“Foi na cruz” (Nick Cave & The Bad Seeds)

Foi na cruz, foi na cruz Que um dia Meus pecados castigados em Jesus Foi na cruz Que um dia Foi na cruz Love comes a-knocking Comes a-knocking upon our door But you, you and me, love We don’t live here any more Foi na cruz, foi na cruz Que um dia Meus pecados castigados […]…

Leia mais

Fanatismo e animosidade, ceticismo e urbanidade (Emil Cioran)

Só existe humanidade no clima benévolo e compreensivo das dúvidas. Envolvendo a alma e o mundo numa doce inanição interminável, elas nos defendem da brutalidade dos credos e da intolerância inerente a qualquer delírio. É verdade que o fanatismo é o motor da história, mas o ritmo que impõe aos acontecimentos e aos homens se…

Leia mais

Em defesa da arte “degenerada” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Cioran teve uma breve experiência como professor de filosofia, na segunda metade da década de 1930, na cidade de Brasov. Ele conta a anedota da ocasião em que, chegando à sala de aula, perguntou à classe: “Por que razão não devemos dizer fenômenos psicológicos, mas fenômenos psíquicos?” Um aluno respondeu: “Um fenômeno psíquico é instintivo,…

Leia mais

Razne, um dos últimos escritos romenos de Cioran, prefiguração de sua obra francesa

Razne, escrito entre 1945 e 1946, é um dos últimos escritos de Cioran ainda em romeno, já vivendo há anos na França. Foi traduzido ao francês como Divagations, em italiano como Divagazioni e em espanhol como Extravíos. Um texto importante pela posição que ocupa no conjunto da obra: livro de transição entre a escrita em…

Leia mais

“A Romênia entre a História e a Europa” (Tony Judt)

A edição de fevereiro de 2000 da revista masculina Plai cu Boi de Bucareste apresenta uma certa princesa Brianna Caradja. Variando de adereços de couro a quase nada, ela aparece nas páginas centrais numa série de poses meio desfocadas, flagelando servos (masculinos) subservientes e semidespidos. Os rapazes submissos, envoltos em fumaça, cortam lenha, puxam trenós…

Leia mais

“La realidad definitiva y única posible” (Blas Matamoro)

Cuadernos Hispanoamericanos, 4 de noviembre 2019 Lev Shestov Atenas y Jerusalén Traducción de Alejandro Ariel González Ediciones Hermida, Madrid, 2018 533 páginas, 25.00 € Se leía a León Chestov —así escrito— en los años de 1940, mayormente en ediciones argentinas quizá retraducidas del francés. Chestov era un exilado ruso que vivió en Francia, de donde…

Leia mais

Um pensamento contra os falsos sábios e sofistas – entrevista com Helène Politis sobre Kierkegaard

IHU On-line – Revista do Instituto Humanitas Unisinos, n. 418, 13 maio 2013 Autor de uma obra endereçada aos “leitores possíveis” dispostos a estudá-la sem preconceito, Kiekegaard denunciou o caráter irrealista e abstrato da racionalidade hegeliana, destaca Helène Politis. Conexões entre o existencialismo e as ideias do dinamarquês são inadequadas Leitora de Kierkegaard há mais…

Leia mais

Chestov e a razão

Folha de São Paulo, 14 março 1978 Já tive ocasião de apontar que em Plotino encontramos a melhor, ou antes, a mais completa definição de filosofia. A pergunta – que é filosofia? – ele responde: – “To timiotaton” (o que mais importa). Essa definição destrói, logo de início e, ao que parece, não intencionalmente, as…

Leia mais

“A vida como in-eternidade, ou as revelações da dilaceração” (Emil Cioran)

Retumbam em ti as épocas geológicas? Se não, por que então falas do tempo? Foste o mar onde se derramaram os rios do tempo? Se não, por que se orgulhar da História? Reuniste todas as lágrimas que não secaram e as derramaste de novo para devolvê-las à terra e consolar os olhos e o coração?…

Leia mais

“Eterno” (Carlos Drummond de Andrade)

E como ficou chato ser moderno. Agora serei eterno. Eterno! Eterno! O Padre Eterno, a vida eterna, o fogo eterno. (Le silence éternel de ces espaces infinis m’effraie.) — O que é eterno, Yayá Lindinha? — Ingrato! é o amor que te tenho. Eternalidade eternite eternaltivamente eternuávamos eternissíssimo A cada instante se criam novas categorias do eterno.…

Leia mais

La figure du raté : perspectives comparatistes

POST-SCRIPTUM, n. 13, mai 2011 Présentation de Sara Danièle BÉLANGER-MICHAUD Les figures du raté ne sont pas rares en littérature : qu’on pense à l’Oblomov de Gontcharov, à l’homme du sous-sol de Dostoïevski, au Bartleby de Melville ou aux personnages de Maupassant, de Bernhard, de Vila-Matas ou de Coetzee. Mais cette figure n’est pas seulement l’apanage…

Leia mais

Solitude et lumière : ténèbres du troglodyte et éblouissement du désert chez Cioran (Lauralie Chatelet)

DEMARS, Aurélien ; STĂNIŞOR, Mihaela-Genţiana Stănişor. Cioran, archives paradoxales : nouvelles approches critiques. Tome IV, Classiques Garnier, pp.73-83, 2019. J’aborderai ici deux figures de la solitude chez Cioran, celles de l’ermite et du troglodyte. Force est de constater qu’il y a une tension chez Cioran dans sa conception même de la solitude. Plutôt que solitude…

