfera.

EMCioran/Br: Como alguém dedicado às artes cênicas e à dramaturgia, você encontra alguma dificuldade especial em adaptar a obra de um autor como Cioran para o teatro, algum desafio específico em se tratando de uma discursividade tão complexa como a do autor do Breviário, tão fragmentária e assistemática como a dele?

H.Z.: Cada vez mais tenho a percepção de que mais importante para o artista é saber o que não queremos! Então, desde o início não queria transformar Cioran num louco vulgar e também não queria fazer uma palestra a partir dos escritos de Cioran. Queria também incluir o humor cioraniano, sem simplificar suas ideias, sem fazer algo mastigado e bobinho para a plateia (acredito piamente que os espectadores, quando criadas as condições, topam a viagem teatral e embarcam junto com você). O desafio era fazer uma biografia de Cioran, mas não uma biografia “histórica”, e sim uma biografia através de seu pensamento (que, no fim das contas, é o que interessa). Então, precisava de certa maneira unir o subtexto do ator com o subtexto do pensamento de Cioran. Enfim, todo o trabalho talvez tenha sido deixar me permear pelo pensamento de Cioran, sentir esse pensamento na minha pele, transformar esse pensamento em ação.

EMCioran/Br: Um livro favorito de Cioran? Algum aforismo, ou alguns?

H.Z.: Difícil…. muito difícil… Vou citar apenas o que talvez tenha sido o livro mais importante para a escritura da peça (e que inclusive o próprio Cioran disse que todos seus temas estão ali, somente foram retrabalhados nos livros posteriores): “Nos Cumes do Desespero”.
E, mais difícil que um livro, talvez seja um aforismo. Vou escolher um em função do próprio ofício do ator. Ainda que essencialmente coletivo, existe uma solidão essencial do trabalho de criação: “É na solidão que as lágrimas são ardentes”.

EMCioran/Br: Há um teaser da peça que, aliás, acompanha esta entrevista. Para além dele, o que você poderia adiantar a respeito da peça, sem estragar a surpresa? É para deixar os leitores do portal, e potencial público do espetáculo, ainda mais instigado para vê-lo…

H.Z.: Qualquer coisa que eu diga, será diferente da experiência que buscamos criar com a peça. Então, a única coisa que diria: VENHAM VER A PEÇA! São 50 minutos viajando pelos pensamentos (e atmosfera) de Cioran!
Antes de ser uma palestra pedante sobre como lidar com sua vida, embarcamos numa viagem vertiginosa por temas difíceis e delicados, mas dotados de um humor e um cinismo ímpar, contagiantes! (“se fosse eleito Deus, imediatamente pediria demissão”; ou “durante todo minha vida nutri a pretensão extraordinária de ser o homem mais lúcido que já existiu. Cada um com sua loucura; a minha foi me julgar normal”; ou “um passeio no cemitério é uma lição de sabedoria quase automática; é melhor que ir no médico”). Enfim… venham!

EMCioran/Br: Para terminar, deixo com você as últimas palavras: gostaria de dizer algo mais, sobre Cioran, sobre o teatro, sobre sua peça inspirada em Cioran?

H.Z.: Já falei muito! Hehe… Mas gostaria novamente de agradecer imensamente a você (e seu blog!). Devo agradecer também a Fernando Klabin, Flamarion Caldeira Ramos e José Thomaz Brum. Vocês são os verdadeiros multiplicadores desse kamikaze chamado Cioran. E para os leitores, diria: o teatro é por definição efêmero. Então, venham experienciar essa atmosfera cioraniana materializada na cena.

EMCioran/Br: Caro Henrique, muito obrigado, uma vez mais, pela entrevista. Sinto-me tentado a desejar o seguinte para você e todos os envolvidos no espetáculo que você protagoniza: “Merda!”, o que vem a ser ainda mais oportuno em se tratando de uma peça sobre Cioran…

SERVIÇO

“Música perfeita para o suicídio”, espetáculo teatral

Local: Cemitério de Automóveis – Rua Frei Caneca, 384 – São Paulo.
Classificação etária: 14 anos

Duração: 60 minutos*
(*todas as quintas haverá debates após a apresentação)

Datas e horários: somente às quintas, às 22h, dias 26 de maio, 02, 09 e 16 de junho.

PROGRAMAÇÃO DEBATES

(Mediação: Fábio Zanoni)

26 de maio Cioran no Século XXI: Nos Cumes do Desespero
Fernando Klabin e Marcelo Mirisola

02 de junho Escrita: Solidão e Êxtase
Dione Carlos e Rodrigo Menezes

09 de junho O Ator e a Lucidez
Chico Carvalho e Flamarion Caldeira Ramos

16 de junho O que Resta ao Teatro?
Mario Bortolotto e convidado à confirmar

Realização:
Prefeitura de São Paulo – Prêmio Zé Renato

Produção:
Bela Filmes & Cia. dos Infames

VENDA ON-LINE (Ingresse.com)
– Os Ingressos desta oferta são referentes ao ;
– É obrigatório a apresentação do ingresso/voucher impresso ou em forma digital (via SMS ou aplicativo Ingresse), juntamente com o DOCUMENTO OFICIAL COM FOTO para a entrada no evento;
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“Cioran, un pensador crítico cuya obra refleja nuestra realidad” (La Jornada, México)

A cien años de su natalicio, las tesis del filósofo devienen imprescindibles

Por Mônica Mateos-Vega, La Jornada, México, 12 de enero de 2011, p. 4.

El país vive un periodo de incertidumbre, muerte y desazón con magnitudes distintas al impacto recibido por el intelectual rumano ante la guerra, el exilio y el genocidio, asevera Luis Ochoa Bilbao

A cien años de su natalicio, el pensamiento de Émile Michel Cioran, un filósofo imprescindible en Europa, tiene el atractivo de seguir siendo un autor virgen del que se puede hablar y estudiar en México, consideran aquí especialistas.

En librerías nacionales se puede conseguir casi una veintena de títulos, entre ellos la redición que en noviembre pasado lanzó la editorial Tusquets de Conversaciones, el homenaje que su editor de toda la vida, Gallimard, publicó poco después de la muerte del pensador, ocurrida en 1995.

Conocer la obra de Cioran es necesario para comprender los temas más emotivamente extenuantes de la civilización europea y, por herencia, americana. Reflexiona sobre la vida y la muerte, sobre el suicidio, sobre la idea de Dios, temas que no dejan de ser inquietantes ni siquiera para sociedades embrutecidas por el vértigo del consumo, de la técnica, del espectáculo y del ocio, considera Luis Ochoa Bilbao, coordinador de la licenciatura de Relaciones Internacionales de la Benemérita Universidad Autónoma de Puebla.

Autor también del extenso ensayo Cioran y la ética de la instrospección (2005, publicado en la revista Andamios, de la Universidad Nacional Autónoma de México), Ochoa añade: ¿Es posible seguir preocupándose por Dios en el siglo de la biogenética, del universo elegante, del calentamiento global? Parece que sí, y Cioran nos recuerda que esos problemas siguen vigentes, aunque sea en la intimidad inconfesa de todos nosotros.

Un apátrida, siempre

En entrevista con La Jornada el investigador Luis Ochoa Bilbao señala que “México vive un periodo de incertidumbre, riesgo, muerte, desazón, con magnitudes distintas, todas esas emociones las experimentaron los europeos del siglo XX. Cioran escribió sobre ello, impactado por fenómenos como la guerra, el exilio y el genocidio… [+]

“Cioran ateo credente che spiava dio” (Gianfranco Ravasi) [Ita]

Avvenire.it, 19 giugno 2015

​Vent’anni fa, il 20 giugno 1995, moriva a Parigi lo scrittore Emil Cioran. Sulle rive della Senna era approdato a 26 anni, nel 1937, dopo aver lasciato alle spalle la sua patria, la Romania, e la sua cittadina, Rasinari, un delizioso villaggio della Transilvania. Posto su un colle circondato da monti coperti di querce, faggi e pini, attraversato da un ruscello, pittoresco per il paesaggio, quel piccolo centro era marcato religiosamente da due chiese, l’una settecentesca, l’altra neoclassica dedicata alla Trinità, della quale era parroco suo padre. La lapidaria carta d’identità ideale di Cioran era, però, così scandita: «Io sono uno straniero per la polizia, per Dio, per me stesso».

