“Controvérsias entre o pensamento de Cioran e o budismo” (José Rodrigo Sousa)

Fonte: Anais do XIV Simpósio Nacional da ABHR, Juiz de Fora, MG, 15 a 17 de abril de 2015

O pensamento budista

O Budismo surge na Índia em meio ao Hinduísmo, como também, a mudanças sociais e culturais, de uma estrutura camponesa para uma composição de vilas. É nessa inquietação de modificações que Siddhartha Gautama procura respostas para suas inquietudes, assim, ele sai dos domínios de seu palácio para adentrar em uma vida ascética. Segundo o que consta das diversas histórias sobre Gautama (o Buda histórico) ele teria deixado a condição de príncipe do clã Sãkya por sua sensibilidade espiritual em contraposição com os desejos sensuais e, consequentemente, pela instabilidade e mudança, como também pelo sofrimento que este afeta toda a condição humana.

A partir de sua percepção do estado no qual as pessoas se encontravam Gautama descobre a primeira nobre verdade, o sofrimento, dukkha, desse modo, é preciso renunciar a vida mundana, aos vícios que ela produz, por conseguinte, os vínculos familiares, a propriedade, a posição social, a procura desmedida pelos prazeres e a ambição que muitas das vezes é egoísta, nisto consiste na superação da condição do sofrimento no qual se está inserido.

As histórias sobre o Buda afirmam que ele teria dedicado cerca de seis anos de sua vida para estudar as práticas espirituais. Nas várias práticas ascéticas nas quais o Buda fez iniciação o mesmo identificou que essas práticas não eram totalmente satisfatórias.

O que se consta é que Siddhartha Gautama ao sair do palácio se depara com quatro situações a de um velho, um homem doente, um cadáver em decomposição e por fim um asceta. Dessas quatro impressões que Gautama teve quando saiu do palácio sob proibição de seu pai de que a vida de riqueza e prazer é inevitavelmente uma existência que não possui nenhum sentido. Assim, o Buda identifica que a última impressão que teve consistia na superação das demais e, consequentemente, ao perpetrar as práticas ascéticas identifica que elas não são suficientes e que a iluminação não poderia ser obtida por nenhum dos extremos, mas pelo caminho do meio.

Portanto, a iluminação que Gautama chega não se dá pelos exercícios ascéticos, mas pelo caminho do meio. E para se chegar a iluminação é necessário evitar os dois extremos, ou seja, está entre a auto complacência e o prazer, assim, é preferível estar entre a dor e o prazer e isto consiste O Caminho do Meio. O Buda alcançou sua iluminação a partir da prática de jhãna, que pode ser entendida como concentração ou meditação… [+]

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