“O desespero em Kierkegaard e Cioran” (Elton Silva Salgado)

Anais da XIII Jornada Internacional de Estudos de Kierkegaard da SOBRESKI – Sociedade Brasileira de Estudos de Kierkegaard (05 a 08 de novembro de 2013)

O desespero é bom
quando é fonte de energia
Fernando Pessoa

INTRODUÇÃO

O desespero aparece na maioria das formulações filosóficas, principalmente durante o século XIX, como sinônimo ou resultado da desordem, do mal e da infelicidade do mundo, i. e., como um dos obstáculos insuperáveis do mundo. Schopenhauer (2005), por exemplo, já apregoava que a vida era desespero e asseverava que o nosso mundo é o pior dos mundos possíveis, pois a desesperança supera os prazeres, faz a felicidade inatingível e torna a vida um complexo sofrível de acontecimentos ruins, desprezíveis ou repugnantes. Assim, o desespero pessimista se nos mostra para além da antítese ao otimismo, mas, principalmente, como negação da possibilidade de progresso ou de qualquer melhora do gênero humano.

Todavia, para além do sentimento contemplativo ou mesmo de resignação, vemos assurgir na primeira metade do século XX uma nova forma de desespero, aliada à noção de desespero, que se quer ativo, organizado, prático e a serviço da emancipação das classes oprimidas. Estamos falando de Walter Benjamin e a sua tentativa de organização do desespero como fonte de um método para escapar às vicissitudes de uma época que ele julgava sem compromisso e que pudesse estabelecer uma porção de desilusão e desconfiança, quiçá de pasmo ou espanto… [+]