Straniero, quindi, per la sua nazione originaria, che egli aveva cancellato dalla sua anagrafe personale, abbandonandone anche la lingua. Straniero anche per la nazione che l’aveva ospitato, a causa del suo costante isolazionismo: «Sopprimevo dal mio vocabolario una parola dopo l’altra. Finito il massacro, una sola rimase come superstite: Solitudine. Mi risvegliai appagato». Straniero, infine, per Dio, lui che – come dicevamo – era figlio di un prete ortodosso. Talmente straniero da iscriversi alla “razza degli atei”, eppure con un’insonne ansia di inseguimento nei confronti del mistero divino: «Mi sono sempre aggirato attorno a Dio come un delatore: incapace di invocarlo, l’ho spiato». È per questa ragione che di lui posso anch’io brevemente parlare, senza pretese di travalicare il mio perimetro di teologo sconfinando nell’analisi di critica letteraria che le sue opere meritano, un vaglio che effettivamente è stato ampiamente condotto. Cioran, infatti, si è appostato a più riprese per tendere agguati a Dio costringendolo a reagire e quindi a svelarsi.

Emblematico è il dialogo che a distanza intavolò col teologo rumeno Petre Tutea. Costui non aveva abbandonato la sua terra, nonostante 13 anni trascorsi nelle prigioni di Ceausescu, né tanto meno la sua fede, a tal punto da replicare a Cioran così: «Senza Dio l’uomo rimane un povero animale, razionale e parlante, che non viene da nessuna parte, e va non si sa dove». In realtà, il suo interlocutore non era strettamente ateo né agnostico, tant’è vero che era giunto al punto di suggerire ai teologi una sua particolare via “estetica” per dimostrare l’esistenza di Dio. Scriveva, infatti, in Lacrime e santi (tradotto da Adelphi nel 1990): «Quando voi ascoltate Bach vedete nascere Dio… Dopo un oratorio, una cantata o una “Passione”, Dio deve esistere… Pensare che tanti teologi e filosofi hanno sprecato notti e giorni a cercare prove dell’esistenza di Dio, dimenticando la sola!».

Cioran accusa l’Occidente di un delitto estremo, quello dell’aver estenuata e disseccata la potenza generatrice del Vangelo: «Consumato fino all’osso, il cristianesimo ha smesso di essere una fonte di stupore e di scandalo, ha smesso di scatenare vizi e di fecondare intelligenze e amori». Potremmo, perciò, considerarlo come un Qohelet-Ecclesiaste moderno. Egli, infatti, si era trasformato in una sorta di “mistico del Nulla”, lasciando intravedere il brivido delle “notti dell’anima” di certi grandi mistici come Giovanni della Croce o Angelo Silesio, risalendo fino allo sconcertante cantore del nesso Dio-Nulla, il celebre Meister Eckhart medievale. «Ero ancora un bambino, quando conobbi per la prima volta il sentimento del nulla, in seguito a un’illuminazione che non riuscirei a definire». Un’epifania di luce oscura, potremmo dire con un ossimoro usato dal Giobbe biblico.

«Si ha sempre qualcuno sopra di sé – continuava -; al di là di Dio stesso si eleva il Nulla». Ma ecco il paradosso: «Il campo visivo del cuore è: il mondo, più Dio, più il Nulla. Cioè tutto». E allora questa è la sua conclusione: «E se l’esistenza fosse per noi un esilio e il Nulla una patria?». Il Nulla – sempre per ossimoro – diventa il nome di un Dio, certamente ben diverso dal Dio cristiano, eppure come lui pronto a raccogliere il male di vivere dell’umanità.

Scriveva Cioran, evocando la “psicostasia” dell’antico Egitto, ossia la pesatura delle anime dei defunti per la verifica della gravità delle loro colpe: «Nel giorno del giudizio verranno pesate solo le lacrime». Nel tempo della disperazione, infatti, certe bestemmie – dichiarava Cioran, sulla scia di Giobbe – sono “preghiere negative”, la cui virulenza è accolta da Dio più della compassata lode teologica (l’idea era già stata formulata da Lutero).

Cioran è, quindi, un ateo-credente sui generis. Il suo pessimismo, anzi, il suo negazionismo riguarda piuttosto l’umanità: «Se Noè avesse avuto il dono di leggere il futuro, non c’è alcun dubbio che si sarebbe fatto colare a picco!». E qui il Nulla diventa il mero nulla, un vuoto annientamento: «Adorare la terra e dirsi che proprio essa è il termine e la speranza dei nostri affanni, e che sarebbe vano cercare qualcosa di meglio per riposarsi e dissolversi». L’uomo con le sue follie ti fa perdere ogni fede, è una sorta di dimostrazione della non esistenza di Dio e l’invito a un ritorno al nulla.

In questa luce si spiega il pessimismo radicale di Cioran che brilla già nei titoli delle sue opere: L’inconveniente di essere nati, La tentazione di esistere, Sulle cime della disperazione, Squartamento, Sillogismi dell’amarezza e così via. E qualche volta è difficile dargli torto, guardando non solo la storia dell’umanità, ma anche il vuoto di tanti individui che non ha niente del tragico Nulla trascendente: “Di molte persone – scriveva – si può affermare quanto vale per certi dipinti, cioè che la parte più preziosa è la cornice”. Ma per fortuna – ed è questa la grande contraddizione – esiste, come si diceva, anche Bach

Idealmente si potrebbe accostare a Cioran un suo amico, anch’egli rumeno, lui pure esule a Parigi e morto un anno prima, il 28 marzo 1994, cioè il grande drammaturgo Eugène Ionesco. Agnostico ma non indifferente, durante un’intervista, scherzando ma non troppo, aveva confessato: «Mi precipito al telefono ogni volta che suona, nella speranza, ogni volta delusa, che possa essere Dio che mi telefona. O almeno uno dei suoi angeli di segreteria».

Alla base del suo pessimismo nei confronti dell’umanità, analogo a quello di Cioran, c’era però in Ionesco lo stupore di una persona ferita dall’imperio della stupidità, del male, della cattiveria, dell’umiliazione dei piccoli e degli innocenti, della menzogna comunista dominante nel suo Paese.

Ed era proprio da questa temperie morale che fioriva il suo anelito verso il mistero, la sua inquietudine spirituale, la sua ricerca del Dio nascosto che non telefona mai alla sua creatura che pure è in angosciosa attesa di un suo squillo. L’ultima riga del suo diario è stata, però, folgorante: «Pregare. Non So Chi. Spero: Gesù Cristo». Proprio per questo è importante anche per noi credenti seguire i percorsi di simili ricerche condotti da persone non credenti ma col viso rivolto verso l’infinito e l’eterno. Il loro impegno è sincero e, a differenza di certi atei devoti, non ha interessi di altro genere, insalivati con altri sapori di tono politico o sociale.

Come riconosceva uno scrittore cattolico francese, Pierre Reverdy, «ci sono atei di un’asprezza feroce che, tutto sommato, si interessano di Dio molto di più di certi credenti frivoli e leggeri». Proprio per questo ho cercato in più occasioni di introdurre nel “Cortile dei gentili” per il dialogo tra credenti e non credenti, sia Cioran sia Ionesco, così come un altro grande scrittore francese, Albert Camus. Essi ci insegnano che il vero ateismo contemporaneo non è il loro ma lo è quell’indifferenza, superficialità, banalità che genera un “apateismo”, un vuoto che non ferisce né emoziona, a differenza di queste voci apparentemente scandalose ma autenticamente inquiete e in ricerca. E già il Socrate di Platone affermava che «una vita senza ricerca non merita di essere vissuta».

