Cioran, o místico de uma era pós-Deus: entrevista com Mirko Integlia (última parte)

[PDF] Acaba de ser publicado, em inglês, um novo livro de exegese filosófica sobre Cioran – e um importantíssimo, tanto pela temática quanto pela abordagem: Atormentado por Deus: o niilismo místico de Emil Cioran (Libreria Editrice Vaticana, 2019), do filósofo e teólogo Mirko Integlia. O livro é uma minuciosa análise textual e contextual, histórico-hermenêutica, disso…

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“Não existem ateus na Bahia” (Cynara Menezes)

Carta Capital, 3 de abril 2012 Um ateu baiano é que nem uma pessoa que crê em Deus: ambos têm diante de si a dura missão de convencer o mundo. O crente é desafiado a provar a vida inteira, inclusive a si, que há um Deus. Já o ateu baiano, nascido numa terra cuja capital,…

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“El poder de la palabra”: única grabación de la voz de Miguel de Unamuno (1931)

“Un crítico francés de nuestra literatura española, dijo, que en España, apenas hay escritores, sino oradores por escrito. Acaso es cierto. Por mi parte, nada me molesta más, que oír decir de alguien que habla como un libro, prefiero los libros que hablan como hombres. Y lo que es menester, es que la gente aprenda…

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“Racionalismo e mística” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Mede-se a carência de sentido místico de um indivíduo pela necessidade que tem de argumentos para convencer a si mesmo e os demais da existência de Deus. Não apenas essa carência como também o grau de racionalismo. Não apenas os filósofos sofrem desse mal; inclusive os indivíduos religiosos, qualquer que seja a sua crença, o…

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Kierkegaard, precursor do “Antifilósofo” cioraniano (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

O prefácio de O Desespero Humano (1849) é bastante elucidativo da problemática existencial — e religiosa — colocada pelo pensamento kierkegaardiano, e também da sua divisa intelectual existencial-religiosa em oposição ao “totalitarismo” racionalista do Espírito absoluto hegeliano. “O professor, o mestre de estudos, o estudante e enfim o filósofo, amador ou formado não ficam na…

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“Niilismo, existencialismo e gnosticismo: a hermenêutica existencial de Franco Volpi” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A obra de Heidegger, leitor de Nietzsche, apresenta um paradoxo que é o mesmo de boa parte do pensamento contemporâneo: “Nela, com efeito, parecem tocar-se e conviver dois extremos incompatíveis: de um lado, um niilismo radical; de outro, o convite a uma visão inspirada, senão mesmo ao misticismo.”[i] Daí, segundo Volpi, em face dos escritos…

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“Um pessimismo (mui) pouco trágico: Cioran lido por Clément Rosset” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Trata-se de contrapor e fazer dialogar duas filosofias, dois modo de pensar (o homem, a existência, a vida e a morte, o tempo) que têm muito em comum, mas cujas conclusões podem ser radicalmente divergentes: a filosofia trágica, afirmativa e aprobatória de Clément Rosset (tendo como corolário a alegria como force majeure), na linha de…

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Dos males, o pior: a filosofia trágica de Clément Rosset

Nonfilozofie: ideile se sufocă de sentiment. [Não-filosofia: as ideias sufocam de sentimento.] (CIORAN, Amurgul gândurilor) Conseguir pensar o pior – tal é pois o alvo mais geral da filosofia terrorista, o cuidado comum a pensadores tão diferentes quanto os filósofos citados mais acima. A tais pensadores, esta infecta tarefa apareceu não somente como tarefa única,…

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“Chestov e a exceção monoteísta, ou peixes morrem afogados” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Satã, anjo decaído transformado em demiurgo, encarregado da Criação, insurge-se contra Deus e revela-se, neste mundo, mais à vontade e até mais poderoso do que Ele; longe de ser um usurpador, é nosso mestre, soberano legítimo que sobrepujaria o Altíssimo se o universo estivesse reduzido ao homem. Tenhamos, pois, a coragem de reconhecer de quem…

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“The fundamental idea of the philosophy of Lev Shestov” (Nikolai Berdiaev)

BERDYAEV.COM Several times already I have written in the pages of “Put’” about Lev Shestov. But here is a demand to speak otherwise about him, and to honour his memory. Lev Shestov was a philosopher, who philosophised with all his being, and for whom philosophy was not an academic specialisation, but rather a matter of…

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“A expressão e o silêncio: o estilo de Cioran (epílogo)” (Fernando Savater)

Embora tenha jurado nunca pecar contra a santa concisão, mantenho-me sempre cúmplice das palavras, e, se o silêncio me seduz, não ouso entrar nele, limito-me a girar na sua periferia. (IN) Nos capítulos anteriores eu pretendi deixar falar, com a maior transparência possível, o pensamento de Cioran. É claro que o meu próprio pensamento se…

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“Unamuno ante el abismo: un místico agónico” (Maria Bantulà Pañella)

Facultat d’Humanitats, Universitat Pompeu Fabra, 2015 Director/a: María Morrás Ruíz-Falcó Resumen: Tras su crisis religiosa de 1897, el filósofo español Miguel de Unamuno se dedicó a escribir una serie de obras que tratan temas como: la muerte y la inmortalidad, Dios y la religión, la razón y el sentimiento, la desesperanza y la fe. Ahora…