Leia mais

Dialogo con Mirko Integlia su «Tormented by God: The Mystical Nihilism of Emil Cioran» (parte II)

Orizzonti Culturali Italo-Romeni, n. 1, gennaio 2020, anno X In questa seconda parte dell’intervista di Rodrigo Inácio R. Sá Menezes con Mirko Integlia, autore del libro Tormented by God: The Mystical Nihilism of Cioran (Libreria Editrice Vaticano, 2019), la conversazione gira intorno a temi quali il pericolo-Cioran (in virtù della natura labirintica e «ipertestuale» della scrittura frammentaria…

Leia mais

Alguns aforismos de Razne: um dos últimos escritos de Cioran em romeno

Li todos os livros da tristeza humana. E não me convenceram Convenceu-me o sangue, não obstante, sussurrando às ideias o cansaço de seu próprio calor. § A nostalgia é a forma mais doce da alienação mental, de nossa tendência a conceber outros mundos. § Estar no tempo, com menos proveito do que Deus antes da…

Leia mais

“Harmonias do inferno” – Baudelaire e a crise do paradigma musical (Eduardo Veras)

Remate de Males, Campinas-SP, n. 1, pp. 301-320, ja.jun./2019 Resumo: Este artigo propõe uma análise da relação problemática que a poesia de Baudelaire estabelece com a música. Pretendemos mostrar como o poeta dramatiza a desestruturação da linguagem poética tradicional pela adesão a uma retórica da desarmonia, da dissonância e do barulho, sem contudo se render…

Leia mais

“A dor e o existir: Fernando Pessoa” (Neyza Prochet)

Cadernos de psicanálise (Rio de Janeiro), vol. 34, no. 27, Rio de Janeiro, dez. 2012 Para o homem, a arte é o recurso que possibilita dar forma, tempo e lugar àquilo que, de outro modo, lhe seria inacessível. É a capacidade criativa que conecta o indivíduo a seu núcleo central, à fonte de onde se…

Leia mais

“Happy with Tears: On Melancholy as a Hungarian Condition” (Nick Loomis)

Los Angeles Review of Books, July 20, 2016 HUNGARIAN ESSAYIST László F. Földényi recently published a post on the Yale Books blog “Unbound” entitled, “Are Hungarians Melancholic?” As it happens, I’ve spent the past month ruminating over the same question, as a fellow Hungarian (half) and reader of Földényi’s newly translated (by Tim Wilkinson) book, Melancholy (1988). “Why are Hungarians sad?”…

Leia mais

“A melancholic exile: Emil Cioran and the feeling of nostalgia” (Paolo Vanini)

Abstract: This article aims to investigate the relationship between nostalgia, solitude, and skepticism in Emil Cioran’s thought. In the first place, we will examine how the concepts of Sehnsucht, saudade and dor are interpreted by Cioran as similar forms of radical nostalgia. In the second place, we will see how the skeptical attitude of doubting…

Leia mais

“E. M. Cioran, Nihilist and Ecstatic” (Robert Wicks)

Life and works In a brief autobiographical sketch, Emile Mihai Cioran described himself as follows: I was born on the 8th April 1911 in Rasinari, a village in the Carpathians, where my father was a Greek Orthodox priest. From 1920 to 1928 I attended the Sibiu grammar school. From 1929 to 1931 I studied at…

Leia mais

Eduardo Marinho, filósofo essencial (2)

No entanto, a função dos olhos não é ver, mas chorar; e para ver realmente é preciso fechá-los: é a condição do êxtase, da única visão reveladora, enquanto que a percepção esgota-se no horror do já visto, do irreparavelmente sabido desde sempre. CIORAN, Breviário de decomposição

Leia mais

“Ictiofídeos e liberais” (John Gray)

Em Da outra margem, coleção de ensaios e diálogos escrita por Alexander Herzen entre 1847 e 1851, o jornalista radical russo imagina um diálogo entre alguém que acredita na liberdade humana e um cético que julga os seres humanos por seu comportamento, e não pelos ideais professados. Para surpresa daquele que acredita, o cético cita…

Leia mais

“La prophétie du pire” (Sylvain David)

Fonte: Chapitre VI. La prophétie du pire – Presses de l’Université de Montréal DAVID, Sylvain, Cioran. Un héroïsme à rebours. Montréal: Presses Universitaires Montréal, 2006. L’homme, bien qu’il soit lui-même mortel, ne peut se représenter ni la fin de l’espace, ni la fin du temps, ni la fin de l’Histoire, ni la fin d’un peuple,…

Leia mais

“O mundo tem de recomeçar” (Emil Cioran)

ALGUÉM terá de sair um dia sob o sol e gritar para seu esplendor e para as trevas dos homens: “O mundo tem de recomeçar, o mundo tem de recomeçar!” Será necessário encontrar um emissário de um mundo novo que assuma todos os riscos da grande nova, que se esgote gritando em todas as direções…

Leia mais

“Du Moi comme apophatisme: Maurice Barrès, Emil Cioran, Philippe Muray” (David Paigneau)

Anales de Filología Francesa, n.º 27, 2019 Abstract: In the theological field, the term apophatism refers to a negative approach of defining God by what he is not rather than by what he is. This way of thinking can be applied to the definition of the writer’s Me as it appears in the literary works,…

Leia mais