“Cioran y Teresa de Ávila”, por José Ignacio Nájera (Esp)

Texto inédito de José Ignacio Nájera, autor de El universo malogrado – carta a Cioran (Murcia, Espanha, 2008), a proposito del V centenario del nacimiento de la santa y mística española

“Es un error no admitir más que la variante religiosa del éxtasis”
E.M.Cioran, En la cimas de la desesperación

Si no hubiera ateísmo, Dios estaría exhausto, nos viene a decir Cioran. Nuestras oraciones y nuestros irritantes y exigentes monólogos con lo Alto no son sino componentes del eterno berrinche divino. Y para mayor abundamiento, la santidad y sus usuarios en general son los más culpables de semejante desgaste. Y en especial los santos místicos. Y más aun los místicos españoles. Y en concreto santa Teresa de Ávila.

La santa española, de la que se conmemora su quinto centenario, no le fue indiferente ni mucho menos al escritor franco-rumano. Más bien lo mantuvo obsesionado durante un periodo de su vida, en la etapa en que el fenómeno místico lo encandiló hasta el paroxismo. Luego, como él mismo diría, los místicos dejaron de interesarle, ¡sobre todo ellas, las santas y las ardientes monjas! En cualquier caso, fue un fenómeno de juventud que no abandonaría hasta los inicios de su madurez.

El encuentro de Cioran con santa Teresa requeriría una cierta contextualización previa. Esta empezaría por la relación de Cioran con España. Una relación de admiración y fascinación como confesaría repetidas veces (no en vano dijo que le hubiera gustado ser español). España (y Rusia) le parecía que era el contraste perfecto con el resto de la civilizada Europa. Quizá nosotros —mejor, aquellos otros españoles con los que Cioran se rozó, bien a través del conocimiento, bien en sus lecturas— representábamos como nadie esa facción más instintiva, ardorosa y natural del continente europeo (eso que, y en otro contexto, tópicamente se denominó la furia). Pero, según él, también somos, en una especie de dialéctica inconclusa, una muestra de lo que es el desencanto y la ruina. Es decir, la llama junto a la decadencia. Eso al menos es lo que ha destilado al hilo de sus lecturas de nuestro Siglo de Oro y sobre todo de Unamuno y de Ortega. Santa Teresa obviamente pertenece a la tribu de los ardientes, pues nadie hay más ajeno que ella a la rumia decadentista.

Dado su interés por lo español, no le fue difícil detectar la figura de la famosa mística; de hecho, ella es una de las luminarias hispánicas con más interesantes e intensos destellos. Y conste que este requiebro se queda corto al lado de lo que Cioran dijera de ella: “Si España fuera un cíclope, Teresa de Ávila sería su ojo”. ¿Hay quién dé más?

Según esto, pareciera que todo encajara a la perfección, pero… ¿no estamos en el caso del rumano ante un ateo confeso?, ¿no es Cioran en el fondo, y en la superficie, un ejemplo de la antirreligiosidad?, ¿un fustigador de lo sacro? Entonces, ¿a qué esta fijación con la santa? Sin duda que se trata de una inversión y de una admiración del gesto, de la contorsión hacia lo divino (eso que no está o que tal vez sea un dios decepcionado, incluso malvado). En el fenómeno místico Cioran ve una extremosidad, y como tal anomalía siente que lo cautiva. No es tanto el amar a Dios sobre todas las cosas lo que llama su atención como el espectáculo que supone. El joven Cioran que tan amante era de la intensidad no se iba a privar de escrutar esa pléyade de intensos que fueron los místicos. No estaba muy lejos una infancia de educación cristiana en casa de un pope ortodoxo como fue su padre, ni había olvidado aquella tensión vacía que le provocaba una moral tan religiosa como inaceptable. Todo aquello empujó al adolescente a la patria del nihilismo y la descreencia. En efecto, había que aprender a deshacerse de ese pasado reciente: había nacido creyente, al menos oficialmente. Si la niña Teresa soñaba con el martirio a manos de los infieles, el joven Cioran empezó a robustecerse alanceando cualquier vestigio religioso. En algún momento llegó a alardear de que sus capillas eran los burdeles y el alcohol su sacramento preferido. Bien, unos creen para salvarse de la angustia existencial y otros descreen para librarse de la asfixia religiosa. Su caso, está claro, pertenece al segundo tipo de opresión.

Cuando ingresó en la universidad para estudiar Filosofía su nihilismo se hizo más libresco y compulsivo. Al poco de licenciarse, apareció su primer libro publicado en rumano, en 1934, En las cimas de la desesperación. Fue una proclamación programática de todas sus hieles y sus desavenencias. Contra todo y contra el Todo. Pero ya en esa alergia metafísica Cioran toma conciencia del carácter  extático de la desfundamentación. Que no haya certezas últimas ni lechos de roca en los que descansar puede ser desesperante, pero también exultante. Bastaría con detenerse y examinar nuestra sed de incondicionado y nuestra ansia de sentido, y cotejarlas con el silencio de la existencia para preguntarnos: ¿qué culpa tiene lo real de nuestras expectativas?, y sobre todo, ¿qué obligaciones? De este simple cotejo no se puede derivar sino el sonrojo. En efecto, no hay nada, salvo la embriaguez de la nada. La borrachera de una perplejidad que se anuncia perpetua.

Por eso no es de extrañar la sorpresa que aconteció al poco. Fue un par de años más tarde cuando apuntó por primera vez la figura de santa Teresa en sus escritos. Al final de El libro de las quimeras, en un apartado sobre la santidad, Cioran nos brinda una extraña y original apología sobre Teresa. Simulando arrimarse “a la sombra de las santas”, nos proclama su admiración: “Santa Teresa de Ávila me ha enseñando de las cosas terrenales, pero sobre todo de las cosas celestiales, más que todos los grandes filósofos”. Y dice que no le molestaría que lo llamaran discípulo de las santas. ¡Ni siquiera los poetas llegan a su altura! Músicos, poetas y santos son las únicas catapultas que nos redimen de este mundo circunstancial, los únicos que nos hacen olvidar que efectivamente estamos en un valle de lágrimas. Pues bien, de toda esa legión de redentores Cioran destaca a santa Teresa, y nos dice que las horas pasadas ante sus escritos fueron las que más extractivas le resultaron. Gracias a ella dejaba de ser él. Y gracias al anhelo teresiano de la otra vida aprendió a despreciar esta de aquí. La vida terrena quedaba reducida a sus justos términos: hueca ceniza como la espuma. El incrédulo Cioran creyó que podía vivir como una santa, no haciendo caso a la inanidad del mundo y considerando a la muerte como el mejor aliado: cuanto antes mejor.

     Y luego estaba la metodología. La santidad, y en su extremo el martirio, no entiende de ideas ni pensamientos, ni apela a ningún tipo de inferencia, solo da pábulo a lo que el corazón ofrece y demanda. Miel sobre hojuelas para el lirismo de aquel joven Cioran que se vanagloriaba de ser irracionalista. En efecto, nada acorta tanto el discurso como el extremo amor a lo trascendente, al lado de la divinidad todo es brizna. Unirse a Dios en la experiencia mística es el paradigma de la intramitación. Teresa de Ávila y la mística en general eran su coartada perfecta para sus ejercicios espirituales… sin Dios, o incluso contra Dios.  La jaculatoria, la interjección religiosa, el gemido sacro…, son el mejor atajo para evadir las excusas que la razón exige. La explosión de la fe que conlleva el éxtasis invalida todos los discursos, pues quien está en Dios, o en el vacío, ya no necesita hacerse entender. Ciertamente, nos dice Cioran, a estos especímenes, a santa Teresa, no se les puede leer con ojos objetivos, y si uno se acerca a ellos solo es desde el interés del fervor, de la estética, o, en su caso, desde la admiración de su intensidad y pasión: ojalá su increencia puntuara tan alto.