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“A categoria do religioso nos Cahiers de Cioran” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Cioran não é um crente. Ele não possui o “órgão da fé”, como faz questão de deixar claro. É um douteur incurable (“duvidador incurável”) e, mais do que isso, um negador incurável. Não é, decididamente, um pensador cristão como Kierkegaard, Unamuno, ou mesmo Dostoiévski, muito embora se sinta familiarizado a eles. Ao mesmo tempo, não…

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“Um inferno dramático” (Miguel de Unamuno)

O irreligioso, o demoníaco, o que incapacita para a ação ou nos deixa sem defesa ideal contra nossas más tendências, é o pessimismo que Goethe põe na boca de Mefistófeles quando o faz dizer: “Tudo quanto nasceu merece soçobrar” (denn alles was entsteht ist wert dass es zugrunde geht). Este é o pessimismo que nós,…

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“‘Vencereis…mas não convencereis!’: Unamuno e a razão contra a força” (Ariel Palacios)

Don Miguel de Unamuno, filósofo espanhol, no fim da vida fez um discurso emblemático a favor da razão contra o uso da força . Estadão, 7 de abril de 2012 Neste 7 de abril, dia do jornalista, não falarei de um jornalista em si, mas sobre um pensador. E sobre um governo que desprezava os…

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“En el fondo del abismo” (Miguel de Unamuno)

La certeza absoluta completa, de que la muerte es un completo y definitivo e irrevocable anonadamiento de la conciencia personal, una certeza de ello como estamos ciertos de que los tres ángulos de un triángulo valen dos rectos, o la certeza absoluta, completa, de que nuestra conciencia personal se prolonga más allá de la muerte…

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“Le « dernier » Cioran” (Sylvain David)

Cioran, un heroïsme à rebours. Troisième partie. Une autobiographie sans événements. Le scepticisme, l’incertitude, ultime position où aboutit la raison exerçant son analyse sur elle-même, sur sa propre validité, est la base sur quoi le désespoir du sentiment vital va tirer son espérance1. Miguel de Unamuno Un aphorisme au ton rétrospectif saisit l’essentiel de la transition entre…

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“Thinkers and Liars”: review on Marta Petreu’s “An Infamous Past…” (Joseph Frank)

New Republic 14/11/06, Nov 16, 2006 In the aftermath of World War II, there was a great influx of refugees into the United States. Most came from countries where populations had been uprooted by the course of battle, or were escaping from a past that they were lucky to have survived. Some, however, were trying…

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Entrevista a José Ignacio Nájera, autor de “El Universo Malogrado – Carta a Cioran”

“Para los posibles suicidas: Cioran es un seguro de vida” (J. I. Nájera) José Ignacio Nájera (Xauen, Marruecos) vive en Murcia desde 1979, donde es profesor de filosofía en el Instituto Alfonso X el Sabio. Además del libro El universo malogrado – carta a Cioran, ha publicado las novelas Olvídate de Alcibíades, Hermanos mayores y El enfermo…

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“La escritura como expiación” (Rafael Conte)

El País, 23 Noviembre 2002 El breve relato que de un viaje a Ibiza realizó Emil M. Cioran (1911-1995) ayuda a comprender el misterio que impregna la obra del autor francorrumano. Su publicación en España coincide con la edición en Francia de un duro estudio sobre Cioran, Eliade e Ionesco, rumanos de nacimiento, fascistas en…

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“Un caníbal en París” (Rafael Narbona)

El Cultural, España, 08/04/2011 Emile M. Cioran (Rasinari, Tansilvania, 1911-París, 1995) cultivó el desarraigo, el nihilismo, la desesperación y una autocomplaciente megalomanía: “Durante toda mi vida he alimentado la extraordinaria pretensión de ser el hombre más lúcido que he conocido”. Es imposible leer estas líneas y no recordar a Nietzsche, planteándose en Ecce Homo: “Por qué…

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“The concept of tragic in Romanian philosophy: D.D. Rosca, G. Liiceanu, E. Cioran” (Gabriel Furmuzachi)

Far from being a deep study of the concept of tragic as approached by the Romanian philosophers, the present essay tries only to reveal three main perspectives of tragic within the Romanian culture. D.D.Rosca, G.Liiceanu and E.Cioran talk and write about the tragic, yet each in his own way, following a specific situation. European philosophy…

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“Emil Cioran e a escritura de si” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Em seu artigo “O ensaio como forma”, Adorno diz que “ainda hoje, elogiar alguém como écrivain é o suficiente para excluir do âmbito acadêmico aquele que está sendo elogiado”.[2] Este parece ser o caso de Emil Cioran, tão frequentemente classificado como um escritor, pura e simplesmente, o que tende a perder de vista o valor…

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“A consciência é uma doença: pessimismo existencial em Camus, Unamuno e Cioran” (Joshua Foa Dienstag)

Do livro Pessimism: philosophy, ethic, spirit. Princeton/Oxford: Princeton University Press, 2006, pp 118-158. Tradução de Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes. * Se existem pessoas felizes neste mundo, por que eles não aparecem e gritam com entusiasmo, proclamando sua felicidade pelas ruas? Por que tanta discrição e reserva? – E.M. Cioran No século XX, o pessimismo tem…

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