     Cioran se sabe, sin embargo, perdedor de antemano. Teresa de Ávila tenía a Dios cautivo en su prisión de amor, ¡estaba casada! Él, por contra, sabe que es un místico sin Dios, tal vez una víctima de la “muerte de Dios”, y que sus fiebres y sus delirios solo tienen como destino la esterilidad. Sus insomnios, sus meditaciones y su empecinamiento con el absurdo no le supondrán el más mínimo alivio comparado con el autoenaltecimiento de la santa. Teresa de Ávila tiene muy claro adónde va y espera con alegre ansia su destino final, por eso no le importará todo lo que deja atrás. Cioran, sin embargo, gira alrededor de una tremenda y trágica noria cuya única producción es más y más lucidez por captar el sin sentido. Nunca tanta inteligencia al servicio de tan poco. Ni siquiera fue capaz de disfrutar de algún matiz de la inmanencia: como muy bien repitió, nada le merecía la pena. No supo ser ni mínimamente epicureísta, y siempre que hablaba de gozos lo hacía con la mediación del inconveniente o con la sombra del trastorno que todo lo desbarata. Solo se salva su fruición de la música, y no siempre, pues cuando regresa de su audición se postra aun más. A la postre, hasta nos es difícil de creer su éxtasis del desencanto y su profesionalismo de la desdicha.

     Por eso no aguantó mucho tiempo su visita a los místicos, tal vez por no poder mantener su potencia de envidia. En 1949, en su Breviario de podredumbre (ay, ese libro que demarca tantas cosas en Cioran) ya vemos que cambia el tono. Y no es para menos: estamos ante el otro Cioran, el francés, el Cioran exclusivamente escéptico, el despolitizado sin vuelta atrás. Ese Cioran ya habla en pasado de los místicos y los santos, incluida santa Teresa, y se lamenta de las horas dilapidadas con ellos. Da la impresión de que se le hubiera agotado su curiosidad por la voluptuosidad mística. Entonces es cuando su anterior incondicionalidad se torna en reproche y cuando esa exaltación extraordinaria que era la santidad es catalogada como pura enfermedad, como mera histeria. Y en La tentación de existir el tratamiento que hace de ellos (“El comercio de los místicos”) es aun más distanciado y descriptivo, Cioran ya no empatiza con sus antiguos maestros. Los santos, en el fondo, nos dice Cioran, no son sino unos viciosos de la cruz, unos maniáticos del interés por la divinidad. Y es ahora cuando los empieza a considerar como unos acosadores de Dios, como unos visitantes pelmazos que no le dan la más mínima tregua. ¿Pero es que el mismo Dios no se resentiría de semejante acaparamiento?, ¿es que no necesitaría de un desahogo?, ¿un impasse en su consideración? Seguro que sí.

     Y ahí está él construyendo ese pequeño volumen llamado El aciago demiurgo para darle a la divinidad una vacación ante tanta dulzonería. De entrada, arguye Cioran, es dudoso que el Creador sea un dios bueno, y menos aun omnipotente. Es seguro que con ambos atributos no habría manufacturado un universo como este. ¿Pero, y sabio? Tampoco. No, no cuadra la omnisciencia con semejante empresa: junto a un poco de belleza conviven demasiadas anomalías. Este mundo es un híbrido cruel de catástrofes y bendiciones, y sobre todo… parece ser que, además, no nos ha sido dado comprender. Y así se podría seguir, objeción tras objeción. Sin embargo, ironías de la vida, a Él se le suele llamar Padre. ¿O es que no son el mismo?

Sin duda que ante tanto cabo suelto la unción y la piedad se toman un respiro, la teología se diluye y la moral se desfonda, pero, ¿y el místico? Allá él con su dada, ironiza Cioran. Si el místico persiste es porque vive con una deidad generada a su modo y manera, porque su versión de Dios es tan particular que no hay dogma que la derribe. Incluso en estos tiempos de increencia nos resulta un tipo simpático por su expediente de frenesí y contestación. Simpático pero lejano, pues si conviviéramos con él  nos agotaría con su energía.

Así, pues, la despedida de Cioran de los místicos tiene algo de liberación: lo devuelve al escepticismo total. Ya no cree ni en la razón ni en el instinto, y cualquier presencia de intensidad, sea en la dirección que sea, le parecerá un derroche sin sentido. Hasta la propia vitalidad le resultará un don innecesario, un regalo envenenado, pues el desengaño no requiere de ninguna fuerza motriz. Quizá se pueda decir en su contra que Cioran no captó del todo la dimensión de la mística, que se asomó a ella como a un espectáculo que creía homólogo al del vacío. Y todo por su falta de fe positiva, una falta que le hizo olvidar que la letra no era la experiencia de lo inefable, sino solo su pobre símbolo. En cierto modo, el rumano se quedó prendado de la narración, pero no de lo que estaba más allá de ella. Y cuando, a base de releerla, se le marchitó, la gracia desapareció.  Y Cioran se quedó solo con la fanfarria de su desolación.

© Todos los derechos reservados – José Ignacio Nájera
06/01/2015

Artículo: “Una alusiva cioraniana” (M. Liliana Herrera A.) [Esp]

Héctor Escobar Gutiérrez
Héctor Escobar Gutiérrez
E. M. Cioran
E. M. Cioran

Introducción al artículo de M. Liliana Herrera

Se puede constatar muchos paralelos entre el filósofo rumano-francés Emil Cioran (1911-1995) y el poeta colombiano Héctor Escobar Gutiérrez (1941-2014), y también significativas diferencias. Afinidades: el espíritu iconoclasta y transgresor, el gusto de la herejía, la pasión de los abismos y de las cimas, la lucidez luciferina (¡un pleonasmo!), la ironía y el sentido de humor corrosivo, la la pulsión mística, la conciencia atormentada por el mal, el vigor de un verbo pulsante llevado al extremo, a las fronteras entre la vida y la muerte, entre el ser y el no-ser, entre la claridad y las tinieblas. Divergencias: mientras Cioran se ejercitó en la duda escéptica, y en el arte de la “frivolidad” (principio estético-ético basado en una superficialidad diletante), negando toda creencia definida y definitiva, y evitando a toda costa profundizarse, especializarse sea en lo que sea, Héctor fue conocido, por aquellos que le frecuentaron (y frecuentan), por una profesión de fe satanista incrementada por variadas doctrinas esotéricas y ocultistas, que el poeta tomaba muy en serio y estudiaba/practicaba con minuciosidad. Sin embargo, aparte las adhesiones y elecciones personales, no se podría dejar de apreciar la poesía estruendosa y sublime de ese poeta maldito, su creación poética que va más allá de toda doctrina determinada y alcanza una universalidad accesible a todos los espíritus sensibles al arte profundamente vivo de la palabra.

Cioran no pudo conocer ese poeta terrible y delicioso cuya obra es turbadora y encantadora a la vez. Uno puede imaginar qué impresión habría tenido el autor rumano del llamado “Papa Negro”. Héctor, de su parte, conoció la obra de Cioran en los años 80 gracias a la autora del ensayo que sigue: la filósofa M. Liliana Herrera A., catedrática del departamento de Filosofía de la Universidad Tecnológica de Pereira (UTP), en Colombia, y gestora del Encuentro Internacional Emil Cioran, coloquio que se realiza anualmente en la misma ciudad, y que, en octubre de este año (2014), ha alcanzado su séptima edición. Coincidencias del destino, o del acaso: Héctor, lector asiduo de Cioran, estuvo presente en la primera edición del coloquio, del cual participó con un homenaje poética al pensador rumano; fallecería siete años después, en un sábado (18/10/2014) que coincidiría con uno de los días en los que se ha realizado el coloquio. Ha sido cremado el día siguiente, en un tradicional cementerio de Pereira, con derecho a un cortejo satánico promovido por sus amigos y apreciadores. Todo eso ha dado que hablar en la prensa colombiana. Héctor ha dejado una viuda (Soley Salazar) pero ningún hijo, como Cioran (quien vivió toda su vida en Francia en la compañía de Simone Boué). Entre sus libros se cuentan Antología inicial (1983); Testimonios malditos (1985); Cosmogonías (1985); Estetas y heresiarcas (1987); El libro de los cuatro elementos (1991), El punto y la esfera (2004), entre outros.

Tengo un pacto con el Diablo” – Héctor Escobar Gutiérrez

¿Qué auxilio puede ofrecer la religión al creyente
decepcionado por Dios y por el Diablo?” – Cioran

No tengo necesidad de arrepentirme puesto que lo que yo he hecho siempre lo he hecho a conciencia y el arrepentimiento surge cuando existe una contradicción entre la forma de ser y la manera de pensar”, declaró Héctor en una entrevista al periódico pereirano La Tarde. Resulta improbable que Cioran profiriera semejante frase, él quien afirmaba la contradicción como un rasgo indisociable de su ser. Para Cioran, conciencia es sinónimo de fatalidad, una enfermedad transcendental en el medio de la letargia inmanente de la naturaleza inconsciente. “La inconsciencia es el secreto, el «principio de la vida»… Es el único recurso contra el yo, contra el mal de estar individualizado, contra el efecto debilitante de la conciencia, estado tan temible, tan duro de enfrentar que sólo debería estar reservado a los atletas.” (El inconveniente de haber nacido) Cioran es un espíritu desgarrado por tendencias contradictorias, por la fatalidad de un desacuerdo interior nunca remediado, por la inaptitud a alcanzar una síntesis de los elementos dispersos que constituyen su existencia. “¿Por qué no podría yo compararme a los mayores santos? ¿Acaso he derrochado menos locura para salvaguardar mis contradicciones que la derrochada por ellos para superar las suyas?” (Silogismos de la amargura) Él afirmo en una entrevista: “La contradicción forma parte de mi naturaleza y, en el fondo, la de todo el mundo.” (Entretiens) Sujeto a una consciencia perpetuamente corroída por la duda pero, al mismo tiempo, dotado de una pasión orgánica por el absoluto, Cioran no alcanzó a encontrar en Satán el sentido que Héctor, de su parte, ha encontrado. Pese a sus diferencias, sobresalen las afinidades electivas esenciales: la elección por una vida al margen, por una libertad radical e intransigente que bordea el vacío y apunta al estatuto del monstruo, del réprobo excluido de la Humanidad, el rechazo de la celebridad (esa humillación entrañada en el reconocimiento público y en el fracaso que consiste en “ser comprendido”); por fin, una vida dedicada al arte de la palabra viva y vivida, es decir, a una práctica de la escritura que es indisociable de una práctica de vida: una creación literaria (poética para uno, aforística-ensayística para el otro) que es, al final de cuentas, su razón común de ser (y de no ser). No hay nadie mejor para presentar el hereje Héctor Escobar Gutiérrez, y sus paralelos con Cioran, que la especialista cioraniana M. Liliana Herrera A., quien tuvo el privilegio de conocer personalmente el artista. Una muy buena lectura!

Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes (05/11/2014)

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UNA ALUSIVA CIORANIANA[1]

Por M. L. Herrera A.
Universidad Tecnológica de Pereira (Colombia)

Cioran: … La libertad (…), no tener obligaciones ni responsabilidades, hacer sólo lo que quiero, no tener horarios, no escribir más que sobre las cosas que me interesan. Y no tener más objetivos que ésos.
Liiceanu: ¿Y ése es el único éxito del que se enorgullece? ¿Haber hecho sólo lo que ha querido?
Cioran: ¡Éso no está nada mal!

Entrevista con Cioran

Héctor Escobar Gutiérrez
Héctor Escobar Gutiérrez
E. M. Cioran
E. M. Cioran

El libro de sonetos intitulado Breviario de sonetos en torno a Cioran[2] constituye uno de los últimos trabajos de Héctor Escobar Gutiérrez y hasta el momento conocido sólo  por algunos amigos. La ocasión para su creación fue el Primer Encuentro Internacional Emil Cioran, proyecto cultural para la ciudad del cual he sido gestora. Con el apoyo de la Universidad Tecnológica de Pereira y de la sede cultural del Banco de la República, se inauguró este Encuentro cuyo  motivo central fue el lanzamiento del libro Cioran: ensayos críticos[3]. Uno de los invitados fue el poeta, quien ha sido un entusiasta lector de Cioran desde los años 80 cuando, en una de las  tertulias literarias que se ofrecían en su casa, le di a conocer Breviario de Podredumbre. Desde ese memorable día, Cioran no faltó en su lista de libros de cabecera, entre los que, por supuesto, tenían una relevancia de primer orden los poetas malditos, los tratados de Demonología y aquellos  que le permitieron profundizar  en la interpretación del Tarot. Así, pues, para la inauguración de nuestro evento, y en un arrebato lírico, Héctor Escobar escribió en tres días este homenaje al filósofo.  Cioran –creo-, fue un bálsamo escéptico frente al aspecto cabalístico, concupiscente y tenebroso del mundo del Maléfico Poeta.

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Actualmente, son pocas las obras de arte que se encuentran tan estrechamente ligadas a las vidas de sus creadores como las de Cioran y Héctor Escobar Gutiérrez… Pero ellos no son de la misma estirpe. Hay gustos  personales que nos acercan a un autor y en nuestra formación y educación intelectual y existencial se pueden encontrar paralelos y coincidencias respecto a la valoración sentimental y teórica de nuestra condición humana.

Cioran es un rumano; con más precisión, es un autor rumano-francés, uno de los pocos herederos legítimos de la tradición moralista francesa en lo que ha género y actitud pesimista se refiere. Héctor Escobar Gutiérrez es, en esencia, un poeta, y un poeta de la herejía, quien con lucidez y fino humor (rasgos en los que coincide con Cioran) ha llevado al paroxismo su lírica y conversación, las dos igual de profanadoras y deslumbrantes.

¿En qué aspectos pueden coincidir dos espíritus de tan diferentes culturas y talantes morales, como lo son el pensador pesimista y perezoso rumano-francés y el alucinado poeta pereirano?

Las primeras líneas de Breviario de Podredumbre sedujeron al poeta de manera inmediata. Incorporó a Cioran en su vida como una lectura permanente por lo estimulante que sus aforismos resultan y por el gozo intelectual que nos produce la lectura de  un buen libro, trátese de ciencia, filosofía, poesía, ensayo o novela. En el caso de la lectura del moralista que lleva a cabo el poeta, el gozo es más que estético porque, como lo afirmó algún Cardenal, es imposible no darle la razón a Cioran en su negro juicio sobre la condición humana. He aquí un ejemplo del regocijo que el espíritu produce al espíritu:

A los amigos de Cioran

Este es el canto, amigos, el verseo,
el pertinaz clangor de mis poemas;
de mis rimas que son como anatemas
o como un astro negro en su apogeo.

Lejos de mí las mieles del enteo,
ahora del ser me hieren sus dilemas;
las voces iracundas, las blasfemas
las que en el alma hurgan sin rodeo.

Aquellas que Cioran tanto exaltaba,
y a las cuales su espíritu les daba
esa hondura en francés intraducible.

Este ingenio, este estilo aquilatado,
y que a decir verdad nos ha enviciado
a vosotros y a mí por lo inasible.

Cuando nos enamoramos de un autor ello se debe, entre otras cosas,  a las resonancias espirituales que experimentamos. Entonces, contemporanizamos en algún sentido con ése que nos habla desde el pasado o en el presente, y creemos entender y compartir su sentimiento acerca de nuestra rara existencia. El sentimiento del mal de vivir es el motivo de estos poemas cioranianos. No me refiero a las configuraciones que el Mal adquiere en la obra -y vida- del poeta Escobar[4]. Hablo exclusivamente de la perplejidad que se experimenta frente al absurdo de ser hombres, de estar arrojados en un mundo de sufrimiento, dolor y alegrías fallidas, perplejidad que en Cioran podemos denominar como su  antropología trágica, y en el poeta como su lírica metafísica. El dolor de vivir, lo que más somos nosotros mismos, diría Cioran, es cantado en encendida pero rigurosa pasión en  estos versos del poeta dedicados al pensador.

Recordaciones

A través de estos raptos cioranianos,
pienso la vida de hoy, en la pasada,
en mi anterior vivencia aborrascada…
en el hoy y el mañana, días insanos.

Y me hurgo por dentro con la manos
-verdugo de  mí mismo, de mi nada-
hasta ver a la sombra agazapada
mirarme con rencor, ojos tiranos.

Y presiento un pavor, el de la muerte,
consumir el rescoldo de mi suerte,
lo que queda de mi alma, ruin ceniza.

Vestigios esparcidos en el aire,
mientras hace la sombra su desaire
con ese mohín, que estigmatiza

Otro paralelo que es evidente para quien conozca las obras de Cioran y de Escobar, es el estilo, aunque se trate de dos géneros diferentes: soneto y  aforismo. Este paralelo es legítimo  en el sentido de la elección que hicieron del género y la intencionalidad que acompañó dicha elección. Cioran no cohonestó con su época. Su estatus fue el de exiliado. Eligió un tipo escritural específico poco practicado, y una lengua –el francés del siglo XVIII- los cuales apropió y transformó de tal manera que dio lugar a una cierta renovación estilística. Por su parte, el poeta, renunciando a la tentación del verso libre (acechado siempre por el peligro de su aparente facilidad), eligió el soneto para cuya exigente construcción utilizó voces en desuso o arcaicas que hacen de su poesía una creación  paradójicamente contemporánea.

In Memoriam

Es sin duda Cioran el heresiarca
de este mundo convulso, postmoderno;
de este mundo que es símil del infierno
y en el cual reina impávida la parca.

El caos y la crisis su obra abarca
porque el desastre ha sido y es eterno;
por eso él -ni adalid, ni subalterno-
es del pensar anárquico el patriarca.

El sin par, el sarcástico, el rotundo,
el que observa la vida en lo profundo,
con el ojo de un místico extraviado.

Brindo a él estos versos en memoria,
para exaltar la ascesis perentoria
de ese su estilo crítico y crispado.

Pero hay un hecho particularmente notable. Cioran y este poeta nuestro, construyeron obra y vida al ritmo de sus respectivas búsquedas de la libertad. Y han pagado su costo. En estos personajes, la libertad no se limita ni a la denuncia impía desde la pluma, de la condición humana, ni a la transgresión teórica de la moral que le tocó en suerte al poeta. La libertad es un verdadero ejercicio; en él se rompen los lazos institucionales de un oficio, de una determinada forma de pensar, de actuar y de vivir. Ser libre-pensador es una tarea que el mismo établissement académico y político promueve en aquellos que cómodamente hacen parte de él. Pero, ser un auténtico libre-pensador es una tarea marginal y del todo heroica… En una de las cartas que recibí de Cioran, él afirmaba: he tenido la suerte de no ejercer ningún oficio. Esta suerte, su alto costo personal, la dignidad  y orgullo que conlleva, también la ha tenido Héctor Escobar Gutiérrez.

Lo definitivo

Calle la voz la última palabra,
que no escuche el oído la primera;
porque son la inicial y la postrera,
el sinuoso y confuso abracadabra.

Olvide el alma entonces lo que sabe,
lo que cree saber, o lo que niega.
¿O es que no ha visto su mirada ciega,
que en el vacío del ser hasta Dios cabe?

Húndase el hombre en pozos de negrura
-en tumba o catacumba o sepultura-
pues muriendo ha vivido entre los muertos.

Caiga al fin el telón de sombra espesa,
que otra vida no habrá: nadie regresa
a trajinar de nuevo estos desiertos.

Todos los derechos reservados a M. Liliana Herrera A. y Héctor Escobar Gutiérrez 

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[1] Texto publicado en Herrera A. M. L. En torno a Cioran. Nuevos Ensayos y Perspectivas. Ponencias presentadas en el Encuentro Internacional Emil Cioran, versiones 2013-2013. Pereira, UTP, 2014.

[2] Este Breviario está constituido por tres partes y cada una se compone de 11 sonetos : paradoja, causticidad y reacción, además de un epílogo que consta de dos sonetos más. Tres de ellos fueron publicados en Herrera A. M. L., y Abad T. Alfredo, Compilación, Encuentro Internacional Emil Cioran, 2008-2011,Pereira UTP.

[3] Herrera, M. L.,  Abad T. Alfredo. Cioran: ensayos críticos. Pereira, U. T. P. 2008.

[4] Remitimos al lector que quiera ampliar sobre la Poética y el Mal en Héctor Escobar Gutiérrez,  al estudio de O. K. Vanegas Vásquez La estética de la herejía,  Pereira, U. T. P., 2007.

Artigo: “Uma alusiva cioraniana” (M. L. Herrera A.)

In memoriam: Héctor Escobar Gutiérrez
(a guisa de introdução ao leitor brasileiro)

“A possibilidade de renovar-se através da heresia
confere ao crente uma nítida superioridade sobre o ateu.”
Cioran, Silogismos da amargura (1952)

Héctor Escobar Gutiérrez
Héctor Escobar Gutiérrez
E. M. Cioran
E. M. Cioran

Pode-se constatar muito em comum entre o filósofo franco-romeno Emil Cioran (1911-1995) e o poeta colombiano Héctor Escobar Gutiérrez (1940-2014), e ao mesmo tempo muitas diferenças. Afinidades: o espírito iconoclasta e transgressor, o gosto da heresia, a paixão dos abismos e dos cumes, a lucidez luciferina (com o perdão do pleonasmo!), a ironia e o humor corrosivo, a sensibilidade mística, a consciência atormentada pelo mal de existir, o vigor de um verbo pulsante levado ao extremo, às fronteiras entre a vida e a morte, entre o ser e o não-ser, entre a luz e as trevas. Divergências: enquanto Cioran buscou exercitar-se na dúvida cética e na arte da “frivolidade” (princípio ético-estético pautado pela superficialidade diletante), negando toda crença definida e evitando a todo custo aprofundar-se, especializar-se no que quer que fosse, Héctor se fez conhecer, entre aqueles que o frequentaram (e frequentam), por uma profissão de fé satanista incrementada pelas mais diversas doutrinas esotéricas e ocultistas, por ele levadas a sério e minuciosamente estudadas/praticadas. Mas, excentricidades, adesões e escolhas pessoais à parte, não se poderia deixar de apreciar a poesia estrondosa e sublime deste poeta maldito, sua criação poética que vai muito além de toda doutrina determinada e alcança uma universalidade acessível a todo espírito que é sensível à arte profundamente viva das palavras.

hector001Cioran não conheceu esse poeta terrível e delicioso cuja obra perturba ao mesmo tempo em que encanta. Podemos imaginar que impressão se teria gravado no espírito do filósofo romeno a propósito do autoproclamado “Papa Negro”. Héctor, por sua vez, conheceu a obra de Cioran nos anos 1980 graças à autora do ensaio que se segue: a filósofa Maria Liliana Herrera, catedrática do departamento de Filosofia da Universidad Tecnológica de Pereira (UTP), na Colômbia, e gestora do Encuentro Internacional Emil Cioran, colóquio realizado anualmente na mesma cidade e que, em outubro deste ano (2014), chegou a sua sétima edição. Coincidências do destino: Héctor, leitor assíduo de Cioran, esteve presente na primeira edição do colóquio, do qual participou com uma homenagem poética ao autor romeno; faleceria sete anos depois, no sábado (18/10/2014) que coincidiria com um dos dias de realização do colóquio. Foi cremado no domingo seguinte, num tradicional cemitério de Pereira, com direito a um cortejo fúnebre satânico promovido por seus amigos e apreciadores. Deu muito o que falar na imprensa colombiana, como não poderia deixar de ser. Deixou uma viúva (Soley Salazar) e nenhum filho, como Cioran (que viveu toda sua vida na França em companhia de Simone Boué). Entre seus livros estão Antología inicial (1983); Testimonios malditos (1985); Cosmogonías (1985); Estetas y heresiarcas (1987); El libro de los cuatro elementos (1991), El punto y la esfera (2004), entre outros.

“Tenho um pacto com o Diabo” – Héctor Escobar Gutiérrez

“Que auxílio pode oferecer a religião a
um crente decepcionado por Deus e pelo Diabo?” – Cioran

“Não tenho necessidade de arrepender-me pois sempre fiz tudo o que fiz com consciência, e o arrependimento surge quando existe uma contradição entre a forma de ser e a maneira de pensar”, declarou Héctor em uma de suas entrevistas. Seria difícil que Cioran proferisse semelhante frase, ele que afirmava a contradição como indissociável de seu ser. Para Cioran, consciência é sinônimo de fatalidade (Bewusstsein als Verhängnis é o título de um livro de Alfred Seidel que ele muito apreciava), uma enfermidade transcendental em meio à letargia imanente do ser. “A inconsciência”, por outro lado, “é o segredo, o ‘princípio de vida’ da vida… é o único recurso contra o eu, contra o mal de ser indivíduo, contra o efeito debilitante do estado de consciência, estado tão terrível, tão penoso, que deveria ser reservado somente aos atletas. (De l’inconvenient d’être né). Um espírito dilacerado por tendências contraditórias, pela fatalidade de um desacordo interior jamais remediado, pela inaptidão a alcançar uma síntese dos elementos dispersos que constituíam sua existência. Cioran: “Por que não poderia me comparar aos maiores santos? Por acaso gastei menos loucura para salvaguardar minhas contradições do que gastaram eles para superar as suas?” (Silogismos da amargura). Ademais, afirmaria numa de suas entrevistas, “a contradição faz parte de minha natureza e, no fundo, da de todo mundo.” (Entretiens) Portador de uma consciência perpetuamente corroída pela Dúvida, mas ao mesmo tempo dotado de uma paixão orgânica pelo Absoluto (que ele chegou a buscar inclusive em suas formas mais tradicionais, dir-se-ia ortodoxas: Deus, a santidade…), Cioran nunca pôde encontrar em Satã o sentido, o absoluto que Héctor, por sua vez, afirmou ter encontrado. Apesar dessas diferenças, sobressaem-se afinidades eletivas essenciais entre ambos: a escolha por uma vida à margem, por uma liberdade radical e intransigente que bordeia o vazio e aponta para o estatuto do monstro, do réprobo excluído da Humanidade; a recusa de toda celebridade (humilhação implicada no reconhecimento público e no fracasso em que consiste “ser compreendido”); enfim, toda uma vida dedicada à escrita, da qual aquela não se distingue, uma criação artística (poética para um, aforístico-ensaística para o outro) que é, afinal de contas, sua razão comum de ser (e de não ser). Ninguém melhor para apresentar o herege Héctor Escobar Gutiérrez, e suas relações com Cioran, do que Maria Liliana Herrera, que o conheceu pessoalmente. Boa leitura!

Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes

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Uma alusiva cioraniana[1]

M. L. Herrera A.
Universidad Tecnológica de Pereira (Colômbia)

Cioran: … A liberdade (…), não ter obrigações nem responsabilidades, fazer apenas o que quero, não ter horários, só escrever sobre as coisas que me interessam. E não ter mais objetivos que estes.
Liiceanu: E esse é o único êxito do qual se orgulha? Ter feito apenas o que quis?
Cioran: Nada mal, hein?

 Entrevista con Cioran

 O libro de sonetos intitulado Breviario de sonetos en torno a Cioran[2] constitui um dos últimos trabalhos de Héctor Escobar Gutiérrez e, até o momento, conhecido apenas por alguns de seus amigos. A ocasião para sua criação foi o Primer Encuentro Internacional Emil Cioran, projeto cultural para a cidade de Pereira e do qual tenho sido gestora. Com o apoio da Universidad Tecnológica de Pereira (UTP) e da sede cultural do Banco da República, inaugurou-se este encontro cujo motivo central foi o lançamento do livro Cioran: ensayos críticos.[3] Um dos convidados foi o poeta, que já era um leitor entusiasta de Cioran desde os anos 1980, quando, em uma das tertúlias literárias que eram oferecidas em sua casa, eu lhe dei a conhecer o Breviário de decomposição. Desde este memorável dia, Cioran não faltou em sua lista de livros de cabeceira, entre os quais, certamente, tinham uma relevância de primeira ordem os poetas malditos, os tratados de demonologia e aqueles que lhe permitiram aprofundar a interpretação do Tarô. Assim, para a inauguração de nosso evento, e num arrebato lírico, Héctor Escobar escreveu em três dias esta homenagem ao filósofo. Cioran – creio – foi um bálsamo cético para o aspecto cabalístico, concupiscente e tenebroso do mundo do Maléfico Poeta.

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Atualmente, são poucas as obras de arte que se encontram tão estreitamente ligadas às vidas de seus criadores como as de Cioran e Héctor Escobar Gutiérrez… Mas eles não são da mesma estirpe. Existem gostos pessoais que nos aproximam de um autor e em nossa formação e educação intelectual e existencial eles podem encontrar paralelos e coincidências acerca da valoração sentimental e teórica de nossa condição humana.

Cioran é um romeno; mais precisamente, um autor romeno-francês, um dos poucos herdeiros legítimos da tradição moralista francesa no que concerne ao gênero e à atitude pessimista. Héctor Escobar Gutiérrez é, essencialmente, um poeta, e um poeta da heresia, que, com lucidez e fino humor (traços que coincidem com Cioran), levou ao paroxismo sua lírica e sua conversação, as duas igualmente profanadoras e deslumbrantes.

Em quais aspectos podem coincidir dois espíritos de culturas e talantes morais tão distintos, como o são o pensador pessimista e preguiçoso romeno-francês e o alucinado poeta pereirano?

As primeiras linhas do Breviário de decomposição seduziram o poeta de maneira imediata. Incorporou Cioran em sua vida como uma leitura permanente pelo efeito estimulante que seus aforismos produzem e pelo gozo intelectual que nos causa a leitura de um bom livro, seja de ciência, filosofia, poesia, ensaio ou romance. No caso da leitura do moralista levada a cabo pelo poeta, o gozo é mais do que estético, pois, como afirmou um certo Cardenal, é impossível não dar razão a Cioran em seu juízo obscuro sobre a condição humana. Eis aqui um exemplo do regozijo que o espírito produz no espírito:

Aos amigos de Cioran

 Este é o canto, amigos, o versar,
o pertinaz retinir de meus poemas;
de minhas rimas que são como anátemas
ou como um astro negro em seu apogeu.

Longe de mim os méis do desejo,
do ser agora me ferem seus dilemas;
as vozes iracundas, blasfemas
que a alma cutucam sem rodeio.

Aquelas que Cioran tanto exaltava,
e às quais seu espírito dava
em francês essa fundura intraduzível.

Este engenho, este estilo aquilatado,
e que a verdade bem dizer nos tem viciado
a vocês e a mim pelo inapreensível.[4]

Quando nos apaixonamos por um autor isto se deve, entre outras coisas, às ressonâncias espirituais que experimentamos. Então, contemporizamos em algum sentido com este que nos fala desde o passado ou no presente, e cremos entender e compartilhar seu sentimento acerca de nossa rara inteligência existência. O sentimento do mal de viver é o motivo destes poemas cioranianos. Não me refiro às configurações que o Mal adquire na obra – e na vida – do poeta Escobar.[5] Refiro-me exclusivamente à perplexidade que se experimenta face ao absurdo de ser humano, de estar lançado em um mundo de sofrimento, dores e alegrias falidas, perplexidade que podemos denominar, em Cioran, como sua antropologia trágica, e no poeta como sua lírica metafísica. A dor de viver, o que nós mesmos mais somos, diria Cioran, é cantado em acesa, porém rigorosa, paixão nestes versos do poeta dedicados ao pensador.

Recordações

Através destes raptos cioranianos,
penso a vida de hoje, na passada,
em minha anterior vivência aborrascada…
no hoje e no amanhã, dias insanos.

E me futuco por dentro com as mãos
– verdugo de  mim mesmo, do meu nada –
até ver a sombra encaçapada
mirar-me com rancor, olhos tiranos.

E pressinto um pavor, o da morte,
consumir o rescaldo de minha sorte,
o que fica de minha alma, ruim cinza.

Vestígios espalhados pelos ares,
enquanto faz a sombra seu desaire
com essa careta, que estigmatiza.[6]

Outro paralelo que fica evidente para quem conhece as obras de Cioran e de Escobar é o estilo, ainda que se trate de dois gêneros distintos: soneto e aforismo. Este paralelo é legítimo no sentido da escolha que fizeram pelo gênero e da intencionalidade que acompanha essa escolha. Cioran não coonestou com sua época. Seu estatuto foi o de exilado. Escolheu um tipo de escritura específico pouco praticado e uma língua – o francês do século XVIII – dos quais se apropriou e transformou de uma maneira tal que deu lugar a certa renovação estilística. O poeta, por sua vez, renunciando à tentação do verso livre (espreitado sempre pelo perigo de sua aparente facilidade), escolheu o soneto em cuja exigente construção utilizou vozes em desuso ou arcaicas, o que torna sua poesia paradoxalmente contemporânea.

In Memoriam

É Cioran sem dúvida o heresiarca
deste mundo convulso, pós-moderno;
deste mundo que é símile do inferno
e onde impávida reina a parca.

O caos e a crise sua obra abarca
porque o desastre foi e é eterno;
por isso – nem adail nem subalterno –
é do pensar anárquico patriarca.

O sem par, o sarcástico, o rotundo,
o que observa a vida no profundo
com o olho de um místico extraviado.

Brindo a ele estes versos em memória,
para exaltar a ascese peremptória
desse estilo crítico e crispado.[7]

Mas há um fato particularmente notável. Cioran e este poeta nosso construíram obra e vida ao ritmo de suas respectivas buscas pela liberdade. E pagaram seus preços. Nestes personagens, a liberdade não se limita nem à denúncia ímpia, a partir da pluma, da condição humana, nem à transgressão teórica da moral a que se entregou o poeta. A liberdade é um verdadeiro exercício; neme se rompem os laços institucionais de um ofício, de uma determinada forma de pensar, de atuar e de viver. Ser livre-pensador é uma tarefa que o próprio établissement acadêmico e político promove naqueles que comodamente fazem parte dele. Porém, ser um autêntico livre-pensador é uma tarefa marginal e de todo heroica… Em uma das cartas que recebi de Cioran, ele afirmava: tive a sorte de não exercer nenhum ofício. Esta sorte, seu alto custo profissional, a dignidade e o orgulho que acarretam, também a teve Héctor Escobar Gutiérrez.

O definitivo

Cale a voz a última palavra,
que não escute o ouvido a primeira;
porque são a inicial e a derradeira,
o sinuoso e confuso abracadabra.

Esqueça então a alma o que sabe,
o que crê saber, o que nega.
Ou será que não viu em sua mirada cega,
que no vazio do ser até Deus cabe?

Afunda-se o homem em poços de negrura
– em tumba ou sepultura –
pois morrendo tem vivido entre os mortos.

Caia ao final a cortina de sombra espessa
pois outra vida não haverá: ninguém regressa
a perambular de novo por estes desertos.[8]

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Tradução do espanhol: Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes
Todos os direitos reservados a M. Liliana Herrera e Héctor Escobar Gutiérrez 
Agradecimentos especiais a:
M. Liliana Herrera A.
Pablo Andrés Villegas Giraldo
Tomás Troster

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[1] Texto publicado em HERRERA A., M. L. En torno a Cioran. Nuevos Ensayos y Perspectivas. Ponencias presentadas en el Encuentro Internacional Emil Cioran, versiones 2013-2013. Pereira, UTP, 2014.

[2] Este Breviario é constituido de três partes, e cada uma delas está composta de 11 sonetos : paradoja, causticidad y reacción, além de um epílogo que contém mais dois sonetos. Três deles foram publicados en HERRERA A., M. L., y ABAD T., Alfredo. Compilación, Encuentro Internacional Emil Cioran, 2008-2011, Pereira, UTP.

[3] HERRERA A., M. L.; ABAD T., Alfredo. Cioran: ensayos críticos. Pereira, UTP, 2008.

[4] A los amigos de Cioran

Este es el canto, amigos, el verseo,
el pertinaz clangor de mis poemas;
de mis rimas que son como anatemas
o como un astro negro en su apogeo.

Lejos de mí las mieles del enteo,
ahora del ser me hieren sus dilemas;
las voces iracundas, las blasfemas
las que en el alma hurgan sin rodeo.

Aquellas que Cioran tanto exaltaba,
y a las cuales su espíritu les daba
esa hondura en francés intraducible.

Este ingenio, este estilo aquilatado,
y que a decir verdad nos ha enviciado
a vosotros y a mí por lo inasible.

[5] Remetemos o leitor que queira aprofundar o tema da Poética e do Mal em Héctor Escobar Gutiérrez ao estudo de O. K. Vanegas Vásquez, La estética de la herejía, Pereira, UTP, 2007. http://www.utp.edu.co/cms-utp/data/bin/UTP/web/uploads/media/literario/documentos/INTRODUCCION-REVISTA-N-1-La-Estetica-de-la-herejia-en-Hector-Escobar-copia.pdf

[6] Recordaciones

A través de estos raptos cioranianos,
pienso la vida de hoy, en la pasada,
en mi anterior vivencia aborrascada…
en el hoy y el mañana, días insanos.

Y me hurgo por dentro con la manos
-verdugo de  mí mismo, de mi nada-
hasta ver a la sombra agazapada
mirarme con rencor, ojos tiranos.

Y presiento un pavor, el de la muerte,
consumir el rescoldo de mi suerte,
lo que queda de mi alma, ruin ceniza.

Vestigios esparcidos en el aire,
mientras hace la sombra su desaire
con ese mohín, que estigmatiza.

[7] In Memoriam

Es sin duda Cioran el heresiarca
de este mundo convulso, postmoderno;
de este mundo que es símil del infierno
y en el cual reina impávida la parca.

El caos y la crisis su obra abarca
porque el desastre ha sido y es eterno;
por eso él -ni adalid, ni subalterno-
es del pensar anárquico el patriarca.

El sin par, el sarcástico, el rotundo,
el que observa la vida en lo profundo,
con el ojo de un místico extraviado.

Brindo a él estos versos en memoria,
para exaltar la ascesis perentoria
de ese su estilo crítico y crispado.

[8] Lo definitivo

Calle la voz la última palabra,
que no escuche el oído la primera;
porque son la inicial y la postrera,
el sinuoso y confuso abracadabra.

Olvide el alma entonces lo que sabe,
lo que cree saber, o lo que niega.
¿O es que no ha visto su mirada ciega,
que en el vacío del ser hasta Dios cabe?

Húndase el hombre en pozos de negrura
-en tumba o catacumba o sepultura-
pues muriendo ha vivido entre los muertos.

Caiga al fin el telón de sombra espesa,
que otra vida no habrá: nadie regresa
a trajinar de nuevo estos desiertos.